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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Para Ver Em Um Dia de Chuva

Sete Dias com Marilyn
(My Week With Marilyn, 2011)


Norma e Marilyn


O cinema, certamente, é a maior fábrica de mitos contemporânea e, dentre os muitos gerados no século passado, Marilyn Monroe sem dúvida é um dos maiores. Ela é uma das poucas estrelas hollywoodianas do século passado que ainda influenciam o comportamento das novas gerações. Entre as mulheres, sua aura só se equivale à de Audrey Hepburn. Contudo, se Audrey se coloca até hoje como um símbolo de sofisticação, Marilyn é a epítome da sensualidade evidente, escancarada, ajudada por suas curvas generosas e o ar pseudo-ingênuo que criou para sua presença pública, um personagem cultivado ao longo de toda a sua carreira, encerrada drasticamente após uma overdose de tranquilizantes em 05 de agosto de 1962. “Sete Dias Com Marilyn”, longa dirigido por Simon Curtis em 2011, é um longa que se presta justamente a levar o espectador a conhecer Norma Jeane Mortenson (seu nome verdadeiro) e não a Marilyn dos filmes e das badalações, procurando entender a persona escondida atrás da personagem pública. Ao mesmo tempo, não deixa de ser uma bela homenagem ao mito e também uma interessante abordagem acerca dos bastidores da Sétima Arte, levando-nos a conhecer vários dos desentendimentos, vaidades, conflitos e amizades que surgem ao longo das filmagens.

A maior virtude da direção de Curtis, bem como do roteiro de Adrian Hodges, é a de abordar um momento específico da vida da atriz. Baseado nos livros “The Prince, The Showgirl and Me” e “My Week with Marilyn”, de Colin Clark, que é o narrador e personagem central da película, o enredo trata dos dias em que Marilyn viajou ao Reino Unido para realizar as filmagens de “O Príncipe Encantado” (The Prince And The Showgirl, 1957), longa dirigido e estrelado por Laurence Olivier (papel de Kenneth Branagh, nada mais adequado), o renomado intérprete de Shakespeare, tanto no teatro quanto no cinema. Com a produção, Olivier estava tentando quebrar um pouco de sua imagem hermética, erudita, buscando apresentar um perfil mais popular. Para tanto, nada melhor do que se aliar à atriz mais famosa do mundo em uma comédia sem maiores consequências.


“Sete Dias com Marilyn” é focado na personalidade da atriz. A despeito do curto período temporal narrado, podemos perceber várias de suas características, como sua marcante insegurança, sua fragilidade por traz da diva encantadora, bem como seu esforço para ser vista não apenas como uma sex symbol, mas como uma intérprete de verdade, algo que, na realidade, nunca veio a acontecer. Adepta do famoso Método Stanislavski de interpretação, ela acaba por ser alvo das críticas constantes de Olivier, que não tem paciência com o tempo que a estrela leva para “imergir” no personagem, nem com sua notória dificuldade de memorizar diálogos. Por outro lado, Curtis não se furta a mostrar seu lado menos elogiável. Volúvel e adúltera, Marilyn era capaz de seduzir jovens inexperientes tão somente para afogar suas mágoas, várias delas advindas de seus problemas conjugais com Arthur Miller (Dougray Scott), seu marido à época. E ela o fazia assim como quem bebe uns tragos para curar uma dor de cotovelo, não se importando com as consequências emocionais que sua sedução e posterior indiferença poderiam causar nos eventuais apaixonados. É o que acontece com Colin Clark (Eddie Redmayne), mais uma “vítima” de seu poder de atração irresistível. Da mesma forma, o longa também não deixa de lado sua dependência química, mostrando o quão difícil era conviver e trabalhar com alguém se dopava quase diariamente.



