segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Comentários sobre o Oscar 2012



Comentários em pílulas sobre a festa do Oscar:

- Minha grande satisfação na noite foi ver Meryl Streep finalmente levando uma estatueta depois de 30 anos. Na realidade, essa foi a primeira vez que pude ver uma das minhas atrizes favoritas vencendo o prêmio, pois que em 1982 eu tinha apenas 4 anos. Fiquei feliz, mesmo não tendo a menor simpatia pela personagem que interpretou;

- Outro grande momento da noite foi a ovação a Christopher Plummer, aplaudido de pé, mas bem que poderiam ter considerado um empate e premiado também o grande Max Von Sydow;

- Octavia Spencer tinha tudo para ter protagonizado também um dos grandes momentos da festa, mas se emocionou demais e provocou até um certo constrangimento;


- Foi ótimo ver Woody Allen sendo premiado novamente, mesmo sem vê-lo;

- Não resta dúvidas que Billy Crystal é o melhor apresentador do Oscar. Consegue brincar com todo mundo sem ofender;

- Esperava-se bem mais da apresentação do Cirque du Soleil, que terminou sendo mais ou menos;

- Jenniffer Lopez deve ter se inspirado na sua recente passagem pelo carnaval do Rio de Janeiro para escolher o seu vestido nada discreto;

- Já Natalie Portman deu um show de elegância:

- O prêmio de filme estrangeiro para "A Separação" foi o mais previsível da noite;

- A premiação de “A Invenção de Hugo Cabret” em efeitos especiais foi uma verdadeira homenagem da Academia ao pai de tais efeitos, Geoges Méliès;

- Como bem disse José Wilker na transmissão da Globo, “Hugo” é o primeiro longa realmente em 3D. Os anteriores foram apenas ensaios;

- Por sinal, muito justos todos os prêmios do filme de Scorsese;


- Admito que a canção de “Rio” não é lá essas coisas, mas a canção vencedora é simplesmente horrorosa. O que um lobby não faz...;

- Falando em lobby, tivemos em “O Artista” mais outro exemplo de influência dos Weinstein, fazendo até a Academia esquecer seus critérios para trilha original e premiar um trabalho baseado em temas preexistentes (fato que levou à eliminação da trilha de “Cisne Negro” no ano passado);

- Sugerir que Michel Hazanavicius é melhor diretor que Martin Scorsese é algo de puro mau gosto;

- Jean Dujardin teve um ótimo desempenho, mas tenho lá minhas dúvidas sobre sua versatilidade;

- Aliás, concordo plenamente com o Rubens Ewald Filho na transmissão da TNT sobre os prêmios para “O Artista”: “não sei se é realmente pra isso tudo. O futuro dirá”.

Bem, agora, só em 2013! Enquanto isso, o "Cinema Com Pimenta" continua se dedicando à cinefilia. Abraço!

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A Dama de Ferro



Meryl Thatcher Streep


O mundo em que vivemos hoje, dominado por instituições financeiras que retiram dos povos a sua soberania começou a ser engendrado ao longo da década de 1980 e teve como seus grandes artífices o então presidente dos Estados Unidos, o ex-ator Ronald Reagan, e a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher. Podem colocar na conta do legado de ambos essa lógica cruel de que os governos devem empurrar dinheiro público para salvar os bancos de quebradeiras, ao mesmo tempo em que, quando são os Estados que enfrentam dificuldades, devem cortar gastos públicos (leia-se, menos saúde, menos educação, menos incentivo à cultura...), empreender demissões, reduzir salários entre outras medidas do gênero. Ou seja, quando os bancos vão mal, quem arca com os prejuízos é o povo (via doações estatais para “reestruturar”os falidos). E quando os Estados vão mal das pernas, quem sofre as consequências também é o povo. Sim, a dobradinha Thatcher-Reagan foi a responsável pelo que hoje chamamos de “neoliberalismo”, um modelo que hoje encontra o seu ocaso.

É intrigante que se tenha realizado a ideia de um longa sobre a chamada “Dama de Ferro” (uma alcunha criada pelos soviéticos com um tom inicialmente pejorativo) do Reino Unido justamente em um tempo em que suas ideias se mostram, mais do que nunca, ultrapassadas e passíveis de enormes críticas. Sua postura reconhecidamente autoritária destoa de um mundo onde movimentos como Occupy Wall Street e Anonymous parecem despontar a cada dia. Aliás, os integrantes do citado Anonymous costumam usar a máscara de um personagem criado pelo quadrinhista Alan Moore (na HQ “V de Vingança”, adaptada para o cinema) como uma crítica e reação ao conservadorismo da era Thatcher, marcada por uma forte repressão aos sindicatos – a famosa greve dos mineiros se tornou icônica neste aspecto – e demandas sociais relegadas a segundo plano (qualquer semelhança com ideias defendidas por sabichões da mídia tupiniquim não é mera coincidência). Ou seja, Thatcher foi uma das principais responsáveis pelo fim do Estado do bem-estar social, modelo surgido no Ocidente do pós-guerra como uma reação ao sistema socialista do Leste Europeu.


Um figura politicamente tão controversa como Thatcher, no caso de uma adaptação para o cinema, mereceria a regência de um diretor experiente, acostumado a lidar com personagens reais e que resistisse às tentações de uma possível romantização de sua trajetória (o nome de Martin Scorsese, responsável por obras como “Touro Indomável” e “O Aviador” é o primeiro que me vem à mente). A escolha, entretanto, recaiu em Phyllida Lloyd, uma diretora que está apenas em seu segundo longa-metragem para o cinema (o primeiro foi “Mamma Mia!”, também com Meryl Streep) e que, infelizmente, não resistiu bem às mencionadas tentações, procurando construir a imagem de Margaret como uma “batalhadora-perseverante-que-alcança-seus-sonhos”. Neste ponto, o filme lembra o nacional “Lula, O Filho do Brasil” (2009), muito criticado por aqui por tentar transformar a história do ex-presidente em uma hagiografia. Com “ A Dama de Ferro” não é muito diferente, a começar pela opção escolhida de retratá-la na sua atual fase de demência decorrente do mal de Alzheimer, o que desde logo condiciona o público a enxergá-la com sentimentos de piedade. Uma espécie de recurso, intencional ou não (mas duvido que não o seja), que acaba turvando o nosso senso crítico. Contudo, se este se apresenta como um recurso sutil, há passagens ao longo da projeção que resultam em verdadeiro sensacionalismo, como na sequência em que a então primeira-ministra deixa o cargo se despedindo dos funcionários da 10 Downing Street (a residência oficial do primeiro-ministro), assemelhando-se a uma heroína que se dá adeus aos seus companheiros de batalha.

Além da mistificação, outro ponto me deixou incomodado no trabalho de Lloyd. Ela se esforça o tempo inteiro para atribuir uma conotação feminista à figura de Thatcher, algo que não é verdade. Ela nunca ergueu essa bandeira e suas atitudes enquanto governante demonstram muitos mais serem reflexos de uma mulher masculinizada – não no sentido sexual, mas na forma de entender o Estado e a sociedade – do que a demonstração do feminino no poder. Exemplo claro disso foi a utilização de um conflito armado, no caso a guerra das Malvinas, par alavancar sua popularidade que se encontrava em níveis baixíssimos no início da década de 80. Seu comportamento enquanto governante, dotado de intransigência, autoritarismo e espírito belicoso, na realidade parece muito mais demonstrar que, no fundo, sua chegada ao poder foi muito mais uma vitória do machismo, o qual condiciona as mulheres a agirem como homens para se manterem no poder ou mesmo conseguir administrar. Ou seja, Thatcher jamais representou um avanço nas conquistas dos direitos das mulheres.


Vale dizer, ademais, que “ The Iron Lady” falha não apenas na análise de sua personagem histórica. O filme também não alcança sucesso enquanto narrativa cinematográfica. O roteiro atropelado de Abi Morgan (o mesmo do polêmico “Shame”, ausente do Oscar), realizado a partir de flashbacks constantes, torna a experiência desinteressante e por vezes confusa. Boa parte do enredo se desenrola com Thatcher dialogando com a alucinação de Denis, seu marido falecido em 2003, numa temerária suposição de como funciona sua consciência. Além disso, o longa possui uma câmera nervosa totalmente inadequada ao tom introspectivo que tenta imprimir, cheia de angulações e movimentos desnecessários. Sinceramente, cheguei a ficar aborrecido em algumas passagens. A dispersão do público é quase inevitável durante a sessão.

Se esta não chega a acontecer completamente isso se deve principalmente a dois fatores. Por mais tendenciosa ou superficial que seja a análise apresentada, a história de uma figura pública tão relevante (para o bem ou para o mal) sempre despertará interesse, nem que seja para criticar as omissões ou distorções dos fatos. Destarte, não resta dúvida que o grande chamariz de “A Dama de Ferro” é a soberba atuação de Meryl Streep. Impecável, sua interpretação lembra a de Marion Cotillard em “Piaf – Um Hino Ao Amor” (La Môme, 2007), realizando um autêntico mergulho não apenas no exterior, mas também na alma da figura retratada. Um trabalho impressionante que consegue deixar o espectador interessado na narrativa, por mais falhas que esta apresente. Sua indicação ao Oscar é mais do que justa e será ainda mais justo se ela de fato levar o prêmio, muito embora a tendência seja a de premiar Viola Davis (que também nos entrega uma grande interpretação em “Histórias Cruzadas”, convém lembrar). Afinal, apesar de seu enorme talento (quem não é seu fã?), Meryl já se tornou a maior perdedora do Oscar, tendo levado apenas 2 vezes e perdido em 15 oportunidades. Auxiliando a grande atriz, ainda temos uma maquiagem fabulosa de Mark Coulier que auxilia no seu envelhecimento.

