terça-feira, 16 de abril de 2013

Oblivion

A continuação de “Guerra dos Mundos”


Na atual crise de criatividade do cinema norte-americano, é um alívio assistir a um filme pipoca que não seja sequência ou remake de outro. Tudo bem, “Oblivion” é baseado em uma HQ, mas não é uma daquelas publicadas pela Marvel Comics, com seus super-heróis que, em boa medida, já estão cansando na tela (ou alguém está realmente empolgado com a breve estreia de “Homem de Ferro 3”?). A graphic novell adaptada é de autoria do próprio diretor do longa, Joseph Kosinski (que escreveu a HQ ao lado de Arvid Nelson) e, talvez por essa circunstância, a trama é salpicada de referências cinematográficas a outros longas de ficção científica, algo que, como demonstra a carreira do genial Quentin Tarantino, pode trazer ótimos resultados.

Vamos admitir: Kosinski não atinge o nível de excelência tarantinesco na sua mistura de referências, mas é prazeroso assistir a um filme que relembre aquele que telavez seja o melhor curta-metragem de todos os tempos, “La Jetée”, dirigido por Chris Marker em 1962. A sequência inicial de “Oblivion” remete a esse último e a lembrança de “La Jetée” me atingiu de tal forma que me distraiu um pouco das cenas subsequentes. Mas nada que viesse a comprometer o entendimento da trama, na realidade mais uma ficção pós-apocalíptica, só que desta vez os responsáveis pela destruição do planeta Terra foram os alienígenas. Afinal, vale lembrar que o mercado estadunidense pós-crise econômica está em baixa e Hollywood depende cada vez mais do mercado internacional para fechar suas contas. Portanto, não pega bem inventar guerras nucleares com altranos e sicranos (leia-se, russos, árabes e afins) que levariam a uma hecatombe. Nesse quadro, melhor atribuir o “fim do mundo” a perigosos micro-organismos (como no caso de “Eu Sou a Lenda”, de Francis Lawrence) ou a extraterrestres, muito embora, neste último caso, os alienígenas não deixem de representar a eterna xenofobia ianque.


Na trama, narrada em primeira pessoa e protagonizada por Tom Cruise (que está cada vez mais assumindo um perfil de astro de filmes de ação), Jack Harper é um dos poucos humanos sobreviventes após a guerra dos mundos que tornou boa parte da Terra inabitável, o que me leva a imaginar que “Oblivion” poderia ser uma continuação do “Guerra dos Mundos” de Steven Spielberg (até o ator é o mesmo). Enquanto a maior parte da humanidade não vive mais no planeta, residindo no espaço e na lua de Saturno chamada Titan, Harper e sua companheira Victoria (Andrea Riseborough) permanecem na Terra exercendo uma função de vigilância, evitando que os “saqueadores” - aliens ainda resistentes em solo terrestre - destruam os drones (robôs patrulheiros). Além disso, passa as horas vagas resgatando as “relíquias” de um passado glorioso da humanidade, como discos, bonecos e livros (remetendo bastante a “Wall-E”, famosa animação da Pixar vencedora do Oscar). As coisas começam a mudar quando a humana Julia (Olga Kurylenko) é encontrada por Harper em uma cápsula criogênica após a queda de uma nave na região que controla. Ela lhe desperta vagas memórias, de um passado que não sabe exatamente se viveu, e acabará por lhe trazer revelações e descobertas acerca de sua própria existência.

Eu não assisti a “Tron – O Legado” (Tron – Legacy, 2010), trabalho anterior de Kosinski, mas, a partir da experiência com “Oblivion”, percebe-se que ele sabe manter o ritmo da ação sem que haja pressa no desenrolar dos fatos e apresentação dos personagens. Fazer um filme de ação não significa que seu enredo tenha de ser mal contado e Kosinski demonstra entender muito bem tal aspecto, mesmo que sua mise-en-scène seja tradicional, não apresentando nem mesmo ângulos diferenciados. A trama resta bem contada e isso se torna um elogio ainda maior diante de algumas “reviravoltas” que ela apresenta em sua segunda metade. Pena termos que colocar a palavra “reviravoltas” entre aspas, já que várias delas são até esperadas. Os problemas do longa são justamente esses artifícios do roteiro, previsíveis em vários aspectos. Ademais, as citadas referências vão se tornando cada vez mais óbvias, chegando a tornar incômodas. É o que sucede no seu desfecho, quando “2001 – Uma Odisseia no Espaço” (2001 – A Space Odissey, 1968) é referenciado de forma tão ostensiva que chega a se tornar constrangedor (não vou contar como para não escrever um “spoiler” gigante). Outro problema é que a mencionada narração em primeira pessoa se perde ao longo da projeção, sendo quase que esquecida no seu último terço.


Entre as atuações, as mulheres, mesmo em minoria, mostram-se mais interessantes e comprometidas do que a ala masculina do elenco. Tanto Andrea Riseborough, intérprete de Victoria, quanto Olga Kurylenko, que encarna Julia, apresentam boas atuações. Já o superastro Tom Cruise não faz nada de significativamente diferente dos seus últimos papeis. Talvez esteja aqui um pouco mais “sério” do que de costume, com menos aparições do seu tradicional sorriso “colgate”, mas, de toda forma, seria estranho se um personagem de um mundo devastado ficasse abrindo sorrisos por qualquer coisa. Outro nome do primeiro escalão, Morgan Freeman, atua em piloto automático, tornando-se um coadjuvante de luxo.

O longa conta, ainda, com uma bela direção de arte (algo natural vindo de cineasta que é arquiteto por formação), fator que contribui bastante para a imersão do público, além de uma trilha sonora pop repleta de clássicos do Rock (de Led Zepellin a Procol Harum) Entretanto, não espere de “Oblivion” mais do que ele pode dar. Trata-se tão somente de uma boa diversão. Com neurônios, é importante frisar, mas nada mais do que isso. Para usar a comparação com o referido filme de Stanley Kubrick, “Oblivion” não irá gerar décadas de debates, estudos e discussões a respeito de suas verdadeiras pretensões e interpretações. A não ser no que se refere ao título. Terminada a projeção, eu não entendi por que a película leva esse nome. Será que minha surpresa com as referências a “La Jetée” me distraíram o suficiente para passar batido nesse detalhe?


Cotação:



Nota: 8,0

Em tempo: consultando o tradutor do Google acabei descobrindo que "oblivion" é um termo em inglês que significa "esquecimento" (não conhecia a palavra), o que possui, sim, relação com a trama. Ok. Então o erro foi da distribuidora no Brasil que decidiu permanecer com o título original, o que pode deixar nosso público voando.

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Aviso: O "Cinema Com Pimenta" estará em recesso por cerca de 10 dias, pois este blogueiro curtirá um merecido descanso em uma das praias do litoral aqui do Rio Grande do Norte. Um abraço a todos e até a volta!

