terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

No Carnaval


Há alguns anos que sempre reservo o período do Carnaval para, ao menos, tentar me atualizar um pouco com minha própria coleção de DVDs. Existem mais de 50 filmes na minha videoteca aos quais ainda não assisti por pura falta de tempo. Bem, agora nesta festa de Momo de 2009, acabei vendo 4 bons filmes e vou procurar resumi-los em comentários mais breves do que minhas costumeiras resenhas. Vamos a eles:

Disque M Para Matar – Um dos melhores exemplares da obra de um dos mais conhecidos gênios do cinema: Alfred Hitchcock. Fruto de sua melhor fase (meados dos anos 50 até o início dos 60), trata-se do primeiro trabalho do mestre do suspense com Grace Kelly, que então ainda era uma estrela em ascensão (ela ainda faria “Janela Indiscreta” e “Ladrão de Casaca”). A trama gira em torno de um marido, muito bem interpretado por Ray Milland, que planeja o assassinato de sua bela e adúltera esposa (Kelly). Adaptado de um texto teatral, o roteiro é redondo e cheio de diálogos espirituosos e afiados, que ajudam bastante a disfarçar uma certa asfixia pelo fato do filme se passar quase que inteiramente dentro de um apartamento. De qualquer forma, mesmo que com pouco “espaço”, Hitchcock consegue ainda imprimir sua tradicional aula de narrativa visual, como na famosa sequência em que o assassino ataca a personagem de Kelly. Esta, por sinal, está estonteante, seja de vestido vermelho ou camisola, encarnando a obsessão do diretor por belezas loiras. E uma curiosidade: este é um dos primeiros filmes feitos em 3D. Sim, essa tecnologia já vem sendo desenvolvida há mais tempo do que você imagina e o velho Hitch adorava essas novidades tecnológicas.

Nota: 9,5



A Queda – As Últimas Horas de Hitler – Este já estava há muito tempo na minha prateleira, mas sempre acabava deixando para depois. Não deveria ter agido assim. É um filme realmente estupendo. Como muitos devem saber, o longa mostra os momentos finais da alta cúpula nazista quando da invasão de Berlim pelos soviéticos em maio de 1945. Bruno Ganz interpreta de forma brilhante Adolf Hitler, em seus momentos de loucura e até afetividade. Esse lado mais “humano” do ditador foi motivo de muita polêmica quando do seu lançamento, vez que muitos não gostavam de vislumbrar um lado “simpático” nesse personagem. Uma preocupação exagerada e desnecessária, pois em nenhum momento deixamos de perceber que Hitler era alguém totalmente desequilibrado e nefasto, ao mesmo tempo em que destituído de caráter, uma vez que em nenhum momento assumiu a responsabilidade pela derrota alemã. Outro aspecto interessante é observar a idolatria totalmente desmedida de muitos pelo “führer”, o qual havia se transformado numa espécie de deus pelo qual se devia matar ou morrer. O filme teve como uma de suas fontes os relatos da secretária de Hitler, Traudl Junge, interpretada no filme por Alexandra Maria Lara e que aparece em imagens reais já bastante idosa, pouco antes de seu falecimento. Dirigido por Oliver Hirschbiegel, trata-se de uma obra de relevância inquestionável.

Nota: 10,0.

O Estranho Sem Nome – O primeiro western dirigido por Clint Eastwood, sendo o seu segundo longa como diretor (o primeiro foi “Perversa Paixão”). É um trabalho ainda com altas doses de influência de Sergio Leone, inevitavelmente um dos grandes mentores de Clint. Desde o roteiro, passando pela trilha sonora e ambientação da trama, tudo lembra Leone neste longa que mostra a chegada de um forasteiro (o próprio Clint) ao vilarejo de Lago, onde há alguns anos um estranho e violento crime foi cometido contra um homem que, como descobrimos no decorrer dos fatos, parece ter alguma ligação com esse estranho visitante. Violento e com certas doses de misoginia, o filme lembra muito “Por Um Punhado de Dólares”, do já citado Leone, o qual por sua vez já foi uma adaptação de “Yojimbo – O Guarda-Costas”, do mestre Akira Kurosawa. Alguns chegam a indetificar nele uma conotação sobrenatural, mas que não me parece a interpretação correta. Embora esteja longe de ser um filme ruim, vale mais pelo interesse de observar Eastwood em seus primórdios como diretor. Assista ser for cinéfilo, fã do Clint Eastwood ou fã do gênero western.

Nota: 7,5.

Hannah e Suas Irmãs Só agora fui descobrir porque este é considerado um dos mais memoráveis e queridos filmes de Woody Allen. Realmente, um dos mais sensíveis momentos da longa e prolífica carreira desse gênio da sétima arte. A impressão que temos é de não estarmos assistindo a personagens fictícios na tela, mas a verdadeiros seres humanos, todos dotados de suas fraquezas, complexidades e muita, muita beleza. Com um mosaico de tipos que inclui a sua querida Nova York, Allen está em um momento inspirado ao mostrar o dia-a-dia de Hannah (Mia Farrow, a então Sra. Allen), a mais forte e equilibrada integrante de uma família em que parece servir de arrimo emocional a todos, o que faz com que todos imaginem que ela não tem as suas próprias fraquezas e necessidades. É mesmo incrível como Allen sempre consegue criar tipos com quem nos identificamos em vários aspectos, ao mesmo tempo em que joga na tela as suas próprias neuroses, que neste filme parecem mais hilárias do que nunca. Bom lembrar que este longa foi premiado com 3 prêmios Oscar: melhor roteiro original, melhor ator coadjuvante (Michael Caine, ótimo) e melhor atriz coadjuvante (Diane Wiest). Um filme leve, mas que fala muito bem dos nossos pequenos dramas (algo que Allen conseguiu retomar no recente “Vicky Cristina Barcelona”). Não deixe de tê-lo em sua coleção.

Nota: 10,0.
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2 comentários:

Luciano Medeiros disse...

Concordo com a nota dada para "A Queda". É um filme realmente excepcional.

Fábio Henrique Carmo disse...

Pois é. Até fico arrependido de ter demorado tanto tempo para assitir.Algo muito "retardado", em ambos os sentidos...