No entanto, uma grande atuação pode salvar um filme do desastre, mas não irá transformá-lo em um bom trabalho. Cheio de tropeços, romantizações e parcialidades, “A Dama de Ferro” nem chega a ser tão controverso quanto sua biografada pelo simples motivo de que, no caso desta, alguns adeptos de sua visão conservadora poderão defender com unhas e dentes sua gestão (o que, como já deixei transparecer, não é o meu caso). Entretanto, mesmo os admiradores da líder britânica hão de convir que esta cinebiografia de Phyllida Lloyd deixa bastante a desejar. A verdade é que, não fosse a atuação de Streep, o longa-metragem mereceria o mesmo destino das políticas da “Dama de Ferro”: o esquecimento. Acredito que não seria uma má ideia alterar o título do longa para“Meryl Thatcher Streep”...


Cotação:

Nota: 6,5

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ATUALIZADO: E Meryl venceu mesmo!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Quero Ver Novamente #16


Nesses tempos que antecedem a grande festa da Academia de Hollywood, sempre costumamos lembrar de suas injustiças. Uma costumeiramente citada é a não premiação de "Cidadão Kane" (Citizen Kane) com a láurea de melhor filme. Entretanto, é rotineiro esquecer os seus concorrentes naquele ano de 1942, quando se premiou as produções de 1941. "Cidadão Kane" (na minha opinião exageradamente considerado o melhor filme de todos os tempos) não concorreu com obras de baixo valor artístico. Entre seus rivais estavam "O Falcão Maltês - Relíquia Macabra" (The Maltese Falcon), um marco do cinema noir dirigido por John Huston, e "Como Era Verde Meu Vale" (How Green Was My Valley), o qual acabou levando o prêmio de melhor filme, um longa de John Ford de forte teor social em que ele retorna às suas origens irlandesas, narrando o cotidiano de uma família de mineiros que são afetados pela crise econômica. Para ser sincero, "Como Era Verde Meu Vale" foi um filme que me deixou marcas bem mais perenes que o longa de Orson Welles. Um bonito drama que conta com doses de emoção na medida certa, além de uma bela fotografia e direção de arte (esses quesitos também levaram o Oscar). Além disso, é perfeitamente lógico que se quisesse premiar uma película que falasse de problemas sociais em uma época em que os EUA ainda se recuperavam da grande depressão e acabavam de ingressar no conflito mundial. O filme também rendeu o terceiro Oscar a Ford como diretor (o segundo em sequência, pois no ano anterior ele havia ganhado por "As Vinhas da Ira"). Abaixo, segue a sua sequência inicial. Garanto que, se você ainda não viu "Como Era Verder Meu Vale", ficará no mínimo com curiosidade de conhecer o restante. Alguns podem até considerar, em uma opinião pessoal, que "Cidadão Kane" merecia mais. Entretanto, elevar a premiação do longa de John Ford à condição de "injustiça" é um belo exagero.


domingo, 19 de fevereiro de 2012

A Invenção de Hugo Cabret



Herança de um visionário


Entre os indicados aos prêmios da Academia de Hollywood este ano há, em alguns deles, uma curiosa interseção: um olhar para um passado vislumbrado como nostálgico e profícuo em termos artísticos. É assim com o retorno à Paris dos anos 20 promovido por Woody Allen em “Meia-Noite em Paris”, quando o alter-ego do diretor se encontra com vários grandes nomes da literatura, pintura e cinema. Destarte, outros dois longas dividem uma visão ainda mais específica ao focarem os primeiros tempos da Sétima Arte. “O Artista” retrata a Hollywood do final dos anos 20/início dos 30, época da grande depressão econômica e do advento do cinema sonoro. Já este “A Invenção de Hugo Cabret”, dirigido por ninguém menos que Martin Scorsese, volta seu olhar para os verdadeiros pioneiros da cinematografia, os desbravadores franceses que inventaram o cinema, tanto quanto experimento técnico-documental (os Irmãos Lumière), quanto como expressão artística e imaginativa (o cineasta Georges Meliès). Talvez seja ainda mais curioso perceber que um filme francês volta seu olhar para Hollywood, enquanto uma película norte-americana coloca seu foco no cinema francês.

É sabido que Scorsese não é apenas um dos cineastas mais importantes do cinema contemporâneo. Sua paixão pelo ofício também o transformou em um grande pesquisador da história cinematográfica, além de levá-lo a um trabalho de restauração de películas de relevante valor artístico. Lembrando destas suas nuances, é possível enxergar este seu novo longa como uma tradução deste seu trabalho como pesquisador e restaurador, pois que “A Invenção de Hugo Cabret” é, antes de mais nada, um tributo aos primeiros tempos do cinema. É sensível em toda a projeção a paixão que cada fotograma exala, a reverência de um cinéfilo àqueles responsáveis pela criação da arte em questão. Sabe-se, ademais, que Scorsese resolveu filmar a trama porque sua filha de 12 anos leu o livro de Brian Selznick (sobrinho-neto do lendário produtor David O. Selznick) e gostou muito, fato que levou sua esposa a sugerir “por que você não faz um filme que sua filha possa assistir?”. Tal circunstância também se faz notar nos seus 126 minutos de duração, dados o carinho e respeito com que o diretor trata os personagens.


Adaptado por John Logan (que já havia trabalhado com o diretor em “O Aviador”), o roteiro conta a história do garoto Hugo Cabret (Asa Butterfield), o qual, após o falecimento trágico do seu pai (Jude Law) passa a morar na Gare du Nord, famosa estação de trem em Paris, onde conserta e dá corda nos relógios que orientam passageiros e maquinistas. Vivendo de pequenos furtos, nas horas vagas o órfão tenta fazer um autômato voltar a funcionar, engenhoca que lhe foi deixada por seu pai e que ele acredita trará uma mensagem do seu genitor tão logo seja colocada em movimento. É tentando furtar uma peça necessária para o autômato que ele acaba sendo flagrado pelo dono de uma loja de brinquedos da estação (Ben Kingsley), o qual lhe confisca seu caderno de anotações. Tentando reaver o caderno, Hugo acaba conhecendo a sobrinha do proprietário da lojinha, Isabelle (Chloë Grace Moretz), uma garota inteligente que o ajudará na montagem do autômato e a resolver alguns mistérios que se seguirão.

Com um premeditado clima lúdico e de fantasia, o enredo se desenrola de maneira completamente envolvente, algo perfeitamente esperado de um diretor que dispensa apresentações. Com um ritmo irretocável ditado pela edição primorosa de Telma Schoonmaker, velha colaboradora de Scorsese, o longa ainda se destaca pela belíssima fotografia em 3D e aqui eu vou abrir parênteses. Honestamente, nunca havia assistido a um 3D tão eficiente quanto este. Acho que nem mesmo “Avatar” havia atingido um poder de imersão tão grande quanto aqui. Em algumas sequências, principalmente nos travellings iniciais, temos de fato a sensação de estar naquele ambiente, tamanha a eficácia do recurso (o que implica dizer que você perderá muito se não assistir ao filme em uma sala de projeção). Mas não é só no uso da terceira dimensão que a fotografia se apresenta notável. O uso da perspectiva de Hugo para mostrar o cotidiano das pessoas na estação é algo que remete ao cinema documental dos irmãos Lumière, estabelecendo o cinema como observador da realidade. No mesmo nível, a direção de arte também é perfeita tanto no auxílio ao tom de fábula, como na reconstituição de época, trazendo-nos uma linda Paris da primeira metade do século passado. Tudo isso auxiliado por um bom elenco, desde o veterano Kingsley ao garoto Asa, com seus expressivos olhos azuis, passando até por Sacha Baron Cohen (para a minha surpresa, pois não costumo gostar dos seus trabalhos), que interpreta o inspetor da estação que vive a perseguir o pequeno Cabret, todos entregam atuações competentes (de quebra, ainda temos uma participação elegante de Christopher Lee).


Mas as qualidades da produção vão bem além dos seus aspectos técnicos. Se Scorsese, como já frisado, presta reverência aos Irmãos Lumiére, criadores da Sétima Arte, por outro lado ele opera uma autêntica declaração de amor ao cinema enquanto magia, enquanto fábrica de sonhos aptos a encantar multidões, ou seja, o cinema tal como concebido por Georges Méliès, o primeiro artista a enxergá-lo como espetáculo. Méliès foi um visionário que entendeu por bem usar seus conhecimentos de ilusionismo como forma de enriquecer a narrativa exibida na tela, sendo, desta forma, considerado o pai dos efeitos especiais e dos filmes elaborados como entretenimento e fantasia. Foi ele o diretor de “Viagem à Lua” (curta-metragem que você pode assistir aqui mesmo no “Cinema Com Pimenta clicando neste link), adaptação da obra de Julio Verne cuja cena em que um foguete atinge o “olho da lua” ficou eternizada. Contudo, mesmo tendo realizado um quantidade enorme de filmes (mais de 500), Méliès acabou indo à falência, sendo resgatado do ostracismo apenas nos seus últimos anos de vida (ele faleceu em 1938). Boa parte de sua filmografia inclusive se perdeu. Poucas foram as suas obras que chegaram ao século XXI.

