sábado, 15 de maio de 2010

Filmes Para Ver Antes de Morrer


Steven Spielberg – Sete filmes essenciais

O nome de Steven Spielberg se tornou sinônimo de grandes bilheterias cinematográficas, uma verdadeira grife do mercado que costuma render milhões aos cofres dos estúdios (hoje em dia, principalmente da “Dreamworks”, empresa da qual é um dos acionistas). É comum, entretanto, até devido a essa associação com o sucesso, muitos lembrarem de seus filmes como apenas entretenimento, o que está longe de ser verdade. Spielberg é um dos principais criadores, juntamente com seus companheiros da chamada “Nova Hollywood”, de uma nova linguagem cinematográfica que impera nos cinemas até hoje. Foi ele o responsável pelo surgimento do chamado “blockbuster”, aqueles filmes lançados normalmente no verão norte-americano que costumam atrair públicos gigantescos para as salas de projeção. Hoje em dia, muitos se irritam com a fórmula previsível destes filmes. Mas isso não diminui a força deste diretor seminal, o qual não pode ser responsabilizado pela falta de criatividade de seus pares. Um verdadeiro “nerd” do cinema (ele cresceu assistindo a todo tipo de filmes na TV e nos cinemas), abaixo relaciono sete filmes essenciais de sua prolífica carreira, como uma forma de dar um norte para aqueles que estão ainda iniciando. Prepare a pipoca, mas não deixe de prestar atenção também nas entrelinhas de cada película. Os filmes estão dispostos apenas em ordem cronológica, sem seguir uma preferência pessoal.

Tubarão (Jaws, 1975) – Spielberg se baseou, aqui, na premissa do seu primeiro filme, feito para a TV alguns anos antes, o peculiar e inteligente “Encurralado”. Neste, um homem comum, em viagem pelas estradas americanas, é perseguido, sem qualquer motivo aparente, por um caminhão negro e enorme. Ao longo da trama, jamais vemos quem é o motorista e as possíveis motivações jamais são elucidadas. A verdade é que o jovem diretor, então com apenas 24 anos, conseguiu criar um enorme clima de tensão e mistério, fazendo um caminhão transformar-se em um verdadeiro monstro de filme de terror. Trabalhando com esse conceito, Spielberg leva as circunstâncias para o mar, em vez da estrada, e consegue um efeito ainda mais poderoso. Na maior parte da projeção, o tubarão assassino e gigantesco não é mostrado, mexendo com o nosso inconsciente temor do que não podemos ver. As cenas em que as pessoas são devoradas causam ainda maior impacto devido à trilha macabra de John Williams, o qual se inspirou na famosa trilha de violinos que Bernard Hermann elaborou para “Psicose”, de Hitchcock. O filme foi um estrondoso sucesso de bilheteria (inclusive no Brasil) e foi a partir dele que se cunhou o mencionado termo “blockbuster”.

Os Caçadores da Arca Perdida (Raiders Of The Lost Ark, 1981) – É aqui que surge “Indiana Jones”, o mais do que famoso personagem encarnado à perfeição por Harrison Ford (que não foi o primeiro cotado para o papel, que seria de Tom Selleck), um professor universitário de Arqueologia que, nas “horas vagas”, se aventura pelo mundo em busca de artefatos históricos esquecidos/perdidos. É sabido que Spielberg, juntamente com o amigo George Lucas (que foi o produtor), tentava resgatar o clima das aventuras dos filmes “B” que eram exibidos em matinês dos cinemas em outros tempos, com seus heróis intrépidos e quase indestrutíveis que passavam por aventuras mirabolantes. E o fato é que ele conseguiu atingir plenamente seu objetivo. Ou melhor, superou. Sucesso estrondoso, o filme teria mais duas continuações, “O Templo da Perdição” e “A Última Cruzada”, transformando o personagem de Indy e a famosa trilha de John Williams em ícones culturais. Recentemente, tivemos mais outro exemplar da série, intitulado “O Reino da Caveira de Cristal”, o qual, todavia, não atingiu o brilho da trilogia original.


E.T. – O Extraterrestre (E.T. – The Extra-Terrestrial, 1982) – Este possui um valor especial para mim, pois foi um dos primeiros filmes que vi em uma sala de cinema. Eu tinha apenas 5 anos então e chorei muito com a partida final do famoso e pequeno extra-terrestre para o seu planeta natal. É interessante como neste longa ,que parece tão infantil, Spielberg é capaz de incutir uma das mais fortes mensagens contra qualquer tipo de preconceito (vale lembrar que o próprio diretor é judeu). Afinal, o E.T. do título, que é esquecido pela tripulação de sua nave aqui na Terra, é nanico e feinho, possuindo uma aparência que assusta em um primeiro momento. Contudo, quando se passa mais um tempo ao seu lado, ele se mostra a mais dócil de todas as criaturas, com seus olhos grandes e carentes, cheios de sentimento. Poucas cenas representam tanto a magia do cinema como aquela em que a bicicleta do menino Elliott alça vôo juntamente com o amigo de outro planeta e cruza a lua. Inesquecível para qualquer retina. Muitas vezes acho que foi essa cena que me transformou em um apaixonado pelo cinema. Obrigado, Steven Spielberg!

Obs. Prestem atenção em Drew Barrymore ainda pequenininha!


