quinta-feira, 20 de junho de 2013

Star Trek - Além da Escuridão

A evolução da Jornada


Já faz quatro anos (como o tempo passa rápido) que J.J. Abrams, cineasta egresso da televisão que ficou famoso por séries como “Lost”, levou às telas o reboot da longeva série “Star Trek”, a qual, como já tive a oportunidade de mencionar na resenha publicada à época, nunca esteve entre minhas referências pop preferidas. De qualquer forma, Abrams fez um bom trabalho no reinício da franquia. Mesmo que o “Star Trek de 2009 não chegue à excelência, seu resultado foi bastante agradável, conferindo uma roupagem rejuvenescida aos personagens capaz de trazer novos adeptos ao universo concebido por Gene Rodenberry. E, para aqueles que duvidavam (como eu) que ninguém seria capaz de incorporar o Dr. Spock tão bem quanto Leonard Nimoy, Zachary Quinto calou a boca de todo mundo roubando todas as cenas em que aparecia, alguns degraus acima do Capitão Kirk de Chris Pine.

Com este “Além da Ecuridão”, Abrams demonstra que é, inegavelmente, o grande diretor do gênero ficção-científica atualmente em atividade no cinemão norte-americano, deixando para trás os seus ídolos, o aposentado George Lucas e Steven Spielberg, que vem se dedicando a outros gêneros nos últimos anos. Este novo episódio de Star Trek pode não ser tão bom quanto seu filme anterior, o ótimo “Super 8”, mas com certeza alcança uma evolução em relação ao reboot de 2009. O diretor, agora liberto da necessidade de apresentar os personagens ao um novo público, aprofunda-se em sua psicologia e nas relações entre eles, fazendo com que o longa, mais do que uma aventura, possa ser visto como uma história de amizade. E, vale dizer, amizade não só entre os dois protagonistas Kirk e Spock, mas também entre todos os integrantes da tripulação da nave Enterprise. Aqui, quase todos os membros da equipe possuem o seu momento de destaque e ações que ajudam no desenrolar da trama, fazendo o público enxerga-los não apenas como um amontoado de personagens, mas como uma verdadeira equipe, um time que joga de maneira coletiva e vence as adversidades e os inimigos.


Em entrevistas recentes, Abrams declarou que gostava de ver filmes sem muitas informações prévias sobre o roteiro e, de preferência, até sem ver trailers ou comerciais de TV, razão pela qual a produção desse novo episódio foi cercada de mistérios. Os próprios atores foram orientados a falar o mínimo possível sobre o longa durante as entrevistas. A precaução é justificável. Quanto menos se souber a respeito do verdadeiro papel que John Harrison (Benedict Cumberbatch) terá no desenvolvimento da trama, melhor. Basta apenas saber que ele é uma espécie de terrorista estelar cuja personalidade misteriosa será responsável por testar os limites da equipe da Enterprise. De qualquer forma, embora tenha alguns “solavancos” comuns aos filmes de ação, o roteiro (de Roberto Orci, Alex Kurtzman e Damon Lindelof ) é bem estruturado, valendo destaque para os diálogos, muito mais inteligentes, fluidos e divertidos (várias são as tiradas que funcionam ao longo da projeção) que os do primeiro da série, o qual era repleto de frases pouco inteligentes e clichês, principalmente em sua primeira metade.


Além disso, é inegável que Abrams filma como poucos, com enquadramentos perfeitos para as cenas de ação (que são muitas, diga-se de passagem) e ótima dinâmica e edição (vou ser repetitivo e perguntar: viu, Michael Bay?). Filmar cenas de ação é uma arte e, talvez, apenas James Cameron supere hoje J.J. Abrams neste aspecto. O ritmo da película é tão bom que nem percebemos que ele tem 2h12min de duração. Entretanto, um ponto em que Abrams precisa melhorar é trilha sonora de seus filmes, geralmente esquecíveis e que pouco acrescentam à narrativa. Por outro lado, demonstra mais uma vez muita competência na direção de atores, o que é difícil em longas repletos de ação. Embora Benedict Cumberbatch tenha boa presença na pele do vilão John Harrison, não considero seu desempenho tão excepcional como alardeado por aí em alguns veículos midiáticos. Neste ponto, os maiores méritos ficam mesmo com a dupla protagonista. Chris Pine evoluiu bastante em relação ao primeiro longa, trazendo um Capitão Kirk muito mais tridimensional e que vai além de um mero garoto-irresponsável-que-precisa-amadurecer. Entretanto, Zachary Quinto, mais uma vez, rouba mesmo a cena com o seu Dr. Spock. Ele praticamente domina todas as sequências em que aparece e definitivamente calou a boca de muitos que julgavam que o rapaz não estaria à altura de Nimoy.

É verdade que “Star Trek” não chega a ser uma coca-cola gelada no deserto. Não atinge um nível de excelência como se tem propagado por aí, como de resto nenhum filme de J.J. Abrams, até hoje, pode ser classificado como “excelente”. Entretanto, “Além da Escuridão” está um degrau acima do seu antecessor, representando uma evolução da jornada. Ao mesmo tempo em que traz ação quase ininterrupta, consegue, como já frisado, aprofundar-se na psique e nas relações entre os personagens, algo que decididamente não é fácil. Isso me faz lembrar que Abrams será o diretor de Star Wars episódio VII, trazendo boas expectativas para uma franquia já desgastada. Convenhamos, diante do seu trabalho com “Star Trek” (série da qual ele nem era fã), será difícil que ele venha a cometer equívocos como “A Ameaça Fantasma” na franquia do Darth Vader.


Cotação:



Nota: 8,5
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3 comentários:

renatocinema disse...

Prefiro Star Wars que Star Trek. Porém, gostei da roupagem do gênio por trás de Lost (série que mais amo no universo).

Assino com ele quando diz: "que gosta de ver filmes sem muitas informações prévias sobre o roteiro e, de preferência, até sem ver trailers ou comerciais de TV".

abraços

Celo Silva disse...

Eu gostei bastante do filme. Até agora, um dos melhores blockbusters do ano. Realmente, a interação da tripulação é uma das melhores coisas do filme. Assim como as cenas de ação. Aquela do salto no espaço é demais.

Abração!

Alan Raspante disse...

Preciso ver o primeiro, para poder ver este, rs

Deu até vergonha de confessar isso, mas, enfim...