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Filmes Para Ver Antes de Morrer

À Espera de Um Milagre
(The Green Mile, 1999)


Filme para deixar saudades


Frank Darabont, diretor e roteirista francês radicado há anos nos EUA, é um cineasta que parece ter um enorme talento para adaptar os livros de Stephen King para a tela grande. Em sua estreia na direção com “Um Sonho de Liberdade” (The Shawshank Rendemption, 1994), ele já demonstrava grande competência para contar histórias, aliando sofisticação na direção com uma certa habilidade para tocar o público médio dos cinemas sem parecer piegas, algo especialmente surpreendente vindo de alguém que estava debutando por trás das câmeras. E são essas mesmas aptidões que ele coloca em relevo com “À Espera de Um Milagre”, o seu segundo longa-metragem e segunda adaptação de uma obra de King (lançada em 1996 e originalmente dividida em 6 partes) , um autor muito adaptado, mas nem sempre com a mesma eficiência. Em mãos inábeis, uma trama como a de “The Green Mile” poderia resultar em uma autêntica bomba. Sua originalidade é latente e até mesmo por isso fica difícil encontrar o tom correto para ser abordada. Felizmente, mesmo com alguns percalços, Darabont atingiu o equilíbrio, tendo realizado um filme memorável em vários aspectos.

Convém lembrar, conforme escrevi tempos atrás em resenha sobre “O Nevoeiro” (The Mist, 2008) - outra transposição de Darabont para uma obra de King – que este cineasta aparenta certa predileção por ambientes claustrofóbicos. Tal como no mencionado “Um Sonho de Liberdade”, a narrativa de “À Espera de Um Milagre” se desenvolve quase inteiramente dentro um presídio, sendo aqui mais precisamente no corredor da morte a que os carcereiros atribuem o apelido de “milha verde”, devido ao chão de cerâmicas esverdeadas (daí o título original do longa). É lá que trabalhou Paul Edgecombe (Tom Hanks, no auge da forma), um ex-agente penitenciário que narra em flashback os acontecimentos estranhos e mágicos que sucederam na “milha” no já longínquo ano de 1935. Sua função, ao lado de outros carcereiros, era não apenas a de vigiar os detentos, mas também a de lhes conferir um tratamento diferenciado, mais humano do que o normalmente adotado para os outros presos. Afinal, os reclusos da “milha” estão com os dias contados e é necessário manter a dignidade e sanidade daqueles que irão pagar a mais alta dívida com a sociedade. Nesse contexto, chega mais um condenado, um homem gigantesco chamado John Coffey (Michael Clarke Duncan). Aparentemente assustador, até pelo crime pelo qual foi condenado (o estupro e assassinato de duas meninas), Coffey aos poucos vai se mostrando uma pessoa dócil, de coração puro, solidária e que possui um estranho e mágico poder que espanta a todos que o cercam.



É possível enxergar “The Green Mile” com um libelo contra a pena de morte, esse anacronismo estúpido ainda existente em alguns países. Nos Estados Unidos, mesmo que vários estados já a tenham abolido, a pena capital ainda perdura em alguns mais atrasados. A humanização dos personagens detentos realizada por Darabont se presta exatamente a nos fazer refletir sobre essa atrocidade sempre incensada quando um crime mais bárbaro choca a sociedade. No decorrer da trama, vamos conhecendo cada um dos tipos que estão no corredor da morte e é impossível ficar indiferente ao terror psicológico a que são submetidos os condenados no momento da execução. Neste ponto em particular, o diretor se vale de sequências sem concessões, onde a morte dos executados é mostrada em toda a sua crueza e desumanidade. Observe-se, ademais, que o roteiro se furta a mostrar quais os crimes cometidos por alguns dos presos, fazendo-nos enxergá-los tão somente como seres humanos, evitando que o espectador, assim, ofereça julgamentos. É verdade que, diante de tal manobra de Darabont, seu filme possa ser apontado como manipulador. Entretanto, quando se trata de defender um ponto de vista é natural apresentar os argumentos que lhe dão respaldo, em detrimento dos desfavoráveis, e não existe qualquer problema em um artista abraçar uma causa, ainda mais quando se consegue apresenta-la de maneira tão interessante e inteligente quanto aqui.

O grande trunfo de Darabont é desenvolver sua história sem qualquer pressa, apresentando cada um dos personagens com cuidado. As nuances de cada um deles são tão bem delineadas que às vezes parece que estamos a ler uma obra literária e não assistindo a um filme. E assim, vamos conhecendo o perfil não apenas do protagonista Edgecombe, como também dos outros guardas, dentre os quais se destacam Brutal (David Morse, ótimo), o emotivo Dean Stanton (Berry Pepper, de “O Resgate do Soldado Ryan”) e o mau caráter Percy (Doug Hutchison), além de outros prisioneiros como Eduard “Del” Delacroix (Michael Jeter) e o nefasto “Wild Bill” (Sam Rockwell). Até mesmo um ratinho de habilidades especiais, apelidado de “Mr. Jingles”, ganha destaque e tem participação importante no decorrer da trama. Vale dizer que Daranbont soube extrair o melhor de cada ator e não há um deles que esteja caricato ou apático em suas performances. Por outro lado, falhou ao atribuir características unidimensionais aos “vilões” Percy e Wild Bill, tornando-os tão somente “homens maus” e incorrendo em um maniqueísmo indesejável. Os personagens, contudo, não deixam de ser extremamente marcantes e John Coffey, o imenso presidiário de bom coração de Michael Clarke Duncan, com certeza é um dos tipos mais marcantes da história do cinema. Não por acaso rendeu ao ator uma indicação ao Oscar de ator coadjuvante e fez com que ele se tornasse, por esse único e marcante papel, um nome lembrado com carinho pelo grande público (tanto que sua morte, com apenas 54 anos, foi noticiada com destaque em todas as mídias). Ademais, Tom Hanks estava ainda em grande fase, entregando mais uma de suas memoráveis atuações.


Com uma edição precisa, a qual faz com que as longas três horas e oito minutos de projeção não sejam percebidas, “À Espera de Um Milagre” é um daqueles filmes que nos deixam saudades quando terminam. A imaginativa trama criada por Stephen King pode ser vista, inclusive, como uma alegoria sobre a vida de Cristo, [SPOILER] dado que John possui os mesmos poderes milagrosos de Jesus e também é condenado e executado injustamente (poderíamos até imaginar que Edgecombe faria o papel de Pilatos na trama) [FIM DE SPOILER]. Destarte, para além de possíveis interpretações e significados ocultos, são seus personagens fortes e cativantes que ficarão na memória do espectador por muito tempo. A série “Filmes Para Ver Antes de Morrer” normalmente é dedicada a películas que atingem um nível de excelência à prova de falhas, o que, como já apontado mais acima, não é bem o caso presente, tendo em vista a presença de certo maniqueísmo e manipulações em favor de um ponto de vista. Entretanto, a força de sua narrativa, a qual torna impossível a indiferença do público, coloca este longa como essencial e digno de figurar entre aqueles a que devemos assistir pelo menos uma vez na vida.


