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sábado, 18 de janeiro de 2014

E os prêmios estão chegando...



Esta semana, tivemos a entrega do Globo de Ouro e os indicados ao Oscar, mas não tive muito tempo nem muita paciência para postar alguma coisa sobre eles aqui. Entretanto, passo a elencar algumas breves conclusões sobre esta temporada de premiações.

1) O nível este ano parece estar bem interessante, como ótimos diretores sendo lembrados e premiados (vide o gênio Scorsese, o novato e promissor Steve MCqueen e o excelente Alfonso Cuáron), além  de indicarem filmes bastante atípicos, como "Clube de Compras Dallas" e "Ela". Mesmo o maior sucesso de público entre eles, "Gravidade", está bem longe de ser apenas um filme voltado para as massas. 

2) Em contrapartida, acompanhando o Globo de Ouro, vejo o quanto este formato de cerimônia está ultrapassado. Ninguém aguenta mais tantas piadas para que seja anunciado um prêmio. Parece que todo mundo que sobe ao palco tem obrigação de ser engraçadinho e isso acaba se tornando sacal. As apresentadoras Tina Fey e Amy Poehler até que se esforçaram, mas se saíram melhor no ano passado. 

3) O formato do Globo de Ouro, dividindo os prêmios entre drama e comédia/musical também incomoda. Já faz um tempo que os filmes estão cada vez mais inclassificáveis. O próprio Leonardo DiCaprio, vencedor do prêmio por "O Lobo de Wall Street" , ironizou o fato de ter sido lembrado na categoria "melhor ator em comédia". Enfim, seria saudável que a Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood mudasse seus critérios, pondo fim a essa divisão descabida. Acredito que eles não fazem isso porque é um forma de premiar mais astros, mantendo assim sua boa relação como os mesmos.

4) Estranha a não indicação de Tom Hanks ao Oscar por seu trabalho em "Capitão Phillips". O filme foi bem de bilheteria e a campanha em para Hanks foi bem forte. Será que ele anda perdendo prestígio junto aos membros da Academia?

5) Minha torcida no Oscar é para gravidade, o melhor filme de ficção-científica em muitos anos. Mas, convenhamos, torcer no Oscar está ficando sem graça, vez o que seu resultado é inteiramente pautado pelas premiações dos sindicatos.


A lista de indicados ao Oscar pode ser vista pesquisando no Google. Vamos aguardar o dia 02 de março, domingo de carnaval. 





sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

O Oscar não muda mesmo...



Acabei de ler nos portais de notícias que "O Som Ao Redor", o filme de Kléber Mendonça Filho escolhido para representar o Brasil na disputa pelo Oscar de melhor filme estrangeiro, não está entre os 9 pré indicados divulgados hoje pela Academia de Hollywood.

Mais do que na categoria principal, é impressionante como a Academia costuma dar mancadas na categoria de filme estrangeiro, frequentemente deixando excelentes produções fora da disputa. Já estou esperando a grita pela ausência de "Azul é a Cor Mais Quente", vencedor da Palma de Ouro em Cannes e rei do "bafafá" mundial devido às suas cenas picantes. Aliás, deve ter sido mesmo por essa característica que acabou preterido. De qualquer forma, há longas elogiados e cineastas renomados, como você pode conferir na lista abaixo. Mas não é por isso que vou perdoar a Academia.

Bélgica com "The Broken Circle Breakdown", de Felix van Groeningen
- Bósnia com “An Episode in the Life of an Iron Picker” de Danis Tanovic
- Camboja com “The Missing Picture”, de Rithy Panh
- Dinamarca com “The Hunt”, de Thomas Vinterberg
- Alemanha com “Two Lives”, de Georg Maas
- Hong Kong com “The Grandmaster”, de Wong Kar-wai
- Hungria com “The Notebook”, de Janos Szasz
- Itália com “A Grande Beleza”, de Paolo Sorrentino
- Palestina com “Omar”, de Hany Abu-Assad.

Aproveito para desejar aos leitores do Cinema Com Pimenta um feliz Natal e um 2014 sensacional! Que Deus ilumine a todos!

Grande abraço!



sexta-feira, 21 de junho de 2013

Será que o Brasil realmente mudou?




Pausa no cinema.

Ontem, dia da manifestação que reuniu cerca de 20.000 pessoas aqui em Natal, eu trafegava com minha esposa em uma rua de Capim Macio, bairro de classe média alta situado na zona sul da cidade, quando avistamos um grupo de adolescentes saindo de um luxuoso edifício residencial. Estavam com os rostos pintados de verde e amarelo e carregavam a bandeira nacional. Entraram em uma picape Hillux e, obviamente, dirigiram-se ao local marcado para o protesto, situado em frente a dois shoppings centers também da zona sul.

O fato me chamou a atenção e me despertou para um dado que talvez esteja sendo pouco observado nas análises dos protestos que tomaram conta do país desde a semana passada. Este não é um movimento com participação predominante daqueles que realmente possuem legitimidade para reivindicar as bandeiras em discussão, mas de uma classe média que em muito foi beneficiada por políticas do atual governo.

Os jovens mencionados, provavelmente nunca andaram de ônibus em suas vidas, ou o fizeram apenas em situações de exceção, como de resto é o perfil de ampla parcela dos manifestantes. São jovens que, em geral, possuem planos de saúde e estudam em caras escolas privadas ou universidades respeitadas. Se observarmos bem, foram ao protesto porque, de uma hora para outra, tornou-se “cool” participar das manifestações. Estavam empunhando bandeiras não porque possuíssem uma real identificação com as causas levantadas, ou porque acreditassem no surgimento de novas forças sociais capazes de interferir no processo político. Foram ao manifesto para bater fotos de suas participações e, mais tarde ou via celular, postá-las no “Face”, Instagram ou enviá-las para os amigos. Não nos enganemos.

É assim que funcionam as relações dentro das redes sociais, as quais são de suma importância para a facilitação e surgimento de movimentos como o que estamos vivenciando, mas também são extremamente propícias a esvaziá-los de conteúdo, transformando-os tão somente em eventos semelhantes a shows, aptos a satisfazer a vaidade de uma juventude que não iria deixar seu individualismo de lado de uma hora para outra.

A verdade é que há uma tremenda perda de foco nos protestos. Tem-se a impressão que cada um vai a campo reivindicar a demanda que mais afeta seus próprios interesses, como pude perceber a partir da leitura de uma matéria do portal IG, onde uma senhora de 58 anos afirmava participar da manifestação porque esteve em Roma há pouco tempo e percebeu “o quanto é bom sair nas ruas sem medo”. Trocando em miúdos, não estava se solidarizando com os pleitos do Movimento Passe Livre (cujos líderes me parecem dotados de grade lucidez), mas simplesmente revindicando a respeito do que especificamente lhe incomoda.

Essa dispersão de objetivos, espécie de revolta generalizada contra a “situação”, apenas contribui para que alguns grupos, especialmente a mídia mais conservadora, procurem se aproveitar e tomar como seu um discurso democrático que não lhes é próprio, como é o caso exemplar da Rede Globo, a qual ontem retirou de sua grade de programação as suas novelas, onipresentes em praticamente todos os 365 dias do ano, para “realizar a cobertura dos protestos” (e sem comerciais durante mais de duas horas!). Logo ela, a Globo, que nos anos 80, durante a campanha “Diretas Já!”, escondia os gigantescos comícios que aconteciam nas grandes metrópoles brasileiras. A mesma rede que, semana passada mesmo, durante os primeiros protestos, atribuía genericamente a pecha de “vândalos” aos manifestantes do MPL. Arvorar-se como defensora da democracia e tentar tomar para si o título de “emissora que dá voz aos protestos” é, no mínimo, uma hipocrisia e já denota possíveis segundas intenções. Afinal, nada vindo da TV dos Marinho é´gratuito ou por acaso.

