quinta-feira, 12 de julho de 2012

O Espetacular Homem-Aranha



Reboot para quem precisa

Sempre fui contra o reboot da franquia “Homem-Aranha” nos cinemas. Apesar de algumas liberdades tomadas pelo diretor Sam Raimi na sua trilogia iniciada em 2002, como a criação da teia orgânica (no lugar dos famosos “lançadores”), considero os seus filmes como muito fiéis ao espírito das HQs, onde o nerd Peter Parker acaba picado por uma aranha radioativa e adquire poderes excepcionais, semelhantes aos de um aracnídeo. Sim, eu gosto de Tobey Maguire, com aquela cara meio de bobo, travado, uma vez que isso demonstra inteiramente como um rapaz tímido, impopular no colégio e isolado no seu conhecimento acadêmico acima da média se sente tendo de enfrentar a realidade de possuir grandes poderes e, com isso, surgirem “grandes responsabilidades”. Mesmo o terceiro filme da franquia, criticado por muitos, acabou me agradando (mesmo que seja, de fato, o ponto de menor qualidade na série). Para que, então, realizar um reboot de algo que foi sucesso de público e crítica (razões inteiramente opostas àquelas levadas a cabo pela Warner com o personagem de Batman)? Não podem ser outras razões senão as comerciais, o vil metal que é o objetivo primordial dos produtores de Hollywood. É importante, inclusive, frisar que o fim da participação de Raimi na franquia se deveu a divergências com os produtores, os quais queriam dar um norte para os episódios posteriores divergente do pretendido pelo diretor. O resultado abaixo do esperado da terceira parte da trilogia já denunciava essa falta de sincronia entre produção e direção. Ou seja, como para bom entendedor meia palavra basta, entre finalidades comerciais e artísticas.

Nessa queda de braço, normalmente quem leva a disputa é quem tem mais dinheiro e é claro que a Columbia (Sony), detentora dos direitos de adaptação das aventuras do teioso para o cinema, não saiu perdendo. Excluiu Raimi da direção (o que também levou à saída de Maguire) e resolveu reiniciar toda a franquia, partindo do zero como se nada houvesse ocorrido antes. Uma ideia pra lá de estranha, já que os filmes de Raimi são muito recentes e costumam ser reprisados à exaustão, tanto na TV aberta quanto na fechada. Contudo, não nego que as notícias que chegavam aos poucos pela net, como a escolha do bom ator Andrew Garfield para o papel de Peter Parker, bem como de Emma Stone para interpretar Gwen Stacy, acabaram por me deixar um pouco mais aliviado. Ambos são bons atores, o que já garantiria personagens convincentes. Um pouco mais desconfiado fiquei com a opção de Marc Webb para a direção, pois que até então ele havia dirigido apenas “(500) Dias Com Ela” (500 Days Of Summer, 2009), uma comédia romântica criativa e agradável, mas que está muito distante do gênero aventura/ação. No entanto, o que mais temia era o roteiro, que buscaria recontar a história da origem do Homem-Aranha de uma forma nova. E foi justamente o roteiro que me deixou estremecido na cadeira da sala de exibição.

O que mais irrita em toda esta nova adaptação é o fato de Pater Parker deixar de ser um CDF nerd para ser caracterizado como um rapaz até descolado, que anda de skate para se locomover nos corredores do colégio, usa um cabelo cool e não é exatamente um rejeitado pelas garotas. Antes de ser um garoto que se torna um herói por acaso, parece ser um herói por vocação, uma vez que na escola já se mete a defender os fracos dos valentões, mesmo que inevitavelmente acabe apanhando junto. Esta é uma mudança enorme que pode passar despercebida por boa parte da plateia, para os não leitores de HQs principalmente, mas que para os fãs do personagem (que são muitos, diga-se de passagem) soa como uma verdadeira heresia. Essa “atualização”, que tenta captar um novo público para o herói, é tão irritante quanto inserir na trama a busca pela origem dos pais de Peter, algo totalmente desnecessário e que, caso excluído, pouparia tempo na película para mostrar mais do cotidiano do rapaz e sua relação com os tios Ben e May Parker (Martin Sheen e Sally Field, respectivamente), os quais são e sempre serão suas verdadeiras figuras paternas. Ver o adolescente Peter logo no início da película envolvido em investigações para descobrir o paradeiro dos genitores é de franzir a testa, já que tira muito do caráter jovial do personagem.

Esse roteiro, escrito por James Vanderbilt e Alvin Sargent, mostra-se repleto de coincidências e situações forçadas para seguir adiante. Acreditar que a colegial Gwen Stacy pode ser uma competente estagiária dos laboratórios da Oscorp é algo bem duro de engolir, assim como aceitar que o Dr. Curt Connors pudesse criar um laboratório cheio de tecnologia nos esgotos de Nova York (logo em uma cidade repleta de paranoias com atentados terroristas) sem ninguém desconfiar. Além disso, a solução de fazer Peter Parker comprar os famosos lançadores de teia via internet (em um conhecido site de vendas on-line) chega a ser risível. Tropeços desta monta tornam a experiência frustrante e/ou irritante em várias passagens. É sempre desagradável quando a narrativa de um filme parece duvidar da inteligência do espectador e este é bem o caso.

Por outro lado, não se pode negar a química do casal central, ainda maior que a de Maguire e Kirsten Dunst na versão de Raimi. Contribui para tanto o fato de que eles estão namorando também fora das telas, mas seria leviano afirmar que este é o único motivo. Afinal, Webb teve como seu único trabalho anterior justamente uma comédia romântica que procura fugir dos clichês e que tem nas atuações um dos seus destaques e aqui ele demonstra mais uma vez sua competência em criar climas românticos na medida certa. Da mesma forma, a relação entre Peter e Tio Ben revela-se melhor desenvolvida do que no longa de Raimi (ainda mais quando lembramos da ótima atuação de Sheen). O que mais chama a atenção, entretanto, é que Webb demonstrou ser um ótimo diretor de cenas de ação, com certeza o ponto mais alto de todo a produção. Se neste aspecto os longas de Raimi já eram bons, este aqui faz jus ao seu título e se revela simplesmente espetacular. É realmente impactante ver o personagem que você acompanhou anos a fio nos quadrinhos ter a sua plástica imagética transposta de maneira tão precisa para a tela e ainda com o adendo daquelas velhas piadinhas do Aranha entre um salto e outro. A sequência final, com uma perfeita utilização do 3D (como é bom ver filmes que usam deste recurso de forma inteligente e não gratuita), é simplesmente de arrepiar. E tal afirmação vem de alguém que saiu verdadeiramente arrepiado da sala de projeção.

Tal sensação derradeira, contudo, não nos faz esquecer os tropeços inaugurais, levando-nos a novamente questionar: qual a finalidade deste reboot? Para responder à questão, vou parafrasear uma longeva banda do rock nacional: reboot para quem precisa; reboot para quem precisa de reboot. Bem, ao menos este escrevinhador não precisava de um reboot. Se a proposta era realizar uma adaptação mais fiel às origens nas HQs, o filme talvez fracasse ainda mais do que os longas de Raimi, que preservaram o espírito da fonte original, mesmo que tenha partido para algumas liberdades pontuais. Aqui, mesmo que em suas ações o filme lembre mais as histórias do aracnídeo, a essência destoa significativamente, o que talvez deixe a película menos envolvente e vibrante que aquelas da primeira trilogia. Um decréscimo decorrente da menor identificação do espectador com o personagem encarnado por Garfield, o qual se assemelha a Peter Parker, mas que não é exatamente aquele rapaz tímido que adquire poderes fantásticos e se vê compelido pelas circunstâncias a se tornar, por acaso, um herói.



Cotação:
Nota: 7,5

terça-feira, 3 de julho de 2012

Para Roma, Com Amor




É tudo uma questão de expectativas


É comum a expectativa pela nova obra de um artista aumentar logo após um grande êxito em sua carreira. Não é assim apenas no cinema. Fico até imaginando o quanto a cantora Adele Adkins deve estar se sentindo pressionada a realizar um disco depois do estrondoso sucesso que foi o seu “21”, CD que arrebatou tanto o público quanto a crítica especializada. Afinal, não é fácil estar à altura do que as pessoas estão esperando, no caso, mais um disco cheio hits impactantes emoldurados por sua belíssima voz. Este excesso de expectativa, entretanto, pode, com frequência, gerar frustrações em quem espera uma nova obra-prima. É o mesmo que sucede com este “Para Roma, Com Amor”, o novo longa-metragem de um dos maiores cineastas vivos. Não bastasse já ocorrer uma certa ansiedade por se tratar de um filme de Woody Allen, o que por si só já causa burburinho no meio cinéfilo, ele ainda gerou mais questionamentos por se seguir a “Meia-Noite Em Paris”, um dos longas do diretor que, dentro da sua extensa filmografia, será no futuro lembrado como uma de suas obras mais destacadas.

Talvez alguns apontem “Para Roma Com Amor” como um fracasso de Allen exatamente devido a esta “expectativa”, mas designá-lo desta forma seria um tanto equivocado. É certo que esta sua nova produção está abaixo de “Meia-Noite Em Paris”, pois não possui a sua coesão, inspiração e inventividade. Nem mesmo usa Roma da maneira orgânica e apaixonada com que Woody usou Paris no seu sucesso recente, onde a Cidade Luz se apresenta também como um personagem da trama e não apenas uma paisagem turística que serve como um eventual pano de fundo para a narrativa e esta talvez seja, de fato, a maior desvantagem deste novo longa em relação ao último vencedor do Oscar de melhor roteiro original. Até mesmo porque a proposta de “To Rome With Love” seria de contar histórias que supostamente só poderiam se passar na Cidade Eterna, o que não condiz com o que é visto na tela. Na verdade, qualquer das várias tramas paralelas poderia se passar em vários outros lugares do mundo, o que acaba por se tornar possivelmente um demonstração de que Allen não conhece ou não tem uma afinidade tão grande com a cultura italiana como o tem com a francesa.