Cotação:



Nota: 9,5

sábado, 6 de abril de 2013

Para Ver Em Um Dia de Chuva

À Beira do Abismo
(The Big Sleep, 1946)


Divertidamente confuso


O Noir é o gênero cinematográfico que provavelmente mais desperta a curiosidade e atenção dos cinéfilos ao longo das décadas. Se é que podemos definir o “noir” como um gênero, é importante ressaltar. Talvez seria mais correto defini-lo como um estilo de criação cinematográfica, já que alguns filmes ditos “noir” pendem mais para o drama, outros para o policial, suspense e até comédia. De qualquer forma, a iconografia do cinema noir, com seus personagens fumantes, vestindo sobretudos ou vestidos provocantes, envoltos em tramas geralmente misteriosas, é algo que já faz parte do inconsciente coletivo mundial e, em boa medida, serve de atestado da força do cinema Hollywoodiano na cultura popular. Entretanto, dentro da fluidez do conceito de cinema noir – na verdade uma definição elaborada pela turma francesa da Nouvelle Vague – existem aqueles filmes que se aproximam mais ou menos de seus padrões característicos. “À Beira do Abismo!, longa-metragem dirigido pelo mestre Howard Hawks em 1946, com certeza está entre aqueles que mais realçam os traços roteirísticos e imagéticos desse estilo tão estudado, charmoso e idolatrado.

Baseado em um romance policial de Raymond Chandler, o filme tem fama de possuir um roteiro muito confuso, dado o excesso de nomes e reviravoltas que vão acontecendo no seu desenrolar. É verdade. Tanto que o próprio Raymond Chandler admitiu que seu livro era confuso e, ao terminarmos de assistir à adaptação cinematográfica - que teve o roteiro assinado por ninguém menos que William Faulkner (Nobel de literatura em 1949) - a sensação é de não termos entendido boa parte do que se passou. Entretanto, isso nem de longe significa afirmar que “À Beira do Abismo” é um filme ruim. Sua narrativa complicada, repleta de diálogos ágeis e personagens que vão entrando e saindo sem que se perceba sua real importância, não deixa de ser muito divertida, espirituosa e inteligente. Aliás, em geral são assim os filmes dirigidos por Hawks, um daqueles cineastas que, mesmo dentro do chamado “studio System”, quando os diretores não tinham muito controle sobre a obra, conseguia imprimir aspectos autorais em seus trabalhos.


Aqui, ele repetiu a dose com o casal central, interpretados por Humphrey Bogart e Lauren Bacall, os mesmos de “Uma Aventura na Martinica” (To Have and Have Not, 1944), realizado dois anos antes. A dupla tinha efeito enorme sucesso junto ao público, dada a ótima química em cena. Na verdade, a química entre os dois era tão boa que eles já estavam vivendo um romance também fora das telas e se casariam apenas seis meses depois da filmagens de “The Big Sleep”. Com o respaldo da boa bilheteria, Hawks então se sentiu à vontade para deixar fluir os diálogos espirituosos e insinuantes entre a dupla, além de preencher os vários coadjuvantes com tipos característicos de sua filmografia. As mulheres, por exemplo, são as costumeiras “atiradas”, comuns nos longas de Hawks. Philip Marlowe, o detetive interpretado por Bogart, é alvo de “cantadas” mais ou menos diretas de praticamente todas as mulheres que surgem ao longo da narrativa, até mesmo de uma motorista de táxi e da proprietária de uma livraria (esta última sendo uma ótima presença de Dorothy Malone). Essas fêmeas pró-ativas de sua obra, que atingiriam o ponto máximo com Marilyn Monroe em “Os Homens Preferem as Loiras” (Gentlemen Prefer Blondes, 1953), possivelmente representam as fantasias do cineasta, denotando que este era o seu perfil preferido de mulheres.

Mas não é só no campo das metáforas que está presente a mão do diretor. O longa é imageticamente impecável e, como já frisado mais acima, apresenta todos os elementos estéticos típicos do cinema noir. Desde os créditos iniciais os cigarros estão presentes, destoando completamente do perfil antitabagista da Hollywood contemporânea. O detetive Marlowe passa quase toda a projeção vestindo sobretudo; a trama se passa praticamente inteira durante o período noturno e a fotografia em preto e branco de forte contraste complementa o tom soturno da projeção, a qual, no fundo, gira em torno de uma menina mimada, Carmen Sterwood (Martha Vickers), a dor de cabeça do pai, o General Sternwood (Charles Waldron). É o general que contrata Marlowe, um detetive acostumado a enfrentar o submundo, para investigar Arthur Geiger, credor de enorme quantia em dívidas de jogo assumidas por Carmen. Na mesma oportunidade, ele é abordado por Vivian Rutledge (Bacall), irmã mais velha de Carmen, a qual acredita que a origem dos problemas está no desaparecimento de um empregado e amigo do pai, um tal de Shawn Regan. A partir de então, sucedem-se assassinatos, charadas e romances que se misturam, deixando o espectador ligado em um enredo divertidamente confuso.


Como frisado mais acima, Bogart e Bacall sustentam um ótimo jogo amoroso ao longo da projeção. Ele com seu estilo cínico, sempre dono da situação, e ela com seu olhar e maneiras imponentes, os quais a faziam parecer mais bonita do que realmente era. Todavia, cabe apontar que o elenco coadjuvante é bastante eficiente. Alguns afirmam, inclusive, que boa parte das cenas de Martha Vickers teriam ficado de fora da edição final devido à competência de sua interpretação para Carmen Sternwood, ofuscando o brilho da estrela Lauren Bacall. Não vi a versão do diretor presente na edição brasileira lançada pela Versátil e, sendo assim, não pude aferir a veracidade de tal afirmação. De qualquer forma, na versão original exibida nos cinemas, Martha Vickers realmente rouba as cenas das quais participa, mesmo que não sejam muitas, atribuindo uma condição perturbada à personagem de Carmen. Outro ponto relevante é a trilha sonora de Max Steiner (o mesmo compositor das trilhas de nada mais, nada menos que “Casablanca” e “...E o Vento Levou"), conferindo um boa dose de suspense nos momentos-chave da trama.

É possível que você, leitor, ao assistir “À Beira do Abismo”, fique com sensação de não ter entendido muita coisa. Por outro lado, também é provável que deseje repetir a experiência para tentar montar esse quebra-cabeças. É assim que o longa de Hawks deve ser encarado: um quebra-cabeças que lhe trará 114 minutos de diversão, auxiliado pela presença luxuosa de dois grandes astros do cinema norte-americano, complementada pela direção sofisticada e inteligente desse grande cineasta. Além, claro, de se ter uma bela aula sobre o que foi o cinema noir, com seus mistérios, mulheres fatais e detetives durões.


Cotação:



 Nota: 9,0

domingo, 31 de março de 2013

Quero Ver Novamente #22



Em outra oportunidade, o Cinema Com Pimenta publicou uma lista de sete filmes religiosos essenciais. No topo estava "Rei dos Reis" (King Of Kings, 1961), longa-metragem dirigido por Nicholas Ray - um dos cineastas mais importantes de Hollywood - que narra, mais uma vez, a "maior história de todos os tempos" (para citar o título de uma outra produção sobre Cristo, esta de George Stevens). O diferencial de "Rei dos Reis", em relação a outras adaptações da vida de Jesus, é justamente a direção primorosa de Ray, responsável por uma impecável fotografia em cinemascope, além de ângulos diferenciados e uma bela condução do elenco sem grandes estrelas. Quando criança, eu vi e revi "Rei dos Reis" várias vezes durante a Semana Santa e nunca esqueci de sua belíssima passagem do famoso Sermão da Montanha. De fato, esta é, provavelmente, a melhor "pasagem-de-sermão-da-montanha" já filmada, impecável em sua fotografia e encenação. Abaixo, segue o vídeo com dita sequência em que Jesus (interpretado por Jeffrey Hunter), além de discursar, ensina seus seguidores a rezar, sendo a origem da oração do "Pai Nosso".