Este deveria ser um momento para uma real mudança no Brasil, onde o cidadão se tornasse o centro das políticas públicas. Entretanto, a perda de foco demonstrada ao longo das manifestações aliada a um oportunismo barato de parte da mídia, além de alguns partidos políticos, talvez façam com que estes dias, no futuro, sejam conhecidos apenas como a “revolta do busão”, sem implicâncias maiores do processo histórico nacional. E digo mais: sempre devemos ter receio quando manifestações começam reunir famílias inteiras, como se estivessem a participar de um ato “cívico” como as comemorações do 7 de setembro. Basta lembrar que algo semelhante aconteceu em 1964, pouco antes do golpe militar que nos legou tantas heranças negativas.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Comentários sobre o SAG 2013, a premição do PGA e uma tragédia anunciada




Breves considerações sobre a premiação do Sindicato de Atores:

- O prêmio de ator coadjuvante para Tommy Lee Jones lhe dá força para o Oscar, mas é bom lembrar que Christoph Waltz estranhamente não foi indicado ao SAG (será que ele não é filiado ao Sindicato?). A disputa pelo prêmio da Academia ainda está em aberto, portanto;

- Já entre as mulheres, está praticamente garantida a premiação para Anne Hathaway;

 - Tal como no Globo de Ouro, é chato ter de acompanhar as premiações de televisão no SAG;

 - Jennifer Lawrence já virou barbada para a noite de 24 de fevereiro, assim como Daniel Day-Lewis (definitivamente imbatível);

 - O prêmio de melhor elenco para “Argo” dá ainda mais força para o filme no Oscar, muito embora ele me pareça ser uma grande contradição do Sindicato. Se “Lincoln” venceu em duas categorias (ator e ator coadjuvante) e ainda foi indicado em outra (atriz coadjuvante), como pode “Argo” ter o melhor elenco? Acho que quiseram distribuir os prêmios, mais do que qualquer outra coisa.




Sobre o Sindicato de Produtores:

Argo venceu e, sinceramente, não sei mais o que vai acontecer no Oscar. O certo é que raramente um filme que não foi indicado para melhor diretor venceu na categoria principal. Esse vai ser um ano muito difícil para previsões em melhor filme, é a única certeza que temos. Vamos aguardar. Já “Detona Ralph”, ao levar o PGA, se tornou favorito ao Oscar de melhor animação.


Fazendo uma pausa no cinema, sinto-me compelido a manifestar minha consternação e solidariedade pelas vítimas e famílias da tragédia ocorrida neste último domingo em Santa Maria – RS. É muito triste tomar conhecimento de histórias como a de uma das meninas mortas, encontrada com o celular onde constavam 104 ligações de sua mãe. Ou a do rapaz que tinha saído com os amigos para comemorar seu aniversário de 20 anos. Todos vítimas de uma irresponsabilidade dos proprietários e do poder público, o qual permitia o funcionamento de uma boate cheia de irregularidades. Pena que no Brasil as tragédias só sirvam para fazer as pessoas chorarem e nunca para mudar a atitude dos responsáveis e tentar evitar que tragédias como essa nunca mais aconteçam.

Que Deus abençoe a alma destes jovens e que console suas famílias.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Comentários Sobre o Globo de Ouro 2013


Antes de tudo, convém ressaltar um aspecto. Nós temos a mania de analisar as premiações que antecedem o Oscar como “termômetros” para este, como se tais prêmios não fossem independentes da Academia de Hollywood e não tivessem um valor próprio. Considero esta forma de pensar um erro. Cada prêmio tem seu próprio valor e merecimento. No caso do Globo de Ouro é o reconhecimento dos jornalistas estrangeiros que trabalham no meio cinematográfico, possuindo nuances e características próprias e que não necessariamente busca se configurar como uma “prévia” do Oscar. “Argo”, de Ben Affleck, levou o Globo na categoria de melhor filme em drama, o que não quer dizer que esta seja a tendência da Academia. Basta lembrar que, nos últimos 10 anos, em apenas 4 deles houve coincidência, na referida categoria, entre os vencedores do Globo e do Oscar. É possível que o Globo de Ouro influencie alguns votantes? Sim, mas isso está longe de ser determinante. Se eu votasse no Oscar não deixaria de votar em “As Aventuras de Pi” porque “Argo” levou o Globo de Ouro (muito embora este último também seja um ótimo filme).

Dito isto, vamos a alguns breves comentários:

- A Associação de Imprensa Estrangeira é mesmo fã de carteirinha de George Clooney, um dos produtores de “Argo”. Nunca perdem a oportunidade de premiá-lo (ano passado, foi como melhor ator);

- A dupla de apresentadoras, Tina Fey e Amy Poehler , soltou piadas pra lá de ácidas (uma delas dizendo que Kathryn Bigelow passou três anos de tortura quando estava casada com James Cameron), mas tinham muito mais empatia do que o insuportável Rick Gervais;

- O mais chato do Globo de Ouro é ter de acompanhar as premiações de TV. Um saco...;
- Um dos grandes momentos da noite foi a presença do ex-presidente Bill Clinton para promover “Licoln”. Uma bela jogada de marketing de Spielberg (Clinton é amigo dele) visando o Oscar, claro;

- Outro grande momento da noite, sem duvida, foi o prêmio Cecil B. De Mille para Jodie Foster. Ou melhor, o discurso dela, um dos mais francos, abertos e categóricos que já vi em premiações. Sem máscaras ou hipocrisias e, ao mesmo tempo, sem ferir ninguém. Só é estranho ela receber um prêmio pelo “conjunto da obra” com 50 anos...;


- Eu sempre fico feliz vendo Adele receber prêmios. É a vitória da verdadeira música em detrimento da exploração deslavada da imagem e sexualidade para vender. Ela é uma diva pop com espírito de rock ‘n roll;

· Convenhamos que é sempre sensacional ver o Tarantino sendo premiado;

- Mesmo levando em consideração o que foi dito acima (Globo de Ouro não é prévia do Oscar), Christoph Waltz saiu na frente na disputa pelo Oscar de melhor ator coadjuvante. Este ano a categoria está disputadíssima e será decidida nos detalhes;

- Daniel Day-Lewis está na mesma condição que Meryl Streep ano passado: imbatível!;

- “Amor” é, de fato, o filme estrangeiro do ano em qualquer premiação. A consagração definitiva de Michael Haneke;

- Jennifer Lawrence está mesmo destinada a ser uma das grandes estrelas do cinema. A premiação no Globo de Ouro só confirma o que todo mundo já desconfiava, mesmo com aquela piadinha sem graça sobre a Meryl Streep;

- Anne Hathaway também confirmou seu status de queridinha de Hollywood. Aliás, quem diria, “Os Miseráveis” saiu como grande vencedor da noite, com 3 globos, já que Hugh Jackman levou como melhor ator em comédia ou musical e o filme foi o melhor no mesmo gênero.

 - Adorei o prêmio de trilha sonora para “As Aventuras de Pi”. Merecido!;

Bem, é isso! E o Oscar é dia 24 de fevereiro! Até lá, muitas águas vão rolar.


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Associação dos Críticos de Nova York elege seus favoritos


Pois é, minha gente. Começou a temporada de premiações que culminarão na festa do Oscar a ser realizada no dia 24 de fevereiro. A primeira delas, que possui relevância e certa influência na escolha dos indicados da Academia, foi a da Associação dos Críticos de Nova York. E o que ela revelou é que os norte-americanos parecem estar, como diria Fausto Silva, "mais do que nunca" olhando para o próprio umbigo. Os dois grandes premiados foram "A Hora Mais Escura" (Zero Dark Thirty) - levou três prêmios, incluindo filme e direção -  longa-metragem de Kathryn Bigelow baseado na caçada a Osama Bin Laden, e "Lincoln" (também levou três), o já muito falado filme de Steven Spielberg sobre o famoso presidente ianque. Ou seja, o recado está dado: a tendência é premiar filmes que falem sobre eles mesmos e ponto final. Não é à toa que "Argo", de Ben Affleck, também vem sendo muito cotado para estar ao menos entre os indicados da Academia. É isso. E assista quem quiser...

Segue abaixo a lista completa de premiados.

Melhor Filme: A Hora Mais Escura
Melhor Diretor: Kathryn Bigelow
Melhor Ator: Daniel Day-Lewis (Lincoln)
Melhor Atriz: Rachel Weisz (The Deep Blue Sea)
Melhor Ator Coadjuvante: Matthew McConaughey, por Magic Mike e Bernie
Melhor Atriz Coadjuvante: Sally Field, por Lincoln
Melhor Animação: Frankenweenie
Melhor Filme Estrangeiro: Amor
Melhor Roteiro: Lincoln
Melhor Primeiro Filme: How To Survive a Plague, de David France
Melhor Documentário: The Central Park Five
Melhor Fotografia: A Hora Mais Escura

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Será que dessa vez temos chances?