Tendo como referência o “Decamerão” (não é à toa que o primeiro título para a produção era “The Bop Decameron”), Woody nos apresenta quatro narrativas paralelas que não se comunicam, a não ser pelo fato de se passarem em Roma. Como é de se imaginar, elas se mostram oscilantes na sua qualidade (como normalmente acontece nesse tipo de filme), algumas despertando maior interesse, outras menos. A mais fraca delas é a protagonizada por Roberto Benigni, o qual interpreta um homem comum que de repente se vê caçado por jornalistas e paparazzi, numa óbvia alegoria a respeito das atuais celebridades instantâneas. Benigni até convence no papel, com bons momentos cômicos, mas a mencionada obviedade da estória soa mal diante do refinamento comum nos filmes de Allen. Do lado oposto, a trama que conta com Jesse Eisenberg, Ellen Page e Alec Baldwin é, sem dúvida, a melhor. Nela, vemos um arquiteto de meia-idade (Baldwin) encontrar um jovem estudante de arquitetura (Eisenberg) que está morando em Roma. Este acaba se apaixonando pela amiga (Page) de sua namorada que vai passar uns dias no apartamento onde o casal está morando, apesar dos alertas do recente amigo mais velho. Há algo na relação entre os dois que não irei revelar, pois aqueles que não viram o longa deixariam de ganhar com a surpresa. No entanto, este é o “conto” que mais transborda inteligência e reflexão, fazendo valer a ida ao cinema.


O mais cômico deles, entretanto, é o protagonizado pelo próprio Allen (voltando a atuar, já que desde “Scoop” ele não passava para a frente das câmeras), interpretando um produtor de óperas que, aposentado, jamais obteve sucesso junto à crítica. Em viagem para Roma, pois que sua filha noivou com um italiano esquerdista, ele conhece o pai do genro, um proprietário de funerária que possui uma autêntica voz de tenor. O problema é que ele canta bem apenas no chuveiro. É a deixa para o diretor investir no humor nonsense que também o caracterizou em obras anteriores, como no seu episódio de “Contos de Nova York” (New York Stories, 1989). A trama realmente traz cenas hilárias, aptas a agradar os mais diversos sensos de humor. Também apto a agradar o grande público é a narrativa do casal provinciano que está em Roma devido a uma oportunidade de trabalho do marido (Alessandro Tiberi). Uma vez no hotel, sua esposa (Alessandra Mastronardi) sai para procurar um salão de beleza, mas acaba se perdendo. É quando ocorre uma série de coincidências que levam o rapaz a fingir que a prostituta Anna (Penélope Cruz) é sua esposa, enquanto a mulher acaba se envolvendo com um galã italiano. Esta é a mais “apimentada” das narrativas e com maior destaque feminino (Mastronardi é uma atriz muito bonita e Cruz está sensualíssima, embora não tão brilhante como em "Vicky, Cristina, Barcelona") e possui aquele toque sofisticado com que Allen costuma tratar de sexo, longe de vulgaridades.

O espectador atento à carreira do diretor irá perceber os seus velhos temas mais uma vez abordados. Estão lá a sexualidade, as divergências políticas, o profissional frustrado que busca sucesso e realização pessoal, a crítica à cultura das celebridades (é bom lembrar que ele fez um filme apenas para tratar deste tema há alguns anos), as diferenças culturais, entre outros. Pena que desta vez o resultado não tenha sido tão primoroso, mesmo que trate as temáticas com leveza e nos faça rir em diversos momentos. Mas aí entramos de novo na tal questão das “expectativas”. Se você estiver esperando mais uma obra de excelência, certamente ficará frustrado(a). Contudo, se estiver esperando apenas rir de maneira inteligente, provavelmente sairá do cinema satisfeito(a). E, mesmo que aqui Roma tenha servido apenas como pano de fundo, dá uma baita vontade de visitar a Fontana de Trevi logo depois da sessão.


Cotação:

Nota: 8,0

domingo, 1 de julho de 2012

Quero Ver Novamente #18


Esta semana, tivemos o aniversário dos 30 anos de “Blade Runner – O Caçador de Androides” (lançado precisamente em 25 de junho de 1982), filme que pode ser considerado o “cult entre os cults”, uma vez que fracassou quando do seu lançamento, mas hoje é adorado como obra-prima por crítica e público. Jamais esquecerei do impacto que tive ao assistir a primeira vez a concepção sombria do futuro idealizada pelo diretor Ridley Scott (atualmente em cartaz nos cinemas com “Prometheus”), mostrando-nos uma Los Angeles escura e castigada por uma chuva ácida onde carros voam e robôs (denominados no filme como “replicantes”) se confundem com seres humanos. Um deles é Roy Batty (interpretado por Rugter Hauer), o qual deseja ardentemente evitar o seu desligamento automático programado para quatro anos por seus fabricantes. É ele o responsável pelo diálogo com Deckard (Harrison Ford), o tal caçador de androides do título, na sequência que você pode ver abaixo, a qual podemos afirmar ser um das mais belas e filosóficas das história do cinema. Roy poupa Deckard porque entende o inigualável valor da vida. Sublime!

Só um alerta: se você ainda não viu Blade Runner, talvez seja melhor ver o filme antes, já que a cena faz parte da conclusão da trama.



domingo, 24 de junho de 2012

Branca de Neve e o Caçador


E quase torcemos pela rainha má...


Eu queria fugir de proferir aqui uma frase de Twitter, mas acaba se tornando inevitável afirmar que “Branca de Neve E o Caçador” traz uma nova roupagem ao desgastado conto da tradição alemã eternizado pelos Irmãos Grimm no século XIX. Não há como fugir dessa obviedade, principalmente porque a imagem imediata que vem à mente ao ouvirmos o nome da personagem do título é aquela concebida por Walt Disney no clássico animado dos anos 30. Ou seja, a lembrança primordial do conto está ligada àquela inocência das produções da Casa do Mickey, o que pode ser uma falsa ideia e, no caso, realmente o é. Afinal, o mito de Branca de Neve tem sua base na disputa ciumenta e invejosa entre a mulher mais velha, com a beleza em declínio, e a mulher jovem, no ápice da formosura e sensualidade. No fundo, o que o tal espelho encantando pronuncia com sua famosa resposta de que “Branca de Neve é ainda mais linda” traduz-se na supremacia da mulher mais nova sobre a mais madura.

Curioso que as escolhas dos produtores para os papeis centrais desta versão mais “dark” de Branca de Neve resulte para o público em impressões opostas às pretendidas pelo conto-mito tal como como elaborado. Isso porque Charlize Theron, a nova Rainha Ravenna, é uma atriz de muito maior beleza, presença e talento do que a insossa Kristen Stewart, a mocinha da série “Crepúsculo”. O novato diretor Rupert Sanders, que veio do mercado publicitário e não é bobo nem nada, percebeu a situação e entregou as melhores sequências para que Charlize brilhasse sem dó nem piedade de Stewart, a qual se mantém o filme inteiro com aquela velha boca eternamente entreaberta (será resultado dos seus incisivos proeminentes?). Isso quase nos leva a torcer para que a malvada Ravenna triunfe, fato que só não acontece porque Sanders (juntamente com os roteiristas Evan Daugherty, John Lee Hancock e Hossein Amini) carrega tanto em algumas maldades da Rainha que fica impossível torcer por ela. Afinal, estamos falando de contos de fadas, maniqueístas por excelência, onde o bem e o mal estão sempre muito bem definidos.


À parte a presença de Charlize, realmente determinada na sua composição cênica, o longa chama a atenção pela concepção acentuadamente soturna empregada por Sanders, usando uma fotografia de tons frios para realçar o clima sombrio que propõe. Nada mais adequado, principalmente para demonstrar o período negro em que mergulha o reino após a morte do antigo monarca, pai de Branca de Neve, responsável por um período áureo na região , mas que se casa com Ravenna e é por ela assassinado. Ademais, os efeitos especiais são ótimos, além de uma maquiagem excepcional, a qual envelhece e rejuvenesce Charlize a cada cena (não será estranho se vier a ser indicada ao prêmio da Academia). Um nível de produção que lembra a saga de “O Senhor dos Anéis”, contando ainda com uma direção de arte primorosa em igual medida. Ou seja, “Branca de Neve E o Caçador” é um espetáculo visual de grande qualidade, mesmo que por vezes tais imagens se prestem a situações clichê, como a criação de um triângulo amoroso entre a princesa, um príncipe e o Caçador de título, sendo este interpretado por Chris “Thor” Hemsworth. Desde o ínicio, já percebemos que nessa versão moderna o “príncipe” de Branca de Neve não será exatamente um nobre com sangue real, mas o viril caçador que lhe transmite segurança e, sobretudo, um amor sincero. Ou seja, mesmo no clichê, Sanders procurou atualizar o mito, tornando-o adequado à visão que hoje as mulheres têm de um relacionamento (onde não mais focam na segurança social transmitida por um “bom partido”, mas na sua segurança emocional). Pena que Chris Hemsworth não contribua e apenas pareça repetir a encarnação do deus do trovão que realizou para os filmes da Marvel.