Todavia, o longa é feliz não apenas na abordagem adotada, mas também em seus aspectos técnicos, apresentando uma reconstituição de época precisa, além de uma maquiagem e figurinos impecáveis. Também merece destaque a bela trilha sonora de Conrad Pope, de tom melancólico e nostálgico, bastante adequada ao caráter sensível da produção. Entretanto, este é o típico filme que não se sustentaria sem atuações de peso, mormente a interpretação da biografada. A respeito, Michelle Williams dá conta do recado? Não inteiramente seria a melhor resposta. Não vou entrar aqui nos méritos estéticos, pois Williams é uma mulher bonita, mas é quase óbvio dizer que a original era ainda mais. Entretanto, na composição de Williams falta um pouco da descontração de Marilyn, que era mais extrovertida publicamente do que se percebe na adaptação. Não que ela não tenha um bom desempenho e é possível estar sendo muito exigente, mas não vi Williams como a “Marilyn definitiva”. Faltou alguma coisa. Mas, vale dizer, não sei se é possível alguém alcançar esse “indefinível” que só a biografada tinha. De qualquer forma, valeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz (que perdeu, com justiça, para Meryl Streep como “ A Dama de Ferro”). Já Kenneth Branagh rende um ótimo Laurence Olivier e a atuação de Eddie Redmayne, como o narrador Colin, é competente. Destaque ainda para a presença de Julia Ormond na pele de Vivien Leigh, aflita com a “queda” que seu marido Laurence mal disfarçava sentir pela diva norte-americana.

Destarte, mesmo que, como mencionado acima, o filme não omita o lado menos notável da diva, sua conclusão, realçando que Colin nunca deixou de ser um eterno apaixonado por ela, conduz o público a uma inescapável admiração pela estrela, como a sugerir que somos todos fãs de Marilyn, mas não de Norma Jeane. Em determinado momento do filme, quando reconhecida por funcionários de uma biblioteca, ela pergunta ao rapaz: “devo ser ela?”. Em seguida, começa a posar e a se comportar como a personagem que criou. Sim, o público sempre amará a estrela Marilyn Monroe, esquecendo que Norma Jeane faleceu sozinha em um quarto poucos anos depois de concluir “O Príncipe Encantado”.


Cotação:



Nota: 8,0

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A Dama de Ferro



Meryl Thatcher Streep


O mundo em que vivemos hoje, dominado por instituições financeiras que retiram dos povos a sua soberania começou a ser engendrado ao longo da década de 1980 e teve como seus grandes artífices o então presidente dos Estados Unidos, o ex-ator Ronald Reagan, e a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher. Podem colocar na conta do legado de ambos essa lógica cruel de que os governos devem empurrar dinheiro público para salvar os bancos de quebradeiras, ao mesmo tempo em que, quando são os Estados que enfrentam dificuldades, devem cortar gastos públicos (leia-se, menos saúde, menos educação, menos incentivo à cultura...), empreender demissões, reduzir salários entre outras medidas do gênero. Ou seja, quando os bancos vão mal, quem arca com os prejuízos é o povo (via doações estatais para “reestruturar”os falidos). E quando os Estados vão mal das pernas, quem sofre as consequências também é o povo. Sim, a dobradinha Thatcher-Reagan foi a responsável pelo que hoje chamamos de “neoliberalismo”, um modelo que hoje encontra o seu ocaso.

É intrigante que se tenha realizado a ideia de um longa sobre a chamada “Dama de Ferro” (uma alcunha criada pelos soviéticos com um tom inicialmente pejorativo) do Reino Unido justamente em um tempo em que suas ideias se mostram, mais do que nunca, ultrapassadas e passíveis de enormes críticas. Sua postura reconhecidamente autoritária destoa de um mundo onde movimentos como Occupy Wall Street e Anonymous parecem despontar a cada dia. Aliás, os integrantes do citado Anonymous costumam usar a máscara de um personagem criado pelo quadrinhista Alan Moore (na HQ “V de Vingança”, adaptada para o cinema) como uma crítica e reação ao conservadorismo da era Thatcher, marcada por uma forte repressão aos sindicatos – a famosa greve dos mineiros se tornou icônica neste aspecto – e demandas sociais relegadas a segundo plano (qualquer semelhança com ideias defendidas por sabichões da mídia tupiniquim não é mera coincidência). Ou seja, Thatcher foi uma das principais responsáveis pelo fim do Estado do bem-estar social, modelo surgido no Ocidente do pós-guerra como uma reação ao sistema socialista do Leste Europeu.