Foi com alegria e satisfação que li a notícia, agora à tarde, que "O Palhaço" foi escolhido para representar o Brasil na corrida pelo Oscar de melhor filme estrangeiro. Além dos inegáveis méritos do filme, uma pérola recente do nosso cinema, "O Palhaço" é detentor de características propícias a se tornar um dos 5 indicados na noite do Oscar 2013, ao contrário do nosso concorrente anterior. "Tropa de Elite 2" também é um longa excelente, mas muito violento e com uma temática muito voltada para o nosso público. Já o filme de Selton Mello é uma obra lírica, de inspiração felliniana e com potencial para agradar a todos os públicos, das mais diversas nacionalidades (além dos velhinhos da Academia). Confesso que sou fã de "O Palhaço" e desejo toda a sorte a nosso representante nessa corrida. Caso vença, o careca dourado estará em ótimas mãos.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

O problema não é o filme


Eu estava pensando se realmente faria uma postagem sobre este tema, pois não gosto de sensacionalismo. Porém, acabei de ler que a Warner Bros. está cogitando cancelar a estreia de "Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge" nos EUA e fico me perguntando se isso é uma atitude de respeito às vítimas e familiares arrasados com o assassinato de 12 pessoas durante uma sessão do longa-metragem em uma cidade perdida do Colorado ou pura e simplesmente razões comerciais, uma vez que, diante de tamanha repercussão negativa, o filme que certamente teria a maior estreia de todos os tempos correria o risco de ver sua bilheteria diminuir consideravelmente. O que mais me intriga é esta segunda (e mais provável) hipótese. Por que as pessoas deixariam de assistir a um filme devido a um evento tristemente sinistro como esse?

Interessante, mas parece que está acontecendo o mesmo tipo de reação que o público teve aqui no Brasil em relação a "Clube da Luta", o filme de David Fincher que estava sendo exibido em uma sala de cinema em São Paulo, anos atrás, quando um estudante de medicina desequilibrado atirou a esmo fazendo várias vítimas. As pessoas parecem "com medo" de ver o filme, como se houvesse algo nele que fosse responsável pela violência, como se todos que assistissem à obra corressem um risco iminente de ser baleados. É provável que esta sensação seja ainda maior agora por se tratar do grande filme do ano, esperado impacientemente por uma multidão de fãs. Entretanto, é importantíssimo frisar: nenhuma obra artística pode ser responsabilizada por atitudes de doentes mentais. Nunca vi qualquer filme para sair com vontade de atirar ou espancar pessoas por aí. E uma atitude como esta, de adiar em meses um lançamento tão aguardado, só iria prejudicar mais ainda a carreira de um filme que, aparentemente, tem tudo para ser um dos destaques positivos do ano, não apenas pela sua arrecadação. Que as pessoas saibam separar alhos de bugalhos e que o estúdio não tome esta lamentável decisão. O cinema merece e nós espectadores também.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Comentários sobre o Oscar 2012



Comentários em pílulas sobre a festa do Oscar:

- Minha grande satisfação na noite foi ver Meryl Streep finalmente levando uma estatueta depois de 30 anos. Na realidade, essa foi a primeira vez que pude ver uma das minhas atrizes favoritas vencendo o prêmio, pois que em 1982 eu tinha apenas 4 anos. Fiquei feliz, mesmo não tendo a menor simpatia pela personagem que interpretou;

- Outro grande momento da noite foi a ovação a Christopher Plummer, aplaudido de pé, mas bem que poderiam ter considerado um empate e premiado também o grande Max Von Sydow;

- Octavia Spencer tinha tudo para ter protagonizado também um dos grandes momentos da festa, mas se emocionou demais e provocou até um certo constrangimento;


- Foi ótimo ver Woody Allen sendo premiado novamente, mesmo sem vê-lo;

- Não resta dúvidas que Billy Crystal é o melhor apresentador do Oscar. Consegue brincar com todo mundo sem ofender;

- Esperava-se bem mais da apresentação do Cirque du Soleil, que terminou sendo mais ou menos;

- Jenniffer Lopez deve ter se inspirado na sua recente passagem pelo carnaval do Rio de Janeiro para escolher o seu vestido nada discreto;

- Já Natalie Portman deu um show de elegância:

- O prêmio de filme estrangeiro para "A Separação" foi o mais previsível da noite;

- A premiação de “A Invenção de Hugo Cabret” em efeitos especiais foi uma verdadeira homenagem da Academia ao pai de tais efeitos, Geoges Méliès;

- Como bem disse José Wilker na transmissão da Globo, “Hugo” é o primeiro longa realmente em 3D. Os anteriores foram apenas ensaios;

- Por sinal, muito justos todos os prêmios do filme de Scorsese;


- Admito que a canção de “Rio” não é lá essas coisas, mas a canção vencedora é simplesmente horrorosa. O que um lobby não faz...;

- Falando em lobby, tivemos em “O Artista” mais outro exemplo de influência dos Weinstein, fazendo até a Academia esquecer seus critérios para trilha original e premiar um trabalho baseado em temas preexistentes (fato que levou à eliminação da trilha de “Cisne Negro” no ano passado);

- Sugerir que Michel Hazanavicius é melhor diretor que Martin Scorsese é algo de puro mau gosto;

- Jean Dujardin teve um ótimo desempenho, mas tenho lá minhas dúvidas sobre sua versatilidade;

- Aliás, concordo plenamente com o Rubens Ewald Filho na transmissão da TNT sobre os prêmios para “O Artista”: “não sei se é realmente pra isso tudo. O futuro dirá”.

Bem, agora, só em 2013! Enquanto isso, o "Cinema Com Pimenta" continua se dedicando à cinefilia. Abraço!

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Atenção! Pense bem antes de comprar um Renault Sandero

Pausa no cinema.

Gostaria de pedir um espaço na cinefilia para comunicar um fato que aconteceu comigo nesta semana que passou. Foi algo bastante grave que me ocorreu enquanto estava indo ao trabalho na última quarta-feira, 01 de fevereiro.

De início, peço que pensem muito antes de comprar o automóvel modelo Sandero, marca Renault. Se você está planejando adquirir um automóvel, ou trocar um velho por um novo, aconselho descartar a mencionada montadora francesa, principalmente o modelo referido. Não estou falando isso de maneira leviana, por simpatia ou antipatia com o carro ou a montadora ou, muito menos, porque esteja recebendo algum benefício, de ordem financeira ou de qualquer outra natureza, para denegrir a imagem da marca, até porque nem tenho poder de influência para tanto. Além disso, quem me conhece, sabe que eu jamais me prestaria a tal papel. Esclareço, ainda, que estas linhas também não se constituem em mais um boato de internet ou lenda urbana que costumamos receber através de “correntes” ou spams. O que aconteceu comigo no último dia 01/02 foi sério, bastante sério.

Eu estava trafegando na BR 101, nas imediações do Shopping Via Direta, aqui em Natal, quando sem mais nem menos a direção do carro parou de responder, girando em falso. Eu simplesmente não tinha mais nenhum controle sobre o veículo. O carro desgovernado saiu da faixa da direita e foi esbarrar na mureta de proteção do lado esquerdo da rodovia. Quero acreditar que foi Deus que me livrou de algo mais grave, pois eu achei, sinceramente, que a minha hora havia chegado. Quando me vi inteiro depois da colisão quase nem acreditei. Detalhe extremamente relevante: o carro tem menos de 1 mês de uso. Retirei o mesmo 0KM da Concessionária no último dia 05 de janeiro (hoje ainda tem menos de 800 km rodados). Há outro dado importante: está acontecendo um recall dos veículos Sandero 2012. Há aproximadamente 10 dias, procurei informações na concessionária se o meu automóvel estava incluído, mas obtive a informação negativa, de que não seria necessária a manutenção no meu caso. Vale dizer que (para verificar a veracidade basta vistar o site da Renault) o recall dizia respeito justamente à troca da caixa da direção hidráulica de veículos Sandero modelo 2012. Na concessionária, quando fizeram uma avaliação superficial das causas, disseram-me que estava faltando um parafuso na coluna da direção e ainda me faltaram com o respeito ao me questionarem se eu não tinha mexido no carro, que até hoje ainda se encontra aguardando uma perícia de um técnico para verificar as causas do acidente, por mais óbvias que elas já sejam. Vou entrar em breve com uma ação de indenização por danos morais contra a montadora Renault, buscando não deixar impune tamanha negligência durante o processo de fabricação dos veículos. Nós consumidores e cidadãos merecemos respeito, principalmente quando nossas vidas estão em jogo.

Faço um pedido a todos: espalhem pela net este fato, pois não quero que outros consumidores corram o risco que corri e nem se sintam lesados como estou me sentindo. Isso foi muito sério! Pensem bem antes de adquirir um carro Renault Sandero modelo 2012. Abraço a todos e agradeço a ajuda!

ATUALIZADO - 07/02/12 - Ontem, recebi uma ligação da própria montadora Renault porque eles descobriram esta postagem no blog. A funcionária que falou comigo disse que seria feito o máximo para que a avaliação técnica fosse realizada ainda ontem e que entraria em contato tão logo fosse efetuada. Hoje ninguém ligou pra mim. Quando entrei em contato novamente com a Assistência, informaram-me que ainda não tem previsão. Ou seja, o desrespeito continua. Ah, e se tem alguém da Renault lendo isso aqui, é melhor fazer algo urgente. Quanto mais o tempo passar, mais a situação da empresa vai piorar.