Aproveito para desejar uma Feliz Páscoa aos leitores. Que Deus ilumine a todos. Grande abraço!



quarta-feira, 27 de março de 2013

Para Ver Em Um Dia de Chuva

9 ½ Semanas de Amor
(9 ½ Weeks, 1986)


Quero ser Bernardo Bertolucci


Sempre imaginei que o grande sonho do diretor britânico Adrian Lyne era o de ter dirigido “Último Tango em Paris” (Ultimo Tango a Parigi, 1972), a obra-prima de textura erótica realizada em 1972 por Bernardo Bertolucci. Um filme que marcou época e exerceu extrema influência sobre os cineastas posteriores que se prestaram a tratar de sexo em suas películas. “9 ½ Semanas de Amor” (9 ½ Weeks), um dos mais lembrados longas da década de 80, é a tentativa de Lyne de realizar o seu “último tango”, chegando a beirar o plágio. Entretanto, muito embora não seja um filme ruim, tampouco corre o risco de igualar a película de Bertolluci em importância e expressão artística.

Ambos os filmes têm premissas bastante similares: mulher conhece homem misterioso e os dois passam a se encontrar para realizar jogos sexuais. Ela, aos poucos, deseja algo mais do que isso, vislumbrando uma relação afetiva, enquanto ele quer que as coisas permaneçam do mesmo jeito, ou seja, uma brincadeira erótica que lhe sirva de escapismo. Aqui, sai de cena a jovem inexperiente vivida por Maria Schneider no filme de Bertolucci e entra Elizabeth, papel de Kim Basinger no auge de sua beleza. A personagem feminina é caracterizada de maneira mais adequada aos anos 80. Elizabeth é uma curadora de museus divorciada, independente e experiente que se envolve, por meio de um recurso de roteiro uma tanto vagabundo (eles se encontram por acaso duas vezes no meio de uma metrópole como Nova York), com o yuppie John (Mickey Rourke no tempo em que era galã), um investidor da bolsa sobre o qual não sabemos o passado – e nem Elizabeth sabe. E, mais do que qualquer outra fragilidade narrativa da película, é o personagem masculino que se mostra o seu maior ponto fraco.



Se “Último Tango em Paris” tem um dos tipos masculinos mais complexos, tridimensionais e marcantes da história do cinema, encarnado por Marlon Brando de forma visceral e impactante, o John de Rourke mais parece um boneco risonho que não tem nada a dizer. Em 90% das cenas ele está com um sorriso maroto estampado no rosto, em um recurso interpretativo paupérrimo. Fica difícil até acreditar que é o mesmo de outras ótimas atuações, como em “Coração Satânico” (Angel Heart, 1987, de Alan Parker) e no recente “O Lutador” (The Wrestler, 2008, de Darren Aronofsky) e, no caso deste último, a diferença não é só com relação à sua aparência física. No auge da beleza e charme durante os anos 80, antes de deformar seu rosto lutando boxe e de afundar nas drogas, Rourke se esqueceu que precisava atuar e passa o filme inteiro batendo na mesma tecla. Entretanto, vamos convir, a culpa não é só dele. As características do personagem são jogadas na tela de forma aleatória e inconsequente. Em dado momento, a protagonista bisbilhota o guarda-roupas de John e descobre que ele é muito metódico, com várias camisas milimetricamente organizadas. Além disso, parece ter algum tipo de TOC, já que todas as camisas são brancas e os ternos são todos escuros. Contudo, momentos como esse são apenas lampejos de construção do personagem, uma vez que não servem para nada. Ok, John é uma cara metódico, mas... E daí? Isso não explica em nada suas obsessões e o desejo premente de ver Elizabeth transformada em uma espécie de escrava sexual.

Por outro lado, Kim Basinger tem aqui uma de suas melhores interpretações. Além da beleza e sensualidade que confere a Elizabeth, ela assume a personagem com alma, sabendo atribuir-lhe as doses certas de dúvida e insegurança. Basinger convence perfeitamente como uma mulher incerta com relação aos seus próprios sentimentos e desejos. Ela, em verdade, foi uma atriz subestimada e estigmatizada devido à sua beleza, o que acabou lhe rendendo papéis repetitivos ao longo da carreira (algo semelhante aconteceria com Sharon Stone depois de “Instinto Selvagem”). A estrela quase leva “9 ½ Semanas de Amor” nas costas, tamanha a disparidade entre sua performance e a de Mickey Rourke.


Usei o termo “quase” porque Adrian Lyne sabe trabalhar no campo imagético e foi justamente este aspecto que transformou a película em uma espécie de clássico oitentista, com seu erotismo que não se tonou démodé, mas ao mesmo tempo se distancia do pornô *. Plasticamente, o trabalho se mostra muito acima da média e, não por acaso, várias de suas cenas de alta voltagem erótica passaram a fazer parte do imaginário popular, como a conhecida sequência que une sexo e degustação de quitutes, além do famoso strip-tease de Elizabeth, considerado por muitos como o melhor da história do cinema. De fato, trata-se de uma sequência poderosamente filmada, aliando perfeitamente imagem e música, no caso a canção “You Can Leave You Hat On”, de Joe Cocker. Aliás, a trilha sonora pop é outro dos pontos fortes do longa, permeada por músicas até hoje tocada nas rádios, como “Slave To Love”, cantada por Bryan Ferry.

No entanto, é possível que o maior problema de “9 ½ Weeks” seja sua pretensão de se transformar em uma espécie de marco pós-moderno do gênero romance. Há nele uma aparente ambição de se tornar um tratado sobre as novas formas de relacionamento pós revolução sexual. Mas, é bom que se diga, não consegue alcançar tal intuito. Adrian Lyne gostaria de ser Bernardo Bertolucci, mas só conseguiu ser Adrian Lyne, um diretor oscilante capaz de cometer bons filmes como “Atração Fatal” (Fatal Attraction, 1987) ou bobagens como “Proposta Indecente” (Indecent Proposal, 1993). Os altos e baixos de “9 ½ Semanas de Amor”, portanto, acabam por sintetizar, em 117 minutos, toda a carreira do cineasta.


Cotação:



Nota: 7,5

* Essa linha tênue é exemplificada hoje pela série literária “50 Tons de Cinza”, a qual, como se vê, não tem suas origens em “9 ½ Semanas de Amor”, como muitos imaginam, mas na obra setentista de Bernardo Bertolucci.

quarta-feira, 20 de março de 2013

A Busca

Estrada com buracos


Há poucos dias, o amigo Celo Silva, do excelente blog “Espectador Voraz”, havia alertado em sua critica que o filme “A Busca” não era lá grande coisa. A opinião dele havia diminuído bastante minhas expectativas com relação a este longa-metragem estrelado por Wagner Moura, provavelmente o grande ator brasileiro em atividade, além de carregar, na produção, o nome de Fernando Meirelles, cineasta que sempre desperta atenção no meio cinéfilo em qualquer projeto que se envolva. Contudo, lendo outras resenhas, observei que as percepções sobre o filme eram conflitantes, o que me levou a conferi-lo na sala escura para tirar as minhas próprias conclusões, as quais passo a expor a seguir.