Um figura politicamente tão controversa como Thatcher, no caso de uma adaptação para o cinema, mereceria a regência de um diretor experiente, acostumado a lidar com personagens reais e que resistisse às tentações de uma possível romantização de sua trajetória (o nome de Martin Scorsese, responsável por obras como “Touro Indomável” e “O Aviador” é o primeiro que me vem à mente). A escolha, entretanto, recaiu em Phyllida Lloyd, uma diretora que está apenas em seu segundo longa-metragem para o cinema (o primeiro foi “Mamma Mia!”, também com Meryl Streep) e que, infelizmente, não resistiu bem às mencionadas tentações, procurando construir a imagem de Margaret como uma “batalhadora-perseverante-que-alcança-seus-sonhos”. Neste ponto, o filme lembra o nacional “Lula, O Filho do Brasil” (2009), muito criticado por aqui por tentar transformar a história do ex-presidente em uma hagiografia. Com “ A Dama de Ferro” não é muito diferente, a começar pela opção escolhida de retratá-la na sua atual fase de demência decorrente do mal de Alzheimer, o que desde logo condiciona o público a enxergá-la com sentimentos de piedade. Uma espécie de recurso, intencional ou não (mas duvido que não o seja), que acaba turvando o nosso senso crítico. Contudo, se este se apresenta como um recurso sutil, há passagens ao longo da projeção que resultam em verdadeiro sensacionalismo, como na sequência em que a então primeira-ministra deixa o cargo se despedindo dos funcionários da 10 Downing Street (a residência oficial do primeiro-ministro), assemelhando-se a uma heroína que se dá adeus aos seus companheiros de batalha.

Além da mistificação, outro ponto me deixou incomodado no trabalho de Lloyd. Ela se esforça o tempo inteiro para atribuir uma conotação feminista à figura de Thatcher, algo que não é verdade. Ela nunca ergueu essa bandeira e suas atitudes enquanto governante demonstram muitos mais serem reflexos de uma mulher masculinizada – não no sentido sexual, mas na forma de entender o Estado e a sociedade – do que a demonstração do feminino no poder. Exemplo claro disso foi a utilização de um conflito armado, no caso a guerra das Malvinas, par alavancar sua popularidade que se encontrava em níveis baixíssimos no início da década de 80. Seu comportamento enquanto governante, dotado de intransigência, autoritarismo e espírito belicoso, na realidade parece muito mais demonstrar que, no fundo, sua chegada ao poder foi muito mais uma vitória do machismo, o qual condiciona as mulheres a agirem como homens para se manterem no poder ou mesmo conseguir administrar. Ou seja, Thatcher jamais representou um avanço nas conquistas dos direitos das mulheres.


Vale dizer, ademais, que “ The Iron Lady” falha não apenas na análise de sua personagem histórica. O filme também não alcança sucesso enquanto narrativa cinematográfica. O roteiro atropelado de Abi Morgan (o mesmo do polêmico “Shame”, ausente do Oscar), realizado a partir de flashbacks constantes, torna a experiência desinteressante e por vezes confusa. Boa parte do enredo se desenrola com Thatcher dialogando com a alucinação de Denis, seu marido falecido em 2003, numa temerária suposição de como funciona sua consciência. Além disso, o longa possui uma câmera nervosa totalmente inadequada ao tom introspectivo que tenta imprimir, cheia de angulações e movimentos desnecessários. Sinceramente, cheguei a ficar aborrecido em algumas passagens. A dispersão do público é quase inevitável durante a sessão.

