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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Trilha Sonora #25



"Forrest Gump - O Contador de Histórias" (Forrest Gump, 1994) é um filme do tempo em que Tom Hanks era o melhor ator do mundo, encantando o público e recebendo prêmios a cada novo trabalho. Mas não só isso.  "Forrest Gump" é um ótimo filme, o ápice da carreira do diretor Robert Zemeckis (ao lado de "De Volta Para o Futuro"), inventivo, original e divertidíssimo. Ademais, faz um grande retrospecto da história da cultura e costumes norte-americanos nas últimas décadas, o que acaba por nos trazer uma trilha incidental extensa e de ótima qualidade, contando com composições excelentes como esta "Turn! Turn! Turn", canção da banda The Byrds que adapta um trecho do livro bíblico Eclesiastes. A música é um primor e as palavras são de uma sabedoria atemporal. Som na caixa!


segunda-feira, 30 de abril de 2012

Filmes Para Ver Antes de Morrer

 

Bem, leitores, este é o primeiro texto do "Cinema Com Pimenta" após o seu recesso. É possível que ainda não seja um retorno definitivo, mas aos poucos vamos tentando retomar o ritmo. Também não sei se este é realmente um bom texto, mas é o que o blogueiro conseguiu produzir em meio aos dias cheios que está levando. De qualquer forma, uma coisa é certa: é muito bom estar de volta! Grande abraço a todos os que acompanham este espaço e obrigado, muito obrigado pelos comentários de felicitações e incentivos postados nos últimos dias. Li todos eles e fiquei feliz e motivado com todos. Agora, segue a resenha de um filme pra lá de bom que vi alguns dias antes do recesso. Até o próximo post!

A Primeira Noite de Tranquilidade 

(La Prima Notte di Quiete, 1972)


Existencialismo cinematográfico

É possível que nenhum outro cineasta tenha tratado de questões existenciais de uma forma tão própria quanto o diretor italiano Valerio Zurlini (opa, Ingmar Bergman também alcançou o mesmo nível neste quesito, mas são estilos bem distintos). E talvez nenhum dos seus filmes resuma de maneira tão abrangente o seu cinema quanto “A Primeira Noite de Tranquilidade”, o seu penúltimo longa-metragem, realizado em 1972. Anteriormente, quando tratamos, aqui no “Cinema Com Pimenta”, de “A Moça com a Valise” (La Ragazza Con La Valigia), sua obra de 1961, sublinhamos o quanto o seu diretor foi subestimado em seu tempo, passando por um processo de revalorização apenas recentemente, já na primeira década dos anos 2000. Ao terminar de assistir a “A Primeira Noite de Tranquilidade” é possível que você fique estupefato(a) por dois motivos: o primeiro é a constatação de que esta é uma obra impecável, um verdadeiro conto existencialista que até mesmo Jean-Paul Sartre ou Albert Camus invejariam; o segundo motivo é tentar compreender o porquê de um filme tão belo encontrar-se quase relegado ao esquecimento, sendo que até mesmo entre os cinéfilos normalmente não é fácil encontrar alguém que já o tenha visto.

Para tornar a questão ainda mais difícil, é importante frisar que o filme tem como seu protagonista ninguém menos que Alain Delon, simplesmente um dos grandes astros da história do cinema e que encontra aqui uma de suas maiores performances (alguns afirmam que este é seu melhor trabalho, mas aí podemos acabar irritando o fãs de Jean-Pierre Melville para quem Delon fez, entre outros, “O Samurai”). Delon encarna o professor Danielle Dominici, um homem que já parece desenganado com a vida, mas que, no fundo, ainda almeja encontrar algo ou alguém que o faça se sentir vivo. Chegando à cidade italiana de Rimini (a cidade natal de Fellini retratada em “Amacord”, lembram?) ele passa a ensinar no liceu local onde conhece a estudante Vanina Abati (encarnada pela lindíssima atriz Sonia Petrova), uma garota ao mesmo tempo instigante e misteriosa que, a despeito de sua beleza e juventude, exala infelicidade em sua face. Aliás, como bem define uma das personagens a certa altura, trata-se de uma mulher de “muito passado, pouco presente e nenhum futuro”. Ela é a namorada do homem mais rico da cidade, um playboy que a trata como um troféu para enfeitar a prateleira, mas pouco interessado na sua alma. Um de seus amigos é Giorgio Mosca, conhecido pelos mais próximos como “Spider” (papel de Giancarlo Giannini), o qual por sua vez percebe que Dominici é um homem que talvez mereça ter o seu passado investigado.