Com “Hugo”, Scorsese parece afirmar que todos os cineastas atuais são herdeiros de Méliès. Inclusive a própria concepção da película, uma fantasia repleta de efeitos especiais, não deixa de ser uma versão atualizada e potencializada pela tecnologia das ideias do seminal diretor francês. “Sabe quando você se pergunta de onde vêm seus sonhos?” questiona a certa altura um dos personagens. “Eles vêm daqui; estão à sua volta”, responde ele próprio apontando para um set de filmagens. Scorsese promove, assim, um belíssimo uso de metalinguagem que com certeza irá tocar o coração de qualquer um(a) que tenha uma relação de amor com a Sétima Arte. Mesmo que ele se faça valer de alguns clichês no desfecho, talvez inevitáveis em um filme destinado ao público infanto-juvenil, a força desta verdadeira declaração de amor ao cinema se faz sentir e provavelmente se manterá como um registro memorável não apenas da capacidade, mas, principalmente, da paixão que move o trabalho deste grande cineasta chamado Martin Scorsese.


Cotação:

Nota: 9,5

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O Artista


Embalagem ousada, conteúdo convencional


Sempre defendi a posição de que cinema é imagem e, sendo assim, o filme que consegue contar a sua estória privilegiando seu poder imagético sobre as palavras normalmente alcança um nível de acuidade artística superior. Não que isso seja uma regra absoluta. Woody Allen é autor de filmes bastante verborrágicos, mas nem por isso deixam de atingir uma admirável qualidade. Contudo, não custa lembrar que o cinema começou sem som, ou seja, podemos tirar o som de uma película e ela continuará sendo cinema. Todavia, se tirarmos sua imagem poderemos afirmar que se trata de qualquer outra arte, menos cinema. É justamente deste conflito entre imagem e som de que trata “O Artista”, longa indicado a 10 prêmios Oscar e que vem sendo considerado o grande favorito para a noite da premiação no próximo dia 26.

Não que a temática seja exatamente nova. O clássico “Cantando Na Chuva” (Singin' In The Rain, 1952) já abordava a fase de transição do cinema mudo para o sonoro que se iniciou a partir de 1927, quando “O Cantor de Jazz” (The Jazz Singer, de Alan Crosland) surgiu como o primeiro longa em que se podia ouvir a voz dos atores – mesmo que, ao contrário do se pode pensar, ele não tenha sido inteiramente falado, possuindo apenas duas sequências com diálogos (o primeiro filme inteiramente falado foi “Luzes de Nova York”, de 1928, dirigido por Brian Foy). Essa alteração técnica no modo de produzir filmes talvez tenha sido a que gerou mais impacto em toda a história da Sétima Arte, possivelmente ainda mais do que a introdução das cores, gerando resultados por vezes catastróficos para profissionais que não se adaptaram aos novos tempos. Isso aconteceu notadamente com os atores do cinema mudo, vários dos quais estrangeiros com forte sotaque que acabaram por ser alijados do processo.


É esta a dificuldade enfrentada por George Valentin, o personagem interpretado por Jean Dujardin em “O Artista”. Astro adorado pelo público, ele vê sua carreira ir por água abaixo após subestimar o potencial da nova tecnologia e acreditar que as pessoas iriam continuar vendo sua imagem não se importando se ele falaria ou não. Em contrapartida, uma de suas fãs, Peppy Miller (interpretada pela argentina Bérénice Bejo), a quem ele deu uma força para ingressar nos meandros hollywoodianos, termina por alcançar enorme sucesso valendo-se de sua bela voz em filmes musicais. Aliás, esse é um gênero que, decididamente, só pôde surgir no cinema a partir da criação dos filmes sonoros. Esta trama simples é o suporte para que o quase desconhecido diretor e roteirista Michel Hazanavicius ponha em prática um grande exercício de metalinguagem, trazendo resultados formais belíssimos, mas que não alcançam o mesmo patamar em termos substanciais.


Não se pode negar que Hazavicius foi ousado em conceber um longa-metragem mudo e em preto e branco em pleno século XXI. Diante dos barulhentos filmes contemporâneos, vários dos quais promovem poluições sonoras semelhantes ao trânsito da hora do rush, é um alívio assistir a uma produção silenciosa continuamente sublinhada por uma bela trilha sonora (composta por Ludovic Bource). Ademais, o seu p&b, realizado a partir da descolorização de uma filmagem tradicional, possui um contraste perfeito, assemelhando-se àquelas fotos antigas que adoramos admirar (a fotografia também me lembrou bastante a de “A Lista de Schindler”). Ademais, o roteiro é fluido, fazendo a projeção correr redondinha, sem atropelos ou furos, além de contar com as ótimas atuações de Dujardin e Bejo (a cena em que Peppy Miller usa um casaco para “se fazer abraçar” por Valentin é deveras bonita e expressiva) . Ou seja, em vários aspectos constitui realmente aquele tipo de filme que os Weinstein costumam produzir ou, como nesse caso, apadrinhar para alcançar êxito nas festas da Academia de Hollywood.

Tudo funciona certinho, bem calculado (tem até um cachorrinho para deixar a plateia encantada). Entretanto, lembra aqueles desfiles de samba em que uma das escolas, com um desempenho vibrante, rouba a cena na avenida, mas acaba perdendo o campeonato para uma outra que nem chamou tanta atenção assim, levando o troféu com um desfile sem alma, mas tecnicamente irrepreensível. E talvez seja esta a metáfora perfeita para “The Artist”. É uma película muito agradável, mas lhe falta um tanto de alma, vibração, entranhas. Seu aspecto calculado em detalhes parece por vezes disfarçar uma certa ausência de conteúdo. O romance que lhe dá esteio pode até mesmo soar prosaico demais. Basta lembrar que costumamos criticar as comédias românticas por serem extremamente previsíveis, atributo que também recai com facilidade no longa de Hazanavicius. Desde o princípio já percebemos que rumos os personagens e seus sentimentos tomarão e, se você tiver o conhecimento prévio da temática que será abordada, já será possível antecipar qual a crise pela qual passará o personagem de Dujardin. Esta ausência de surpresas ou complexidades torna a experiência fugidia, por melhor que seja a sua mise-en-scène.

Este conflito entre embalagem e conteúdo me acompanhou durante a maior parte dos 100 minutos da produção. Ao mesmo tempo que admirava sua plástica, não me empolgava a sua trama que, como já mencionado, faz um uso de metalinguagem já visto em tempos antanhos. Ademais, também me preocupa constatar que hoje em dia uma obra é considerada “original” ao copiar fórmulas de 80 anos atrás. Nem sempre ousadia significa originalidade e muitas vezes ela pode ser usada para desviar a atenção de uma trama comum, que passaria despercebida caso fosse filmada de maneira convencional. “O Artista” pode até levar as dez estatuetas a que está concorrendo, mas isso não significa que será lembrado daqui a alguns anos.


Cotação:

Nota: 8,0

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Trilha Sonora Especial


A essa altura, o mundo inteiro já está sabendo da morte da talentosíssima cantora Withney Houston, aos 48 anos, mais uma que se vai cedo demais em virtude das drogas (o ano passado tivemos Amy Winehouse, mais jovem ainda). Em virtude delas, sua carreira entrou em decadência até chegar ao ponto final na noite de ontem. Para qualquer pessoa minimamente interessada em cinema, é inevitável não relacionar sua imagem com a do filme "O Guarda-Costas" (The Bodyguard, 1992), no qual a diva foi protagonista ao lado do astro Kevin Costner. O filme não é grande coisa (em verdade, é fraquinho mesmo, sendo mais uma veículo para a cantora), mas sem dúvida sua trilha-sonora capitaneada pela canção "I Will Always Love You" marcou época (inclusive tornou-se a trilha mais vendida de todos os tempos). Abaixo, segue o video da sequência final do longa, onde é ouvida a poderosa voz da já saudosa diva. Descanse em paz, Withney!


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

80 anos de François Truffaut

François Truffaut e Alfred Hitchcock, um verdadeiro encontro antológico


Se fosse vivo, François Truffaut, um dos mais amados cineastas de todos os tempos, teria completado, no último dia 06 de fevereiro, 80 anos de vida. Talvez Truffaut seja o símbolo máximo da cinefilia, possivelmente o maior de todos os amantes do cinema, um ex-delinquente de rua que foi literalmente salvo pela arte. Foi pelo seu amor ao cinema que ele passou a frequentar cineclubes (chegando até a praticar furtos para mantê-los) e daí foi parar na lendária revista “Cahiers Du Cinéma”, de onde mais tarde saltaria da condição de crítico brilhante para a de diretor genial. Na referida publicação, ele conheceu outros jovens em ebulição, como um certo Jean-Luc Godard e um tal de Eric Rohmer, o quais, juntos, conceberam uma nova forma de materializar a Sétima Arte que seria chamada de Nouvelle Vague (“Nova Onda”, em francês), baseada no que se convencionou chamar de “Teoria do Autor”. Entretanto, nenhum dos diretores do movimento foi tão querido por público, críticos e cinéfilos quanto Truffaut. Seus filmes, repletos de ternura, batem antes no coração do que na razão e, desta forma, é inevitável se tornar seu fã.

Uma de suas obras mais conhecidas é “Os Incompreendidos” (Le Quatre Cents Coups, 1959), filme que se tornou um símbolo da Nouvelle Vague, obrigatório para qualquer pessoa que queira conhecer o cinema. O melhor cinema, é bom sublinhar. Com forte teor autobiográfico, o longa trata da vida errante do garoto Antoine Doinel, personagem que retornaria à filmografia de Truffaut em outras quatro ocasiões, sempre interpretado pelo mesmo ator, o ícone da Nouvelle Vague Jean-Pierre Léaud. Abaixo, segue a sequência mais lembrada do longa e, por tabela, uma das mais famosas da história da Sétima Arte. A corrida sem rumo de Doinel sinalizava que o cinema estava para desbravar novos caminhos, sem saber ao certo para onde iria, mas com certeza se afastando do antigo e buscando outras maneiras de enxergar a vida e a arte. Era só o início de uma revolução.