Até mesmo na caracterização da mocinha a estória ganha uma atualização. A princesa não se reduz a tão somente uma posição passiva, esperando que o seu príncipe encare os perigos para salvá-la. Então, ela mesma vai à luta, por assim dizer, vestindo trajes de guerra e empunhando a espada contra a maléfica Ravenna. Mas é justamente quando o longa se propõe a ser mais um duelo de capa e espada, rumando para uma ação mais escancarada, que ele acaba descambando para obviedades maiores e perdendo muito do seu interesse, pois que se torna mais previsível do que naturalmente já seria a adaptação de uma narrativa pra lá de conhecida. É bom até mesmo lembrar que há pouco tempo já tivemos “Espelho, Espelho Meu” (Mirror, Mirror - 2012), mais uma adaptação live action da estória da princesa que encontra sete anões em um bosque (e mais um sinal da maré de criatividade baixa em Hollywood nos últimos anos).

Falando em anões, a presença deles no longa de Sanders talvez resuma perfeitamente o resultado final do projeto: de início causam ótima impressão, depois quase nos esquecemos deles. Até porque, no fim, Charlize quase não aparece em cena e temos que encarar as caras e bocas de Kristen Stewart de forma impiedosa, dando até a sensação de que o mal triunfará e Hollywood premiará, no futuro, essa estrela fabricada com Oscar de melhor atriz. Se for assim, será melhor torcermos pelo retorno de Ravenna, para que essa finalmente barre o caminho de Branca de Neve e a tranque novamente na torre do castelo. E sem o Thor para salvá-la.


Cotação:

Nota: 7,0

sábado, 23 de junho de 2012

Trilha Sonora #23


No último dia 20 de maio, Robin Gibb, um dos integrantes dos Bee Gees, faleceu vítima de câncer. Você conhece alguém que não gosta dos Bee Gees? Existe essa pessoa? Acredito que os Bee Gees estão entre as bandas favoritas de qualquer um (a) - eu incluso! Aqui, mesmo que tardiamente, o "Cinema Com Pimenta" presta sua homenagem a Robin e toda a banda com a sequência abaixo. "Os Embalos de Sábado à Noite" (Saturday Night Fever, 1977), dirigido por John Badham, teve em sua trilha sonora várias canções do grupo australiano, sendo, durante muito tempo, a mais vendida de todos os tempos (perdeu o posto para a trilha de "O Guarda-Costas"). Ah, e quem nunca tentou imitar os passos de Tony Manero (personagem de John Travolta no longa) que atire a primeira pedra. Sobe o som e afasta o sofá!



segunda-feira, 18 de junho de 2012

Prometheus


Cinemão feminista


Ainda me recordo bem da primeira oportunidade em que assisti a “Alien – O Oitavo Passageiro” (Alien, 1979), filme de Ridley Scott que se tornou um dos precursores na mistura de ficção-científica, suspense e terror ao narrar a trama de um monstro extraterrestre que trucida todos os integrantes da tripulação da nave rebocadora Nostromo. A única que sobrevive é a tenente Ripley, papel mais marcante da carreira de Sigourney Weaver. A exibição foi na famigerada Rede Globo e lembro de vê-lo juntamente com meu pai, lá com os meus 11 ou 12 anos, e acredito que ele nem imaginava o quão sinistro e violento aquele filme iria se mostrar par um menino nessa idade. O clima sombrio e extremamente tenso da película me deixaram impressionado e lembro de ter morrido de medo na famosa sequência em que o Alien surge pela primeira vez, “nascendo” do abdome de um dos tripulantes. A verdade é que tanto eu quanto quanto meu pai adoramos o que vimos e acompanhamos todos os outros capítulos da franquia (passando também pelo fraco “Alien – A Ressurreição”, de 1997).

Naquela época, devido à minha reduzida idade, eu não percebi o que a película tentava transmitir através de suas entrelinhas. Quando analisada com atenção, toda a série “Alien” se revela uma metáfora para a luta feminina em um mundo dominado por homens. Afinal, o Alien do filme de Scott (e dos restantes dirigidos por James Cameron, David Fincher e Jean-Pierre Jeunet) é um invasor de corpos, em outras palavras, um estuprador, um ser que procura inseminar suas presas através da violência. Este subtexto de violência sexual é tão importante para a franquia assim como o é fisionomia macabra e assustadora do alienígena, oposta a dos extraterrestres amigáveis concebidos por Steven Spielberg em “E.T. - O Extraterrestre” (E.T. - The Extra-Terrestrial, 1982) e “Contatos Imediatos de Terceiro Grau” (Close Encounters Of The Third Kind, 1977). E essa conotação feminista é tão forte que Scott, retornando à franquia desde seu primeiro epísódio, não pôde fugir dela neste “Prometheus”, o prequel da série concebido agora em 2012. Aliás, é possível afirmar que o subtexto feminista talvez nunca tenha estado tão presente em toda a série como aqui, onde de maneira explícita (SPOILER) vemos uma mulher retirar do seu interior um feto indesejado. É sintomático que seja novamente uma mulher a única sobrevivente da carnificina e que até mesmo a concepção estética de suas roupas íntimas seja destituída de feminilidade, como que a denunciar que para sobreviver naquele ambiente hostil seja necessário assumir um comportamento masculinizado (FIM DE SPOILER).


Mas é claro que a franquia Alien é, antes de tudo, concebida como thrillers de suspense e este novo episódio não poderia fugir à regra. A tensão presente em Prometheus é constante, desde o primeiro até o último fotograma, apesar de suas ambiciosas pretensões filosóficas ao expor uma narrativa que tem como norte a origem da vida humana. É em busca dela que uma expedição é enviada a uma lua de um planeta de certo e longínquo sistema solar. A partir de uma descoberta arqueológica em uma caverna na Terra, a cientista Elizabeth Shaw (Noomi Rapace, a Lisbeth Salander da versão sueca de “Os Homens Que Não Amavam As Mulheres”) acredita que humanoides denominados como “Engenheiros” seriam os responsáveis pela criação da vida humana em nosso planeta e que eles teriam deixado uma espécie de “convite” para que a humanidade viajasse até essa longínqua galáxia e descobrisse suas verdadeiras origens. Como é de se imaginar, entretanto, a coisas não correm exatamente como o esperado, fugindo do controle e descobrindo-se que a missão não seria exatamente um passeio de encontros de pacíficos.

Com fez no primeiro longa da série, Scott soube muito bem trabalhar as relações e características dos personagens tripulantes da Prometheus, a nave que dá título à produção e que é responsável pela viagem em busca da origem da vida, item essencial para que haja uma empatia do público com a narrativa. E assim, além da citada Elizabeth Shaw, também conhecemos Meredith Vickers (Charlize Theron), executiva que representa a empresa financiadora da expedição, além do robô David (Michael Fassbender, o ator da moda), autômato no melhor estilo “Blade Runner” (outro filme de Scott), criado como imitando a imagem e semelhança dos humanos porque estes se sentem “melhor interagindo com outros seres da mesma espécie”. Por outro lado, essa estrutura muito semelhante àquela da película de 1979, gera uma sensação de filme repetido, fazendo-nos esperar por uma sucessão de eventos que levarão à inevitável dizimação da tripulação.


Todavia, como já ressaltado, a tensão engendrada é angustiante, fazendo jus ao longa pioneiro. Scott sabe, como poucos, entregar uma atmosfera sombria e sufocante, deixando o espectador sempre com sensação de que algo terrível vai acontecer a qualquer momento. A fotografia (de Darius Wolski) contribui para tanto, assim como a trilha sonora se mostra eficiente em carregar dita atmosfera. O elenco, por seu turno, é oscilante. Se Charlize Theron desta vez apenas contribui com sua beleza, Noomi Rapace tem ótimos momentos (principalmente na citada sequência da “cesariana”). Mas é mesmo Michael Fassbender quem rouba a cena (mais uma vez) com o seu robô David, o mais intrigante dentre todos os personagens.

Ao final, o que posso afirmar é que este novo Ridley Scott me fez sentir muito do gostinho daquela primeira e já distante experiência com a franquia (é, estou ficando velho). Não atinge o nível de brilhantismo do pioneiro, carecendo obviamente da originalidade nele presente, além de possuir um argumento um tantinho pretensioso. Contudo, é impossível não se deixar envolver por este suspense, apto a agradar aos fãs e não fãs da franquia, possivelmente a mais feminista do cinemão hollywoodiano, mesmo que muita gente nem se dê conta disso.


Cotação:

Nota: 9,0


Obs.: O 3D do filme é bem dispensável. Acabei me arrependendo de ter pago mais caro.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Filmes Para Ver Antes de Morrer



Clamor do Sexo
(Splendor In The Grass, 1961)


Caráter controverso, talento indiscutível


O brilhante diretor Elia Kazan é uma das personalidades mais controversas da história de Hollywood. De origem grega (filho de gregos, nasceu em Constantinopla, então capital do Império Turco-Otomano), iniciou sua carreira como diretor de teatro na Broadway, migrando posteriormente para o cinema e levando para a tela grande uma direção de atores baseada no famoso Método Strasberg, orientando os atores a usarem vivências pessoais para dar maior verdade à composição dos personagens. Foi dirigindo “Uma Rua Chamada Pecado” (A Streetcar Named Desire, 1951) que ele atingiu o respeito no mundo cinematográfico e alçou Marlon Brando ao estrelato, fantástico no papel de Stanley Kowalski. Entretanto, a despeito de seu talento na direção, Kazan se tornou uma das figuras mais odiadas do meio artístico por ter delatado antigos companheiros do Partido Comunista ao funesto Comitê de Investigações de Atividades Antiamericanas durante o Macartismo. Não por acaso, durante a cerimônia do Oscar que lhe concedeu um prêmio honorário, vários dos presentes, como Jim Carrey, Nick Nolte e Ian McKellen se recusaram a aplaudi-lo (Sean Penn chegou a encabeçar uma moção de repúdio à decisão da Academia).