Se esta não chega a acontecer completamente isso se deve principalmente a dois fatores. Por mais tendenciosa ou superficial que seja a análise apresentada, a história de uma figura pública tão relevante (para o bem ou para o mal) sempre despertará interesse, nem que seja para criticar as omissões ou distorções dos fatos. Destarte, não resta dúvida que o grande chamariz de “A Dama de Ferro” é a soberba atuação de Meryl Streep. Impecável, sua interpretação lembra a de Marion Cotillard em “Piaf – Um Hino Ao Amor” (La Môme, 2007), realizando um autêntico mergulho não apenas no exterior, mas também na alma da figura retratada. Um trabalho impressionante que consegue deixar o espectador interessado na narrativa, por mais falhas que esta apresente. Sua indicação ao Oscar é mais do que justa e será ainda mais justo se ela de fato levar o prêmio, muito embora a tendência seja a de premiar Viola Davis (que também nos entrega uma grande interpretação em “Histórias Cruzadas”, convém lembrar). Afinal, apesar de seu enorme talento (quem não é seu fã?), Meryl já se tornou a maior perdedora do Oscar, tendo levado apenas 2 vezes e perdido em 15 oportunidades. Auxiliando a grande atriz, ainda temos uma maquiagem fabulosa de Mark Coulier que auxilia no seu envelhecimento.

No entanto, uma grande atuação pode salvar um filme do desastre, mas não irá transformá-lo em um bom trabalho. Cheio de tropeços, romantizações e parcialidades, “A Dama de Ferro” nem chega a ser tão controverso quanto sua biografada pelo simples motivo de que, no caso desta, alguns adeptos de sua visão conservadora poderão defender com unhas e dentes sua gestão (o que, como já deixei transparecer, não é o meu caso). Entretanto, mesmo os admiradores da líder britânica hão de convir que esta cinebiografia de Phyllida Lloyd deixa bastante a desejar. A verdade é que, não fosse a atuação de Streep, o longa-metragem mereceria o mesmo destino das políticas da “Dama de Ferro”: o esquecimento. Acredito que não seria uma má ideia alterar o título do longa para“Meryl Thatcher Streep”...


Cotação:

Nota: 6,5

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ATUALIZADO: E Meryl venceu mesmo!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Para Ver Em Um Dia de Chuva



Gilda
(Gilda, 1946)


Nunca houve um estigma como Gilda


Neste último domingo, eu estava acompanhando um certo programa esportivo apenas por um motivo: seria exibida uma matéria acerca do filme que está sendo produzido sobre a vida de Heleno de Freitas, jogador de futebol que fez fama nos anos 40 e início dos 50 atuando pelo Botafogo, meu clube do coração. Dentre o vários detalhes que foram exibidos sobre a vida do referido futebolista, comentou-se que lhe foi atribuído o apelido de “Gilda”, numa alusão à personagem de Rita Hayworth no filme homônimo de 1946. Nesse momento, lembrei de um detalhe importantíssimo: eu possuía este clássico na minha coleção pessoal, mas não havia assistido, e olha que tinha muita curiosidade de vê-lo há um bom tempo. Bem, então resolvi sanar este problema quase de imediato: vi o longa-metragem na tarde deste último domingo (antes do jogo do meu Botafogo, claro...).