Confira também a resenha do "Cinema Com Pimenta" para "Beijos Proibidos" (outro dos longas com Antoine Doinel) clicando aqui.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Histórias Cruzadas


Passado ou presente?


Este é apenas o segundo longa-metragem de Tate Taylor, um ator sem grande destaque que agora acabou obtendo uma abrupta ascensão em Hollywood diante do sucesso que “Histórias Cruzadas” (The Help) obteve nas bilheterias ianques, ultrapassando os 170 milhões de dólares arrecadados. Um ótimo resultado, principalmente diante de seu custo relativamente baixo (US$ 25 milhões). Claro que tal circunstância também se deve ao fato de que o longa é uma adaptação do best-seller “A Resposta”, de Kathryn Stockett, o que, já de imediato, acaba levando o público que gostou da obra literária para a sala de cinema. Por outro lado, não se pode negar que, para um principiante cineasta, o filme se mostra redondo e apto a agradar o grande público, principalmente diante uma temática que é ainda uma ferida aberta na sociedade norte-americana (e em várias outras): o racismo.

A trama essencialmente feminina, com roteiro adaptado para o cinema pelo próprio diretor (1), relata o cotidiano de uma cidade do Mississipi - estado sulista dos mais racistas - no início dos anos 60, período em que o movimento pelos direitos civis, por meio de expoentes como Rosa Parks e, claro, Martin Luther King Jr., ganhava imensa força. A despeito disso, o citado recanto estadunidense ainda vivia um clima de apartheid, meio alheio aos acontecimentos e encontrando pessoas dispostas a transformar em lei costumes discriminatórios como obrigar as empregadas domésticas negras a usarem banheiros apartados dos seus patrões. E são exatamente as empregadas negras o motor da narrativa. Entre elas está Aibileen Clark (Viola Davis, simplesmente excelente), empregada que perdeu o próprio filho e há anos dedica especial atenção às crianças brancas de suas patroas (2). Inteligente e sensível, ela é procurada pela jovem filha da classe média local Eugenia “Skeeter” Phelan (Emma Stone), uma jornalista novata que precisa de sua ajuda para escrever uma coluna sobre tarefas domésticas em um periódico local. No entanto, depois de descobrir que a governanta que praticamente a criou foi demitida por sua mãe após quase 30 anos, Skeeter decide escrever um livro para dar voz às empregadas discriminadas, tentando mostrar desta forma o outro lado da moeda. Assim, ela pede a Aibileen para relatar suas vivências, a qual acaba convencendo sua melhor amiga, Minny Jackson (Octavia Spencer) a também participar da elaboração do livro. Minny, por sua vez, é empregada de Celia Foote (Jessica Chastain), uma mulher recém-casada que é rejeitada no seu círculo social e acredita que isso se deve à sua condição de esposa não prendada, pedindo ajuda à doméstica para ser uma esposa “melhor”. Se estas compõem o lado das “heroínas” das história, da outra ponta temos as vilãs comandadas por Hilly Holbrook (Bryce Dallas-Howard), desprezível mulher que parece passar o tempo elaborando maldades contra as domésticas afro-descendentes.


O grande problema de “Histórias Cruzadas” é justamente essa divisão entre “mocinhas” e “vilãs”, numa estrutura maniqueísta que lembra muito as novelas globais. É impressionante como a personagem de Hilly é unidimensional, jamais demonstrando qualquer traço de humanidade, o que compromete em parte o valor de denúncia histórica a que o longa se propõe. O exagero é tão acentuado que leva o espectador a ser leniente com algumas maldades também nada desprezíveis cometidas contra Hilly, inclusive induzindo-nos a querer justificar algumas atitudes reprováveis das empregadas contra a vilã. Por outro lado, é indubitável a eficácia da película em retratar as humilhações sofridas pela minoria negra antes da garantia dos direitos civis. De banheiros apartados a lugares restritos no transporte público, além de faculdades e escolas distintas de acordo com a raça, inúmeras eram as formas legalizadas de segregação. Uma ferida que não deve ser esquecida para que jamais venha a se repetir.


O sentimento de revolta que impregna a tela se torna ainda maior diante da excelência das atuações, principalmente a de Viola Davis. Impecável como Aibileen, em cada cena é possível sentir as dores de sua personagem, deixando transparecer o seu interior, seus sentimentos de humilhação e revolta, sem jamais extrapolar para a super-atuação. Sua indicação ao Oscar não é por acaso, assim como não é a de Octavia Spencer, mesmo que esta me pareça emular a Whoopi Goldberg de outros tempos, alternando humor e drama nem sempre com a mesma eficácia. Mesmo assim sua presença é forte e, lembrando os prêmios que já levou pelo trabalho (como o Globo de Ouro e o SAG), dificilmente não levará a estatueta da Academia. Jessica Chastain também levou uma indicação pela sua composição estilo Marilyn Monroe para Celia e Emma Stone, como a jornalista Skeeter, se mostra competente em igual medida. Bryce Dallas-Howard aparece caricata, mas aqui o problema é do roteiro, responsável por concebê-la, como já mencionado mais acima, como uma espécie de megera sempre disposta a uma próxima maldade. Aliada ao peso das atuações, temos ainda uma direção de arte impecável na sua reconstituição de época, além de uma edição e ritmo que nos fazem esquecer um pouco a extensa duração do longa (mostrando que Taylor soube fazer o dever de casa mais básico).

Alguns críticos norte-americanos disseram que o filme foi corajoso ao expor um tema complicado para os Estados Unidos. Não vejo assim. Em uma sociedade que se diz livre, tratar dessa chaga não deveria ser um tabu, mas antes de tudo uma obrigação. Seria algo equivalente a considerarmos um “tabu” os cineastas brasileiros remexerem no período negro do governo militar, algo que para nós é tão comum que muitos até já veem o tema como repetido e cansativo. Essa reação da crítica ianque parece denotar que, na verdade, ainda existe de fato muito racismo nos EUA, mesmo que hoje a nação tenha um negro como presidente. Contudo, se essa minha conclusão for verdadeira, o filme de Taylor se mostra, talvez, mais relevante, já que deixaria de apenas se constituir em um registro histórico para tratar também do presente, mesmo que sua tentativa de radiografia passe por um filtro ideológico típico da sociedade estadunidense, notadamente condicionada a simplismos. Um drama racial para americano ver, mas que não deixou de produzir bons resultados cinematográficos.


Cotação:

Nota: 8,5

(1) Foi a escritora que impôs ao estúdio, quando da cessão dos direitos, que o diretor deveria ser Tate Taylor, seu amigo pessoal.

(2) Alguns jornais, como o New York Times e o britânico Daily Mail, denunciaram que a autora Stockett teria se apropriado da história de Abilene Cooper, uma empregada negra que trabalhou para sua família por 12 anos. "Sua família me contratou como empregada doméstica por 12 anos mas então ela roubou minha vida e fez dela um filme de Disney”, disse Abilene ao Daily Mail. Confira no link do jornal (em inglês): http://www.dailymail.co.uk/femail/article-2033369/Her-family-hired-maid-12-years-stole-life-Disney-movie.html

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Atenção! Pense bem antes de comprar um Renault Sandero

Pausa no cinema.

Gostaria de pedir um espaço na cinefilia para comunicar um fato que aconteceu comigo nesta semana que passou. Foi algo bastante grave que me ocorreu enquanto estava indo ao trabalho na última quarta-feira, 01 de fevereiro.

De início, peço que pensem muito antes de comprar o automóvel modelo Sandero, marca Renault. Se você está planejando adquirir um automóvel, ou trocar um velho por um novo, aconselho descartar a mencionada montadora francesa, principalmente o modelo referido. Não estou falando isso de maneira leviana, por simpatia ou antipatia com o carro ou a montadora ou, muito menos, porque esteja recebendo algum benefício, de ordem financeira ou de qualquer outra natureza, para denegrir a imagem da marca, até porque nem tenho poder de influência para tanto. Além disso, quem me conhece, sabe que eu jamais me prestaria a tal papel. Esclareço, ainda, que estas linhas também não se constituem em mais um boato de internet ou lenda urbana que costumamos receber através de “correntes” ou spams. O que aconteceu comigo no último dia 01/02 foi sério, bastante sério.

Eu estava trafegando na BR 101, nas imediações do Shopping Via Direta, aqui em Natal, quando sem mais nem menos a direção do carro parou de responder, girando em falso. Eu simplesmente não tinha mais nenhum controle sobre o veículo. O carro desgovernado saiu da faixa da direita e foi esbarrar na mureta de proteção do lado esquerdo da rodovia. Quero acreditar que foi Deus que me livrou de algo mais grave, pois eu achei, sinceramente, que a minha hora havia chegado. Quando me vi inteiro depois da colisão quase nem acreditei. Detalhe extremamente relevante: o carro tem menos de 1 mês de uso. Retirei o mesmo 0KM da Concessionária no último dia 05 de janeiro (hoje ainda tem menos de 800 km rodados). Há outro dado importante: está acontecendo um recall dos veículos Sandero 2012. Há aproximadamente 10 dias, procurei informações na concessionária se o meu automóvel estava incluído, mas obtive a informação negativa, de que não seria necessária a manutenção no meu caso. Vale dizer que (para verificar a veracidade basta vistar o site da Renault) o recall dizia respeito justamente à troca da caixa da direção hidráulica de veículos Sandero modelo 2012. Na concessionária, quando fizeram uma avaliação superficial das causas, disseram-me que estava faltando um parafuso na coluna da direção e ainda me faltaram com o respeito ao me questionarem se eu não tinha mexido no carro, que até hoje ainda se encontra aguardando uma perícia de um técnico para verificar as causas do acidente, por mais óbvias que elas já sejam. Vou entrar em breve com uma ação de indenização por danos morais contra a montadora Renault, buscando não deixar impune tamanha negligência durante o processo de fabricação dos veículos. Nós consumidores e cidadãos merecemos respeito, principalmente quando nossas vidas estão em jogo.