A Lista de Schindler (Schindler’s List, 1993) – Este foi o longa que gerou toda uma onda de filmes sobre o Holocausto que se estende até hoje. Há tempos Spilberg procurava ser respeitado não apenas como realizador de filmes pipoca, mas também como um cineasta “sério”, capaz de realizar obras voltadas para um público mais “maduro”. Foi assim com “A Cor Púrpura” e “Império do Sol”, os quais não foram muito bem recebidos por público e crítica (muito embora eu considere “Império do Sol” um ótimo filme). Com “A Lista de Schidler”, entretanto, Spielberg atingiu um nível de maturidade artística ímpar, mostrando um grupo de judeus salvos da morte certa em campos de concentração por um integrante do partido nazista (interpretado por Liam Neeson em seu melhor desempenho em um filme). Fotografado com preto e branco deslumbrante, o filme causou enorme impacto por mostrar a violência nazista de uma forma nunca antes vista, com toda a sua crueza e barbárie. Vencedor de 7 Oscars, pode-se até acusá-lo de ser uma obra manipuladora, inserindo elementos não verídicos para aumentar o potencial de lágrimas na plateia, mas isso não diminui sua relevância artística e mesmo histórica. O filme transformou-se em um verdadeiro “evento” quando foi lançado (até hoje lembro da fila que enfrentei para vê-lo) e influenciou várias obras posteriores, como o igualmente ótimo “O Pianista”, de Roman Polanski.

O Resgate do Soldado Ryan (Saving Private Ryan. 1998) - Este não é um filme perfeito. Existe melodrama e um patriotismo meio barato em sua conclusão, mas é inegável o impacto de sua primeira meia hora de projeção. Jamais tínhamos visto tamanho realismo em cenas de guerra na sala escura. O desembarque das tropas aliadas na Normandia, durante o famoso “Dia D”, ganhava cores ineditamente verídicas. Muitos críticos afirmam que a tal meia hora inicial deste longa era a melhor sequência de abertura da história da 7ª arte. Exagero ou não, a verdade é que mais uma vez Spielberg arrebentava a boca do balão e ganhou seu segundo Oscar de direção pelo feito. É deste longa que surgiu o interesse por séries como “Band Of Brothers”, produzida pelo próprio Spielberg juntamente com Tom Hanks, o protagonista deste “Soldado Ryan”, que atinge grande intensidade interpretando um capitão que comanda um grupo de soldados destacados para encontrar o tal Ryan do título (Matt Damon), o qual, por sua vez, é o último sobrevivente de quatro irmãos, todos mortos na guerra. Se você ainda não viu a mencionada sequência inicial, assista o quanto antes.




Prenda-me Se For Capaz – (Catc
h Me If You Can, 2002) – Um dos meus favoritos de Spielberg, aqui o diretor inicia um novo tipo de abordagem, mais ameno e menos espetacular ou grandioso, para contar a história real do falsário Frank Abagnale, o qual ludibriou a companhias aéreas durante anos a fio, falsificando passagens e até mesmo fazendo-se passar por piloto. Era ainda um especialista em falsificar cheques e, depois de um período na prisão, acabou se tornando um especialista do FBI na área. Divertido e despretensioso, nesta obra Spielberg realiza o seu filme de atores, com ótimas atuações de Tom Hanks (que hoje em dia parece que esqueceu de atuar) e, principalmente, Leonardo DiCaprio, o qual dá um show como o protagonista. A trilha de John Williams também está particularmente inspirada (observem bem na sequência dos créditos iniciais, que é ótima). Spielberg repetiria a fórmula do longa, em estilo e acabamento, com “O Terminal”, também com Hanks, mas o resultado não foi tão especial quanto aqui.





Munique (Munich, 2005) – Talvez o mais “frio” longa do cineasta. De forma seca e objetiva (e violenta), sem apelar para aspectos emocionais, ele mete o bedelho no conflito entre árabes e israelenses na Palestina. Seu ponto de partida é o atentado terrorista durante a Olimpíada de Munique, em 1972, que resultou na morte de 11 atletas israelenses, ao qual se seguiu uma reação do Mossad, o serviço secreto de Israel, no mesmo patamar de violência. Eric Bana faz um desses agentes judeus e representa as reflexões e dilemas vividos por seu povo. Aplaudido pela crítica, o filme acabou não indo bem de bilheteria, talvez porque o público não esperasse um filme tão político vindo do cineasta (o que com certeza influenciou para que fosse esquecido pela Academia). Contudo, talvez Spielberg nunca tenha se mostrado tão maduro quanto neste trabalho.

Obs. Vejam lá o Daniel Craig, como um dos agentes do Mossad, antes de se tornar o famoso agente 007.


Ah, e bons spielbergs pra você!
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3 comentários:

Cristiano Contreiras disse...

Parabéns pelo post e conceito!

Aprecio e sou adepto do universo Spielberguiano, rs!

Mas, Munique não me cativa...ora acho ele arrastado, ora meio confuso na abordagem.

Colocaria nessa lista no lugar dele o filme Inteligência Artificial.

Abraço

Fábio Henrique Carmo disse...

Gosto de Inteligência Artificial, mas não de sua conclusão, que me lembra muito comercial de amaciante Fofo. O filme seria perfeito se terminasse no momento em que o garoto-robô encontra a "fada azul" e pede para ser um menino de verdade. Mas aí, vem aquele epílogo e a coisa desanda...

Gabriel França disse...

o melhor cineasta de todos!