Na verdade, eu tinha poucas referências sobre esta obra de Charles Vidor, mais um diretor de origem judia e europeia (no caso, húngara) que emigrou para os EUA na primeira metade do século XX. Sabia apenas que se tratava do filme mais lembrado da estrela Hayworth; já havia visto várias vezes na TV a cena em que ela dança enquanto retira as luvas dos braços e que a frase que sempre emoldurou o poster da produção é “nunca houve uma mulher como Gilda”. Ou seja, conhecimentos bastante superficiais. A película, entretanto, foi revelando várias surpresas ao longo de seus 110 minutos. A primeira, que na realidade não é tão surpresa assim, é a de que “Gilda” é um típico filme noir. Estão lá presentes todos os seus elementos. Um protagonista de caráter dúbio (interpretado por Glenn Ford), envolvido com outras pessoas de caráter mais reprovável ainda (criminosos, para ser mais exato), além da inevitável femme fatale, no caso a personagem que dá o título ao longa-metragem e as indefectíveis fumaças de cigarro que sobem durante quase todo o filme. Além disso, Rita Hayworth se mostra mesmo uma mulher muito bonita e dotada de uma sensualidade ainda provocante até para os padrões de hoje. E isso ainda ressalvando que sua atuação não se pauta na vulgaridade. Pelo contrário. Gilda por vezes instiga muito mais por seus olhares e frases de efeito do que por apelar a dotes físicos ou sexualidade verbal explícita. Contudo, o que mais pode surpreender o espectador é a presença de um esguio subtexto homoerótico, principalmente se lembrarmos que a produção é da década de 40.


A relação entre o personagem de Glenn Ford, de nome Johnny Farrell, um aventureiro perdido na Argentina durante os anos da Segunda Guerra, e o de George Macready, o dono de cassino Ballin Mundson, é mesmo cheia de situações e nuances nubladas. A começar pela forma como rapidamente Ballin “apadrinha” Johnny. Este último estava sendo vítima de um assalto quando Ballin o salva usando de suas habilidades no uso de uma bengala que esconde uma espécie de punhal em sua extremidade. Após esse encontro, Johnny passa a trabalhar para Ballin e, em pouco tempo, já se torna seu braço direito. Usando uma frase constante do longa, o qual possui uma narrativa em off do personagem de Johnny: “tudo ia muito bem, parecia que seria sempre apenas nós dois, quando Ballin viajou e retornou com algo inesperado”. Parece mesmo que há algo a mais entre os dois e os mistérios só crescem quando Johnny descobre que a tal surpresa de Ballin é Gilda, uma paixão do passado do protagonista, mas que Ballin ignora. Aliás, ele já está casado com a femme fatale e pede a Johnny que ele a vigie de perto para evitar que o traia. Interessante frisar que Johnny acaba não se importando se Gilda dá as sua saídas com estranhos, desde que Ballin não saiba e venha a ficar magoado. Esse roteiro cheio de meios-termos foi escrito por duas mulheres (algo incomum para a época), Jo Eisinger e Marion Parsonet (baseadas em romance de E. A. Ellington), além de contar com outra representante feminina na produção, Virginia Van Upp (então esposa do todo-poderoso da Columbia, Henry Cohn). É provável que este encontro de mulheres na criação tenha rendido uma brincadeira com os tipos masculinos, uma piada com a misoginia comum a muitos filmes noir. Destarte, não deixa de ser curioso observar essa dubiedade na produção de uma Hollywood extremamente conservadora - ainda o é até hoje, quem dirá nos idos de 40...


Entretanto, o que há de mais rico na narrativa são os diálogos afiadíssimos - responsáveis por frases memoráveis – além do desenvolvimento da personagem de Gilda. A princípio, podemos entendê-la como uma mulher dominadora, mas o transcorrer do enredo mostra exatamente o contrário. Ela se mostra muito frágil ao realizar todas as suas ações tendo como único norte a sua indisfarçável paixão por Johnny. Todas as suas atitudes buscam perturbá-lo de alguma forma, provocando ciúmes ou causando desentendimentos com o seu benfeitor. Ademais, um aspecto interessante da narrativa é que nunca ficamos sabendo o que separou Johnny e Gilda no passado, deixando a trama ainda mais intrigante. Por outro lado, a direção de Vidor deixa a desejar em alguns momentos, com uma montagem um tanto atropelada – principalmente quando próximo do desfecho - além da inexistência de cenas externas. O filme se passa em Buenos Aires, mas jamais vemos qualquer imagem da cidade. O único indício de que se trata de uma país latino são as falas em espanhol (meio tosco, diga-se de passagem) de alguns personagens. Tudo bem que a produção tivesse orçamento limitado, mas havia formas de driblar essa limitação, como usar imagens projetadas da localidade, artifício utilizado por Alfred Hitchcock em “Interlúdio” (Notorious), lançado também no mesmo ano.