Faço um pedido a todos: espalhem pela net este fato, pois não quero que outros consumidores corram o risco que corri e nem se sintam lesados como estou me sentindo. Isso foi muito sério! Pensem bem antes de adquirir um carro Renault Sandero modelo 2012. Abraço a todos e agradeço a ajuda!

ATUALIZADO - 07/02/12 - Ontem, recebi uma ligação da própria montadora Renault porque eles descobriram esta postagem no blog. A funcionária que falou comigo disse que seria feito o máximo para que a avaliação técnica fosse realizada ainda ontem e que entraria em contato tão logo fosse efetuada. Hoje ninguém ligou pra mim. Quando entrei em contato novamente com a Assistência, informaram-me que ainda não tem previsão. Ou seja, o desrespeito continua. Ah, e se tem alguém da Renault lendo isso aqui, é melhor fazer algo urgente. Quanto mais o tempo passar, mais a situação da empresa vai piorar.



ATUALIZADO em 01/12/2013:

Fico surpreso que, mesmo após tanto tempo, este post continua sendo visitado e se transformou no recordista de acessos do blog, colocando para trás todo e qualquer post sobre cinema.

Diante da repercussão que a denúncia adquiriu, me sinto no dever de prestar mas informações sobre como terminou a querela com a Renault. Tudo foi resolvido em uma ação que tramitou no Juizado Especial Cível da Zona Sul da Comarca de Natal, tendo a montadora sido condenada ao pagamento de R$ 12.000,00 reais como indenização por danos morais. A sentença já transitou em julgado, bem como a ré pagou a obrigação imposta na sentença condenatória (com atraso, mas pagou).

Percebo que, como diz o provérbio, Deus escreve certo por linhas tortas: a indenização veio justamente no momento em que estou esperando meu primeiro filho que nascerá provavelmente em março. O pequeno Davi já teve assim o seu quarto e enxoval garantidos. :=)

Aliás, o blog anda parado por conta dele: estou na correria para comprar todo o necessário até o seu nascimento! :=)

Grande abraço a todos e obrigado pelo apoio.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Eu Quero Esse Pôster #18


Mais uma vez em busca de artes singulares para a promoção das películas, descobri este poster do artista Jay Ryan para o superclássico "Metrópolis", de Fritz Lang. Criativo e original!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A política do SAG


A premiação do Sindicato de Atores de Holllywood, realizada ontem, teve um sentido político. A predileção de seus integrantes pela produção “Histórias Cruzadas” (The Help), entregando-lhe três prêmios, quais sejam, atriz (Viola Davis), atriz coadjuvante (Octavia Spencer) e elenco, tem o nítido de significado de prestigiar um filme antirracismo. Ainda mais quando nos lembramos que a grande concorrente de Viola, a já mítica Meryl Streep, tem como papel uma das maiores representantes do conservadorismo nas últimas décadas, Margaret Tatcher, uma figura demodé nestes tempos de caos financeiro gerado pelo neoliberalismo e movimentos fermentados pela internet como Occupy Wall Street. Não sei se o filme é merecedor ou não, mas a verdade é que o Oscar deverá seguir a tendência. E Meryl amargará a 15ª derrota (ela só venceu duas vezes, mesmo sendo recordista de indicações).

Já na categoria de melhor ator venceu o francês Jean Dujardin, de “O Artista”. E os Weinstein caminham firmes e fortes para emplacar mais um dos seus longas afilhados na festa da Academia (ele já levou também o prêmio do Sindicato dos Diretores para Michel Hazanavicius). Entretanto, os prêmios dos sindicatos este ano talvez não um indicador tão preciso, já que o vencedor do prêmio de ator coadjuvante, Christopher Plummer, irá concorrer no Oscar com outro veterano, Max Von Sydow, que nem chegou a ser indicado ao SAG, assim como Rooney Mara, de “Os Homens Que Amavam As Mulheres” foi lembrada no Oscar e esquecida no sindicato. As apostas deste ano estão mais difíceis. Está complicado conseguir um ano de cinema grátis...

domingo, 29 de janeiro de 2012

Os Descendentes



Crônica de lágrimas e sorrisos


Alguém já disse que um cineasta sempre está fazendo o mesmo filme (não lembro bem ao certo quem é o autor da máxima, para ser sincero). Há uma certa verdade nessa frase e, no caso de Alexander Payne, diretor deste “Os Descendentes”, ela parece cair como uma luva. Afinal, ao longo de sua carreira, ele mostra ter uma especial predileção por protagonistas que precisam acertar contas com o passado, normalmente marcado por desentendimentos familiares e que a partir de algum fato relevante - uma espécie de “hégira” em suas existências - passam a ter uma perspectiva diferente sobre a vida. Foi assim com o personagem de Jack Nicholson em “As Confissões de Schmidt” (About Schmidt, 2002), onde ele interpreta um sexagenário recém-aposentado e que acaba de perder a esposa de maneira repentina, partindo então para uma viagem ao Nebraska para ajudar no casamento da filha. Procurando colar os retalhos do passado, passa então por uma jornada de autodescoberta.

É quase o mesmo que sucede com Matt King, o personagem vivido pelo astro “cool” George Clooney neste novo trabalho do diretor. No roteiro escrito pelo próprio Payne ao lado de Nat Faxon e Jim Rash (adaptado do livro de Kaui Hart Hemmings), ele também enfrenta situação semelhante ao ver sua esposa entrar em coma após um acidente no mar e posteriormente ser informado pelos médicos que seu estado é irreversível. Pai ausente durante anos, terá de se reinventar para se aproximar das filhas, a ainda criança Scottie (Amara Miller) e a adolescente Alexandra (Shailene Woodley), buscando unir a família para enfrentar este momento difícil. É quando ele descobre algo importante sobre a esposa que lhe trará enorme ressentimento. Além disso, Matt é o representante legal do espólio da realeza havaiana, da qual é um dos descendentes (daí o título da produção), sendo herdeiro, juntamente com uma grande quantidade de primos, de uma vasta porção de terras. Assim, mesmo que só através destas sinopses, vê-se que os dois longas-metragens possuem muito em comum. A diferença entre os dois reside no acabamento. Enquanto o longa de 2002 se mostra bastante oscilante em sua qualidade ao longo de seus 124 minutos, “Os Descendentes” é um filme coeso, mais sólido, que flui perfeitamente sem altos e baixos. O drama, que certamente possuiria um tom pesado e mãos erradas, assume com Payne um tom mais leve, sendo possível até mesmo classificá-lo como uma “dramédia”. Apesar dos momentos difíceis enfrentados por seus personagens, várias são a situações que nos fazem rir. Por sinal, assim como a vida, que não nos reserva situações exclusivas de drama ou comédia para cada uma de suas fases. O cineasta conduz a trama com tanta sutileza que em certos momentos chegamos àquela ótima sensação de esquecer que estamos vendo um filme, tanto por ele fazer questão de ser um diretor “ausente” da narrativa, sem firulas técnicas, quanto pelo envolvimento que o longa consegue obter.


Um dos fatores que contribuem sobremaneira para o apontado clima ameno da narrativa é o fato dela ser ambientada no Havaí, um estado norte-americano estranhamente pouco visto no cinema. Mesmo que logo no início a narração em off do protagonista nos alerte que os habitantes do arquipélago não vivam em eternas férias, como muita gente supõe, tendo os problemas do dia a dia como todo mundo (aliás, como o filme bem demonstra), não se pode negar que as imagens e o clima praiano da região, assim como os costumes de seus moradores, que usam camisas havaianas até em ambientes de trabalho, ajudam a tirar o peso das situações vistas na tela. Até mesmo a trilha sonora possui vibrações havaianas, como que para estabelecer o contraste entre o ambiente paradisíaco e o caos vivido por Matt e sua família. Opções felizes que ajudam bastante o filme a não cair no melodrama barato.

Outro fator que presta uma sensível ajuda para tornar “The Descendants” uma obra acima da média é o elenco afiado e afinado. A jovem Shailene Woodley se mostra como uma atriz extremamente promissora, tamanha a desenvoltura com que age na frente das câmeras. Só pela cena em que ela mergulha na piscina para chorar após saber do pai que sua mãe irá morrer ela já mereceria uma indicação ao Oscar, algo que infelizmente não aconteceu. E impressiona a química estabelecida entre ela e Clooney, os quais nos fazem esquecer de que não são pai e filha fora das telas. Este último, por seu turno, nos entrega aquela que pode ser considerada a melhor atuação de sua carreira, superando em muito o seu bom, mas não excepcional, trabalho em “Amor Sem Escalas” (Up In The Air, 2009), muito embora os dois papeis possuam semelhanças, pois que em ambos os casos seus personagens precisam ajustar contas familiares após uma vida de workaholic. A sequência em que Matt corre de sandálias pela vizinhança, destinada a se tornar clássica, já valeria ao menos uma indicação ao prêmio da Academia, e não será exagero se ele vier a de fato levar o Oscar.

