segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Impressões sobre o Oscar 2011


- James Franco e Anne Hathaway não emplacaram. O início, naquela montagem com os filmes indicados, até que foi engraçadinho, mas depois o casal caiu na banalidade. Nem tanto por culpa deles. O script estava pouco inspirado,cheio de piadas sem graça (pra variar). Não obstante, Franco não tem presença de palco e ficou quase completamente apagado. Hathaway estava nitidamente nervosa, mas ao menos soube mostrar que tem agilidade para trocar de vestidos com rapidez;

- Ainda não entendi porque não chamam Robert Downey Jr. para apresentar o Oscar. Creio que não haveria melhor escolha;

- Por sinal, apesar de enxuta, essa foi uma das cerimônias mais fracas que já vi. Faltou emoção. Aquela ideia da Academia de retirar os prêmios honorários da cerimônia, transferindo-os para um evento realizado previamente, foi muito infeliz. Normalmente, eles eram os responsáveis pelos melhores momentos, injetando emoção com um público que costuma ficar de pé para aplaudir os homenageados. Já pensou passar um filminho com os melhores momentos da carreira de Francis Ford Coppola e em seguida ele entrar triunfante e ovacionado? Pois é, a Academia deu bobeira mesmo...;

- O momento mais curioso da noite foi a entrega do prêmio de atriz coadjuvante, com a presença de Kirk Douglas aos 94 anos. Logo em seguida, Melissa Leo, em uma atitude pseudo-engraçada, começa a soltar palavrões. Ao menos fugiu da rotina...;

- Colin Firth levou o prêmio de melhor ator, mas nós brasileiros sabemos que quem merecia era Wagner Moura;

- A previsibilidade nas principais categorias foi tão grande quanto quebra de carro alegórico em desfile de escola de samba. Acredito que alguns ainda insistiram na tese de que “A Rede Social” poderia levar filme e diretor apenas para deixar a cerimônia com um certo ar de suspense, o que não aconteceu;

- Lição que mais uma vez se tira da maioria das premiações: não é bom apostar na contramão do que foi decidido pelos sindicatos;

- Quando Steven Spielberg disse que os perdedores estariam ao lado de filmaços como “Cidadão Kane” e “Touro Indomável” ele não estava se referindo a “A Rede Social”, mas ao seu “O Resgate do Soldado Ryan”, um filme muito superior ao descartável “Shakespeare Apaixonado”, o qual também era apadrinhado dos Weinstein;

- Por sinal, tem gente por aí já dizendo que essa foi uma injustiça com “A Rede Social” do mesmo quilate daquela realizada com os citados “Cidadão Kane” e “Touro Indomável”. Menos, menos...O filme de Fincher é bem bom, mas eu cito pelo menos 3 outros longas melhores do que este concorrendo na mesma noite: “Toy Story 3”, “Cisne Negro” e “A Origem”;

- Os prêmios mais justos da noite foram o de melhor animação para “Toy Story 3” e o de melhor atriz para Natalie Portman;

- Gostei do discurso de Tom Hooper: “dê atenção ao que fala sua mãe”. As mães são sempre muito sábias mesmo;

- Natalie Portman também foi muito feliz ao falar que seu maior prêmio seria trabalhar com suas concorrentes;

- “Bravura Indômita” foi o grande derrotado da noite. Não levou nada das 10 indicações;

- Aquela ideia do coral infantil é bonitinha, mas está meio démodé. Acho que se encaixaria melhor se o Oscar fosse entregue na época do Natal;

- Uma das poucas boas ideias da noite foi a de levar todos os vencedores ao palco no fim da cerimônia. Dá um tom mais festivo e fica bem, televisivamente falando.

Bom, é isso. Agora, se você já não viu todos os indicados, confira para ver se concorda ou não. Ano que vem tem mais! O Cinema com Pimenta estará de olho novamente!
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3 comentários:

Cristiano Contreiras disse...

Sinceramente, não concordo com os premios de filme e direção, mais uma vez a Academia mostra que é tradicionalista ao extremo...enfim, gostei de ver Natalie com o Oscar nas mãos.

Achei Melissa Leo super falsa, simulando uma surpresa/emoção, rai ai.

abs

Julia Albuquerque disse...

O Cristiano tem rezão na reação da Melissa Leo. Me pareceu forçada e ensaiada, incluido o bendito fucking...

É ilusão pensar que a Academia premiará o melhor filme do ano, até porque filmes como Cisne Negro, em todo seu brilhantismo, é polarizador demais para ganhar, em particular com esse sistema de votos.

Não tenho certeza se RDJ seria um excelente apresentador porque, no caso de atores, as piadas dependem mais do time de escritores do Oscar - que precisa ser reformulado ASAP. Eu gostaria de ver o que Tina Fey - e o seu time de escritores particulares - faria. Sandra Bullock também seria uma forma interessante de unir comédia com tradição (Ela, afinal, é a Atriz Vencedora do Oscar Sandra Bullock...).

Como é inútil tentar um Oscar mais jovem e popular, eu faria uma edição realmente honrando a velha Holywood, com atores da era de ouro entregando os prêmios, e não simplesmente quem está estrelando um filme no mês que vem...

Fábio Henrique Carmo disse...

Como eu mencionei no post, Melissa Leo foi pseudo-engraçada. Ela estava se achando, na realidade.

Com relação às premiações, acredito que não se pode esperar que a Academia sempre consagre filmes inovadores/artísticos. Nos últimos anos, até que ela tem fugido ao conservadorismo. Lembrem-se que ela premiou "Onde Os Fracos Não Têm Vez" e "Guerra ao Terror". Mais cedo ou mais tarde ela voltaria a premiar algo mais conservador. E, sendo bem sincero, essa foi uma premiação menos injusta do que o Oscar dado a "Shakespeare Apaixonado", que até hoje me revolta.