sábado, 30 de janeiro de 2010

"O Portal do Paraíso": o maior fracasso comercial do cinema


Obs. O Texto abaixo não é uma resenha ou crítica, pois ainda não tive a oportunidade de assistir ao filme. Trata-se apenas de um texto que busca as curiosidades sobre a produção, além de traçar, de forma superficial, a sua temática. Uma vez advertido(a), acompanhe as linhas se assim o desejar.

Esta semana, “Avatar” atingiu o status de longa-metragem de maior bilheteria de todos os tempos, ultrapassando o sucesso anterior de James Cameron, “Titanic” (mesmo que, para isto, se valha de artifícios como ingressos mais caros para salas de projeção em 3D e valores não atualizados para a arrecadação de “Titanic”). Mas, talvez muita gente se faça a pergunta: “Se ‘Avatar’ é o maior sucesso, qual seria o filme que resultou no maior fracasso da indústria cinematográfica?”.

Provavelmente, a resposta que muitos críticos e especialistas darão será “O Portal do Paraíso” (Heaven’s Gate), filme do diretor Michael Cimino lançado em 1980, e o mais caro realizado até então. Custou cerca de US$ 45 milhões aos cofres da United Artists o que, em valores atualizados, resultaria em uma produção de aproximadamente US$ 200 milhões, cara até para os padrões perdulários do cinema atual. A verdade é que o longa teve resultados catastróficos nas bilheterias, arrecadando apenas US$ 1 milhão, o que redundou em um prejuízo de 98%, levando a United à falência. Desde então existe uma aura de maldição que paira sobre o longa, não tendo passado por processo de reabilitação nem mesmo nesta era de DVD-Blu Ray (muito embora exista a disponibilidade em DVD nos USA).

O mais curioso é que o filme tem em sua direção e elenco nomes consagrados que jamais fariam prever tamanho desastre. O diretor, Michael Cimino, vinha da láurea do Oscar, recebida em 1979 pelo seu “O Franco Atirador” (1978), filme sobre as sequelas da guerra do Vietnã sobre um grupo de amigos operários recrutados para o conflito. Tanto o filme quanto Cimino foram oscarizados, além da produção ter ido muito bem nas bilheterias. Além disso, no elenco de “O Portal do Paraíso” estavam nomes como John Hurt, Isabelle Hupert (sim, uma das musas do cinema francês), Christopher Walken (que havia trabalhado com Cimino em “O Franco Atirador” e levado o Oscar de coadjuvante por esse trabalho), Kris Kristofferson, entre outros. Mas, então, o que deu tão errado?



Muito provavelmente, o fracasso teve como principal fator uma inadequação ao momento pelo qual passavam os EUA e seu público, que já estava se cansando de ver nas telas expiações do Vietnã, além de acompanhar, ao longo dos anos 70, casos de corrupção como o de Watergate dominando os noticiários. Ou seja, o ambiente estava propício para produções de tom escapista como as de Steven Spielberg e George Lucas com seus contatos com extra-terrestres e guerras estelares. E a temática de “Heaven’s Gate” era exatamente o contrário disto que o público estava esperando. O longa trata de um episódio um tanto obscuro da história dos EUA, um conflito ocorrido no Condado Johnson, no Estado do Wyoming, por volta de 1890, onde rancheiros contrataram exércitos de mercenários para conter os avanços dos imigrantes que vinham em grandes caravanas para a região. Devido aos conflitos surgidos entre fazendeiros e colonos e a incapacidade do Estado de exercer seu poder, além de prover a manutenção de serviços básicos como água e saneamento, uma verdadeira faxina demográfica foi realizada para restabelecer a ordem e o “progresso” (parece o lema da nossa bandeira). Cimino, desta forma, aproveitou o tema para realizar fortes críticas à formação e hipocrisia da sociedade americana, desmistificando a conquista do Oeste.