Anteriormente, mencionei que a diferença básica entre os filmes protagonizados por Nicholson e Clooney era o seu acabamento. Em parte, é verdade, pois ambos têm uma trama semelhante em vários aspectos, o que talvez leve o espetador a momentos “déjà vu” durante a projeção. Contudo, seria injusto dizer que “Os Descendentes” é um filme superior apenas por ser mais bem dirigido. Muito embora os dois longas possuam um desfecho impecável (o que já parece ser um especialidade de Payne), o filme de 2011 consegue ser mais abrangente, abordando praticamente todos os temas que constituem o cotidiano de qualquer indivíduo. Estão lá analisadas não apenas a relação entre marido e mulher ou entre pais e filhos, mas também sua relação com a família na qual nasceu, seus problemas profissionais e patrimoniais e até mesmo sua interação com a comunidade na qual está inserido. Uma crônica do dia a dia, repleta dos encontros, despedidas, sorrisos e lágrimas que a vida tem a oferecer.


Cotação:

Nota: 9,0

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Os Indicados ao Oscar 2012


Sinceramente, essa está se mostrando uma das mais esquisitas edições do Oscar em todos os tempos. Parece que para cada prêmio a Academia resolveu aprontar uma surpresa, seja para o bem ou para o mal. Nem os prêmios dos Sindicatos conseguiram antecipar plenamente os concorrentes e, em algumas categorias, há sérias divergências. A mais notável delas é a ausência de "As Aventuras de Tintim" entre os indicados para melhor animação. O filme de Steven Spielberg já vinha sendo tido como barbada diante de sua premiação não apenas no Globo de Ouro, mas também no Sindicato dos Produtores. Uma esquisitice total que me deixou espantado quando vi. Outra surpresa grande é a indicação de Rooney Mara como melhor atriz por "Os Homens Que Não Amavam as Mulheres". Ela não está entre as indicadas para o SAG (Sindicato de Atores) e também me deixou surpreso a sua presença no Oscar. Surpresa boa mesmo foi a presença de "A Separação" entre os indicados a melhor roteiro original, uma boa forma de prestigiar o provável ganhador na categoria de melhor filme estrangeiro.

De qualquer forma, adorei ver Martin Scorsese, Woody Allen e Terrence Malick indicados, no mesmo ano, ao prêmio de melhor diretor. Um sonho cinéfilo, não? Ah, já ia me esquecendo! Muito massa ver Carlinhos Brown e Sergio Mendes concorrendo ao prêmio de melhor canção por "Rio" (que deveria também ter figurado entre os indicados a melhor animação). E com muita chance de vencer, já que são apenas dois indicados. Segue abaixo a lista completa dessa edição que parece que vai ser a mais imprevisível em muito tempo. Os filmes que receberam o maior número de indicações foram "A Invenção de Hugo Cabret" (com 11, imagem acima) e "O Artista" (com 10).



Melhor filme

"O Homem que Mudou o Jogo"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"Os Descendentes"
"Histórias Cruzadas"
"Cavalo de Guerra"
"Meia-Noite em Paris"
"O Artista"
"Tão Forte e Tão Perto"
"Árvore da Vida"

Melhor direção
Woody Allen, "Meia-Noite em Paris"
Michel Hazanavicius, "O Artista""
Alexander Payne, "Os Descendentes"
Martin Scorsese, "A Invenção de Hugo Cabret"
Terrence Malick, "Árvore da Vida"

Melhor ator
Brad Pitt, "O Homem que Mudou o Jogo"
George Clooney, "Os Descendentes"
Jean Dujardin, "O Artista"
Demián Bichir, "A Better Life"
Gary Oldman, "O Espião que Sabia Demais"

Melhor atriz
Meryl Streep, "A Dama de Ferro"
Rooney Mara, "Os Homens que Não Amavam as Mulheres"
Glenn Close, "Albert Nobbs"
Viola Davis, "Histórias Cruzadas"
Michelle Williams, "Sete Dias com Marilyn"

Melhor ator coadjuvante
Kenneth Branagh, "Sete Dias com Marilyn"
Jonah Hill, "O Homem que Mudou o Jogo"
Christopher Plummer, "Toda Forma de Amor"
Nick Nolte, "Guerreiro"
Max von Sydow, "Tão Longe e Tão Perto"

Melhor atriz coadjuvante
Janet McTeer, "Albert Nobbs"
Jessica Chastain, "Histórias Cruzadas"
Octavia Spencer, "Histórias Cruzadas"
Melissa McCarthy, "Missão Madrinha de Casamento"
Bérénice Bejo, "O Artista"

Melhor animação
"Rango"
"Gato de Botas"
"Kung Fu Panda 2"
"Um Gato em Paris"
"Chico & Rita"

Melhor roteiro original
"Meia-Noite em Paris"
"O Artista"
"Missão Madrinha de Casamento"
"A Separação"
"Margin Call - O Dia Antes do Fim"

Melhor roteiro adaptado
"Os Descendentes"
"O Homem que Mudou o Jogo"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"Tudo Pelo Poder"
"O Espião que Sabia Demais"

Melhor filme estrangeiro
"Bullhead" (Bélgica)
"Monsieur Lazhar" (Canadá)
"A Separação" (Irã)
"Footnote" (Israel)
"In Darkness" (Polônia)

Melhor trilha sonora
"As Aventuras de Tintim - O Segredo do Licorne"
"O Artista"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"O Espião que Sabia Demais"
"Cavalo de Guerra"

Melhor canção original
"Man or Muppet", de "Os Muppets"
"Real in Rio", de "Rio"

Melhor edição
"O Artista"
"Os Descendentes"
"Os Homens que Não Amavam as Mulheres"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"O Homem que Mudou o Jogo"

Melhor figurino
"Anônimo"
"O Artista"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"Jane Eyre"
"W.E. - O Romance do Século"

Melhor fotografia
"O Artista"
"Os Homens que Não Amavam as Mulheres"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"Árvore da Vida"
"Cavalo de Guerra"

Melhor maquiagem
"Albert Nobbs"
"Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2"
"A Dama de Ferro"

Melhores efeitos visuais
"Harry Potter e Relíquias da Morte: Parte 2"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"Gigantes de Aço"
"Planeta dos Macacos: A Origem"
"Transformers: O Lado Oculto da Lua"

Melhor direção de arte
"O Artista"
"Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"Meia-Noite em Paris"
"Cavalo de Guerra"

Melhor edição de som
"Drive"
"Os Homens que Não Amavam as Mulheres"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"Transformers: O Lado Oculto da Lua"
"Cavalo de Guerra"

Melhor mixagem de som
"Os Homens que Não Amavam as Mulheres"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"O Homem que Mudou o Jogo"
"Transformers: O Lado Oculto da Lua"
"Cavalo de Guerra"

Melhor curta-metragem de animação
"Dimanche/Sunday"
"The Fantastic Flying Book of Mr. Morris Lessmore"
"La Luna"
"A Morning Stroll"
"Wild Life"

Melhor curta-metragem
"Pentecost"
"Raju"
"The Shore"
"Time Freak"
"Tuba Atlantic"

Melhor curta documentário
"The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement"
"God is the Bigger Elvis"
"Incident in New Baghdad"
"Saving Face"
"The Tsunami and the Cherry Blossom"

domingo, 22 de janeiro de 2012

As Aventuras de Tintim - O Segredo do Licorne



Aquele velho (e ótimo!) gosto de aventura


Durante boa parte de minha vida (até os tempos da faculdade, mais ou menos), fui um consumidor voraz de quadrinhos. No entanto, devo confessar que, até devido a limitações financeiras, acabei muito adstrito às HQs de origem estadunidense, as quais sempre tiveram preços mais acessíveis que as edições de quadrinhos europeus como “Astérix” ou “Tintim”. Com relação ao herói gaulês acabei por ter mais acesso ainda garoto devido a um vizinho e amigo que me emprestava suas edições. Já o jovem jornalista criado em 1929 por Hergé (pseudônimo de Georges Prosper Remi) só se tornou mais familiar mais tarde, quando passei a ganhar meu suado dinheirinho de estagiário. Mas essa foi uma fase em que já estava me desprendendo da Nona Arte para aumentar meu interesse e conhecimento em livros e na Sétima Arte. Ou seja, a verdade é que não me aprofundei muito na obra de Hergé, mesmo que ainda tenha visto eventualmente algumas animações do seu herói na TV Cultura.

Digo isso para informar que talvez eu não seja o melhor conhecedor do personagem para avaliar se a sua adaptação para as telonas realizada por Steven Spielberg, em exibição nos cinemas, é ou não é fiel à obra gráfica do autor belga, até mesmo porque não passei por aquele encantamento infantil frequentemente tão importante para que um personagem more em nossos corações para o resto da vida. Portanto, minhas impressões vão se pautar quase exclusivamente pelo resultado na projeção. O que posso afirmar é que, enquanto cinema, “As Aventuras de Tintim – O Segredo do Licorne” é um exemplar de primeira linha, trazendo-nos um frescor do Spielberg “aventureiro” que ele não havia conseguido recuperar com o seu “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal” (Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull, 2008), o qual resultou apenas mediano, longe da empolgação da trilogia original do Dr. Jones.