ATUALIZADO em 01/12/2013:

Fico surpreso que, mesmo após tanto tempo, este post continua sendo visitado e se transformou no recordista de acessos do blog, colocando para trás todo e qualquer post sobre cinema.

Diante da repercussão que a denúncia adquiriu, me sinto no dever de prestar mas informações sobre como terminou a querela com a Renault. Tudo foi resolvido em uma ação que tramitou no Juizado Especial Cível da Zona Sul da Comarca de Natal, tendo a montadora sido condenada ao pagamento de R$ 12.000,00 reais como indenização por danos morais. A sentença já transitou em julgado, bem como a ré pagou a obrigação imposta na sentença condenatória (com atraso, mas pagou).

Percebo que, como diz o provérbio, Deus escreve certo por linhas tortas: a indenização veio justamente no momento em que estou esperando meu primeiro filho que nascerá provavelmente em março. O pequeno Davi já teve assim o seu quarto e enxoval garantidos. :=)

Aliás, o blog anda parado por conta dele: estou na correria para comprar todo o necessário até o seu nascimento! :=)

Grande abraço a todos e obrigado pelo apoio.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A política do SAG


A premiação do Sindicato de Atores de Holllywood, realizada ontem, teve um sentido político. A predileção de seus integrantes pela produção “Histórias Cruzadas” (The Help), entregando-lhe três prêmios, quais sejam, atriz (Viola Davis), atriz coadjuvante (Octavia Spencer) e elenco, tem o nítido de significado de prestigiar um filme antirracismo. Ainda mais quando nos lembramos que a grande concorrente de Viola, a já mítica Meryl Streep, tem como papel uma das maiores representantes do conservadorismo nas últimas décadas, Margaret Tatcher, uma figura demodé nestes tempos de caos financeiro gerado pelo neoliberalismo e movimentos fermentados pela internet como Occupy Wall Street. Não sei se o filme é merecedor ou não, mas a verdade é que o Oscar deverá seguir a tendência. E Meryl amargará a 15ª derrota (ela só venceu duas vezes, mesmo sendo recordista de indicações).

Já na categoria de melhor ator venceu o francês Jean Dujardin, de “O Artista”. E os Weinstein caminham firmes e fortes para emplacar mais um dos seus longas afilhados na festa da Academia (ele já levou também o prêmio do Sindicato dos Diretores para Michel Hazanavicius). Entretanto, os prêmios dos sindicatos este ano talvez não um indicador tão preciso, já que o vencedor do prêmio de ator coadjuvante, Christopher Plummer, irá concorrer no Oscar com outro veterano, Max Von Sydow, que nem chegou a ser indicado ao SAG, assim como Rooney Mara, de “Os Homens Que Amavam As Mulheres” foi lembrada no Oscar e esquecida no sindicato. As apostas deste ano estão mais difíceis. Está complicado conseguir um ano de cinema grátis...

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Os Indicados ao Oscar 2012


Sinceramente, essa está se mostrando uma das mais esquisitas edições do Oscar em todos os tempos. Parece que para cada prêmio a Academia resolveu aprontar uma surpresa, seja para o bem ou para o mal. Nem os prêmios dos Sindicatos conseguiram antecipar plenamente os concorrentes e, em algumas categorias, há sérias divergências. A mais notável delas é a ausência de "As Aventuras de Tintim" entre os indicados para melhor animação. O filme de Steven Spielberg já vinha sendo tido como barbada diante de sua premiação não apenas no Globo de Ouro, mas também no Sindicato dos Produtores. Uma esquisitice total que me deixou espantado quando vi. Outra surpresa grande é a indicação de Rooney Mara como melhor atriz por "Os Homens Que Não Amavam as Mulheres". Ela não está entre as indicadas para o SAG (Sindicato de Atores) e também me deixou surpreso a sua presença no Oscar. Surpresa boa mesmo foi a presença de "A Separação" entre os indicados a melhor roteiro original, uma boa forma de prestigiar o provável ganhador na categoria de melhor filme estrangeiro.

De qualquer forma, adorei ver Martin Scorsese, Woody Allen e Terrence Malick indicados, no mesmo ano, ao prêmio de melhor diretor. Um sonho cinéfilo, não? Ah, já ia me esquecendo! Muito massa ver Carlinhos Brown e Sergio Mendes concorrendo ao prêmio de melhor canção por "Rio" (que deveria também ter figurado entre os indicados a melhor animação). E com muita chance de vencer, já que são apenas dois indicados. Segue abaixo a lista completa dessa edição que parece que vai ser a mais imprevisível em muito tempo. Os filmes que receberam o maior número de indicações foram "A Invenção de Hugo Cabret" (com 11, imagem acima) e "O Artista" (com 10).



Melhor filme

"O Homem que Mudou o Jogo"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"Os Descendentes"
"Histórias Cruzadas"
"Cavalo de Guerra"
"Meia-Noite em Paris"
"O Artista"
"Tão Forte e Tão Perto"
"Árvore da Vida"

Melhor direção
Woody Allen, "Meia-Noite em Paris"
Michel Hazanavicius, "O Artista""
Alexander Payne, "Os Descendentes"
Martin Scorsese, "A Invenção de Hugo Cabret"
Terrence Malick, "Árvore da Vida"

Melhor ator
Brad Pitt, "O Homem que Mudou o Jogo"
George Clooney, "Os Descendentes"
Jean Dujardin, "O Artista"
Demián Bichir, "A Better Life"
Gary Oldman, "O Espião que Sabia Demais"

Melhor atriz
Meryl Streep, "A Dama de Ferro"
Rooney Mara, "Os Homens que Não Amavam as Mulheres"
Glenn Close, "Albert Nobbs"
Viola Davis, "Histórias Cruzadas"
Michelle Williams, "Sete Dias com Marilyn"

Melhor ator coadjuvante
Kenneth Branagh, "Sete Dias com Marilyn"
Jonah Hill, "O Homem que Mudou o Jogo"
Christopher Plummer, "Toda Forma de Amor"
Nick Nolte, "Guerreiro"
Max von Sydow, "Tão Longe e Tão Perto"

Melhor atriz coadjuvante
Janet McTeer, "Albert Nobbs"
Jessica Chastain, "Histórias Cruzadas"
Octavia Spencer, "Histórias Cruzadas"
Melissa McCarthy, "Missão Madrinha de Casamento"
Bérénice Bejo, "O Artista"

Melhor animação
"Rango"
"Gato de Botas"
"Kung Fu Panda 2"
"Um Gato em Paris"
"Chico & Rita"

Melhor roteiro original
"Meia-Noite em Paris"
"O Artista"
"Missão Madrinha de Casamento"
"A Separação"
"Margin Call - O Dia Antes do Fim"

Melhor roteiro adaptado
"Os Descendentes"
"O Homem que Mudou o Jogo"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"Tudo Pelo Poder"
"O Espião que Sabia Demais"

Melhor filme estrangeiro
"Bullhead" (Bélgica)
"Monsieur Lazhar" (Canadá)
"A Separação" (Irã)
"Footnote" (Israel)
"In Darkness" (Polônia)

Melhor trilha sonora
"As Aventuras de Tintim - O Segredo do Licorne"
"O Artista"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"O Espião que Sabia Demais"
"Cavalo de Guerra"

Melhor canção original
"Man or Muppet", de "Os Muppets"
"Real in Rio", de "Rio"

Melhor edição
"O Artista"
"Os Descendentes"
"Os Homens que Não Amavam as Mulheres"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"O Homem que Mudou o Jogo"

Melhor figurino
"Anônimo"
"O Artista"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"Jane Eyre"
"W.E. - O Romance do Século"

Melhor fotografia
"O Artista"
"Os Homens que Não Amavam as Mulheres"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"Árvore da Vida"
"Cavalo de Guerra"

Melhor maquiagem
"Albert Nobbs"
"Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2"
"A Dama de Ferro"

Melhores efeitos visuais
"Harry Potter e Relíquias da Morte: Parte 2"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"Gigantes de Aço"
"Planeta dos Macacos: A Origem"
"Transformers: O Lado Oculto da Lua"

Melhor direção de arte
"O Artista"
"Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"Meia-Noite em Paris"
"Cavalo de Guerra"

Melhor edição de som
"Drive"
"Os Homens que Não Amavam as Mulheres"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"Transformers: O Lado Oculto da Lua"
"Cavalo de Guerra"

Melhor mixagem de som
"Os Homens que Não Amavam as Mulheres"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"O Homem que Mudou o Jogo"
"Transformers: O Lado Oculto da Lua"
"Cavalo de Guerra"

Melhor curta-metragem de animação
"Dimanche/Sunday"
"The Fantastic Flying Book of Mr. Morris Lessmore"
"La Luna"
"A Morning Stroll"
"Wild Life"

Melhor curta-metragem
"Pentecost"
"Raju"
"The Shore"
"Time Freak"
"Tuba Atlantic"

Melhor curta documentário
"The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement"
"God is the Bigger Elvis"
"Incident in New Baghdad"
"Saving Face"
"The Tsunami and the Cherry Blossom"

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Globo de Ouro: O mais chapa branca de todos os prêmios


Não existe prêmio mais chapa branca que o Globo de Ouro. Os integrantes da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood parecem sempre querer agradar a todos, esforçando-se ao máximo para não deixar ninguém sair de mãos abanando da premiação. Isso ficou nítido ontem, na entrega de sua 69ª edição. Seguem os comentários em pílulas.

