terça-feira, 9 de agosto de 2011

Capitão América - O Primeiro Vingador


Com um certo atraso, segue a resenha do mais novo filme da Marvel.


Patriotismo sem patriotadas



Eu era bem garoto quando li a primeira HQ do Capitão América. Tinha uns 8 ou 9 anos e aquelas aventuras de um herói sem superpoderes me entusiasmaram bastante, algo irônico para quem me conhece hoje, já que costumo ser um severo crítico do imperialismo ianque (apesar de amar o seu cinema, mas cada um tem suas contradições...). Talvez também tenha influenciado o fato do personagem ser de um tipo franzino (como eu, à época) e, por meio de uma experiência com um soro denominado de “supersoldado”, transforma-se em um homem forte que leva ao limite todas as potencialidades físicas de um ser humano. Ademais, seu caráter sempre correto (neste ponto com um jeitão de Super-Homem) era um exemplo para um garoto em formação (mais tarde, na adolescência, eu iria preferir Wolverine, mas isso já é uma outra história...). Sendo assim, foi com grande carinho que acompanhei este “Capitão América – O Primeiro Vingador” na sala escura.

Contudo, vou procurar não me deixar levar por aspectos passionais. Em uma análise fria, acredito que o filme pode ser divido em duas partes, sendo a primeira bastante superior à segunda. São nos primeiros 60 minutos de projeção que acompanhamos a transformação de Steve Rogers, de um mero rapaz magrelo que deseja ardorosamente servir ao exército norte-americano durante a Segunda Guerra Mundial, a um herói usado como peça de propaganda do governo americano para conseguir contribuições para o esforço de guerra. Fiquei admirado com a perfeita percepção do diretor Joe Johnston acerca do personagem. Steve pode ser patriota, mas nunca parece ser um idiota. Ele é um homem que deseja ardorosamente lutar por aquilo em que acredita e, no caso, não há nada de errado nisso. Afinal, o inimigo em questão era o nazismo, uma das mais abjetas ideologias já surgidas na história da humanidade. Tal circunstância acaba servindo como uma maneira de amenizar o tom possivelmente americanizado que poderia assumir o longa. Esta, inclusive, era uma das grandes preocupações da Marvel diante do forte sentimento anti-americano que se espalhou pelo mundo nos últimos anos e qualquer estúdio sabe o quanto é importante, hoje em dia, a bilheteria obtida fora dos Estados Unidos para fechar suas contas. Mas tudo fica muito equilibrado, chegando a surgir até mesmo algumas críticas abertas ao modo de ser dos estadunidenses. Um patriotismo sem patriotadas.

Ao falar sobre a boa caracterização do personagem de Steve Rogers, não podemos esquecer da competência da atuação de Chris Evans (quem diria...), que soube muito bem achar o tom correto. Ademais, os efeitos especiais que transmudaram o corpulento ator em um rapaz franzino são simplesmente excelentes (técnica similar foi usada em “O Curioso Caso de Benjamim Button”). Diante de olhos desavisados, pode-se pensar que se tratam de dois atores diferentes. Mas não é apenas Evans que está bem. Todo o restante do elenco alcança bons resultados, principalmente Tommy Lee Jones como o general Chester Phillips, responsável pelas frases mais espirituosas do longa, e Hayley Atwell como Peggy Carter, a militar que é o interesse romântico do herói. A relação entre os dois, por sinal, é bem desenvolvida, sem pressa e soando perfeitamente natural (neste ponto, o oposto a “Thor”, com seu namoro quase instantâneo).


Entretanto, é na segunda metade que o filme acaba caindo em qualidade. Muito focada na ação, ironicamente (pois que se trata de um filme de super-herói) se torna arrastada, já que Johnston não demonstra criatividade em cenas de aventura. Há alguns bons momentos, mas a sensação reinante acaba sendo de enfado, até mesmo porque o vilão Caveira Vermelha, chefe de uma organização à parte do nazismo, a Hidra, não se mostra especialmente interessante, mesmo com o esforço do seu intérprete Hugo Weaving. Esta “segunda parte” da película só não se torna totalmente dispensável devido à sua sensível conclusão - muito embora já haja nela o gancho para o futuro filme dos Vingadores, o qual parece estar sendo tratado pela Marvel Studio como a cereja do bolo que é toda essa enxurrada de filmes com seus heróis.

De qualquer forma, em que pesem os defeitos apontados, a produção inegavelmente caprichou nos detalhes. A direção de arte recuperou muito bem a estética das HQs dos anos 40, sendo que os créditos finais resultaram em verdadeira peça retrô, com os traços característicos da época (sequência bastante charmosa). Outro ponto alto é a trilha sonora do veterano Alan Silvestri, inspirada e perfeitamente adequada ao personagem. E isso sem falar nos já mencionados efeitos especiais, ótimos não apenas para deixar Chris Evans magrinho, como também em praticamente todas as cenas onde eles são exigidos. Nos aspectos técnicos, só o que deixa a desejar é o 3D (convertido, diga-se de passagem), completamente desnecessário *.

Não posso negar, contudo, que considerei interessante a experiência de ver o “bandeiroso” na telona (foi gratificante, como antigo leitor, me deparar com personagens como Dum Dum Dugan) e acredito que possa se tornar também um entretenimento cativante para os não iniciados, mesmo que tenha deixado aquele gosto de preparação para o filme-evento “Os Vingadores”. Falando nisso, não aguento mais esse sensacionalismo todo com o filme do supergrupo. Já ficou chato ver em todo fim de longa-metragem da Marvel essas referências e ganchos para o que está por vir. Tomara que consiga fazer jus a tanta expectativa criada.


Cotação:

Nota: 7,5

* Acabei vendo em 3D por ser a sessão com o horário mais conveniente.
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6 comentários:

Celo Silva disse...

Excelente texto, o filme é legal mesmo, mas será q com tantos personagens bons o filme dos vingadores será coeso? Abs

Amy disse...

seu blog eh dez e muito legal..so naum entendo o nome...por que 'cinema com pimenta'??? aqui nao tem nada de apimentado..vc so comenta filmes mais gerais e sem ser sexy...que tal mudar o nome do blog?? fica a dica ae.

alan raspante disse...

Estou sempre adiando para ir ao cinema ver este filme. É a mesma coisa do X-men. Espero conseguir vê-lo em breve, estou bastante animado para conferir o longa =)

renatocinema disse...

Adorei o filme, apesar de não ser muito fã do personagem.

O texto do Clube da Luta estava dando problema para entrar no ar. Mas, de uma olhada que consegui.

Abraços

Fábio Henrique Carmo disse...

Celo, creio que o Capitão, por ser o líder, e o Homem de Ferro (por conta de sua popularidade) serão mais focados. Já o Hulk, como personagem mais problemático da Marvel, deve ser deixado de lado.

Respondendo mais especificamente a Amy, o motivo do blog ter esse nome está mais bem explicado aqui: http://cinemacompimenta.blogspot.com/2009/07/cinema-com-pimenta-1-ano.html

Ah, mas deixa ele assim. Já tem 3 anos de estrada e é bonitinho! Espero que aproveite bem o espaço!

sandrafofinha disse...

eu achei o filme super super legal. vi no cinema em 3D tambem e não me arrependi,tem efeitos especiais super giros. adorei.