É bom mencionar que Spielberg também não foi um fã infantil de Tintim. Ele descobriu o personagem a partir de comentários realizados por críticos à época do lançamento de “Os Caçadores da Arca Perdida” (Raiders of the Lost Ark), em 1981, afirmando que a ação de Indiana Jones tinha semelhanças com o tom aventureiro da HQ belga. O que era verdade, não somente no aspecto da ação, como também no teor colonialista presente em ambas as obras, as quais externam nas entrelinhas aquela visão arrogante tanto de europeus quanto de norte-americanos de que fazem parte do que se denomina “civilização”, o que lhes outorgaria o direito espoliar os “selvagens” de outros continentes (o que inclusive valeu a Hergé acusações de racismo em suas HQs, principalmente levando em consideração suas simpatias fascistas). Bem, de qualquer forma desde então o genial cineasta norte-americano nutria o desejo de realizar uma adaptação para o cinema, mas algo prático acabava impedindo suas intenções. O público ianque, em geral mergulhado no próprio umbigo, não conhece o personagem e isso quase inevitavelmente levaria a um fracasso nas bilheterias. Contudo, nesse meio tempo o mundo e o mercado cinematográfico sofreram significativas alterações. Hoje, o mercado norte-americano está perdendo a importância vital que havia para o sucesso ou fracasso de um filme e o meio internacional está adquirindo uma relevância cada vez maior. Boa parte das produções hollywoodianas hoje se pagam ou dão lucro com o que é arrecadado fora dos EUA e foi esse fator que certamente levou Spielberg, associado com outro mago do cinema atual, Peter Jackson, a acreditar na possibilidade de realizar o filme e ao menos não gerar prejuízos com a empreitada. E as perspectivas se confirmaram: enquanto nos EUA o longa só arrecadou US$ 60 milhões até agora, no mercado internacional a bilheteria já ultrapassou os US$ 350 milhões (foi um grande sucesso na Europa), já praticamente garantindo a continuação (quando Spielberg e Jackson deverão inverter os papeis como produtor e diretor).


A verdade é que o longa-metragem do aventureiro jornalista e do seu fiel escudeiro, o cachorrinho Milu, é mesmo divertidíssima e um espetáculo para os olhos. Desde a sua sequência inicial de créditos (que lembra bastante a de “Prenda-me Se For Capaz”, uma pérola despretensiosa do diretor), o filme impressiona tanto pelo visual como pelo ritmo de ação incessante. Filmado através da técnica de captura de performance que se tornou famosa desde a trilogia “O Senhor dos Anéis”, havia um temor de que as animações resultassem “sem vida”, com aquele vazio nos olhos ocorrido em trabalhos como “O Expresso Polar” (“The Polar Express”, de Robert Zemeckis). Todavia, felizmente não foi o que aconteceu. A técnica evoluiu muito e o resultado é realmente fantástico. Depois de 10 minutos de projeção chegamos a esquecer totalmente que se trata de uma animação, tamanho o realismo visto. A mais, a ideia de se realizar o longa-metragem de forma animada se mostrou feliz para dar vida a uma trama rocambolesca sem perder o espírito lúdico da HQ (o roteiro é do trio Steven Moffat, Edgar Wright e Joe Cornish, o mesmo de “Scott Pillgrim”). Nela, uma mistura das estórias de “O Caranguejo das Tenazes de Ouro” e “O Segredo do Licorne”, Tintim (Jamie Bell) passa a ser perseguido após comprar, em uma feira de antiguidades, uma réplica de um antigo navio que naufragou com um imenso tesouro a bordo. Pego pelo rico colecionador Sakharine (Daniel Craig), é então levado a um navio onde esbarra com o beberrão Capitão Haddock (Andy Serkis, ator que já se tornou especialista na captura de performance), um descendente do antigo capitão do navio afundado e que é o único que pode desvendar o mistério. Juntos, passarão por inúmeras peripécias, contando ainda com o cachorro Milu e a ajuda dos policias Dupont e Dupond (Nick Frost e Simon Pegg).


É sensacional observarmos uma animação guiada pela mão de um dos grandes diretores do cinema contemporâneo. Os ângulos das tomadas; o ritmo intenso, mas sem deixar que isso prejudique o entendimento da trama; as influências de outros cineastas (há uma sequência em uma biblioteca típica de Alfred Hitchcok); os travellings, os cortes inusitados e superposições de imagens... Todas as características que fazem um grande diretor estão presentes nesta aventura, que aparece aqui muito mais moderna que nos quadrinhos. Spielberg parece um pinto no lixo voltando a um território que talvez nenhum outro cineasta tenha dominado tão bem. Ademais, conhecido por suas concessões ao politicamente correto (como a famosa exclusão digital das armas em “E.T. - O Extraterrestre”), o diretor se mostrou ousado ao não suprimir o alcoolismo do Capitão Haddock – tipo muito divertido, por sinal, que sempre me fez lembrar do Mussum dos Trapalhões – e ao permitir que o protagonista use armas de fogo, principalmente se recordarmos que uma animação por si só já possui um forte apelo junto às crianças. Adicione-se a isso um outro destaque técnico. Esta foi a primeira experiência dele com o formato 3D. Eu não sou fã do 3D (como já externei em outras ocasiões), mas confesso que aqui ele realmente fez diferença, gerando uma imersão significativamente maior do que seria no formato tradicional. Ademais, John Williams se mostrou inspirado com a trilha sonora, marcante e sempre muito bem colocada ao longo dos 104 minutos de duração. Destarte, como em 90% das produções do gênero, há alguns aspectos do roteiro que ficam explicados às pressas e a sua conclusão em aberto, que serve de gancho para o futuro segundo episódio, é algo que sempre me incomoda. A quase ausência de personagens femininas(não há uma relevante em toda a narrativa) também foi algo que me incomodou, característica que deixa o longa com uma talvez excessiva cara de “filme de menino”.

Muitos afirmam que, entre os dois quase simultâneos lançamentos de Steven Spielberg, este “As Aventuras de Tintim – O Segredo do Licorne” se mostra bastante superior a “Cavalo de Guerra” (War Horse). Não posso confirmar, pois o filme do equino simplesmente ainda não foi exibido na minha cidade, mas asseguro que a adaptação dos quadrinhos de Hergé se saiu de maneira muito satisfatória, altamente propensa a resgatar a aquele gostinho antigo das aventuras que Spielberg nos entregou há algumas décadas. Se eu fosse um garoto de 10 anos provavelmente teria saído maravilhado da sessão e admito que, ao fim da projeção, voltei um pouco a ser menino, já ávido pela próxima aventura do garoto-jornalista, seu cachorro Milu e o Capitão Haddock.


Cotação:

Nota: 9,0

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Trilha Sonora #21


Nos comentários que teci sobre a bela obra de Nicholas Ray "Johnny Guitar" (leia aqui), mencionei que a película contava com uma ótima canção-título, composta por Victor Young e Peggy Lee. Pois bem, clicando no link abaixo você poderá ouvi-la acessando o blog da amiga Suzane Weck, a qual deixou este escrivinhador muito honrado ao linkar o meu texto como complemento à sua postagem e, mais ainda, ao atender um pedido desprentensioso para que nos oferecesse uma interpretação da canção. O resultado foi nada menos que excelente! Clique abaixo e não deixe de conferir "Johnny Guitar" na belíssima voz de Suzane Weck!

"Johnny Guitar", por Suzane Weck

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O Homem Que Mudou o Jogo



Sobre um “perdedor”


Os Estados Unidos são um país muito peculiar no que diz respeito a esportes. Se o nosso futebol (que eles chamam de “soccer”) é a mais popular modalidade desportiva em 90% do planeta, lá a disputa de popularidade fica entre o futebol americano (football, para eles), o basquete e o beisebol. Excluindo-se o basquete, que também é um jogo bastante popular no Brasil, os demais muitas vezes funcionam como verdadeiros enigmas para nossas mentes acostumadas com o esporte bretão. Esta peculiaridade norte-americana faz com que filmes hollywoodianos que tenham como foco estes jogos “estranhos” terminem por ter uma sintomática rejeição do público brasileiro, o qual acaba “voando” quando o roteiro de tais longas adentram na linguagem específica de cada um deles. Um exemplo recente foi o de “Um Sonho Possível” (The Blind Side), filme que só teve mais apelo em nossas bilheterias devido à premiação da popular Sandra Bullock com o Oscar de melhor atriz. Entretanto, isso não significa que tais filmes sejam ruins. Vários deles são de boa qualidade, necessitando apenas de boa vontade para superar os eventuais obstáculos que surjam para a devida apreciação da trama.

Um filme que deve seguir o mesmo caminho de “Um Sonho Possível” por aqui é este “O Homem Que Mudou o Jogo”, dirigido por Bennett Miller e protagonizado pelo astro Brad Pitt (que também foi seu produtor). A indicação de Pitt ao Oscar de melhor ator por este trabalho é iminente e muitos consideram provável que chegou a sua vez de ser premiado (talvez agora eles estejam em dúvida, já que o ator perdeu o Globo de Ouro) E há ainda uma vantagem deste sobre o filme protagonizado por Bullock: é um longa superior em qualidade, apresentando um protagonista bem mais tridimensional e que, no fundo, termina se revelando o que mais os ianques detestam ser, ou seja, um “perdedor”, termo que lá possui uma acepção bastante pejorativa.