Apesar do caráter duvidoso, é inegável que o talento de Kazan rendeu obras inesquecíveis. Além do citado “Uma Rua Chamada Pecado”, são dele “Sindicato de Ladrões” (On The Waterfront, 1954) – cujo drama hoje soa como uma defesa de sua posição de delação – e “Vidas Amargas” (East Of Eden, 1955), onde levou James Dean ao estrelato ao dirigi-lo numa trama de conflito de gerações. E uma outra de suas obras mais marcantes é exatamente este “Clamor do Sexo” (título em português infeliz para “Splendor In The Grass”), sua película de 1961, a qual parece reunir, a um só tempo, as temáticas dos citados “Vidas Amargas” e “Uma Rua Chamada Pecado”, aliando a abordagem do conflito de gerações e carência afetiva à repressão sexual imposta pelos condicionamentos socioculturais.


Desde a primeira sequência, onde Bud Stamper (Warren Beaty, em seu primeiro papel de destaque) e Deanie Loomis (Natalie Wood) são vistos se beijando em frente a uma cachoeira, a temática da repressão sexual é colocada em foco. Já percebemos assim que os personagens terão seus destinos inteiramente afetados pelo seu desejo reprimido, mas estaríamos sendo reducionistas se enxergássemos apenas este ponto na ampla crítica social oferecida por Kazan e o ótimo roteirista William Inge. Herdeiro de um rico produtor de petróleo (Pat Hingle), além da frustração sexual o jovem Bud tem de enfrentar a imposição de seu pai que deseja formá-lo em Yale, adiando sua vontade de casar-se com Deani e realizar-se profissionalmente como fazendeiro. Por seu turno, Deanie quase enlouquecerá ao ver-se dividida entre dois estereótipos possíveis em 1928, ano em que se passa a ação da película (um anos antes da grande depressão econômica, portanto): o da virgem discreta e “séria”, que não cede aos próprios desejos sexuais, senão apenas depois do casamento e para satisfazer a lascívia do marido (“isso é coisa de homens”, ensina-lhe sua mãe); ou o da moça leviana-promíscua, encarnada no filme na figura de Ginny (Barbara Loden, ótima), irmã de Bud. Todavia, os personagens não são tratados de maneira maniqueísta e mesmo a severa mãe de Deanie tem seus momentos de absolvição.

Mas nem só de crítica social vive “Splendor In The Grass”. A riqueza de seus personagens passa longe do lugar-comum, o que era mesmo de se esperar de um filme de Kazan. Eles surgem para o espectador, antes de tudo, como pessoas reais, cujas vidas acabam tomando rumos diversos do esperado. E este, possivelmente, é o aspecto mais encantador da película, já que se torna impossível não compartilhar do seu drama. Afinal, todos nós já sentimos que a vida tomou rumos divergentes do que pretendíamos. Não que isso tenha ocasionado necessariamente vivências negativas (por diversas vezes ocorre justamente o contrário), mas certamente você já se pegou refletindo sobre os caminhos que teria tomado ao fazer escolhas diferentes das que fez no passado. Essa perspectiva é forte no longa de Kazan, tanto que o título da produção foi retirado de uma poesia de William Wordsworth que reflete exatamente sobre tais circunstâncias, afirmando que é do que passou que retiramos nossa força.


Importante elucidar que Kazan utiliza de formas novidadeiras para narrar o drama, aliando o estilo narrativo da Nouvelle Vague a uma maneira de abordagem que seria precursora da Nova Hollywood. Talvez tenha sido esta experiência com Kazan, inclusive, que tenha levado o novato Warren Beaty a acreditar que o cinema norte-americano precisava de uma sacudida e o tenha feito lutar pela futura produção de "Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas" (Bonnie & Clyde, 1967). Aliás, neste "Clamor do Sexo" ele está muito bem para um principiante, muito embora tenha começado aaqui a pecha de galã que o acompanharia ao longo de vários anos e que levaria os chefões dos estúdios a colocá-lo apenas em papeis do genêro (pelo menos até a realização do citado "Bonnie & Clyde"). Mas é Natalie Wood que tem, efetivamente, a atuação mais destacada da película. Ela incorpora os tormentos de Deanie como muita garra, em um trabalho que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz (o que invariavelmente acontecia com os dirigidos por Elia Kazan). Mas o diretor não era só bom com atores. Os inusitados e criativos ângulos de câmera mostram que ele sabia mexer com a ferramenta do cinema, estando seus longas longe de serem apenas uma espécie de "teatro filmado".

Ainda com uma trilha sonora belamente composta por David Amram, "Splendor In The Grass" é um daqueles filmes que vão crescendo em sua memória e que nos deixa enternecidos diante de seu desfecho, ao mesmo tempo belo, melancólico e verdadeiro (não à toa levou o Oscar de melhor roteiro original). A cada lembrança ele se torna melhor, mais relevante e memorável, lembrando-nos que muitas vezes podemos não gostar da pessoa de um artista, mas que isto não implica desconsiderar sua arte. Assim como o genial músico Richard Wagner tem uma obra de méritos artísticos inquestionáveis, mesmo diante do seu mau-caratismo, o mesmo deveria suceder com Elia Kazan, um homem de caráter deveras duvidoso, mas que possui uma filmografia de mestre.


Cotação:

Nota: 10,0

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Primeiro Trailer de "Django Livre"


Em primeira mão, segue abaixo o primeiro trailer de "Django Livre" (Django Unchained), o novo longa-metragem de Quentin Tarantino. Na trama, ambientada no sul dos Estados Unidos dois anos antes da Guerra de Secessão, Django (Jamie Foxx) é um escravo cujo histórico brutal com seus ex-senhores o deixa frente a frente com um caçador de recompensas alemão, King Schultz (Christoph Waltz, repetindo a parceria que lhe trouxe notoriedade). Os dois passam a caçar criminosos pelo sul dos Estados Unidos e buscam resgatar Broomhilda (Kerry Washington), esposa de Django raptada pelo tráfico de escravos . A procura acaba levando-os até Calvin Candie (Leonardo DiCaprio), o proprietário de "Candyland", uma fazenda onde os escravos lutam entre si por esporte.

De antemão, além da óbvia referência ao filme protagonizado por Franco Nero nos anos 60, já percebemos citações de "Rastros de Ódio" , de John Ford, e até da mitologia germânica, além do recorrente tema da vingança na filmografia de Tarantino. O longa estreia em 25 de dezembro nos EUA e em 18 de janeiro no Brasil.



Django Unchained - Trailer / Bande-Annonce [VOHD] por Lyricis

domingo, 3 de junho de 2012

Restaurando a Película


Ulysses
(Ulysses, 1954)


Entretenimento com inteligência


Nunca entendi realmente o porquê, mas o cinema norte-americano, tão afeito a narrativas fantásticas, produziu relativamente poucos filmes tendo por base a mitologia grega. Mitos incríveis como o de Hércules foram relegados normalmente a produções B, com baixo orçamento e elenco limitado, ao contrário do que ocorria com histórias de teor bíblico, comumente adaptadas como superproduções (vide “Os Dez Mandamentos”, de Cecil B. De Mille). Apenas recentemente os estúdios têm dedicado mais atenção a este universo, como em “Tróia” (Troy, 2004) e o remake de “Fúria de Titãs” (Clash Of The Titans, 2010). Na Itália dos anos 50, contudo, o quadro era outro. Além de longas de menor orçamento, os mitos greco-romanos também eram temas de grandes produções, como aquelas orquestradas por Dino De Laurentiis e Carlo Ponti. Este “Ulysses”, realizado em 1954, é um deles, destacando-se não só pelo apuro técnico, mas principalmente por seu elenco estelar, encabeçado por um Kirk Douglas inspirado.

É verdade que o roteiro condensa bastante o texto da “Odisseia” de Homero, obra basilar de toda a literatura e cultura ocidentais. Nela, como deve ser do conhecimento de muitos, é narrada a longa viagem de retorno do general Ulisses, após a guerra de Tróia, até o seu reino de Ítaca. Ao longo de 10 anos, Odisseu (nome grego para o herói) enfrenta inúmeras adversidades para voltar ao lar, enquanto sua esposa, Penélope (interpretada aqui por Silvana Mangano), obstinada em sua fidelidade, jamais sucumbe aos cortejos dos pretendentes. Entretanto, apesar da síntese, os trechos transpostos para a tela são adaptados com satisfatória eficácia. Mesmo que o espectador não conheça de antemão as passagens do relato homérico não terá dificuldades em compreender o enredo, desenvolvido em formato de flashback, quando Ulisses, desmemoriado, chega a um reino próximo de Ítaca e conhece a princesa Nausica (Rossana Podestà). Ele se esforça para relembrar seu passado e é então que somos apresentados a algumas de suas aventuras.


É certo que o mito de Odisseu estabelece vários dos paradigmas culturais de toda a humanidade. O herói representa a coragem e determinação esperadas do homem, enquanto Penélope se apresenta como encarnação da dedicação e fidelidade que se esperam de uma mulher, modelos de comportamento até hoje dominantes, mesmo diante das diversas mutações da sociedade contemporânea. O pouco conhecido diretor Mario Camerini (que também participou da confecção do roteiro, ao lado de outros seis nomes) soube destacar estas nuances e foi muito feliz em dar a mesma importância na trama tanto a Ulisses como a Penélope, mostrando que os dramas de cada um eram intensos em igual medida, fazendo a narrativa tornar-se interessante tanto para o público masculino quanto feminino. Também ganha destaque o drama de Telêmaco (no filme interpretado por Franco Interlenghi), filho de Ulisses que mal conheceu o pai, pois que este estava ausente do lar desde a sua infância.