O “road movie” parece ser um subgênero cinematográfico caro aos cineastas nacionais. Walter Salles meio que já virou um especialista na estrutura clássica de tais películas, as quais geralmente focam em personagens que empreendem uma viagem que se transforma em um processo de autoconhecimento. Com resultados melhores (como “Central do Brasil” e “Diários de Motocicleta”) ou piores (o recente e tedioso “Na Estrada”), essa já se tonou uma de suas marcas registradas. Agora, vemos o estreante na direção Luciano Moura iniciar sua filmografia também com um filme de estrada, o qual, infelizmente, está longe de fugir do lugar-comum do subgênero. O próprio título, se olhado com cuidado, já deixa entrever que a tal “busca” irá redundar em uma procura por si mesmo, uma jornada de autodescoberta que levará o protagonista a enxergar sua vida por outro prisma. E é justamente esta série de lugares comuns, meio que inseridos a fórceps durante a narrativa, o que mais incomoda nessa produção que tinha tudo para dar certo, mas resultou em uma experiência no máximo mediana.


A trama narra a história de um casal recém-separado, Theo e Branca (Wagner Moura e Mariana Lima), cujo filho adolescente, Pedro (o estreante Brás Antunes, filho do músico Arnaldo Antunes) foge de casa depois de uma discussão barra pesada com o pai. Desesperado para encontrar o garoto, Theo empreende então uma viagem para Salvador ou Espírito Santo (os dois prováveis destinos do filho) que o levará a questionar sua própria história familiar e a maneira como está conduzindo sua vida. Como é de se esperar em um road movie, no caminho encontrará os mais diversos tipos e é justamente neste ponto que Luciano Moura começa a cometer erros relevantes. Vários dos personagens apresentados soam inverossímeis em um roteiro que cria situações à base de artificialismos. Chega-se a imaginar uma comunidade onde (pasmem!) só há apenas um telefone celular. E não, não é alguma comunidade indígena no meio da floresta amazônica. Na mesma linha, o encontro com o morador de uma casa flutuante, que ajudará Theo a atravessar um rio com seu carro, soa muito non sense para um filme que tem como foco um pesado drama familiar.

Outro problema que se apresenta é algo comum ao subgênero dos filmes de estrada, normalmente centrados em apenas um personagem ao redor do qual orbitam os variados tipos que surgem no decorrer da trajetória. É bom que se diga que tais narrativas de viajantes remontam à Idade Antiga, com a “Odisseia” de Homero. Em uma análise abrangente, os protagonistas de películas estradeiras seriam simulacros de Ulisses e, para que uma obra cinematográfica com tal premissa tenha êxito, essencial se faz que seu intérprete principal dê conta do recado. No caso, é óbvio que Wagner Moura tem perfeitas condições para assumir a tarefa. Ele é hoje, possivelmente, o único ator brasileiro capaz de arrastar público para as salas de cinema. Entretanto, infelizmente, Wagner não tem aqui um grande momento interpretativo. Há passagens em que ele perde a mão com o personagem, atribuindo-lhe reações que destoam de um pai à procura de um filho desaparecido. Quando nos lembramos do astro em filmes como “Tropa de Elite” ou mesmo “O Homem do Futuro” é que sua presença em “A Busca” se torna ainda mais pálida.


Contudo, justamente pelo fato de abordar um drama familiar, a trama ainda consegue manter o interesse do espectador. Mesmo que em alguns momentos ela se mostre previsível, há muita verdade na tela e Theo é mesmo um personagem de muita tridimensionalidade. Acredito que muitas pessoas irão se identificar com o protagonista em diferentes medidas e imagino que seja exatamente por tal identificação que o longa esteja despertando diferentes opiniões tanto entre a crítica quanto no público. Ademais, se há uma virtude no roteiro é a de não ser apressado, tornando a iminência do encontro final algo a ser desejado pela plateia.

Apesar de algumas virtudes, “A Busca” se mostra tão oscilante que se torna difícil atribuir-lhe o adjetivo de “recomendável”. Para usar uma metáfora sem vergonha, parece uma estrada com vários buracos que tornam o tráfego complicado. Sua apreciação está excessivamente ligada às experiências individuais de cada um. Claro que toda apreciação artística está e sempre estará vinculada às nossas distintas vivências, mas uma obra se torna problemática quando depende unicamente das experiências do espectador para se tornar relevante ou se fazer entender. Percebe-se que Luciano Moura tem potencial e que pode vir a ser um bom cineasta, algo que ainda não é. Por enquanto, só posso recomendar mesmo que, caso você também queira tirar a prova dos nove e vá pegar uma sessão na sala mais próxima, não deixe de conferir os ótimos créditos finais sublinhados por uma bela canção de Arnaldo Antunes.


Cotação:



Nota: 6,5

sexta-feira, 15 de março de 2013

Restaurando a Película

Coração Prisioneiro
(Caught, 1949)


Conto de fadas às avessas


Segundo a primeira dama da crítica cinematográfica mundial, Pauline Kael, em seu livro “1001 Noites no Cinema”, o cineasta alemão Max Olphüs teria realizado “Coração Prisioneiro” (Caught, 1949) como uma espécie de vingança contra o magnata Howard Hughes, o qual havia comprado uma significativa porcentagem das ações dos estúdios RKO e se tornado seu principal executivo. Hughes teria feito Olphüs perder tempo em produções inacabadas, além de xingar o diretor de “paspalho”. Verdade ou não (mas não acredito que Kael teria inventado tal história), essa “fofoca” ajuda muito a entender a película, a penúltima obra de Olphüs em sua fase hollywoodiana (a última foi “Na Teia do Destino”, também de 1949).

“Coração Prisioneiro” é, antes de tudo, uma crítica forte e direta a uma sociedade pautada em aparências, superficialidades e dinheiro. Trata-se de uma espécie de conto fadas às avessas, onde uma cinderela encontra um tipo de príncipe que logo vira sapo. No roteiro, escrito por Arthur Laurents baseado em um romance de Libbie Block, a tal gata borralheira é Leonora Eames (papel de Barbara Bel Geddes), modelo que sonha em casar com um homem rico que a tire da vidinha sem luxos que leva. Depois de passar por aulas de etiqueta para se desenvolver na sua profissão, ela é vista e convidada para uma festa por um tal de Franzi (Curt Bois), espécie de “secretário geral” do milionário Smith Ohlrig (personagem de Robert Ryan). A festa vai acontecer em um iate, mas, quando ela está no cais, o próprio Ohlrig desce em pessoa e lhe dá carona para outro destino. Ou melhor, quer levá-la para sua mansão para fazer aquilo que você deve estar imaginando, mas ela recusa a proposta, o que acaba por deixá-lo perturbado (para um homem como ele, ouvir um “não” devia ser algo bem raro). Então, meio que por capricho, até para desafiar seu psicanalista, ele casa com Leonora e é partir daí que esta, aos poucos, vai percebendo a personalidade tirânica do agora marido. Depois de muito maltratada, Leonora vai procurar emprego e encontra vaga de recepcionista na clínica do médico pediatra Larry Quinada (James Mason), homem íntegro que reúne várias qualidades que Ohlrig não possui. Entretanto, ela se descobre grávida do ricaço e tem medo de perder a guarda da criança caso resolva deixar o marido para viver seu amor com o médico.