Descontados os percalços, “Gilda” se sustenta como um bom filme noir, com algumas reviravoltas e diálogos, como já dito mais acima, bastante saborosos. Mas a verdade é que ele entrou mesmo para a história como o ápice da carreira da estrela Rita e também como sua maldição. Ao cantar “Put The Blame On Mame” na famosa cena do quase strip-tease com as luvas, Hayworth se transformou para sempre em Gilda, jamais conseguindo desligar sua imagem do papel que interpretou. A famosa frase da atriz, “os homens dormem com Gilda e acordam com Rita” é o exato reflexo dos sentimentos de uma mulher condenada a ser para sempre uma fantasia, uma ficção. Afinal, ao se falar em Rita Hayworth qual a primeira imagem que lhe vem à mente? Olhando por este ângulo, talvez nunca realmente tenha havido uma personagem como Gilda, um estigma que acompanhará sua intérprete enquanto existir cinema.


Cotação:

Nota: 8,5

quarta-feira, 23 de março de 2011

Elizabeth Taylor: 1932 - 2011


Acredito que não seria sequer necessário mencionar o nome da possuidora dos impressionantes olhos acima fotografada. Afinal, não é preciso ser cinéfilo para saber que Elizabeth Taylor foi uma das maiores estrelas do cinema em todos os tempos. A esta altura, todos já estão sabendo do seu falecimento e seria redundante escrever aqui sobre sua carreira, seus vários problemas de saúde, além de sua turbulenta vida amorosa, onde colecionou 8 casamentos, sendo que dois deles com o mesmo marido, Richard Burton. Curioso que, há poucos dias, durante o carnaval, vi "A Megera Domada", adaptação da obra de Shakespeare para o cinema sob a direção de Franco Zefirelli. No filme, bastante divertido, temos o referido casal contracenando em cenas impagáveis, como você pode conferir na sequência abaixo.




Entretanto, sempre que lembro de Liz Taylor não me deixa de vir à mente o soberbo "Um Lugar Ao Sol", uma obra-prima dirigida por George Stevens na qual ela contracena com Montgomery Clift. Um filme belíssimo que possivelmente figura no meu top 10 de melhores de todos os tempos. Então com apenas 17 anos, ela já demonstrava que se transformaria em uma estrela como poucas. Veja a cena a seguir (com legendas).





Por fim, apesar do filme não ser lá essas coisas, não se pode pensar na atriz sem lembrar de sua atuação em "Cleópatra" (trailer abaixo), fechando essa singela homenagem do "Cinema Com Pimenta" à diva dos inesquecíveis olhos cor de violeta.




sexta-feira, 22 de outubro de 2010

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Quero Ver Novamente #7

Acredito que todos que frequentam espaços como o "Cinema Com Pimenta" tomaram conhecimento da morte de Tony Curtis no último dia 30 de setembro. Pois bem, para corrigir a falha de ter deixado passar em branco o registro do fato aqui no blog, segue abaixo o trailer de "Quanto Mais Quente Melhor", sem dúvida um dos filmes mais engraçados de todos os tempos! Um verdadeira obra-prima do mestre Billy Wilder! Em raras oportunidades ri tanto ao ver um filme! Confira!


quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Gloria Stuart: 1910 - 2010


No último dia 26, domingo, tivemos a notícia do falecimento de Gloria Stuart, atriz norte-americana de cinema, teatro e televisão, que encarnou a personagem de Rose DeWitt Bukater na velhice, em "Titanic" (todo mundo sabe que Kate Winslet a interpretou na juventude).