A “apuração” promovida por Spider revela uma das melhores facetas de Zurlini. Em suas obras, vamos descobrindo os personagens aos poucos, tal como conhecemos alguém na vida real, conferindo uma quase inigualável tridimensionalidade aos tipos que elabora. Desta forma, o misterioso Dominici, uma espécie de homem-lugar-nenhum que surge na tela logo na primeira cena, caminhando em um promontório a lado da arrebentação das ondas em uma Rimini invernal, vai sendo revelado em cada novo fotograma, como quando descobrimos que ele é casado com uma mulher adúltera (Lea Massari, a mulher que desaparece em “A Aventura”, de Michelangelo Antonioni), vivendo um matrimônio que só se mantém devido às constantes ameaças de suicídio proferidas pela esposa, até sabermos o que o professor define como “a primeira noite de tranquilidade” do título. Da mesma maneira, vamos descobrindo porque Vanina é uma mulher “de muito passado”. Tudo isso levado a cabo por meio de um roteiro brilhante, com ares verdadeiramente literários (várias são as frases memoráveis ditas ao logo da projeção), o qual vai assumindo contornos deveras trágicos à medida em que Dominici se envolve de forma cada vez mais irremediável com Vanina.

Por outro lado, mais uma vez a mise-en-scéne de Zurlini é algo fascinante. A cena da boate, na qual percebe-se que Dominici encontra-se perdidamente enfeitiçado pela jovem aluna é um autêntico espetáculo imagético. Vale dizer, inclusive, que ela lembra muito uma outra sequência filmada pelo diretor no citado a “A Moça Com A Valise”, onde Jacques Perrin, tomado de ciúmes, observa Claudia Clardinale dançando com um homem endinheirado e estúpido. Antes que se avente que o diretor incorreu em repetição, é importante frisar que o personagem de Delon no longa de 1972 parece uma versão madura do adolescente interpretado por Perrin no filme de 1961. É como se o primeiro fosse a representação desiludida deste último, depois de anos de decepções e dissabores. Nesta ótica, seria até leviano afirmar que Zurlini se repetiu ou aventar uma suposta falta de criatividade do diretor. Vista isoladamente, a mencionada sequência é um deslumbre e, quando colocada diante da cena semelhante vista no longa sessentista, ela cresce ainda mais.


Além das imagens marcantes, o elenco também é outro fator que contribui sobremaneira para transformar “A Primeira Noite de Tranquilidade” em uma obra que vai muito além de meras duas horas de frente para uma tela. Sonia Petrova, como Vanina (o nome foi pinçado por Zurlini a partir de um livro de Stendhal), além da já mencionada beleza incomum, demonstra talento em várias passagens dramáticas e é até estranho que ela não tenha realizado uma carreira com maior destaque (ela também trabalhou com outros diretores famosos, como Luchino Visconti, mas misteriosamente nunca despontou como grande estrela). Já Giancarlo Giannini chega a roubar cenas na pele de “Spider”, principalmente durante alguns diálogos memoráveis com Dominici, conseguindo fazer do seu personagem algo além de um mero coadjuvante. Contudo, é mesmo Alain Delon o monstro em tela que que acaba por catalisar as atenções. É como se ele tivesse nascido para o papel e note-se que este foi o seu único trabalho com o cineasta em questão (ao contrário de sua parceria constante com o citado Melville). Delon foi (e ainda é) um homem muito bonito e, talvez até por isso, sempre procurou papéis que retirassem da sua figura um possível estigma de galã. Aqui ele se encontra com a barba por fazer, vestindo um sobretudo surrado e externando, a cada gesto e olhar, a agustiada alma de um homem que ainda busca a felicidade mesmo contra todas as evidências de insucesso.

Alguns afirmam que para gostar dos filmes de Zurlini, especialmente deste, é necessário estar triste. Nada mais superficial. Caso tomássemos tal frase como verdadeira teríamos que afirmar que para gostar dos filmes de um Woody Allen, por exemplo, é necessário estar com vontade de rir. A obra de Valerio Zurlini vai muito além de simplificações e hoje considero um dever de cada cinéfilo conhecer e fazer com que outros conheçam sua filmografia. Afinal, uma obra-prima como "La Prima Notte di Quiete", a qual resume sua carreira de uma forma magnífica, merece ser conhecida e admirada. Assista e descubra o quanto antes qual é a primeira noite de tranquilidade na visão deste mestre da Sétima Arte.