Contudo, embora tais elementos sejam colocados de maneira correta, é importante ressaltar que este é um longa de aventura e o principal foco obviamente se coloca nas peripécias do penoso regresso. É provável que a mais marcante delas, ao menos para a época em que o filme foi lançado, seja o confronto com o ciclope* Polifemo, filho do deus Posseidon (ou Netuno, para os romanos). Para os recursos do seu tempo, o gigante é concebido de maneira eficiente, destacando-se seu tamanho através de criativos enquadramentos. Ademais, ainda temos a chegada de Ulisses na ilha da feiticeira Circe (também interpretada por Silva Mangano, exercendo papel duplo no filme), onde precisa fazer com que esta retire o feitiço que transformou seus companheiros de tripulação em porcos, além de sua passagem pelo mar das sereias, resistindo ao seu canto ao pedir que seja amarrado ao mastro do navio.


Entretanto, o longa perderia muito sem a presença marcante de Kirk Douglas, conferindo uma adequada aura forte e mítica ao personagem e dominando todas a cenas em que aparece. Pena que o restante do elenco não o acompanhe. Mesmo Anthony Quinn, que interpreta Antinoo, o principal pretende de Penélope, não tem muito a fazer, uma vez que seu personagem tem pouco tempo em tela. Todavia, quem mereceria um Framboesa de Ouro pela dupla atuação seria Silvana Mangano, duplamente inexpressiva (a despeito de sua beleza), seja na pele de Penélope ou na de Circe.

A despeito destes problemas e da direção de Camerini, a qual, embora correta, não deixa marcas autorais, “Ulysses” mantém o seu interesse devido à força de uma narrativa imortal, que supera os séculos e transcende culturas. Mesmo que você conheça pouco da temática, esta será uma boa e didática forma de se familiarizar com ela, apesar de que, obviamente, o melhor seja conferir a fonte direta de tais mitos, lendo a “Ilíada” e a “Odisseia, embora nos livros você não veja a marcante atuação de Kirk Douglas. Contudo, convenhamos, vale ressaltar que não é fácil adaptar mitologia para as telas. Talvez seja exatamente por isso que os por vezes preguiçosos produtores de Hollywood nunca foram afeitos ao tema: é muito complexo para a média de suas produções feijão com arroz, perdendo a oportunidade de realizar entretenimentos inteligentes como no caso em tela.

Cotação:

Nota: 7,5

* Ciclopes, na mitologia helênica, eram gigantes de um só olho.

domingo, 27 de maio de 2012

Cannes premia Haneke (de novo)


Já está virando barbada apostar em Michael Haneke para levar a Palma de Ouro no festival de Cannes. Três anos depois de levar o prêmio por a "A Fita Branca", ele agora foi novamente agraciado por "Amour", seu mais recente trabalho, o qual teve a premiére durante o festival de 2012. O longa narra a vida de um casal de idosos onde o marido tem de cuidar da esposa depois que esta sofre um derrame. Aparentemente, este foge um pouco do estilo Haneke de filmar, já que ele é muito dado a umas violências. Mas, como disse, só posso falar pela aparência, já que não tive o prazer de vê-lo na sala Lumiére. Pena que " Na Estrada", a co-prudução França-Brasil ditigida por Walter Salles não tenha levado nada. Segue abaixo a lista de premiados do júri presidido por Nanni Moretti.


Palma de Ouro

“Amour”, de Michael Haneke (França)

(com menção aos atores Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva)

Grande Prêmio do Júri

“Reality”, de Matteo Garrone (Itália)

Melhor Atriz

Cosmina Stratan e Cristina Flutur, por “Dupã Dealuri”, de Cristian Mungiu (Romênia)

Melhor Ator

Mads Mikkelsen (o vilão Le Chiffre de "007 - Cassino Royale", lembram?) , por “Jagten” (A Caça), de Thomas Vinterberg (Dinamarca)

Melhor Diretor

Carlos Reygadas, por “Post Tenebras Lux” (México)

Melhor Roteiro

“Dupã Dealuri” (Além das Colinas), de Cristian Mungiu (Romênia)

Prêmio do Júri

“The Angel’s Share”, de Ken Loach (Reino Unido)

Caméra d’Or – melhor filme de diretor estreante

“Beasts of the Southern Wild”, de Behn Zeitlin (EUA)

Melhor curta-metragem

“Silêncio”, de L. Rezan Yesilbas (Turquia)


domingo, 20 de maio de 2012

Curtindo o Curta #4


O mundo dos curtas de animação vai bem além daqueles produzidos pela Pixar e exibidos juntamente com seus longas. Um belo exemplo é este "A Casa de Pequenos Cubinhos" (Tsumiki no ie, 2008), do diretor japonês Kunio Kato, o qual destronou o referido estúdio estadunidense no Oscar de 2009, levando o prêmio na respectiva categoria (a Pixar concorria com o também ótimo "Presto"). É difícil condensar emoções em pouco tempo, mas Kato conseguiu a proeza de fazer refletir e comover em apenas 12 minutos neste filme que mostra um homem idoso que mora em uma cidade praiana. Ao longo do tempo, o nível da água vai aumentando e, desta forma, ele tem que erguer ainda mais sua moradia, levantada tijolo por tijolo. Certo dia, ao realizar a mudança dos seus móveis para a parte acima do nível da água, seu cachimbo favorito cai da boca e vai parar no fundo do mar. A partir daí, decidido a recuperar o querido cachimbo, o idoso compra uma roupa de mergulho e vai de encontro às lembranças de sua vida, que se apresentam lenta e nostalgicamente nos níveis inferiores e submersos de sua casa. O curta é de uma sensibilidade ímpar e, além de tecer um bela metáfora sobre a vida e a passagem do tempo, de quebra ainda deixa um comentário sobre os efeitos das alterações climáticas em nosso planeta. Veja abaixo. Garanto que " A Casa de Pequenos Cubinhos" ficará na sua memória.


segunda-feira, 14 de maio de 2012

Filmes Para Ver Antes de Morrer



O Rei Leão
(The Lion King, 1994)


Hamlet para os pequenos



Ainda me recordo com detalhes da primeira oportunidade em que assisti a “O Rei Leão” (The Lion King), produção dos estúdios Disney lançada no ano de 1994 (o do Tetra e lá se vão 18 anos!). Eu não havia assistido à animação nos cinemas, apesar do seu grande sucesso. Com 16 anos, eu estava naquela fase de esnobar animações porque eram “coisa de criança” e, tentando dar uma de “rapaz-cabeça”, também não gostava de valorizar filmes por seu apuro tecnológico. Quem insistiu para que eu visse o longa foi um grande amigo meu (abraço, Hendrick!), o qual sempre o elogiava muito. “Além de imagens muito bonitas, ele tem um estória emocionante”, dizia o meu camarada. Depois de muita insistência, ele me convenceu a assistir em VHS (ainda estávamos longe do DVD, minha gente!), com as imagens ampliadas e som amplificado por meio das parafernálias tecnológicas que o pai dele possuía, contribuindo para alcançar uma sensação próxima à da sala escura. A verdade é que, depois da sessão caseira, fiquei de fato impressionado com a beleza imagética da película e, mais que isso, gostei verdadeiramente da trama narrada, emocionante em vários momentos (“eu não disse que era massa?!”, falou o meu amigo).

Anos depois, já nos tempos de faculdade, tive a oportunidade de ler “Hamlet”, uma das obras-primas de William Shakespeare e de toda a humanidade. Percebi, então, que o filme dirigido por Roger Allers e Rob Minkoff é uma versão para os pequenos do mencionado clássico (com algumas liberdades, claro). Afinal, o leão Mufasa (no original, com a voz marcante de James Earl Jones), rei da savana, é assassinado por seu irmão, Scar (voz inspirada de Jeremy Irons), morte esta presenciada pelo pequeno príncipe Simba (Jonathan Taylor Thomas quando criança e Matthew Broderick quando adulto), filho de Mufasa. Após anos de exílio, quando adota a filosofia de deixar os problemas de lado representada na expressão “Hakuna Matata”, a qual lhe é apresentada pelos novos amigos Timão (voz de Nathan Lane) e Pumba (por Ernie Sabella), Simba não consegue mais fugir de seu destino e retorna para vingar seu pai e retomar o trono que lhe pertence. Ou seja, em linhas gerais, trata-se da mesma trajetória do príncipe da Dinamarca, mesmo que simplificada. Mas esta simplificação não significa que a trama tenha sido idiotizada. Estão lá os elementos imanentes à obra do bardo inglês, como a força da família sobre o indivíduo; a necessidade de uma identidade própria que não o afaste de sua herança e passado; a força inescapável deste passado sobre o presente, entre outras questões que dão pano para manga de teses e mais teses de mestrado ou doutorado. Em contrapartida ao drama, alguns personagens coadjuvantes ganham relevo para atribuir um tom mais leve à narrativa. Além dos citados Timão e Pumba, temos ainda o pássaro Zazu (com impagável voz de Rowan Atkinson), a leoa Nala (Moira Kelly), responsável pelo inevitável romance com o protagonista, e as atrapalhadas hienas asseclas de Scar (uma delas com voz de Whoopi Goldberg).