Tamanha autocrítica nunca costumou render muitos pontos com o público estadunidense (essa não é, vale frisar, uma virtude que lhe seja frequente). Ademais, os críticos torceram o nariz para a obra, talvez influenciados pelos inúmeros boatos que rondaram a produção. Um deles falava que Cimino teria gastado horrores construindo uma verdadeira cidade no meio do nada apenas para filmar uma única sequência, além de fazer todo elenco esperar horas somente para bater uma foto que constaria em uma das cenas. Reza a lenda que muitos da equipe o chamavam pelas costas de “O Aiatolá”. Ridicularizado até em programas de TV, Cimino caiu do seu pedestal de gênio (recentemente conferido pelo citado “O Franco Atirador”). E o seu ambicioso projeto se transformou em um monumental fracasso.

Alguns cineastas, como Martin Scorsese e Francis Ford Copolla, consideram o filme uma obra-prima incompreendida. Talvez seja. Infelizmente, até hoje ainda não tive a oportunidade de assistir e comprovar se tão prestigiosos diretores estão com a razão. É provável que estejam. Vale lembrar que durante anos, “Cidadão Kane” foi relegado pela crítica e nunca chegou a ser sucesso de público. Obras geniais costumam ser incompreendidas em seu tempo. De qualquer forma, obra-prima ou porcaria monumental, resta a curiosidade para os cinéfilos em descobrir um filme que pode ser taxado de “o maior fracasso comercial de todos os tempos”. Fica a dica.
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16 comentários:

Nicholas disse...

Tá brincando, né ? Escreveu, escreveu, escreveu para no final dizer que ainda não viu o filme ? Dê-se ao menos esse trabalho...

Fábio Henrique Carmo disse...

Bem, Nicholas, o que posso fazer? Postei isso aqui como uma curiosidade, não é uma crítica nem uma resenha. Se estiver disposto a importar o filme com um preço final extorsivo, fique à vontade. Não encontrei o filme na net para baixar.

De qualquer forma, obrigado pela visita ao blog.

Nicholas disse...

http://thepiratebay.org/torrent/3751206/Heaven_s_Gate

Taí!

Escreva a crítica que eu prometo que leio.

:D

Fábio Henrique Carmo disse...

Nicholas, obrigado pelo link. Vou baixar o filme. Só não prometo pra logo, pois o filme é bem longo e a prioridade atualmente são os filmes do Oscar! :=)

Abraço!

Anônimo disse...

Cara, se você ainda não viu esse filme está perdendo. É uma grande obra realmente, não digo incompreendida, mas para qual tiveram e têm muita má vontade. Eu tenho uma cópia e creio que na net há. Esse filme é um dos meus alvos no meu iniciante blog Sarrabulhada Cult, futuramente. Se não encontrar, entre em contato. Deveria e mais que merece ser lançado em BluRay com edição cheia de extras. Não tenha dúvida.

Anônimo disse...

O filme é excelente, monumental! Acho que os argumentos do Fábio Carmo para justificar o fracasso, são muito apropriados.
Talvez não fosse o momento apropriado para trazer à tona um episódio cruel dentro de um cenário da história americana marcada por conquistas, bravura, patriotismo, da qual o povo americano muito se orgulha. Vale a pena assitir! Taís

Anibal disse...

Este filme que não foi apenas o "maior fracasso da história do cinema". Foi, sem dúvida e principalmente, a maior injustiça. Trata-se de um belíssimo filme, destes poucos que ao terminar, já queremos vê-lo novamente.Tomara, um dia a história lhe resgate ao seu devido lugar, qual seja, UM DOS MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS.

Faroeste disse...

Passei anos esperando este filme passar para assistir. Gosto de coisas polemicas para dar minha visão sobre o assunto depois de conhecer seu conteudo.

Felizmente ele passou na TV CULT semana passada. O gravei e o assisti de 3 vezes, mesmo o filme tendo um Intervalo, que desconhecia, mas o mesmo é longo demais, tendo 3.50Hs.

Não vi o que falar muito desta boa fita, senão alguns pontos do enredo que o diretor deixa com pouco conhecimento de nós, já que ele se aprofunda demais nos tres personagens principais (o Khristofen, o Walker e a linda Ruppert).