Saber que o personagem de Smith Ohlrig foi inspirado em Howard Hughes nos leva a entender o porquê de alguns aspectos de sua caracterização. Na tela, vemos um magnata que, além de autoritário e infantilizado (ele passa boa parte do tempo jogando pinball em sua residência), é hipocondríaco ao extremo, chegando a ter “crises cardíacas” quando contrariado. Quem ao menos já assistiu a “O Aviador” (The Aviator, 2004), a cinebiografia de Hughes dirigida por Martin Scorsese, sabe que o magnata era, de fato, um hipocondríaco de marca maior, algo que posteriormente o levaria a desenvolver um sério transtorno que o deixaria em total isolamento. Contudo, Olphüs, um diretor que pouco errou em sua brilhante carreira, comete aqui equívocos maniqueístas ao colocar os dois homens do triângulo amoroso como vértices opostos. Se Ohlrig é posto como um tipo de encarnação do mau caratismo, o Larry Quinada de James Mason é visto como a versão terrena do altruísmo, da dedicação e do cavalheirismo. Sem ser especialmente bonito ou rico, ele é o sapo que vira príncipe ao olhos da desventurada Leonora. Esta última, por sua vez, revela-se como a personagem mais rica e ambivalente da trama, com nuances de comportamento que a distanciam do padrão “moça recatada”. Por vezes, lembra uma garota de programa de luxo. Afinal, quem aceitaria um convite para ir sozinha à festa de um milionário solteirão que não conhece? E ainda mais dentro de um iate?

Por outro lado, se Olphüs pecou na construção dos personagens masculinos, ele mais uma vez deu uma aula de estética cinematográfica com sua bela fotografia em preto e branco e enquadramentos geniais que iriam influenciar profundamente os cineastas posteriores. De família judia, Max Olphüs foi um daqueles diretores que, fugindo do nazismo, ajudariam a definir o que hoje se conhece por “cinema noir”. Aqui, mais especificamente, ele nos entregou uma película que poderíamos classificar como parte do “gótico feminino”, estilo que explorava melodramas onde heroínas se envolviam em tramas misteriosas ou perturbadas (semelhante ao Fritz Lang de “O Segredo da Porta Fechada”). Econômico em suas narrativas (o filme possui apenas 88 minutos), o cineasta também era dotado de uma precisa percepção de ritmo. Seus filmes jamais eram monótonos ou cansativos e “Coração Prisioneiro” mostra-se sempre interessante para o espectador.



O filme também se destaca por ser um dos poucos em que Barbara Bel Geddes, uma atriz de talento e de beleza discreta, atuou como protagonista. Uma injustiça, diga-se de passagem. Em “Caught” ela realiza uma ótima composição de personagem e é uma pena que nunca tenha se tornado realmente uma estrela. Hoje ela é certamente mais lembrada como a amiga de Scottie Ferguson em “Um Corpo Que Cai” (Vertigo, 1958), uma das obras-primas de Alfred Hitchcock, na ocasião ficando à sombra da estrela Kim Novak. Em 1949, ano de produção do longa, o maior astro era James Mason, mas aqui ele meio que faz um samba de uma nota só, mesmo porque o seu personagem é bastante unidimensional. O mesmo se pode de dizer de Robert Ryan, um ator canastrão que, nessa ocasião, não fez muito diferente do que sempre fez.

“Coração Prisioneiro” não está entre as obras-primas de Max Olphüs, como é o caso do anterior “Carta de Uma Desconhecida” (Letter From An Unknown Woman, 1948). Entretanto, possui relevância não só pela curiosidade de atacar uma personalidade famosa como Howard Hughes, mas por desenvolver uma crítica social pertinente e ainda atual. Um longa que, mesmo após décadas, não se tornou datado. Acima, afirmei que ele pode ser visto como um conto de fadas às avessas. Pois bem, tal como os contos de fadas trazem temas atemporais, Olphüs deixou aqui também um recado que, infelizmente, não envelheceu ao longo dos anos.


Cotação:



Nota: 8,0

terça-feira, 5 de março de 2013

Curtindo o Curta #6


"The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore" foi a animação vencedora do Oscar de melhor curta-metragem em animação de 2012. Realizado usando diversas técnicas, como miniaturas, computação gráfica e o desenho tradicional, o curta se constitui em uma espécie de declaração de amor aos livros e à literatura, com seu grande potencial de nos fazer viajar sem sair do lugar. Os diretores Brandon Oldenburg e William Joyce (este também autor do roteiro) tiveram como inpirações declaradas para a concepção do curta o ator Buster Keaton, o furacão Katrina, o clássico "O Mágico de Oz" e, claro, o amor pelos livros. Interessante como a essa categoria do Oscar é menosprezada por muitos, mas, com frequência, ela nos revela ótimas experiências e talentos. Os 15 minutos do video abaixo não serão perdidos, caso você decida vê-los. Bom curta!



sábado, 2 de março de 2013

Indomável Sonhadora

Uma flor no pântano


Uma das boas iniciativas da Academia de Hollywood tem sido a de pinçar filmes independentes para lhes conferir indicações importantes na festa anual do Oscar, dando assim uma maior visibilidade a produções, cineastas e atores que poderiam ficar restritos circuitos cinéfilos caso não tivessem seus nomes indicados àquele que é considerado o prêmio máximo do cinema. Nos últimos anos, para citar exemplos, tivemos “Pequena Miss Sunshine” (Little Miss Sunshine, 2006), “Juno” (idem, 2007), “Inverno da Alma” (Winter's Bone, 2010) e até mesmo “Guerra Ao Terror” (The Hurt Locker, 2008), longa de orçamento limitado e fracasso de bilheteria que levou os prêmios de melhor filme e direção para Kathryn Bigelow, debancando a favorita superprodução “Avatar” (idem, 2009), de James Cameron. E eis que surge este “Indomável Sonhadora” como mais um exemplar de cinema alternativo conduzido aos holofotes devido às suas indicações ao Oscar 2013.

Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Sundance, o longa dirigido pelo estreante Benh Zeitlin (indicado ao Oscar de melhor diretor) põe em foco um recente desastre natural que abalou os Estados Unidos: a passagem do furacão Katrina pelo estado da Louisiana, evento que expôs não apenas uma série de problemas ambientais da região, como também chagas sociais que colocaram em evidência as divisões de classe e etnia norte-americanas. Na trama, o Katrina termina por atingir um comunidade que vive na “Banheira”, uma ilha fictícia e pantanosa onde a água, já ordinariamente, costuma subir às canelas e casas dos moradores. É lá que vive a pequena Hushpuppy (a incrível garotinha Quvenzhané Wallis, atriz mais jovem a ser indicada ao prêmio da Academia de Hollywood em todos os tempos), órfã de mãe e cujo pai, Wink (Dwight Henry), é um teimoso alcoólatra que está definhando com cirrose hepática e não desiste de viver na situação precária da ilha. Diante do grave estado de saúde do pai e dos caos instalado pelo furacão, Hushpuppy passará por uma jornada de formação e autoconhecimento, vencendo os obstáculos com auxílio de sua fértil imaginação infantil.