Por outro lado, é claro que a Disney iria colocar o seu toque para tornar a animação algo inesquecível. E ela conseguiu seu intento, atingindo, inclusive, o público adulto. Afinal, é preciso ter um coração de pedra para não se comover diante da sequência da morte de Mufasa – a Disney, vale lembrar, adora explorar esse tipo de situação, vide a morte da mãe de Bambi no clássico de 1942. Também é praticamente impossível não restar impactado diante de sua fabulosa sequência de abertura, durante a qual somos apresentados tanto ao habitat cenário do enredo, quanto à família real que será o centro do mesmo, numa perfeita solução imagética capaz de situar e embevecer o espectador, preparando-o para o espetáculo que se seguirá. O estúdio utilizou, no caso, uma pioneira técnica de fusão de animação tradicional com recursos digitais que vinha aprimorando desde de “A Pequena Sereia” (The Little Mermaid, 1989) e teve continuidade com “A Bela e a Fera” (Beauty And The Beast, 1991), o primeiro longa de animação a ser indicado (com justiça, diga-se de passagem) ao Oscar de melhor filme. Um processo que ainda continuou com “Alladin” (1992) e que atingiu seu ápice com este “O Rei Leão”.

Com tais recursos, a Disney atingiu um patamar de autêntico deslumbre artístico e que ainda não foi igualado nem mesmo pela Pixar (talvez por esta se valer apenas de recursos digitais), que hoje, vale lembrar, é uma subsidiária do conglomerado da Casa do Mickey. Além do visual, é necessário dar um destaque especial à trilha sonora, cujas canções contaram com a contribuição de um Elton John deveras inspirado, com uma delas levando o prêmio da Academia de melhor canção (“Can You The Love Tonight” acabou por ser tornar um standard na carreira do músico). Frise-se, ademais, que este foi o último grande sucesso do estúdio dentro da sua antiga fórmula para animações, cheias de mensagens edificantes e números musicais entrecortando as ações. Suas tentativas posteriores, como “Pocahontas – O Encontro de Dois Mundos” (Pocahontas, 1995) e “Mulan” (1998) fracassaram diante da nova proposta, mais leve e menos formulaica, trazida pela citada Pixar com seu “Toy Story” (1995).


A despeito de tais fórmulas, “The Lion King” se coloca como um dos grandes momentos de uma das melhores fases dos estúdios Disney, detentor de uma estória de apelo atemporal. Revendo agora em blu-ray, percebi que o filme não chega a ser uma obra-prima, já que sua resolução me soou um tantinho apressada (a película tem apenas 88 minutos e uns 10 minutos a mais seriam bem-vindos) e alguns personagens terminam sendo pouco explorados e mal aproveitados (como a mãe de Simba). Todavia, tais problemas são pequenos diante da força emocional da narrativa e do impacto visual de suas cenas. Não por acaso, quando do relançamento em 3D nas salas dos Estados Unidos, o filme acabou atingindo uma surpreendente arrecadação, chegando mesmo a ocupar o topo das bilheterias. Uma manobra evidentemente comercial que serviria muito mais para divulgar o lançamento do blu-ray no mercado varejista, mas que com certeza deve ter feito muitos pais levarem seus filhos para conhecer essa animação tão cara à memória afetiva de toda uma geração. Sem dúvida, é certo que, diante de tal clássico instatâneo, vários destes pequenos tenham saído das salas de cinema tão empolgados como seus pais um dia saíram...


Cotação:

Nota: 10,0

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Eu Quero Esse Pôster #20

Simplesmente sensacionais os trabalhos do artista sueco Victor Hertz, dono de um estilo minimalista bastante peculiar. Incrível como ele consegue sintetizar toda a memória de um filme com uma economia de traços tão grande. Vejam abaixo.


Se quiser conhecer melhor o trabalho do artista, visite sua página no Flickr.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Quero Ver Novamente #17


Ontem, tivemos a notícia de que "Os Vingadores" (The Avengers) superou todos os recordes em estreias, alcançando a marca de US$ 200 milhões arrecadados nos EUA em apenas três dias (de sexta a domingo). É um bom filme, mas ainda acho que fica a dever no quesito emoção. Talvez isso se deva ao fato de que quase não vemos pessoas "normais" no filme, aqueles cidadãos comuns que precisam ser salvos pelos heróis diante das ameaças. Este, sem dúvida, é um dos fatores que até hoje tornam encantador o "Superman" de Richard Donner. Nele, vemos a reação das pessoas comuns diantes das façanhas do herói, o que traz uma enorme identificação com os espectadores do filme. Sentimo-nos como um daqueles meros fugurantes a aplaudir entusiasmados o atos de bravura do Super-Homem. Além disso, não resta dúvida que este é o mais inspirador de todos os super-heróis. Não por acaso, sua origem lembra muito a de Jesus Cristo, já que Kal-El (o nome verdadeiro do Super-Homem) é enviado à Terra porque seu pai, Jor-El (no filme interpertado por Marlon Brando, que recebeu um cachê milionário por poucos minutos em cena), acredita que ele pode ajudar a humanidade, pois esta última "tem um grande potencial para o bem". Em outras palavras, o mito do Super-Homem é o mito do "salvador". Também ajuda a tornar o filme inesquecível a presença de Christopher Reeve, na minha opinião inigualável na corporificação do personagem, e a fantástica trilha sonora de John Williams, uma das mais inesquecíveis da história do cinema. A sequência abaixo serve para sintetizar todas essas nuances comentadas. Dá vontade de pendurar um lençol vermelho no pescoço e sair por aí "voando" como nos tempos de moleque...

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Os Vingadores


Festa nerd



Faço parte da turma que esperava ver há muitos, muitos anos uma aventura dos Vingadores transposta para a tela grande, pois que, desde garoto, acompanhei os quadrinhos do supergrupo da Marvel Comics, formado pelos heróis mais famosos e poderosos do seu time. Por outro lado, a estratégia que os estúdios Marvel vinham utilizando como gancho e divulgação para o projeto já vinha me incomodando desde “Homem de Ferro 2” (Iron Man 2, 2010), pois que todos os seus longas de super-heróis, passando por “Thor” e “Capitão América”, possuíam cenas pós-créditos com “deixas” para a tão falada produção. Algo que no início pareceu interessante, mas que depois resultou apenas aborrecido. Eu sempre pensava com os meus botões: “esse filme terá que ser muito bom para compensar tanta expectativa”. Bem, chegamos a 2012 e, antes que o mundo acabasse, a Marvel lançou, no último dia 27 de abril no circuito internacional (curiosamente antes do mercado estadunidense), com muito estardalhaço, pompa e circunstância em um número gigantesco de salas, “Os Vingadores” (The Avengers). Ao menos aqui em Natal, onde resido, o público presente no primeiro fim de semana foi digno das ambições dos executivos. A sessão a que eu e minha esposa pretendíamos assistir já estava esgotada quando chegamos, nos forçando a esperar mais uma hora para pegar outra que terminou igualmente lotada.

Valeu à pena a espera? A verdade é que, mesmo não sendo um filme perfeito, “O Vingadores” é um ótimo filme de ação, muito bem acabadinho não só para o público nerd (que deverá sair bem satisfeito das salas), como também para aqueles que estejam à procura de um filme-pipoca no fim de semana. Embora pouco experiente em produções voltadas para o cinema, o diretor Joss Whedon soube trabalhar muito bem todos os arcos dramáticos, atribuindo destaque a todos os personagens em igual medida – ao contrário do que se temia, pois que muitos imaginavam que, devido à sua popularidade, o Homem de Ferro acabasse roubando a cena e o espaço dos demais. Na realidade, a larga experiência de Whedon na TV, em séries como “Buffy – A Caça-Vampiros” e “Angel”, contribuiu e muito para o sucesso em mostrar tantos personagens com equilíbrio e sem confundir o espectador, já que na televisão é essencial trabalhar desta forma. Mesmo diante de um tempo bem mais escasso, reduzido a 140 minutos, Whedon é feliz no intento, muito embora o roteiro se mostre arrastado em seu princípio, demorando a engatar e em alguns momentos se perdendo em diálogos dispensáveis explicativos da pseudo-ciência comumente presente nas HQs da Marvel.


Na trama, o irmão adotivo de Thor, Loki (Tom Hiddleston, muito à vontade), planeja uma invasão à Terra juntamente com a raça alienígena dos Chitauri. Para tanto, eles usarão um cubo energético denominado Tesseract (o “MacGuffin” do enredo), capaz de abrir um portal entre partes remotas do universo que possibilite a invasão. Para tentar impedir os intentos do deus da trapaça, Nick Fury (Samuel L. Jackson, hoje em dia uma espécie de coadjuvante de luxo em filmes de ação), diretor da agência de espionagem SHIELD, irá recrutar, com a ajuda do agente Coulson (Clark Gregg, sendo este um tipo criado especialmente para o cinema), um grupo de super-humanos que incluirá além do Homem de Ferro (Robert Downey Jr, na sua caracterização costumeiramente impagável), também o poderoso Thor (Chris Hemsworth, que considerei melhor no filme solo do deus do trovão), o Capitão América (Chris Evans, hoje muito mais “Capitão” do que “Tocha Humana”) e o Dr. Bruce Banner/Hulk (o sempre ótimo Mark Ruffalo, aqui atribuindo uma aura bem simpática ao perturbado cientista). À parte estes heróis, que já haviam sido apresentados ao público em seus próprios longas solo, somos apresentados à Viúva Negra (Scarlett Johansson, cada vez mais bonita) e ao Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), muito embora este tenha participado de uma ponta em “Thor” (2011).