1) Eles deram o prêmio de melhor filme em drama para “Os Descendentes” e o de melhor filme em comédia/musical para “O Artista”. Por outro lado, deram a Martin Scorsese, por “A Invenção de Hugo Cabret”, o prêmio de melhor diretor e a Woody Allen, por “Meia-Noite em Paris”, o de melhor roteiro (Allen não foi receber, como de hábito). Ou seja, quiseram deixar todo mundo contente;

2) Dar a Scorsese o prêmio de diretor me pareceu uma saída bastante salomônica: ninguém iria contestar;


3) Também ninguém iria contestar o prêmio de roteiro para “Meia-Noite em Paris”;

4) Inventaram que Michelle Williams tinha trabalhado em uma comédia para poder premiá-la. O próprio Seth Rogen, que anunciou o prêmio, registrou que o filme não era exatamente isso;

5) Isso se deve ao fato de que o prêmio de melhor atriz em drama não poderia deixar de ir para Meryl Streep;



6) Falando em Seth Rogen, uma de suas piadas foi melhor do que todas as que Rick Gervais proferiu;

7) Os melhores momentos da noite ficaram por conta dos atores negros. Octavia Spencer foi muito aplaudida pelo Globo de melhor atriz coadjuvante. Mas o mais emocionante mesmo foi ver Sidney Poitieir, uma lenda viva, entregando o prêmio pela carreira a Morgan Freeman. Sensacional!

8) George Clooney é realmente um queridinho da Associação. Basta um filme tê-lo no elenco para concorrer a alguma coisa;

9) Falando nisso, eu achava que o Brad Pitt ia levar o prêmio de melhor ator em drama;


10) Jean Dujardin, vencedor como melhor ator em comédia por “O Artista”, tem um jeitão meio esquisito;

11) Os Weinstein promovem até bombas como o filme de Madonna;

12) O único prêmio relativo à televisão que me lembro é o de Kate Winslet como melhor atriz em filme ou minissérie para TV. Não me perguntem os outros;

Só terminando: ninguém iria contestar também um prêmio dado a um ator querido como Christopher Plummer (melhor ator coadjuvante). É ou não é um prêmio chapa branca? Segue abaixo a lista dos premiados.

Melhor filme - drama: "Os Descendentes"
Melhor filme - comédia ou musical: "The Artist"
Melhor diretor: Martin Scorsese, "A Invenção de Hugo Cabret"
Melhor ator - drama: George Clooney, "Os Descendentes"
Melhor atriz - drama: Meryl Streep, "A Dama de Ferro"
Melhor ator - comédia ou musical: Jean Dujardin, "The Artist"
Melhor atriz - comédia ou musical: Michelle Williams, "Sete Dias com Marilyn"
Melhor ator coadjuvante: Christopher Plummer, "Toda Forma de Amor"
Melhor atriz coadjuvante: Octavia Spencer, "Histórias Cruzadas"
Melhor roteiro: "Meia-Noite em Paris"
Melhor animação: "As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne"
Melhor canção original: "Masterpiece", de "W.E.- O Romance do Século"
Melhor trilha sonora: "The Artist"
Melhor filme em língua estrangeira: "A Separação" (Irã)

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Os 7 melhores filmes de 2011

Bem, chegamos à última semana de 2011 e o Cinema Com Pimenta apresenta a sua lista (como sempre de 7 itens) com os melhores filmes exibidos no circuito comercial brasileiro no ano. Costumamos sempre dizer que o ano foi fraco, mas acredito que tais afirmações acabam sendo revisadas no futuro. Em outras décadas, tidas como "douradas", a impressão era a mesma. O tempo é o melhor juiz para a arte. Bem, vamos à lista:




Então, é isso. Listas são inúteis, mas não há como deixar de fazê-las. Um feliz 2012 para todos vocês! Grande abraço e até a próxima!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Curtindo o Curta #1


Há alguns dias, descobri um programa da Rede Brasil chamado “Curta TV”, dedicado à abordagem e exibição deste formato de cinema tão pouco visto hoje. O mais triste é que ele fica relegado ao esquecimento não apenas pelo grande público, mas até mesmo no meio cinéfilo, mostrando como o curta-metragem anda muito desprestigiado. Faço uma pergunta a você que acompanha este espaço: quantos curtas você viu este ano? Acredito que a resposta deverá resultar em um número que não passa dos dedos das mãos. Todavia, a verdade é que o curta-metragem representa, antes de tudo, o nascimento da Sétima Arte. Afinal, quando os irmãos Lumiére inventaram essa poderosa magia, eles obviamente não começaram produzindo filmes de 120 minutos. Foi pensando exatamente neste espaço escasso dado aos curtas, os quais, ademais, acabam sendo a escola de qualquer cineasta (seja um medíocre ou um gênio como Chaplin), que resolvi criar uma nova série aqui no “Cinema Com Pimenta”, a “Curtindo o Curta”, dedicada a exibir (claro que por meio destas ferramentas fantásticas que são o sites comoYoutube ou Dailymotion) relevantes curtas-metragens, sejam contemporâneos ou clássicos, como uma forma modesta de tentar suprir esta lacuna na bagagem cinéfila de muitos amantes do cinema (entre os quais eu me incluo).

O filme que escolhi para iniciar essa nova sessão do blog foi “Viagem à Lua” (Le Voyage Dans La Lune), uma obra de 1902 dirigida por um dos desbravadores da arte cinematográfica, Georges Méliès, um ex-ator e ilusionista que ousou fazer algo inteiramente distinto do que era realizado até então. A começar pela sua duração. Pode parecer curioso hoje, mas “Viagem À Lua”, com seus 14 minutos, foi um verdadeiro longa-metragem no seu tempo, pois que até então os filmes geralmente se limitavam a 2 ou 3 minutos de projeção. Entretanto, ainda mais inovadora foi a sua premissa. Ao adaptar o romance homônimo de Julio Verne para a tela, Méliès abriu as fronteiras da imaginação no alvorecer da arte cinematográfica, deixando de lado o cotidiano filmado que era a regra até então (ou seja, mini-documentários), para explorar um universo inteiramente ficcional, voltado única e exclusivamente ao entretenimento. Não é nem um pouco absurdo afirmar que Méliès foi o pai do gênero ficção-científica, estabelecendo as bases que seriam seguidas por praticamente todos os cineastas dali em diante, até mesmo por gênios como Stanley Kubrick, cuja obra máxima, “2001 – Uma Odisseia no Espaço” (2001 – A Space Odissey), não deixa de ser uma variante filosófica do filme de Méliès.

O roteiro, também escrito pelo próprio diretor, começa com um cientista tentando convencer seus colegas, em uma espécie de congresso, de que é possível viajar ao satélite da Terra por meio de uma nave com estrutura semelhante a de um míssil. Um grupo, então, empreende a aventura, aterrissando de maneira pitoresca no “olho” da Lua, que é caraterizada de modo antropomórfico (por sinal, uma das cenas mais conhecidas do cinema até hoje). Lá eles descobrem que a Lua é habitada pelos selenitas, sendo aprisionados por estes até o momento em que descobrem que os estranhos habitantes viram fumaça quando golpeados com guarda-chuvas. Conseguindo escapar, os aventureiros voltam à Terra e caem no mar, sendo resgatados e recebidos com festa em Paris. Diante de narrativa tão fantasiosa, Méliès, utilizando de seus prévios conhecimentos de ilusionismo, acabou por engendrar o que hoje denominamos de efeitos especiais ou visuais, além de usar técnicas de superposição, fusão e edição de imagens que seriam fundamentais no desenvolvimento da Sétima Arte. Além disso, trata-se da primeira adaptação de uma obra literária para a película, o início de uma parceria entre cinema e literatura que renderia muitos grandes frutos ao longo de décadas. No mais, Méliès parece realizar uma grande zombaria com o cientificismo reinante na época, caricaturando a fé na ciência que por vezes se assemelha à fé religiosa, ocorrendo apenas uma substituição, ao mesmo tempo em que demonstra que a humanidade nunca terá pleno conhecimento sobre os mistérios da natureza e do universo.