Talvez o conceito mais interessante de “Beasts Of The Southern Wild” seja justamente o de misturar o retrato de uma realidade dura, que é aquela vivida pelos habitantes da “Banheira”, com a abstração da imaginação infantil, que transforma animais de pinturas rupestres em símbolos de adversidades, remetendo-nos à infância sem se tornar uma obra infantilizada, muito pelo contrário. Para um diretor estreante, Zeitlin soube muito bem fugir de armadilhas melodramáticas (sempre fáceis quando se trata de temas relacionados à infância) e teve uma ótima sacada ao colocar Hushpuppy como narradora, contribuindo para pintar o quadro da realidade pelo prisma lúdico da garota. Realidade essa que, é importante frisar, o diretor conhece de perto, pois que ele costumava viajar para a Louisiana com a família na adolescência. Ante mesmo de filmar “Indomável Sonhadora” ele tocou no mesmo tema do desamparo da vítimas do Katrina em seu curta-metragem “Glory At Sea” (2008). Ou seja, este é um tema que lhe é caro e que por isso foi por ele desenvolvido com tanta propriedade. O roteiro, escrito pelo próprio diretor ao lado de Lucy Alibar, ainda toca na questão ambiental de maneira inteligente e sem resvalar na ecochatice, fazendo um “marketing ecológico” possivelmente mais eficaz do que várias das ações de entidades como o Greenpeace.

Outro ponto interessante se constitui na ética e costumes próprios da comunidade em questão, os quais possuem códigos muitos particulares, algo que geralmente sucede em grupos marginalizados. Fortes e solidários, as adversidades do meio não permitem espaço para afloramento das emoções, algo que se revela até mesmo nos funerais, onde o choro parece ser proibido e o ritual de despedida dos mortos se assemelha mais a uma comemoração do que a um velório. Neste sentido, também se observa uma espécie de menosprezo à feminilidade, vista pelos moradores e ensinada na escola local como fraqueza, fazendo-nos lembrar o quanto a hostilidade do ambiente recrudesce o machismo. Não por acaso, em uma situação de dificuldade em que o pai já se mostra sem forças, Hushpuppy declara que agora ela é “o homem da casa”. Em situações limite, há pouco espaço para o feminino e o dia a dia do moradores da Banheira parece ser sempre o de uma situação limite.

Entretanto, o filme não seria o mesmo sem a presença de Quvenzhané Wallis, uma menina escolhida dentre várias concorrentes locais (aliás, o elenco é formado inteiramente por habitantes locais) que mentiu a idade para poder ganhar o papel (ela disse ter 6 anos, idade mínima para a concorrência, quando na realidade tinha 5), mas que demonstra uma assombrosa naturalidade em cena. Ela praticamente domina a tela sozinha ao longo dos 93 minutos de projeção, justificando inteiramente sua precoce indicação ao prêmio da Academia. Espero que não tenha o mesmo destino de tantos atros infantis que, quando crescem, acabam sendo relegados ao ostracismo pelo show businnes.

Não se pode dizer que “Indomável Sonhadora” seja uma película arrebatadora. Mesmo diante de sua curta duração (93 minutos, como já mencionado), o filme possui alguns problemas de ritmo, alternando ótimas sequências com outras mais cansativas. Chega-se a ter a sensação de que ele é maior do que realmente é. Por outro lado, mostra-se um ótimo début tanto para seu diretor Behn Zeitlin como para sua pequena estrela. Uma lufada de energia em um cinema cada vez mais entorpecido pelas regras da indústria e que se faz importante não somente por tratar de temas políticos em pauta (exclusão social, ecologia), como também para mostrar que não é necessário se fazer uma obra “realista” para se tratar da realidade. O que se passa na imaginação de Hushpuppy é tão ou mais relevante do que aquilo que se passa no seu exterior. Muito de nós pode ser resultado de nosso meio, mas não é o meio que ditará a nossa essência. Hushpuppy vive em um pântano, mas nem por isso deixa de ser uma flor.


Cotação: 



 Nota: 8,5

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Oscar 2013: Impressões



Doze pílulas sobre  o Oscar desse ano:

1) A pior coisa que pode acontecer a um apresentador é querer se transformar na estrela da festa e foi exatamente isso que sucedeu com Seth MacFarlane. Foram 18 intermináveis minutos até ele parar com aquela apresentaçãozinha boba na abertura da transmissão. O Capitão Kirk tinha razão: pior apresentador de todo os tempos (depois de James Franco, claro);

2) O prêmio de ator coadjuvante para Christoph Waltz foi justo. Muito justo. Foi justíssimo! E olha que a concorrência era forte;

3) Meio capenga a homenagem à série 007. Como bem disse o Rubens Ewald Filho, poderiam ter convidado todos os intérpretes do personagem para aparecerem juntos no palco, uma vez que estão todos vivos. Baita falta de criatividade;

 
4) “Valente” levou porque adoram premiar a Pixar. Só isso justifica;

5) Se “As Aveturas de Pi” não ganhasse em efeitos visuais, Richard Parker iria devorar alguém da Academia;

6) A categoria de edição de som apresentou, ao menos para este que vos fala, algo inédito: um empate entre “A Hora Mais Escura” e “Skyfall”. Nunca tinha visto isso acontecer antes. Segundo informações colhidas na net, foi o sexto empate na história do prêmio;

7) As apresentações em homenagem aos musicais foram dos grande momentos da noite. O público aplaudiu de pé e eu também achei bacana. Foi interessante ver o elenco inteiro de “Os Miseráveis” no palco, até o desafinado Russell Crowe;

8) Fiquei até surpreso, mas também muito satisfeito, com a premiação de Ang Lee como melhor diretor. Pode até ter sido uma injustiça Ben Aflleck não ter sido indicado ao Oscar de melhor diretor, mas acho que seria demais premiá-lo. Assim como foi muito para “Argo” ter levado o prêmio de melhor filme. Não que ela seja fraco. É um bom filme, mas tanto “As Aventuras de Pi” como “Amor” mereciam mais;


9) Jennifer Lawrence está se especializando em micos nas premiações. No Globo de Ouro foi o vestido rasgado. Agora no Oscar, foi o tombo na escada, o que meio que obrigou o público a aplaudi-la de pé, em um gesto de educação. Aproveitando: quem merecia era Emmanuelle Riva. O mundo inteiro achava isso. E é provável que vários dos votantes do Oscar estejam arrependidos agora;

10) Daniel Day-Lewis foi o primeiro ator a levar 3 prêmios na categoria melhor ator. O homem é, hoje, sem dúvida, o melhor ator do mundo;

11) E Adele ganhou o Oscar de melhor canção, absurdamente o primeiro nesta categoria para a série James Bond;

12) Eu não vi o “showzinho” de MacFarlane no fim. Aliás, alguém aqui no Brasil se deu a esse trabalho às duas da madrugada?