O cenário é também um pouco estravagante e Cimino parece dirigir o filme como um ditador, já que grandes atores fazem cenas que não seria necessário fazerem, como é o caso de Hurt, num mau momento seu no cinema, ou seja, muito mau aproveitado.

O epílogo também deixa a desejar, possivelmente dado à falta de tarimba do diretor para fazer cenas de multi ação. Tem alguns e pesados pecados aí.

Afora esses detalhes, e de a fita ser muito longa, é um filme bem feito, com cenas lindissimas, bons atores (Crhistoferson está magnifico, assim como a Ruppert), com tomadas magnificas (como os numeros musicais, que são perfeitamente coreografados e de uma grandeza de detalhes que impressionam), e muito mais.

Enfim, sou capaz de assegurar que este filme ainda vai se assentar diante do grande publico e ter um avanço muito positivo na sua vida, até ora, curta demais.
jurandir_lima@bol.com.br

billabong disse...

Assisti ao filme hoje no Telecine, achei sensacional! Muit bom, historia, cenario perfeito, acho que conseguiram recriar perfeitamente a cultura da epoca. Mt show apesar de ser beem longo, voce quer continuar vendo.

Parabens a este filme, abrira mt discussao hehe

Anônimo disse...

Nossa! Mais de 2 anos e ainda comentando esse blog (eu, hehehe). Eu também não consegui entender essa questão de tendência estadunidense para o momento do filme. Esse filme, Portal do Paraiso, é lindo demais. O cenário, o elenco (até o Mike Rourke!!!) e a trilha sonora é de uma combinação apaixonante. Estadunidense é muito temperamental.

[sic]. disse...

queria entender isso também. não viu o filme, não forneceu a fonte para as referências e dá opiniões que não são suas. espero que tenha conseguido ao menos baixar e escrever outro texto mais idôneo.

Anônimo disse...

Passou agorinha, filmaço.. é fácil saber porque é "incompreendido".. o filme mostra um lado um tanto negro na história do velho oeste americano.

Paulo da Figaro disse...

Assisti o filme na TV a cabo ontem à noite e adorei, fiquei preso do começo ao fim. Fantástica recriação de época. Curti demais a música, a cena da dança, uma beleza. Quanto ao blogueiro, qual o problema em se levantar uma lebre, aguçar a curiosidade sobre algo que não se viu ? Vocês andammuito chatos e críticos. Menos patrulha, gente.

Fábio Henrique Carmo disse...

A intenção era justamente essa: instigar a curiosidade, não realizar uma crítica ou análise aprofundada do filme.

Alguns chegaram a dizer que isso era "picaretagem cultural" (o comentário que continha essa expressão foi autorizado, mas infelizmente aconteceu algum problema com o blogger que não o exibiu), e aqui me defendo afirmando que picaretagem cultural seria justamente se eu não tivesse visto o filme e não admitisse isso. Aliás, existem muitos críticos por aí, de alguns veículos até famosos, que já escreveram críticas sem ter visto o filme (o que é um absurdo), mas só um leitor com olhar treinado percebe este tipo de expediente. Um abraço a todos, mesmo para aqueles que criticaram a iniciativa.

Anônimo disse...

Acabei de assistir, baixei da net, belissimo, mas como mtos disseram looogo, não merecia as framboesas nem o fracasso de publico, fotografia e recriação de epoca impecaveis, as criticas mto profundas, John Hurt não foi disperdiçado acredito que representava a alienação e impotencia da sociedade da epoca( 1980).

Leandro M disse...

Os críticos pegaram pesado, o único defeito do filme foi o colossal orçamento de 44 milhões, sendo que o filme deveria inicialmente ter custado apenas 2 milhões. 44 milhões daquela época hoje equivalem 200 milhões com a correção da inflação, um valor alto até para os grandes blockbusters atuais. O filme foi literalmente o maior fracasso financeiro da história porque rendeu apenas dois milhões, ou aproximadamente 98% de prejuízo. O Diretor era excelente, o que faltou a ele não foi talento, foi bom senso para administrar o orçamento do filme.