Tremendo sucesso em sua época, ironicamente Méliès acabou indo à falência algum tempo depois, principalmente porque o filme foi distribuído nos EUA à revelia do seu autor, o qual não recebeu um centavo das bilheterias ianques. De qualquer forma, sua obra resultou precursora e muitos aspectos, o que acaba por transformá-la em obrigatória para qualquer pessoa que procure se aprofundar um pouco mais na arte da imagem em movimento. Bem, vamos deixar de falação e passarmos ao filme. A versão mais completa que encontrei na rede, e que segue abaixo, nos fornece 12 minutos de projeção, o que é praticamente o filme inteiro. Bom filme nesta primeira sessão do “Curtindo o Curta”.



Le Voyage dans la Lune (Uni Music) - 1902... por Krasny-Kofe

domingo, 2 de outubro de 2011

O espírito do rock se fez presente


Pausa no cinema.

É muito bom quando nós nos surpreendemos com algo inesperado. Sendo bem sincero, eu não estava dando muita bola para essa edição do Rock In Rio. Quando vi o line up do festival, notei a presença de uma quantidade muito grande de atrações que estavam bem mais pro pop do que pro rock, algumas de talento bastante duvidoso, é importante sublinhar (a escalação de Ke$ha me deu um embrulho no estômago).

Mas eis que as apresentações foram se seguindo, dia após dia, e fui me surpreendendo com o que estamos acompanhando. Esta quarta edição do festival vem contando com um público vibrante, empolgado e que sabe respeitar as diferenças entre aqueles que se apresentam. Claro que a organização também soube distribuir bem os dias das atrações, acabando com incoerências como colocar Carlinhos Brown para cantar no dia do Guns'n Roses (como em 2001) e evitando assim momentos constrangedores para os artistas. Mesmo que alguns shows acabem se mostrando de fato a mediocridade esperada, como o da citada Ke$ha (com sua voz ridícula, demonstrou que não tem mesmo condições de se apresentar em um festival como esse), outros tantos já se tornaram antológicos. São os casos de Stevie Wonder, que fez uma apresentação memorável com direito à galera cantando com ele “Garota de Ipanena”; Joss Stone, aquela menina talentosíssima (e bonita) e que fez um show incrível mesmo estando escalada para o palco Sunset (secundário), com o público gritando seu nome em coro ao fim da apresentação, além de Shakira, que arrebatou o público com um show empolgado (chegou a levar fãs pro palco para ensiná-las a dançar) e uma ótima participação de Ivete Sangalo em dueto cantando “País Tropical”. Outras apresentações memoráveis foram a do Capital Inicial, com um público vibrante e levantando poeira a cada música, e a homenagem à Legião Urbana, que teve participação da Orquestra Sinfônica Brasileira e dos dois integrantes remanescentes do grupo, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, ocasião em que nem seriam necessários vocalistas, uma vez que o público cantava em uníssono todas as músicas.


O festival já seria ótimo com todos estes ótimos shows, mas este último sábado (e madrugada de domingo) resultou ainda mais especial. Todos as performances, de Frejat ao Coldplay, passando por Maná e Maroon 5, contaram com uma participação eletrizante do público. Em todas as apresentações, as pessoas entoavam as canções de início ao fim. Impressionante. O Skank fez um show definitivamente antológico. O próprio Samuel Rosa decidiu filmar o momento histórico. Como ele próprio disse “não é todo dia que se canta para 100 000 pessoas e todas elas estão interessadas na sua música”. O Maná cantou “Vivir Sin Aire” como se estivesse tocando no México, tamanha a empatia com a plateia e o coro que o acompanhava. O Maroon 5 foi na mesma balada. Acredito que os seus integrantes devem ter pensado “nossa, eles sabem todas as músicas”. E, por fim, veio o Coldplay com uma apresentação impecável, pirotécnica, fãs enlouquecidos e até com homenagem a Amy Winehouse (Chris Martin cantou “Rehab”). Eu quase chorei quando tocaram "Yellow"! Depois de ontem, creio que esta edição do Rock In Rio só rivaliza com a primeira, de 1985. Se eu já senti essa energia do sofá da sala, fico imaginando como seria estar lá. Espetacular!

Tudo isso só reforça uma opinião que sempre tive: não existe público como o brasileiro. Nós temos muitos defeitos, mas também é verdade que somos calorosos como nenhum outro povo é no mundo. Acredito que muitos dos artistas que se apresentaram nesta edição do festival vão querer lançar DVDs ou Blu-Rays com seus respectivos shows. Não é pra menos. O público do Brasil está demonstrando nesse festival o estado de espírito que o País está vivendo, encarando o presente de forma positiva e com mais otimismo ainda quando olha para o futuro. Alguns amuados podem dizer que essas coisas só servem para fazer o povo esquecer do que é realmente importante. Entendo a crítica, afinal o povo brasileiro não se reúne em multidões para protestar contra a corrupção, por exemplo. Mas, como diz uma antiga música de uma famosa banda nacional, nós também queremos “diversão e arte”. E hoje ainda tem o Guns'n Roses para terminar o festival. Provavelmente também vai arrepiar, neste festival que, mesmo com tantas estrelas “pop” convidadas, mostrou que o espírito do rock está presente mais do que nunca.

Abaixo, seguem alguns vídeos com momentos especiais desta quarta edição do Rock In Rio. Ah, e não, não estou escrevendo tudo isso para fazer marketig para Roberto Medina. Eu apenas gosto de música mesmo... :=)











quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O Brasil no Oscar e um Rei de volta ao topo


Como vocês já devem estar sabendo, "Tropa de Elite 2" foi escolhido para entrar na briga pelo melhor filme em língua não-inglesa no Oscar 2012. Olha, é justo. Os outros concorrentes não teriam qualquer chance, como "Assalto ao Banco Central" e "As Mães de Chico Xavier". Não há dúvidas que "Tropa 2" é o melhor filme e já teria merecido a indicação no ano passado no lugar de "Lula - O Filho do Brasil". Mas a verdade é: não vai levar. Filmes violentos costumam ser rejeitados nesse prêmio (lembram de "Cidade de Deus"?) e o longa possui um tom muito voltado para o nosso público. Não é coisa para "americano ver".


Outra notícia importante dos últimos dias é a de que a versão em 3D de "O Rei Leão" atingiu o topo das bilheterias ianques no último fim de semana e disso tiro 3 conclusões:

1) A criatividade do cinema hollywoodiano está mesmo chegando ao fundo do poço;

2) "O Rei Leão" é mesmo uma das obras-primas da Disney. Um filme que os pais estão fazendo questão de levar seus filhos para conferir no cinema (eu mesmo vou fazer questão de garantir o blu-ray em breve). Quem foi rei nunca perder a majestade;

3) Em um prazo muito, muito breve vamos nos deparar com a notícia do próximo "clássico da animação" a ser convertido para o 3D e relançado nos cinemas. Pode apostar, é bem mais fácil que acertar os números da Megasena.

sábado, 23 de julho de 2011

27 anos...


Pausa no cinema.

Como todos já devem estar sabendo, faleceu hoje a talentosíssima cantora Amy Winehouse, mais uma vítima das drogas. Uma tragédia anunciada, diga-se de passagem. Já havia um bom tempo que ela era uma forte candidata a Janis e a candidatura acabou se confirmando. Ambas perderam a vida aos 27 anos, assim como dois outros ídolos da música: Jim Morrison e Jimi Hendrix. Todos vítimas do mesmo mal, é bom lembrar. Acredito que está na hora de acabar, de uma vez por todas, com a idiota glamurização das drogas. E ainda tem gente por aí que, por pura conveniência (usando um eufemismo) ou para posar de "moderno" , "mente aberta" ou qualquer outra babaquice pseudo-inteligente , defende a legalização destas. Tomara que a morte da cantora sirva ao menos para refletirem sobre esse tipo de sandice.

Descanse em paz, Amy!


sábado, 9 de julho de 2011

O cinema e a reciclagem de ideias - Parte II

Continuando as linhas sobres o reaproveitamento de ideias na atual crise de criatividade presente nas realizaçãoes cinematográficas (principalmente as made in Hollywood), vamos agora falar sobre outras espécies destas reciclagens. Se na primeira parte tecemos comentários sobre as duas fórmulas mais comumente usadas, quais sejam, o remake e a sequência, agora partiremos para uma apreciação de outras nem tão “badaladas”. São elas o prequel, o midquel, o interquel e o reboot. Nada muito catedrático, como podem perceber, mas acreditamos contribuir para o esclarecimento dos conceitos. Vamos a eles.