Cotação e nota: Obra-prima.

domingo, 25 de março de 2012

Restaurando a Película


O Fio da Navalha
(The Razor's Edge, 1946)


Um bom clássico com “Tirone Pouer”



Diante da quantidade gigantesca de filmes que se tem a explorar, é inevitável que mesmo um cinéfilo acabe deixando de lado a filmografia de algum cineasta ou astros renomados. São os “pecados” que muitas vezes não gostamos de admitir nem para nós mesmos, mas aqui vou assumir publicamente um deles. Este clássico “O Fio da Navalha” (The Razor's Edge) é o primeiro longa-metragem a que assisti com o famoso ator Tyrone Power, um dos astros da Hollywood dos anos 30 e 40 e que, infelizmente, faleceu muito cedo, com apenas 44 anos, vítima de um infarto fulminante (o mal era de família, pois que seu pai morreu da mesma forma). Curioso que a primeira vez que vi alguma referência ao nome do ator foi ainda bem moleque, na HQ “Batman – O Cavaleiro da Trevas”, mais precisamente em um trecho em que Bruce Wayne recordava o assassinato dos seus pais logo após uma sessão de “A Marca do Zorro”, filme estrelado por ele, Tyrone Power, o qual para mim, com os meus parcos conhecimentos de inglês àquela altura, era o “Tirone Pouer”. Os anos passaram, eu me tornei um cinéfilo-que-escreve, mas ainda não havia apreciado qualquer atuação do astro e isso já vinha se tornando um verdadeiro fantasma assombrando minha vida de amante do cinema. De toda forma, sempre podemos ao menos tentar recuperar o tempo perdido e eis que me inicio nos trabalhos de Power com o longa-metragem de 1946 dirigido pelo inglês Edmund Goulding.*

Goulding foi, tal como Douglas Sirk, um grande diretor de melodramas, o que importa dizer que sua linguagem e ritmo cinematográficos possuem uma fácil comunicação com o público – linguagem esta que depois seria piorada e utilizada à exaustão pelas telenovelas. É comum se deixar envolver por suas narrativas, normalmente em termos maniqueístas, ondem mocinhos e mocinhas enfrentam megeras e indivíduos sem caráter. Alguns melodramas, entretanto, se colocam acima da média justamente por fugirem a esses lugares-comuns. Ao levar para as telas a adaptação da obra de Somerset Maugham, Goulding foi além de meras situações que fariam o público torcer pela moça desamparada. À exceção do protagonista Larry Darrell (encarnado por Tyrone Power), praticamente todos os outros personagens possuem um caráter imperfeito, aproximando-se, desta maneira, das tintas do cinema noir. Entretanto, mesmo Larry é um tipo incomum para o cinema de então. Afinal, ele nos é apresentado como um homem que não compartilha dos valores da sociedade capitalista, atenta apenas ao possuir e ao trabalho como uma forma de auferir maiores riquezas (e não como maneira de realização pessoal). Ex-combatente da 1ª Guerra Mundial, ele não se enxerga mais como um homem que se realize como empresário, advogado ou qualquer outra carreira tradicional. Entediado e deslocado diante dos valores da vida burguesa, Larry parte para a Europa em uma jornada de autoconhecimento que, posteriormente, o levará ainda até a Índia. Mas é claro que suas escolhas também importarão em perdas (afinal, assim é a vida). A mais significativa delas é a noiva Isabel Bradley, interpretada pela belíssima Gene Tierney, uma estrela em seu tempo, mas que hoje anda pouco lembrada. Filha de família abastada, ela não consegue compreender a angústia de Larry e muito menos concebe viver com recursos limitados. É uma mulher do seu tempo, que espera do marido todos os esforços para que tenham uma vida confortável. Entretanto, não conseguimos enxergá-la como uma pessoa exatamente ruim, mas tão somente limitada diante dos conceitos socioculturais dominantes.


É exatamente esta riqueza dos personagens o maior trunfo de “O Fio da Navalha”, característica que não se restringe ao mencionado casal central. Ao redor deles gravitam vários tipos interessantes e marcantes. Clifton Webb (que já havia trabalhado ao lado de Tierney no clássico do noir “Laura”, de 1944) interpreta Elliott Templeton, tio de Isabel, um aristocrata esnobe que tenta esconder sua própria decadência. Outro que marca boa presença é John Payne como o bom caráter Gray Maturin, além de Herbert Marshall encarnando o próprio escritor Somerset Mugham, em um recurso de metalinguagem do longa. Entetanto quem acaba mesmo roubando a cena é Anne Baxter (que mais tarde seria “A Malvada” do filme estrelado por Bette Davis) como a sofrida Sophie McDonald, uma mulher intensamente feliz até perder o marido e o filho em um trágico acidente, fato que a leva ao alcoolismo e a um estado de semiprostituição. A entrega de Baxter ao papel lhe rendeu um merecido Oscar de atriz coadjuvante (Clifton Webb também foi indicado como ator coadjuvante).