Em 2014 teremos mais. Abraço a todos!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Amor

Polêmico, jamais superficial


Antes de adentrarmos especificamente na análise dos aspectos de “Amor”, filme de Michael Haneke vencedor da Palma de Ouro no último Festival de Cannes, traçarei um breve relato de uma história que se passou próxima a mim. Acompanhei de perto o desenrolar de um caso de Alzheimer em uma família. Foi um processo lento e doloroso, no qual a paciente foi perdendo, gradativamente, suas funções cognitivas e mesmo fisiológicas. Por mais que tenhamos conhecimento e noções de como se desenvolve uma doença degenerativa, a experiência real com um portador de um mal de tais proporções é impactante, triste e extremamente desgastante. Era consternador ver filha e netos se dedicando com o máximo de empenho àquela velha senhora cujo destino já estava lamentavelmente traçado. Talvez o lado mais triste do processo seja justamente este: a certeza de que o esforço em cuidar do doente, procurando proporcionar a este um mínimo de dignidade, não reverterá o quadro e que a falência do organismo é algo que se avizinha. Um turbilhão de emoções se avolumavam e se tornavam cada vez mais difíceis de controlar, desde a alegria ao ver a convalescente reagir a estímulos, até a tristeza e impaciência ao não conseguir fazer com que ela tomasse apenas um copo de água. Um desafio que leva os cuidadores ao limite.

Assim, foi com um envolvimento acentuado que assisti a “Amor”, longa que trata justamente deste processo degradante que a atinge as vítimas de doenças degenerativas do sistema nervoso central. A narrativa nos apresenta um casal de octogenários, Anne, interpretada por Emmanuelle Riva (a lendária atriz de “Hiroshima Meu Amor”), e Georges, personagem de Jean-Louis Trintignant (outro ator de muita história cinematográfica). Eles têm uma bela relação, baseada no respeito e companheirismo e no cultivo de interesses comuns, como a música. Levam um cotidiano tranquilo, morando em um apartamento em Paris sem muitos luxos, mas que traduz perfeitamente o espírito erudito do casal, com artes nas paredes, móveis antigos e um cômodo que é um misto de biblioteca e sala de música. Vale dizer que o apartamento é colocado pelo diretor Michael Haneke também como um personagem da trama, até porque esta se passa quase em sua totalidade nos limites de sua residência. A referida tranquilidade é abalada quando Anne sofre um AVC, o que acaba por desencadear um posterior processo degenerativo que se assemelha ao mal de Alzheimer (embora em nenhum momento fique definida qual a doença que acomete Anne). Daí em diante, Anne passa a sofrer de limitações cada vez maiores e Georges, com inteira dedicação, faz o máximo possível para conferir qualidade de vida à sua esposa.


Percebe-se que a narrativa poderia dar margem a uma imersão no melodrama, mas não é o que acontece nas mãos de Haneke, um diretor famoso por se distanciar de emoções fáceis. Seus filmes costumam levar o espectador à reflexão através do choque, característica que faz seus detratores por vezes taxarem sua obra como apelativa ou marcada por impactos gratuitos (aliás, um dos seus filmes bem conhecidos se chama justamente “Violência Gratuita”). Em “Amor” ele nos conduz por um caminho repleto de sofrimento, mostrado de forma crua e direta, sem floreios, mas ao mesmo tempo gerando uma enorme consternação no espectador. Colocando em minúcias o processo de demência iniciado pela doença, desde os momentâneos “apagões” da mente da enferma até seus últimos estágios, como a rejeição à comida e água (o que com frequência leva pacientes de Alzheimer a necessitarem de sondas para alimentação), Haneke, mesmo sem se valer de truques melodramáticos (como trilha sonora melancólica ou diálogos carregados de açúcar), emociona ao nos mostrar, de uma só tacada, a inevitabilidade da morte e o amor como forma de nos afastar dela. Entretanto, o encanto e identificação com os personagens é quebrado por uma atitude inesperada de Georges que nos leva ao choque e também a questionar: “afinal, o que é o “amor” do título?”. É uma questão para a qual existirão várias respostas e fico com aquela que entende o amor como um sentimento que vai além de meros egoísmos e percebe que o caminho a ser seguido por vezes pode não ser aquele que nos seja mais reconfortante.

Apesar de não concordar com a visão de Haneke, torna-se inegável a força de seu argumento e a maneira extremamente artística como ele é desenvolvido.“Amour”, inclusive, foge de algumas características da filmografia do diretor. Nenhum dos seus filmes é tão lírico e poético quanto este. A título de exemplo, cite-se a cena em que Anne revê um álbum com fotos antigas e exclama “como é linda!”. Ao que Georges pergunta: “o que?”; e ela responde : “a vida”. Uma sequência simples, mas de muita beleza e que vale mais do que tomos e mais tomos de filosofia a respeito do que seja a existência. Interessante que, mesmo se passando quase unicamente dentro do apartamento do casal, o filme nunca se torna cansativo. Pelo contrário, imergimos junto com Georges no seu dia a dia solitário e desgastante, dividido apenas com uma enfermeira que comparece em três dias da semana, pois que a filha do casal, Eva (interpretada por Isabelle Huppert, outra unanimidade francesa), revela-se fria e distante durante boa parte da trama, demonstrando apenas eventualmente uma indignação conveniente diante da forma como Georges conduz os cuidados com Anne.


Até por conta do seu espaço exíguo e dos poucos personagens em cena, as atuações seriam primordiais para que se mantivesse o interesse no longa. O que sucede é um verdeiro show do casal Trintignant e Riva. Ele nos entrega uma performance emocionalmente perfeita e ela incorpora de tal maneira o personagem que por vezes esquecemos que quem está na tela é uma atriz e não uma pessoa realmente acometida por uma doença degenerativa. A Academia de Hollywood deveria aproveitar a oportunidade e render a melhor das homenagens com um Oscar para essa estrela já bastante idosa que marcou o Cinema com sua participação em longas de enorme relevância. Fosse um prêmio francês, Isabelle Huppert talvez fosse indicada ao prêmio de atriz coadjuvante, uma vez que mesmo com poucas participações ela consegue mostrar muito da personalidade de Eva, fazendo com que o espectador possa conceber uma perfil da relação entre pais e filha.

Apesar do incômodo provocado pela última meia hora de projeção, a qual deixa o público tão desnorteado quanto reflexivo, “Amor” é uma obra de profundidade ímpar, atributo inquestionável mesmo para aqueles que discordem dos rumos traçados por Haneke em seu roteiro. Até por isso, vem sendo continuamente premiado em tudo que participa e já se tornou barbada para o Oscar de melhor filme estrangeiro. Um filme, antes de mais nada, humano, que questiona nossas mais profundas entranhas, nossos limites, esperanças, perspectivas, sendo capaz de nos revoltar e comover ao mesmo tempo. Pode-se atribuir muitos adjetivos para a obra de Michael Haneke, menos que ela seja “superficial”. Polêmica, sim; superficial, jamais.


Cotação:



Nota: 10,0

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Eu Quero Esse Pôster #22

Esta semama, a Academia de Hollywood divulgou uma série de posters exclusivos para cada um dos concorrentes ao Oscar de melhor filme. Os trabalhos ficaram de primeira e dou destaque para os que seguem abaixo, de "As Aventuras de Pi", "Os Miseráveis""O Lado Bom da Vida" e "Amor". E continuamos esquentando os tamborins para a festa do dia 24.