Prequel – Em terras brasileiras, não foi ainda utilizado um termo em português para traduzir esse neologismo surgido nos anos 1970. Em Portugal, utiliza-se a palavra “prequela”, o que constitui uma boa tradução, já que o termo em inglês se origina da junção de pre (antes, anterior) e sequel (sequência, sequela). Prequel é uma obra cuja trama ocorre em momento anterior à outra já lançada previamente, comumente esclarecendo a origem de personagens ou fatos que não foram totalmente desvendados durante a narrativa original. Embora o termo só tenha surgido nos anos 70, como mencionado, a origem deste tipo de obra é bem mais remota. O livro bíblico de “Rute”, que narra histórias de antepassados do rei Davi, por exemplo, é uma prequela de outros livros que tratam deste soberano hebreu. Em outra exemplificação, o genial músico Richard Wagner utilizou-se deste recurso na sua tetralogia “O Anel dos Nibelungos”, já que a ópera “Das Rheingold” é uma prequel da anterior “Siegfried”. Em termos cinematográficos, é essencial frisar que os fatos constantes da nova narrativa devem ser cronologicamente anteriores aos presentes no primeiro longa-metragem, pois que, se posteriores, não será uma prequela, mas uma sequência.

Apesar de não tão comuns quanto as sequências, podemos citar exemplos bem famosos e interessantes de prequels. Mais uma vez vamos recordar aqui o caso da saga “Star Wars”. Uma das precursoras nas sequências, ela também é referência entre as prequelas. Como é bastante conhecido, toda a série “Guerra nas Estrelas” foi concebida originariamente por George Lucas em seis episódios, mas ele resolveu filmar primeiramente o episódio IV, denominado “Uma Nova Esperança”. Décadas depois do término da trilogia que compreende este episódio e mais o V e o VI (o acima mencionado “O Império Contra-Ataca” e “O Retorno de Jedi”, respectivamente), Lucas retomou seu universo para levar às telas os três primeiros episódios que contam como Anakin Skywalker se tornou o temido Darth Vader. Ou seja, toda a segunda trilogia de “Star Wars” é uma extensa prequel do episódio IV, uma vez que suas narrativas tratam de fatos cronologicamente anteriores ao longa de 1977.

A segunda trilogia de Star Wars: um extenso prequel do pioneiro episódio IV

Ainda podemos elencar outras prequelas bastante conhecidas do grande público. “O Exorcista – O Início” (Exorcist: The Beginning, 2004) é prequel do clássico “O Exorcista” (The Exorcist) dirigido por William Friedkin em 1973 (e, por extensão, de toda a franquia, que inclui ainda os episódios II e III), mostrando a viagem que o Padre Merrin realiza para a África Oriental, deparando-se pela primeira vez com o demônio Pazuzu. Já “X-Men Origens: Wolverine” (X-Men Origins: Wolverine, 2009) antecede cronologicamente a trilogia dos X-Men iniciada em 2001 e revela o surgimento do popular herói Wolverine com a implantação do metal adamantium em seu esqueleto. Por sinal, ainda está em exibição nas salas de cinema, o segundo prequel da série do mutantes, o ótimo “X-Men Primeira Classe” (X-Men: First Class - 2011). Por outro lado, uma prequela já se tornou lendária entre os cinéfilos. Trata-se de “O Hobbit”, adaptação do livro de J.R.R. Tolkien que antecipa os acontecimentos de “O Senhor dos Anéis”. Há anos os fãs aguardam ansiosamente pelo filme, o qual, depois de anos de entraves jurídicos relativos aos direitos de adaptação da obra, finalmente entrou em fase de produção, tendo inclusive algumas imagens já liberadas na internet.

Interquel e Midquel – São duas formas de abordagem pouco utilizadas e, por isso mesmo, menos importantes, sendo mais comum na televisão e principalmente na expansão de uma obra para outras mídias. No interquel, temos uma narrativa que se passa entre duas outras já realizadas anteriormente, desenrolando fatos que o público não tinha tomado conhecimento. Um bom exemplo deste recurso é a animação “Star Wars: The Clone Wars” (2008), longa que serviu de introdução para a série de animação televisiva com o mesmo nome. Já no midquel o roteiro é desenvolvido a partir de uma elipse ocorrida no contexto de uma obra prévia. O conceito ficará mais claro recordando “Bambi II”, animação dos estúdios Disney elaborada para o mercado de home vídeo. Nele, a narrativa se desenvolve durante o período de tempo que se passa entre a morte da mãe de Bambi e sua idade adulta, o qual não é mostrado no famoso longa de animação que leva o nome do seu personagem central. Resta claro, portanto, que interquel e midquel são formas bastante mercadológicas de se explorar personagens com grande potencial e retorno financeiro. Não é à toa que fizemos mais uma menção à série “Guerra nas Estrelas”, já que Gorge Lucas se tornou o rei deste tipo de exploração mercantilista.

Reboot (ou reinício) – Talvez seja sinal dos tempos, mas é curioso que um termo da informática seja adotado para designar um conceito de obra midiática. Para conceituar reboot vamos nos valer da definição de Thomas R. Willits: “reboot significa reiniciar um universo de entretenimento que já foi estabelecido previamente, começando uma nova história e/ou cronologia que desconsidera a história ou acontecimentos do original, tornando-o obsoleto”. Neste ponto, é fundamental frisar que o reboot não é o mesmo que um remake. Como demonstrado em linhas anteriores, a refilmagem funciona como uma adequação ou nova visão de uma obra para uma determinada plateia, seja por necessidades comerciais ou artísticas, sendo que a obra, em linhas gerais, continua a mesma, com igual trama e personagens. No reinício novos paradigmas são estabelecidos para um universo ficcional que normalmente já teve sequências, sendo que tudo que foi feito ulteriormente é ignorado na noviça produção. Assim, um outro cânone é instituído, inovando e consagrando novos parâmetros a serem seguidos.


O exemplo mais imediato que podemos utilizar para exemplificar a ideia de reboot é o longa-metragem “Batman Begins” (2005), responsável por devolver ao famoso personagem dos quadrinhos o respeito perdido com os desastrosos filmes dirigidos por Joel Schumacher (principalmente “Batman & Robin”, de 1997, assombrosamente ruim). A solução encontrada pela Warner Bros., estúdio detentor dos direitos de adaptação, foi a de “zerar” a série cinematográfica, ignorando inclusive os filmes dirigidos por Tim Burton, que também nunca foram unanimidade de crítica e público. A intenção era a de contar uma nova origem para o herói e o diretor escalado, Christopher Nolan, obteve grande sucesso na empreitada, a qual inclusive gerou uma sequência, “Batman – O Cavaleiro das Trevas” (The Dark Knight, 2008), que acabou se tornando um marco nas adaptações de HQ para a tela grande, rendendo, inclusive, um Oscar de ator coadjuvante ao saudoso Heath Ledger. Outro reinício que se mostrou bastante feliz foi o da longa série “007”, que, a partir de “Cassino Royale” (2006), de Martin Campbell, assumiu novos e surpreendentes ares, com o ator Daniel Craig encarnando o agente James Bond com uma força e competência que não se via desde os anos 60 com Sean Connery. Recentemente, tivemos ainda o reboot da saga “Star Trek” (2009), apresentando-a para uma nova geração de possíveis fãs. Vale assinalar, porém, que nem sempre os reboots são necessários. A nova adaptação do Homem-Aranha, dirigida por Marc Webb e contando com Andrew Garfield no papel de Peter Parker (tem estreia prevista para 2012), é um típico caso de desnecessidade, tendo em vista a qualidade da trilogia dirigida por Sam Raimi e protagonizada por Tobey Maguire, ainda viva na memória do público e dona de uma legião de fãs. E que fique claro mais uma vez: reinício não é refilmagem, mas uma nova maneira de abordar um universo ficcional, não estando em absoluto atrelado a uma obra lançada anteriormente.