O roteiro, escrito pelo próprio Whedon juntamente com Zak Penn, desenvolve-se daquela forma previsível em que um grupo enfrenta conflitos de egos e personalidades até que seus integrantes resolvem deixar as diferenças de lado em prol de um objetivo maior. Como já frisado mais acima, a primeira metade da produção transcorre um tanto arrastada, por vez até mesmo aborrecida, sendo compensada por diálogos inteligentes e boa dose de humor - principalmente quando Tony Stark e Bruce Banner estão em cena - além da boa e equilibrada abordagem de cada um dos superseres anteriormente mencionada . Entretanto, a previsibilidade e lentidão iniciais são compensadas, ao final, com um clímax estupendo, onde Whedon nos dá um show de direção em sequências de ação, sabendo mostrar várias tomadas paralelas sem confundir o espectador (viu, Michael Bay?) e fazendo com que torçamos pelos super-heróis como em nenhum outro filme da Marvel Studios. Algumas cenas realmente já se tornaram clássicas, como a que Hulk “esmaga” Loki (na sala em que assistimos, o público veio abaixo em gargalhadas, eu incluso) ou a que o Capitão América dá ordens aos policiais na ruas de uma Nova York destruída (nem a verdadeira destruição da cidade no 11 de setembro fez com que os norte-americanos passassem a poupar a Big Apple nas telas). Todavia, quem rouba mesmo a cena é o Hulk. O gigante verde, que havia deixado a desejar em suas aventuras solo, aqui não apenas diverte com tiradas espirituosas como empolga com sua força descomunal. Pena que o roteiro peque justamente na abordagem do seu comportamento, ora totalmente descontrolado, ora dirigido ao confronto contra os adversários certos, o que fez surgir teorias na internet que na verdade apenas ratificam a falha dos escritores em deixar claro o porquê de suas motivações.

Mesmo não chegando ao nível de um “Batman – O Cavaleiro das Trevas” (The Dark Knight, 2008), com sua abordagem adulta e cunho autoral imprimidos por Christopher Nolan, “Os Vingadores” cumpre muito bem seu papel de filme de aventura para as massas e eu, como leitor antigo das HQs, me senti respeitado e mesmo homenageado na figura do nerd agente Coulson. Diante da bilheteria arrasadora que a produção vem obtendo (teve a maior renda de estreia no Brasil em todos os tempos, só para citar um exemplo), não é preciso ser adivinho para prever que teremos logo, logo uma continuação e a Disney (que comprou a Marvel) deve estar festejando os números depois do recente fracasso de “John Carter”. Uma festa nerd que ainda renderá próximos capítulos, sem dúvida.


Cotação:
Nota: 8,5

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Filmes Para Ver Antes de Morrer

 

Bem, leitores, este é o primeiro texto do "Cinema Com Pimenta" após o seu recesso. É possível que ainda não seja um retorno definitivo, mas aos poucos vamos tentando retomar o ritmo. Também não sei se este é realmente um bom texto, mas é o que o blogueiro conseguiu produzir em meio aos dias cheios que está levando. De qualquer forma, uma coisa é certa: é muito bom estar de volta! Grande abraço a todos os que acompanham este espaço e obrigado, muito obrigado pelos comentários de felicitações e incentivos postados nos últimos dias. Li todos eles e fiquei feliz e motivado com todos. Agora, segue a resenha de um filme pra lá de bom que vi alguns dias antes do recesso. Até o próximo post!

A Primeira Noite de Tranquilidade 

(La Prima Notte di Quiete, 1972)


Existencialismo cinematográfico

É possível que nenhum outro cineasta tenha tratado de questões existenciais de uma forma tão própria quanto o diretor italiano Valerio Zurlini (opa, Ingmar Bergman também alcançou o mesmo nível neste quesito, mas são estilos bem distintos). E talvez nenhum dos seus filmes resuma de maneira tão abrangente o seu cinema quanto “A Primeira Noite de Tranquilidade”, o seu penúltimo longa-metragem, realizado em 1972. Anteriormente, quando tratamos, aqui no “Cinema Com Pimenta”, de “A Moça com a Valise” (La Ragazza Con La Valigia), sua obra de 1961, sublinhamos o quanto o seu diretor foi subestimado em seu tempo, passando por um processo de revalorização apenas recentemente, já na primeira década dos anos 2000. Ao terminar de assistir a “A Primeira Noite de Tranquilidade” é possível que você fique estupefato(a) por dois motivos: o primeiro é a constatação de que esta é uma obra impecável, um verdadeiro conto existencialista que até mesmo Jean-Paul Sartre ou Albert Camus invejariam; o segundo motivo é tentar compreender o porquê de um filme tão belo encontrar-se quase relegado ao esquecimento, sendo que até mesmo entre os cinéfilos normalmente não é fácil encontrar alguém que já o tenha visto.

Para tornar a questão ainda mais difícil, é importante frisar que o filme tem como seu protagonista ninguém menos que Alain Delon, simplesmente um dos grandes astros da história do cinema e que encontra aqui uma de suas maiores performances (alguns afirmam que este é seu melhor trabalho, mas aí podemos acabar irritando o fãs de Jean-Pierre Melville para quem Delon fez, entre outros, “O Samurai”). Delon encarna o professor Danielle Dominici, um homem que já parece desenganado com a vida, mas que, no fundo, ainda almeja encontrar algo ou alguém que o faça se sentir vivo. Chegando à cidade italiana de Rimini (a cidade natal de Fellini retratada em “Amacord”, lembram?) ele passa a ensinar no liceu local onde conhece a estudante Vanina Abati (encarnada pela lindíssima atriz Sonia Petrova), uma garota ao mesmo tempo instigante e misteriosa que, a despeito de sua beleza e juventude, exala infelicidade em sua face. Aliás, como bem define uma das personagens a certa altura, trata-se de uma mulher de “muito passado, pouco presente e nenhum futuro”. Ela é a namorada do homem mais rico da cidade, um playboy que a trata como um troféu para enfeitar a prateleira, mas pouco interessado na sua alma. Um de seus amigos é Giorgio Mosca, conhecido pelos mais próximos como “Spider” (papel de Giancarlo Giannini), o qual por sua vez percebe que Dominici é um homem que talvez mereça ter o seu passado investigado.

A “apuração” promovida por Spider revela uma das melhores facetas de Zurlini. Em suas obras, vamos descobrindo os personagens aos poucos, tal como conhecemos alguém na vida real, conferindo uma quase inigualável tridimensionalidade aos tipos que elabora. Desta forma, o misterioso Dominici, uma espécie de homem-lugar-nenhum que surge na tela logo na primeira cena, caminhando em um promontório a lado da arrebentação das ondas em uma Rimini invernal, vai sendo revelado em cada novo fotograma, como quando descobrimos que ele é casado com uma mulher adúltera (Lea Massari, a mulher que desaparece em “A Aventura”, de Michelangelo Antonioni), vivendo um matrimônio que só se mantém devido às constantes ameaças de suicídio proferidas pela esposa, até sabermos o que o professor define como “a primeira noite de tranquilidade” do título. Da mesma maneira, vamos descobrindo porque Vanina é uma mulher “de muito passado”. Tudo isso levado a cabo por meio de um roteiro brilhante, com ares verdadeiramente literários (várias são as frases memoráveis ditas ao logo da projeção), o qual vai assumindo contornos deveras trágicos à medida em que Dominici se envolve de forma cada vez mais irremediável com Vanina.

Por outro lado, mais uma vez a mise-en-scéne de Zurlini é algo fascinante. A cena da boate, na qual percebe-se que Dominici encontra-se perdidamente enfeitiçado pela jovem aluna é um autêntico espetáculo imagético. Vale dizer, inclusive, que ela lembra muito uma outra sequência filmada pelo diretor no citado a “A Moça Com A Valise”, onde Jacques Perrin, tomado de ciúmes, observa Claudia Clardinale dançando com um homem endinheirado e estúpido. Antes que se avente que o diretor incorreu em repetição, é importante frisar que o personagem de Delon no longa de 1972 parece uma versão madura do adolescente interpretado por Perrin no filme de 1961. É como se o primeiro fosse a representação desiludida deste último, depois de anos de decepções e dissabores. Nesta ótica, seria até leviano afirmar que Zurlini se repetiu ou aventar uma suposta falta de criatividade do diretor. Vista isoladamente, a mencionada sequência é um deslumbre e, quando colocada diante da cena semelhante vista no longa sessentista, ela cresce ainda mais.


Além das imagens marcantes, o elenco também é outro fator que contribui sobremaneira para transformar “A Primeira Noite de Tranquilidade” em uma obra que vai muito além de meras duas horas de frente para uma tela. Sonia Petrova, como Vanina (o nome foi pinçado por Zurlini a partir de um livro de Stendhal), além da já mencionada beleza incomum, demonstra talento em várias passagens dramáticas e é até estranho que ela não tenha realizado uma carreira com maior destaque (ela também trabalhou com outros diretores famosos, como Luchino Visconti, mas misteriosamente nunca despontou como grande estrela). Já Giancarlo Giannini chega a roubar cenas na pele de “Spider”, principalmente durante alguns diálogos memoráveis com Dominici, conseguindo fazer do seu personagem algo além de um mero coadjuvante. Contudo, é mesmo Alain Delon o monstro em tela que que acaba por catalisar as atenções. É como se ele tivesse nascido para o papel e note-se que este foi o seu único trabalho com o cineasta em questão (ao contrário de sua parceria constante com o citado Melville). Delon foi (e ainda é) um homem muito bonito e, talvez até por isso, sempre procurou papéis que retirassem da sua figura um possível estigma de galã. Aqui ele se encontra com a barba por fazer, vestindo um sobretudo surrado e externando, a cada gesto e olhar, a agustiada alma de um homem que ainda busca a felicidade mesmo contra todas as evidências de insucesso.

Alguns afirmam que para gostar dos filmes de Zurlini, especialmente deste, é necessário estar triste. Nada mais superficial. Caso tomássemos tal frase como verdadeira teríamos que afirmar que para gostar dos filmes de um Woody Allen, por exemplo, é necessário estar com vontade de rir. A obra de Valerio Zurlini vai muito além de simplificações e hoje considero um dever de cada cinéfilo conhecer e fazer com que outros conheçam sua filmografia. Afinal, uma obra-prima como "La Prima Notte di Quiete", a qual resume sua carreira de uma forma magnífica, merece ser conhecida e admirada. Assista e descubra o quanto antes qual é a primeira noite de tranquilidade na visão deste mestre da Sétima Arte.