A carreira de Gloria começou na década de 30, mas foi somente aos 87 anos, com o seu desempenho no filme de James Cameron, que conseguiria uma nomeação para o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante (sendo então a atriz mais velha a ser indicada). Foi distinguida, ainda, com o Globo de Ouro e recebeu o prêmio do Sindicato dos Atores, que dividiu com Kim Bassinger.

Depois de "Titanic", onde desempenhou o papel da sua vida, como confessou, foi chamada para atuar em "The Love Letter"(1999), "The Million Dollar Hotel" (2000) e "Terra da Abundância" (2004).

Gloria Stuart começou a carreira no teatro, atuando em Pasadena, Califórnia. Estreou no cinema com "Street of Women", em 1932. Foi, ainda, co-fundadora do Sindicato dos Atores dos EUA. Morreu dia 26, de câncer no pulmão, na sua casa em Los Angeles.

Abaixo, uma entrevista com Gloria e Kate Winslet. Confira!



sábado, 24 de julho de 2010

Musas do Escurinho #15


A inesquecível Shophia Loren no auge de sua beleza! É interessante como nos lembramos dela apenas como uma grande diva, mas a verdade é que ela também é uma grande atriz. Inesquecível sua interpretação em "Um Dia Muito Especial"!

terça-feira, 29 de junho de 2010

Lembrando Katharine Hepburn

Hoje, 29 de junho, se completam 7 anos do falecimento de uma das maiores estrelas da história do cinema: Katharine Hepburn. Recordista de oscars, vencendo 4 ao todo, Hepburn foi eleita pela pela revista Entertainment Weekly como a "a" grande estrela da 7ª arte, deixando Audrey Hepburn em segundo (elas não eram parentes). Abaixo, em homenagem a esta grande atriz, você pode ver uma sequência de "Adivinhe Quem Vem Para o Jantar" (Guess Who's Coming To Dinner, 1967), divertida e inteligente comédia de costumes, onde dois professores universitários, interpretados por Hepburn e Spencer Tracy (o qual foi seu amante durante muitos anos e com quem fez parceria ao longo de 12 filmes), que se dizem liberais e anti-racistas, se surpreendem com a descoberta do namorado da filha, um rapaz negro (Sidney Poitier, ótimo). A atuação rendeu a Hepburn o segundo dos mecionados quatro prêmios da Academia. Se não viu, procure ver. Vale muito à pena!


quinta-feira, 15 de abril de 2010

Musas do Escurinho #14


Na realidade, esta é uma "edição especial" da série para lembrar uma data marcante: há exatos 20 anos, no dia 15 de abril de 1990, faleceu Greta Luvisa Gustafson, mais conhecida pelo seu nome artístico: Greta Garbo. Abaixo a sequência de "Grande Hotel" onde ela profere a famosa frase que se transformaria no epitáfio da sua vida: "I want to be alone" (eu quero estar sozinha). E Garbo (seu sobrenome tornou-se até nome de loja no Brasil, no auge de sua fama) realmente terminou como queria: sozinha, mas jamais esquecida.


quinta-feira, 25 de março de 2010

Musas do Escurinho #13


A beleza histórica e impactante de Claudia Cardinale, uma daquelas divas inesquecíveis!