Embora não se possa negar que essas diversas formas de abordar um universo ficcional tenham sido engendradas, em sua maioria, por motivações eminentemente comerciais, como já frisado em diversas passagens nas linhas precedentes, também não se pode olvidar, por outro lado, que em várias outras ocasiões são obtidos resultados artisticamente relevantes. Mesmo os remakes, que talvez representem melhor esta vertente de mercado, uma vez que é a menos criativa das opções de retomada de um universo ficcional, podem adquirir um valor cinematográfico relevante quando bem realizados. Concluindo, o Cinema Com Pimenta espera ter jogado um pouco de luz, mesmo que de forma tênue, sobre a zona nublada que encobre as variadas espécies de reciclagem criativa que permeiam o cinema contemporâneo. Na verdade, espera mais ainda que as mentes que fazem o cinema, sejam cineastas ou executivos, consigam deixar para trás esse marasmo criativo e consigam fazer de tais reciclagens uma exceção e não a regra, já que está última vem reinando nos últimos anos.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

O cinema e a reciclagem de ideias - Parte I



Na atual crise de criatividade que assola a indústria do cinema, mormente a hollywoodiana, estão cada vez mais comuns as reciclagens de ideias, aproveitadas por meios distintos de abordar um universo ficcional. Neste sentido, surgiram termos como “remake”, “reboot”, “prequel”, entre outros, para designar os longas-metragens que promovem tal reaproveitamento de material criativo. Contudo, percebe-se que muitas vezes ocorre confusão por parte tanto da mídia quanto dos espectadores acerca do conceito de cada uma destas maneiras de reutilização de uma trama ou conjunto de personagens já pré-estabelecidos em produções ulteriores. É comum que seja empregado o termo “reboot” quando, em verdade, se trata de um “prequel”, por exemplo. A mais comum destas fórmulas, vale dizer, é o remake, mas, frise-se, ele é tão somente um dos meios de se explorar um universo ficcional já pré-estabelecido. Outros caminhos de abordagem também são muito usados, principalmente nesses tempos de escassez de ideias. É possível utilizar-se de um mesmo conjunto de personagens para desenvolver uma nova trama em um longa-metragem posterior, ou simplesmente continuar a narrativa desenvolvida no filme original, oferecendo um desenvolvimento maior dos acontecimentos e personagens ou mesmo esclarecendo pontos que permaneceram obscuros anteriormente. Existe ainda a possibilidade de recriar o universo estabelecido em longas anteriores, reiniciando a saga dos personagens, desconsiderando o que foi feito previamente. Ou, ainda, retomar o universo de um primeiro longa-metragem mostrando fatos que, cronologicamente, antecedem aqueles exibidos na película original. Para cada uma destas possibilidades existe uma designação específica e é importante, para aquela que pretende conhecer um pouco mais da sétima arte, conseguir diferenciá-las. Mas vale uma ressalva: se, na maioria dos casos, tais filmes representam uma carência de ideias novas no meio cinematográfico, em outras eles podem significar uma necessidade artística, trazendo-nos obras relevantes e mesmo artisticamente superiores, como tentaremos explanar a seguir. Passemos então a uma análise mais atenta e em tópicos das diversas vertentes de aproveitamento de um mesmo universo ficcional. Pra tornar a leitura menos cansativa, o Cinema Com Pimenta opta por dividi-la em duas partes. Na primeira, falaremos sobre o remake e a sequência. Na seguinte, abordaremos o prequel, o reboot e mais o midquel e o interquel. Vamos a eles.

Remake (ou refilmagem) – A mais comum das formas de reciclagem de ideias no cinema. Seu conceito é de fácil apreensão, já que consiste em tomar o mesmo material de um filme original e vertê-lo novamente para a tela, com a mesma trama e os mesmos personagens (1). Ultimamente, o remake vem sendo rotineiramente utilizado para verter longas estrangeiros para o mercado norte-americano, dada a aversão dos estadunidenses à leitura de legendas, além de tornar o material original mais palatável ao sabor de um público moldado para as facilidades do cinema comercial. Um exemplo bastante conhecido é o de “O Chamado” (The Ring, 2002), de Gore Verbinski, refilmagem do japonês “Ringu” (1998), cujo sucesso acabou gerando uma onda de remakes de filmes nipônicos de horror. Embora normalmente a confecção de uma refilmagem seja resultado de necessidades comerciais, é possível que ela ocorra também por motivações artísticas, como no recente “Bravura Indômita” (True Grit, 2010) realizado pelos irmãos Joel e Ethan Coen, uma nova versão para o filme homônimo protagonizado em 1969 pelo ícone John Wayne (muito embora os Coen recusem o rótulo de “remake”, alegando que realizaram uma nova adaptação do livro de Charles Portis e não uma releitura do filme de Henry Hathaway). A nova roupagem imprimida pelos irmãos diretores acabou, inclusive, agradando ao público mais jovem, resultando em um grande sucesso de bilheteria.


John Wayne e Jeff Bridges no papel de Rooster Gogburn nas duas versões de "Bravura Indômita"

É bom destacar que esta “atualização” para uma nova geração de espectadores também caracteriza uma das motivações recorrentes dos remakes. Outro caso bastante conhecido de refilmagem é a de “O Homem Que Sabia Demais” (The Man Who Knew Too Much, 1956), de Alfred Hitchcock, que soube aliar interesses comerciais e artísticos na sua direção, já que ele nunca havia ficado plenamente satisfeito com a versão inglesa da obra (de 1934). A nova cria resultou mais exuberante e imageticamente poderosa, com algumas da melhores sequências da carreira do genial diretor, como a conclusão repleta de suspense no Albert Hall londrino. É bom, ademais, relembrar projetos de releituras totalmente dispensáveis, tanto do ponto de vista comercial quanto artístico, como no emblemático exemplo do “Psicose” (Psycho, 1998) do diretor norte-americano Gus Van Sant, uma refilmagem quadro a quadro do clássico absoluto de Hitchcock (lançado em 1960), o qual jamais perdeu sua força, carecendo de qualquer atualização para um público mais jovem. Destaque-se, por último, que o remake é um recurso usado não apenas no mundo do cinema. A televisão também costuma realizar remakes de séries e novelas constantemente. Afinal, todos os veículos procuram um porto seguro quando as ideias escasseiam.

Sequência (ou sequel) – Praticamente tão comum quanto o remake, a sequência consiste em retomar um universo definido em um longa-metragem anterior, continuando e desenvolvendo sua trama normalmente do ponto onde foi interrompida. Portanto, não se trata de mostrar mais uma vez a mesma estória, como acontece na refilmagem, mas de desenvolver uma nova narrativa com o mesmo conjunto de personagens e tendo por base os fatos já ocorridos no filme predecessor. Normalmente produzidas por questões mercadológicas, são muito frequentes as sequências de grandes campeões de bilheteria, os denominados blockbusters, já que estas superproduções costumam arrebanhar uma horda de fãs que acabam por tornar seguro o investimento em uma continuação, com um retorno quase garantido. O exemplar mais emblemático de uma sequência encontra-se em “O Império Contra-Ataca” (The Empire Strikes Back, 1980), segundo episódio a ser lançado da famosa saga “Star Wars”, concebida por George Lucas. A trilogia original de “Guerra nas Estrelas”, inclusive, pode ser apontada como a matriz de toda a invasão de sequels que encontramos hoje nas salas de exibição. Com seu enorme sucesso, tornou-se o exemplo a ser seguido, nem tanto pelos cineastas, mas principalmente pelos executivos, que veem lucros fabulosos surgirem a partir de licenciamentos para uma variação de produtos que vão desde bonecos a toalhas de banho (e não apenas das bilheterias). Ou seja, as sequências tornaram-se a fonte maior de recursos para a manutenção do sistema de produção vigente em Hollywood, alicerçado em altos custos. Muitos filmes, vale ressaltar, já são concebidos para gerar sequels, apresentando conclusões em aberto ou pontos mal explicados que possibilitem o desenvolvimento de um segundo episódio. Em outras oportunidades, já são pensadas como obras divididas em capítulos, como no caso da própria franquia “Star Wars”, escrita por George Lucas em seis partes (e tendo levado às telas primeiramente o capítulo IV) ou a adaptação para o cinema da obra literária “O Senhor dos Anéis” (TheLord Of The Rings), cujas três partes foram filmadas de uma só vez pelo diretor Peter Jackson.



Entretanto, nem só de mercado vivem as sequências. É salutar recordar que um dos pioneiros neste recurso fílmico – antes mesmo da referida série de George Lucas - foi a trilogia “O Poderoso Chefão”, que foi desenvolvida por Francis Ford Coppola muito mais por motivações artísticas que financeiras. Claro que a Paramount viu na oportunidade uma chance de aumentar seus ganhos, tendo em vista o grande sucesso da obra-prima que deu origem à trilogia. Contudo, é importante observar que, para uma parcela da crítica, “O Poderoso Chefão 2” até mesmo supera seu predecessor enquanto obra de arte, demonstrando a substância de um projeto magnífico. Um bom exemplo, ademais, de que nem sempre está com a razão o senso comum, que nos leva a considerar sequências como inferiores ao longa original. Neste sentindo, no Brasil podemos destacar o recente “Tropa de Elite 2” (2010), de José Padilha, uma brilhante continuação para o seu já ótimo primogênito.

Bem, se teve paciência de chegar até aqui, o Cinema Com Pimenta publicará a segunda parte destas observações em breve. Até lá!
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(1) É possível que ocorra a inserção de algum personagem diferente ou exclusão de outro que consta no original, sem que tal expediente descaracterize a natureza de remake.