Cotação e nota: Obra-prima.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Cinema Com Pimenta em recesso!

(A cadeira está vazia, mas volto logo!)


Amigos do Cinema Com Pimenta,

Como é possível perceber, o número de postagens no blog caiu muito. Neste mês de abril, havia ocorrido apenas uma até a presente data (e olha que já estamos no dia 11 do mês). A verdade é que este blogueiro encontra-se em um momento pessoal em que o tempo está muito escasso. Sendo bem sincero: quase não estou vendo filmes, quem dirá conseguir escrever algo que se aproveite sobre eles. Bem, isso se deve a um fator bastante relavante: na próxima quinta-feira dia 19/04 eu irei me casar e, como devem imaginar, encontro-me em uma grande correria para dar conta dos preparativos do casório. É tanta coisa para resolver que não está sobrando tempo nem para um cineminha, nas salas ou em casa.

Diante desta circunstância, o "Cinema Com Pimenta" fará seu primeiro recesso desde sua criação, em julho de 2008. De qualquer forma, claro que não conseguirei passar muito tempo longe. Espero no fim do mês já estar de volta com toda a paixão pelo cinema que, acredito, é a marca característica deste espaço. Um grande abraço a todos os(as) leitores(as) que acompanham o "Cinema Com Pimenta". Eu só tenho a agradecer a todos vocês! Até breve!

Obs: Talvez ainda saia uma postagem antes do fim do mês, sobre um filme que vi no último domingo. Apesar de ter começado a escrever o texto, ele anda um tanto "empacado", razão pela qual já resolvi deixar o aviso de recesso. Vamos ver se consigo terminar. ;=)


sexta-feira, 6 de abril de 2012

Para Ver Em Um Dia de Chuva


Os Falsários
(Die Fälscher, 2007)


Entre a cruz e a espada


Desde que Steven Spielberg filmou, em 1993, a sua obra-prima “A Lista de Schindler” (Schindler's List), longa-metragem que estabeleceu um perfeito equilíbrio entre a brutalidade nazista e a emoção que se pode extrair de uma drama dessas proporções, o cinema se viu invadido por uma série de filmes tendo como tema central o holocausto cometido durante a Segunda Guerra Mundial. Desde então, praticamente todos os anos chegam às telas obras com este foco, seja em formato ficcional ou documental. Claro que, diante de tantas produções, inevitavelmente surgirão aquelas de maior e outras de menor qualidade, sendo necessário filtrá-las, afinal não basta que um filme tenha o massacre dos judeus como tema para que se possa afirmar que é bom cinema. Para cada “O Pianista” (The Pianist, 2002), uma das obras-primas de Roman Polanski, temos outros exemplares de qualidade duvidosa, como é o caso do nacional “Olga” (2004), de Jayme Monjardim, o qual, mesmo que não tenha o holocausto como tema central, mergulha em um sensacionalismo desnecessário, dado o caráter já naturalmente emocional da temática. A Academia de Hollywood, por seu turno, parece jamais se cansar de prestigiar longas que abordam o horror nazista e com certeza esse foi um dos principais fatores que levaram o longa-metragem austro-alemão “Os Falsários” a levar o Oscar de melhor filme em língua estrangeira em 2008. Entretanto, e felizmente, este não foi o único fator.

Poucos são os filmes que apresentam dilemas éticos e morais com tanta propriedade quanto “Os Falsários”. Na sua estrutura narrativa, as soluções, longe de fáceis ou maniqueístas, parecem, pelo contrário, sempre levar os protagonistas a um novo labirinto de interrogações e cada nova decisão tomada parece ser inevitavelmente insatisfatória, pois que destituída do poder de retirá-los do beco sem saída em que estão vivendo. Homens que não sabem se é honroso ou vergonhoso sobreviver quando lançados em uma situação em que suas vidas são pautadas pela ajuda que prestam a uma máquina de extermínio. Você, que está lendo, ajudaria o nazismo, mesmo que de uma forma indireta, em troca de ver mantida sua própria vida?


A problemática nos é apresentada através da história real conhecida como “Operação Bernhard”, hoje considerada como responsável pelo maior derrame de moedas falsas já realizado. Em condições difíceis nos campos de batalha e com os cofres cada vez mais escassos, os nazistas partiram para a falsificação de dinheiro como uma forma tanto de “criar” recursos para custear a guerra, como também de abalar a economia do países vítimas da contrafação, no caso Inglaterra e Estados Unidos. Para perpetrar tal intento, os alemães se valeram de judeus prisioneiros em campos de concentração com talentos adequados à falsificação de cédulas. Baseado no livro “The Devil's Wokshop”, de Adolf Burger (ele próprio um dos personagens na tela), a narrativa nos mostra que um destes especialistas judeus é Salomon Sorowitsch (no filme, o papel é de Karl Markovics), ou “Sally” para o mais próximos, um falsário de enorme talentos artísticos, mas que prefere levar a vida “fazendo” o dinheiro do que suando para ganhá-lo. É ele que será o líder dos falsários e contará com a especial confiança do comandante do campo (Devid Striesow) - que por sinal foi o policial que o prendeu - o qual reserva para o grupo uma tratamento diferenciado. No entanto, a posição de Salomon de salvar a vida a qualquer custo é confrontada por Burger (interpretado por August Diehl), que não admite servir aos propósitos dos próprios algozes.


Temas como esse poderiam cair facilmente no sentimentalismo, mas o diretor Stefan Ruzowitzky soube fugir dos lugares-comuns e manteve a narrativa, em sua maior parte, distante das facilidades. Desenvolvida em estilo flashback, já sabemos de antemão que Salomon escapou da morte no campo, evitando assim que o espectador pudesse focar em um suspense desnecessário acerca do destino do protagonista, o que desviaria sua atenção do drama ético proposto. A contraposição da vida de Salomon antes e depois da guerra, regada a mulheres e boemia, com o período em que ele passa enclausurado também se mostra muito útil para entendemos sua personalidade e sua facilidade em obter benefícios dos militares da SS. A edição primorosa mostra-se, ademais, fundamental para esse intento e até mesmo a trilha sonora escolhida, repleta de tangos, contribui para lembrarmos que Salomon é, antes de tudo, um bon-vivant que sabe, mais do que qualquer outro, arranjar maneiras de obter regalias. O roteiro, também escrito pelo próprio diretor Ruzowitzky, é enxuto, fazendo com que o filme não dure mais do que 1h e 40min. Mas isso não significa dizer que o mesmo é superficial. Pelo contrário, aborda as temáticas apontadas com objetividade e profundidade. Mas tais características cairiam por terra se o elenco não correspondesse, atribuindo verossimilhança aos personagens retratados, e aqui cabe destacar a ótima atuação de Karl Markovics ao imprimir ao mesmo tempo verdade e um tom misterioso a Salomon, fazendo deste um tipo memorável.

Ver-se entre a cruz e a espada é o que resulta da experiência de assistirmos a “Os Falsários”, levando o público antes de tudo à reflexão e não tão somente a um mero derramamento de lágrimas como acontece em tantos filmes que têm a Segunda Guerra (mormente o holocausto) como tema. Nesse trabalho de separar “o joio do trigo” entre tais dramas de guerra, o longa de Ruzowitzky merece destaque e sua premiação no Oscar (ele foi o primeiro a ganhar um Oscar de filme estrangeiro pela Áustria) não foi injusta. Embora não se possa afirmar que esteja à altura dos citados trabalhos de Roman Polanski e Steven Spielberg, ou ainda de outras produções europeias, como a obra-prima “Vá e Veja” (Idi i Smotri, 1985), de Elem Klimov, “Die Fälscher” com certeza é um trabalho que foge das obviedades de um gênero já bastante maltratado e aparentemente esgotado.


Cotação:

Nota: 9,0

sexta-feira, 30 de março de 2012

Trilha Sonora #22



Sessão dupla da série "Trilha Sonora".

Bem, no próximo dia 21 de abril, Paul McCartney, o maior músico pop vivo do mundo, irá se apresentar em Recife. Eu e minha noiva já estamos de ingressos e passagens compradas e já estamos entrando no clima do evento. Como ando ouvindo muito Beatles nos últimos dias (aliás, não só nos últimos dias, mas em toda a minha vida) comecei a rememorar filmes com canções dos Fab Four. Um bastante conhecido é "Uma Lição de Amor" (título nacional meloso para "I am Sam"), fime protagonizado por Sean Penn em que ele interpreta um pai com deficiências mentais que luta para ter a guarda da filha Lucy (Dakota Fanning). Sam é fanático pelos Beatles e todo o longa metragem é povoado de músicas do quarteto. Uma delas, a linda "Blackbird", você pode ouvir clicando logo abaixo, com interpretação original.






Outro filme recente que lembro imediatamente é o longa "Across The Universe", musical inteiramente baseado nas músicas dos quatro rapazes de Liverpool. Uma das versões mais marcantes apresentadas é a de "I Want To Hold Your Hand", com um andamento mais lento, uma voz feminina e com uma conotação jamais vista antes. Veja o mais rápido possível logo a seguir.



É impressionante como às vezes eu ainda me pego impactado por essas músicas. Elas vão fundo na alma. Os Beatles mudaram o mundo? Talvez. Talvez pouco ou talvez quase nada. Mas não é porque eles mudaram o mundo que nós gostamos deles. Nós costumamos gostar dos Beatles principalmente por conta de suas lindas canções. É por causa delas que ele foram e sempre serão a maior banda de todos os tempos!