sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Looper - Assassinos do Futuro


A primeira impressão é a que fica

Se fosse utilizar apenas um adjetivo para definir este “Looper – Assassinos do Futuro” com certeza seria “estranho”. Foi o que comentei com minha esposa aos sairmos da sessão no cinema, ainda meio atordoados por uma trama que mistura viagens no tempo com mutações genéticas que lembram os filmes dos X-Men e até mesmo “Akira”, a animação japonesa cult de Katsuhiro Otomo. No entanto, o adjetivo “estranho” merece ser visto aqui não como um demérito, mas antes como uma virtude do longa dirigido pelo pouco conhecido Rian Johnson. Tal como filmes como “Star Wars” ou “Matrix”, “Looper” tem o mérito de propor um universo ficcional com regras e nuances próprias, mesmo que, ao analisarmos mais detidamente, elas se mostrem como uma mistura de ideias já vistas em outros produtos pop.

A trama, meio confusa como normalmente sucede com longas sobre viagens no tempo, narra a vida de Joe (Joseph Gordon-Levitt), um “looper”, uma espécie de matador de aluguel encarregado de eliminar vítimas enviadas do futuro, devendo também se livrar dos seus corpos (tarefa fácil, já que o corpo é de alguém que nem existe no tempo em que se passa a narrativa). Os problemas começam quando o alvo enviado do futuro para execução é o próprio Joe algumas décadas mais velho (interpretado por Bruce Willis), o que irá gerar uma série de descontinuidades temporais bem ao estilo “De Volta Para o Futuro” (Back To The Future, 1985). Para tentar evitar o assassinato da sua esposa, o Joe “velho” vai tentar eliminar o futuro líder da máfia em questão, o qual parece ser um garoto com poderes mutantes telecinéticos descontrolados (acredito que semelhanças com “O Exterminador do Futuro” também não são mera coincidência).

O problema deste tipo de enredo é que, inevitavelmente, surgirão várias pontas soltas e seu final em aberto, denotando a intenção de construir uma franquia a partir deste, deixa a situação ainda pior. Mas não se pode negar que Johnson sabe conduzir seu material e o espectador, a partir de metade da projeção, já está totalmente envolvido pelo universo proposto, por mais estranho e absurdo que ele possa parecer (o que em geral acaba invariavelmente sucedendo com este subgênero de ficção científica). Jonhson consegue atribuir uma personalidade inesperada a um filme que poderia fracassar de maneira retumbante em mãos erradas ou apresentar apenas mais do mesmo. Além disso, o roteiro, escrito pelo próprio Rian Johnson, apresenta conotações sociais ao insistir constantemente na assertiva de que o caráter de um indivíduo em boa medida é moldado pelo meio onde ele vive. O próprio Joe se apresenta como vítima das circunstâncias, revelando um passado turbulento, comentado pelo mesmo ao longo da narrativa. Há ainda um clima de máfia japonesa no ar (mais uma referência), dadas a violência e crueldade com que agem os integrantes da máfia em questão.

Para a credibilidade do protagonista, por outro lado, contribui muito a participação decisiva de um ator de qualidade como Gordon-Levitt. Com mais uma boa atuação, Levitt chegou a usar próteses e uma competente maquiagem para ficar mais parecido com Bruce Willis, uma vez que ambos interpretam o mesmo personagem. Até as canasctrices de Willis são bem captadas por ele, numa perfeita simbiose que nos faz ter a sensação de realmente estarmos diante do mesmo personagem. Emily Blunt como Sara, mãe do garoto que passa a ser ponto central dos acontecimentos, também aparece com boa presença. Em outra vertente, a fotografia, com tons escuros, e a trilha sonora são outros fatores que ajudam a criar a tensão e o suspense, principalmente a partir da segunda metade da projeção.

Contudo, o que realmente compensa em “Looper”, a despeito de seu bom aparato técnico-artístico, é a sensação de estarmos vendo algo novo, mesmo que este “novo” aponte fortes referências de obras predecessoras. Ele não é baseado em livros ou HQs, não continuação, remake, prequel ou qualquer coisa que o valha. Trata-se de um filme em que um cineasta resolveu contar uma história que simplesmente lhe passou na cabeça e isso, diante da pouca inspiração do cinemão pipoca dos últimos anos, é um grande trunfo que nos faz olhar para ele com uma primeira impressão de simpatia. Dizem por aí que “a primeira impressão é a que fica”. E, ao menos com este que vos escreve, a primeira impressão de estar diante de uma agradável estranheza foi a que ficou.


Cotação:
Nota: 8,0
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6 comentários:

renatocinema disse...

Amigo......adoro filmes ESTRANHOS. KKK. Adoro mesmo.

Gostei da dica..mesmo que estranha.


abraços

Celo Silva disse...

Pô, ainda não consegui assistir esse filme. Agora que tó de ferias, vou ver com certeza essa semana. Gosto do trabalho desse diretor e seu texto só me instigou mais.
Abraço!

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Já não consigo ver nada com o Bruce Willis...

O Falcão Maltês

Suzane Weck disse...

Ola caro amigo,não tenho visto quase este tipo de filmes ,mas teu texto está muito bom e incentiva a conferir o filme.Referindo ao teu post anterior,dos sete filmes para serem vistos antes de morrer,o unico que não vi foi Filhos de Francisco.Pode?Mas pretendo corrigir o erro.Agradeço a visitinha.Uma ótima semana e meu grande abraço.

Maxwell Soares disse...

Olá, Fábio. “Looper – Assassinos do Futuro” é um destes filmes que me agrada. Gosto dessa ideia de mundos paralelos. Ver, também, Bruce Willis em ação será um prazer. Excelente texto, como sempre. E obrigado pela dica. Será de grande valia. Um abraço....

Alan Raspante disse...

Ufa! Bom saber que é um bom filme. Pesanava que este seria uma das bombas do ano, hehehe