sábado, 16 de janeiro de 2010

Mais um beijo empolgado


A cerimônia do Critics’ Choice Awards, prêmio conferido pela Broadcast Film Critics Association (entidade que reúne críticos de cinema de 200 meios de comunicação da América do Norte, abrangendo TV, rádio e internet) aos melhores do ano, consagrou “Guerra ao Terror” como o melhor filme de 2009, assim como sua diretora (e ex-esposa de James Rei do Mundo Cameron), Kathryn Bigelow, como a grande diretora do ano. Entretanto, o momento de maior destaque da entrega de prêmios parece ter sido a efusiva comemoração de Meryl Streep e Sandra Bullock ao receberem as láureas pelo desempenho na categoria de melhor atriz (ambas venceram, em empate), como vocês podem ver na imagem acima. Os demais vencedores podem ser conferidos na lista abaixo, que tem ainda como destaque a premiação de Quentin Tarantino na categoria de melhor roteiro original por “Bastardos Inglórios”, filme que também venceu em ator coadjuvante (Christof Waltz, claro) e melhor elenco (categoria que não existe no Oscar). E neste domingo tem Globo de Ouro (23h, horário de Brasília).


Melhor filme: “Guerra ao Terror”
Melhor diretor: Kathryn Bigelow, por “Guerra ao Terror”
Melhor roteiro original: “Bastardos Inglórios”
Melhor roteiro adaptado: “Amor Sem Escalas"
Melhor ator: Jeff Bridges, por “Crazy Heart”
Melhor atriz: Meryl Streep, “Julie & Julia”, e Sandra Bullock, “The Blind Side”
Melhor ator coadjuvante: Christoph Waltz, por “Bastardos Inglórios”
Melhor atriz coadjuvante: Mo’Nique, por “Precious”
Melhor elenco: “Bastardos Inglórios”
Ator/atriz revelação: Saoirse Ronan, por “Um Olhar do Paraíso”
Melhor animação: “Up – Altas Aventuras”
Melhor filme de ação: “Avatar”
Melhor comédia: “Se Beber, Não Case”
Melhor documentário: “The Cove”, de Louie Psihoyos
Melhor direção de arte: “Avatar”
Melhor figurino: “A Jovem Victoria”
Efeitos especiais: “Avatar”
Melhor som: “Avatar”
Melhor trilha sonora: “Up - Altas Aventuras”

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Musas do Escurinho #12




Nas telas em "Sherlock Holmes", sempre considerei Rachel McAdams uma gatinha, de beleza clássica e romântica. Não é à toa que sempre pode ser encontrada protagonizando filmes como "Diário de Uma Paixão" e "Te Amarei Para Sempre"...

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Eu quero esse pôster # 4

"Nine", a refilmagem em formato musical de "8 1/2", uma das obras magistrais de Federico Fellini (confira aqui mais detalhes), ainda nem estreou, mas os posters do longa já podem facilmente entrar na galeria dos mais memoráveis, pelo menos para o público masculino. Confiram abaixo essa beleza de arte e, principalmente, a beleza de suas figuras femininas (o que também já transforma esse post em mais um da série "Musas do Escurinho").



quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Musas do Escurinho #11


Uma bela presença feminina em "2012", Thandie Newton é dona daquela beleza um tanto exótica, que distoa um pouco dos padrões estéticos ocidentais. Na realidade, isso a torna ainda mais sexy. Pena que no filme catástrofe que anda arrasando nas bilheterias, esse seu lado não seja tão explorado.

sábado, 17 de outubro de 2009

Musas do Escurinho #10

Sessão dupla do "Musas do Escurinho". E homenagem à mais nova e poderosa obra de Tarantino, seguem imagens da duas musas do seu filme. A primeira é Diane Kruger, a linda agente dupla loira e fatal Bridget Von Hammersmarck (como sempre há em todo filme de Segunda Guerra).


A seguir, a bela francesinha Mélanie Laurent, a qual encarna uma personagem já detinada à imortalidade: a judia Shossana Dreyfuss. As francesas...ah, as francesas!

sábado, 19 de setembro de 2009

Musas do Escurinho #9


Olhando assim essa foto discreta talvez você não perceba todo o potencial de Marisa Tomei, essa mulher que tem um corpaço. Veja "O Lutador" e comprove essa afirmação. Ah, e o filme é ótimo também!