Por outro lado, além da ótima direção de atores, Goulding consegue estabelecer um ritmo que prende o espectador e faz com que este nem sinta os 145 minutos do longa. Isso se deve muito também à fluidez do roteiro, uma boa adaptação levada a cabo por Lamar Trotti, muito embora fosse possível explicar melhor os traumas vividos por Larry no conflito mundial, que são apenas referidos em um diálogo entre ele e Isabel. Também é possível afirmar que o filme carece de uma maior força imagética, fragilidade possivelmente decorrente das preferências de Goulding, que não gostava de filmar em locações, mania talvez proveniente de suas origens teatrais. A trilha sonora de Alfred Newman, mesmo que muito bonita, por vezes soa com um certo sensacionalismo, com tons meio exagerados. No entanto, há bons momentos com canções incidentais, as quais lançam um bem-vindo teor naturalista às sequências.

E Tyrone Power? Merece mesmo o adjetivo de “grande astro” do cinema? Bem, embora ele não tenha me parecido exatamente um Marlon Brando, não se pode negar que tinha muito carisma. Era um bom ator, cujo tipo físico lembrava o de James Stewart, mas que parecia sempre precisar de um bom diretor de atores para realizar um trabalho mais marcante, como foi o caso aqui. Contudo, talvez até melhor do que finalmente conhecer o “Tirone Pouer”, foi descobrir que “O Fio da Navalha” é uma obra bastante interessante e que anda por aí injustamente relegada ao esquecimento. Até poucos dias, eu nunca nem sequer tinha ouvido falar desta película (que até foi indicada ao Oscar de melhor filme também) e agora eu já trago boas memórias dele. Clássicos: é por essas e outras que é essencial vê-los!


Cotação:

Nota: 8,5


* O filme foi uma sugestão da colega blogueira Suzane Weck. No seu espaço você poderá conferir a, como sempre, ótima interpretação dela para "Mam'selle", uma das canções ouvidas no longa! Não deixe de acessar!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Quero Ver Novamente #15


"Perfume de Mulher" (Scent of A Woman, 1992) não é um filme perfeito. Pra começar, trata-se de um remake de um longa italiano de 1974 protagonizado por Vitorio Gassman. Ele tem lá seus momentos piegas, principalmente em seu desfecho, quando o personagem de Frank Slade (Al Pacino) faz um discurso em defesa do estudante Charlie Simms (Chris O'Donnell, sumidaço!). Mas não se pode negar que Slade, um militar reformado e cego, é um dos grandes momentos da carreira de Al Pacino. Não foi por acaso que o personagem lhe rendeu o merecido e aguardado Oscar. É impossível não assistir à cena abaixo, quando ele dança "Por Una Cabeza" (música de Carlos Gardel e Alfredo Le Pera) com uma mulher que acaba de conhecer em um restaurante e não sentir vontade de sair por aí tentando imitar seus passos. Uma cena que merece mesmo o adjetivo de antológica. Sempre um prazer rever.


Scent Of A Woman from Ando on Vimeo.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Quero Ver Novamente #7

Acredito que todos que frequentam espaços como o "Cinema Com Pimenta" tomaram conhecimento da morte de Tony Curtis no último dia 30 de setembro. Pois bem, para corrigir a falha de ter deixado passar em branco o registro do fato aqui no blog, segue abaixo o trailer de "Quanto Mais Quente Melhor", sem dúvida um dos filmes mais engraçados de todos os tempos! Um verdadeira obra-prima do mestre Billy Wilder! Em raras oportunidades ri tanto ao ver um filme! Confira!


quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Michael Douglas pode perder a voz


Esta semana, tivemos a notícia de que Michael Douglas, de 65 anos, está acometido de um câncer na garganta. Infelizmente, hoje tivemos uma notícia ainda mais preocupante: o ator corre o risco de perder a voz. É o que afirmou o jornal britânico "Daily Mail" nesta quarta-feira, 18/08. Segundo a publicação, o tumor encontra-se em estágio avançado.

O tabloide relata que Michael vai iniciar o tratamento de quimioterapia e radioterapia já na semana que vem. As sessões devem durar cerca de oito semanas e têm como principal objetivo evitar uma cirurgia em sua laringe. A internação, ainda segundo o jornal, será em um hospital de Nova York.

Caso não surta efeito, a alternativa pode ser uma laringectomia. O método pode deixar o ator com a voz bastante alterada, ou mesmo perdê-la. Caso o tratamento seja bem sucedido, as chances de sobrevivência de Michael são de 60% para os próximos 5 anos. Ou seja, as chances de insucesso são elevadas o que deixa todo o público cinéfilo bastante preocupado.