Roteirizado por Steve Zaillian e Aaron Sorkin (este foi o vencedor do Oscar em 2011 por “A Rede Social”), baseados no livro "Moneyball: The Art of Winning an Unfair Game", de Michael Lewis, a trama nos mostra a história real de Billy Beane, o gerente do Oakland Athletics, time de beisebol que está mal das pernas. Além de ir mal na última temporada, o time acabou de perder seu melhor jogador, situação que deixa a diretoria do Oakland, principalmente Beane, contra a parede. É necessário fazer algo urgente para que não se tenha mais um ano de fracassos e as alternativas não são boas diante do escasso orçamento. Em visita a um clube rival para negociação de jogadores, Beane encontra um jovem economista (Jonah Hill, com ótima presença), recém-saído de Yale, que possui ideias inovadoras para a formação de um boa equipe. Através de dados estatísticos, ele defende que não é necessário formar um time com os atletas mais caros para ser campeão. É possível vencer contando apenas com jogadores tidos como medianos, os quais podem ter ótimo rendimento e foram deixados de lado devido a contusões ou idade já considerada avançada. É com este time “barato” que Beane tentará tirar o Oakland das últimas posições e levá-lo à disputa do campeonato.


Para os que acompanham esportes, qualquer deles, será um prato cheio observar como funcionam os seus bastidores. Estão lá as brigas internas, disputas de poder entre os dirigentes e entre estes e os técnicos, além de uma clara exposição de como é árduo o caminho para tentar mudar um sistema já arraigado. Beane tem de enfrentar a descrença dos colegas, da mídia (principalmente diante dos primeiros maus resultados) e a falta de profissionalismo de uma parte dos jogadores. Afinal, alguns deles estão escanteados pelo mercado porque não mantêm o foco na profissão ou são mesmo ruins tecnicamente. Destarte, o que torna “Moneyball” um filme além do meramente mediano é justamente ir além destas questões tão somente esportivas. O foco atribuído pelo diretor Bennet é o homem Billy Beane. Antes de ser gerente esportivo, ele é um ex-jogador frustrado por não ter obtido o sucesso esperado na carreira. Seu sentimento de derrota é ainda maior porque ele deixou de lado uma bolsa na universidade de Stanford para seguir como jogador profissional de imediato. Assim, sua investida no Oakland parece a última chance de obter algum sucesso na vida. Ademais, o longa é feliz em fugir de uma fácil armadilha e não atribuir a Billy um comportamento irretocável. Ansioso por vitórias, ele não hesita em demitir alguns atletas esforçados, mas que não vêm obtendo bom rendimento, mostrando uma faceta cruel do meio desportivo.


Alicerçando a força do personagem está a realmente ótima atuação de Brad Pitt, inegavelmente em um dos melhores momentos de sua carreira, fazendo jus ao menos a uma indicação ao Oscar. Contido e sem arroubos, seu Billy soa inteiramente humano, assim como Jonah Hill, simplesmente roubando a cena em algumas passagens. Não é à toa que ele também está cotadíssimo para uma indicação ao prêmio da Academia, já contando também com uma indicação para o Sindicato de Atores de Hollywood (assim como Pitt). Já Phillip Seymour Hoffman não tem muito a fazer como o técnico que desafia as determinações de Billy no comando do time. Outro aspecto que possui força é a trilha sonora (de Mychael Danna), mas é mesmo importante frisar como o diretor Miller jamais deixa o ritmo cair, sabendo envolver os espectador em uma trama que a princípio poderia parecer hermética e chata.

Mesmo que apele em certas passagens para situações clichê (como lançar a ideia de que Billy faz o que faz para não parecer um derrotado diante da filha), “Moneyball” se sustenta como um drama que vai além de um mero passatempo. A despeito de um teor que à primeira vista se mostra fortemente estadunidense, suas questões vão se mostrando, ao longo da projeção, como universais, possibilitando que qualquer espectador possa se identificar com as situações abordadas. “O Homem Que Mudou O Jogo” não irá mudar sua vida (com perdão do trocadilho), mas surge como uma obra lúcida sobre as superficialidades de uma sociedade que insiste em querer dividir seus integrantes entre “vencedores” e “perdedores”.


Cotação:

Nota: 8,5

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Globo de Ouro: O mais chapa branca de todos os prêmios


Não existe prêmio mais chapa branca que o Globo de Ouro. Os integrantes da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood parecem sempre querer agradar a todos, esforçando-se ao máximo para não deixar ninguém sair de mãos abanando da premiação. Isso ficou nítido ontem, na entrega de sua 69ª edição. Seguem os comentários em pílulas.

1) Eles deram o prêmio de melhor filme em drama para “Os Descendentes” e o de melhor filme em comédia/musical para “O Artista”. Por outro lado, deram a Martin Scorsese, por “A Invenção de Hugo Cabret”, o prêmio de melhor diretor e a Woody Allen, por “Meia-Noite em Paris”, o de melhor roteiro (Allen não foi receber, como de hábito). Ou seja, quiseram deixar todo mundo contente;

2) Dar a Scorsese o prêmio de diretor me pareceu uma saída bastante salomônica: ninguém iria contestar;


3) Também ninguém iria contestar o prêmio de roteiro para “Meia-Noite em Paris”;

4) Inventaram que Michelle Williams tinha trabalhado em uma comédia para poder premiá-la. O próprio Seth Rogen, que anunciou o prêmio, registrou que o filme não era exatamente isso;

5) Isso se deve ao fato de que o prêmio de melhor atriz em drama não poderia deixar de ir para Meryl Streep;



6) Falando em Seth Rogen, uma de suas piadas foi melhor do que todas as que Rick Gervais proferiu;

7) Os melhores momentos da noite ficaram por conta dos atores negros. Octavia Spencer foi muito aplaudida pelo Globo de melhor atriz coadjuvante. Mas o mais emocionante mesmo foi ver Sidney Poitieir, uma lenda viva, entregando o prêmio pela carreira a Morgan Freeman. Sensacional!

8) George Clooney é realmente um queridinho da Associação. Basta um filme tê-lo no elenco para concorrer a alguma coisa;

9) Falando nisso, eu achava que o Brad Pitt ia levar o prêmio de melhor ator em drama;


10) Jean Dujardin, vencedor como melhor ator em comédia por “O Artista”, tem um jeitão meio esquisito;

11) Os Weinstein promovem até bombas como o filme de Madonna;

12) O único prêmio relativo à televisão que me lembro é o de Kate Winslet como melhor atriz em filme ou minissérie para TV. Não me perguntem os outros;

Só terminando: ninguém iria contestar também um prêmio dado a um ator querido como Christopher Plummer (melhor ator coadjuvante). É ou não é um prêmio chapa branca? Segue abaixo a lista dos premiados.

Melhor filme - drama: "Os Descendentes"
Melhor filme - comédia ou musical: "The Artist"
Melhor diretor: Martin Scorsese, "A Invenção de Hugo Cabret"
Melhor ator - drama: George Clooney, "Os Descendentes"
Melhor atriz - drama: Meryl Streep, "A Dama de Ferro"
Melhor ator - comédia ou musical: Jean Dujardin, "The Artist"
Melhor atriz - comédia ou musical: Michelle Williams, "Sete Dias com Marilyn"
Melhor ator coadjuvante: Christopher Plummer, "Toda Forma de Amor"
Melhor atriz coadjuvante: Octavia Spencer, "Histórias Cruzadas"
Melhor roteiro: "Meia-Noite em Paris"
Melhor animação: "As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne"
Melhor canção original: "Masterpiece", de "W.E.- O Romance do Século"
Melhor trilha sonora: "The Artist"
Melhor filme em língua estrangeira: "A Separação" (Irã)

domingo, 15 de janeiro de 2012

A lista de Tarantino


Quentin Tarantino divulgou, por meio de seu site "Tarantino Archives", a sua lista com os melhores e piores de 2011. Pela seleção, já dá para dizer que seu voto no Oscar será para "Meia-Noite em Paris" como melhor filme. Não deixa de ser curioso ver as preferências e antipatias de um dos grandes diretores do cinema contemporâneo. Segue abaixo.

Os Melhores de 2011

1. Meia-Noite em Paris (Midnight In Paris)
2. Planeta dos Macacos: A Origem (Rise Of The Planet Of The Apes)
3. O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball)
4. A Pele Que Habito (La Piel Que Habito)
5. X-Men: Primeira Classe (X-Men: First Class)
6. Jovens Adultos (Young Adult)
7. Ataque ao Prédio (Attack The Block)
8. Red State
9. Warrior
10.The Artist / Nosso Irmão Sem Noção(Our Idiot Brother) - Empatados
11. Os Três Mosqueteiros (The Three Musketeers).

Outros filmes citados por Tarantino, sem ordem de preferência:

50%
Beginners
A Invenção de Hugo Cabret (Hugo)
A Dama de Ferro (The Iron Lady)
Carnage
Besouro Verde (Green Hornet)
Lanterna Verde (Green Lantern)
Capitão América (Captain America)
Os Descendentes (The Descendants)
Sete Dias com Marilyn (My Week With Marilyn)
Velozes e Furiosos 5 (Fast Five)
A Árvore da Vida (The Tree Of Life)
Se Beber, Não Case - Parte II (The Hangover Part II)
Missão: Impossível 4 (Mission Impossible 4)
Um Novo Despertar (The Beaver)
Contágio (Contagion)
The Sitter
Cavalo de Guerra(War Horse)

Prêmio Valeu a Tentativa:

Drive
Hanna
Drive Angry
Gigantes de Aço (Real Steel)

Melhor Diretor

Pedro Almodovar
Bennett Miller
Woody Allen
Jason Reitman
Michel Hazanavicius

Melhor Roteiro Original

Meia-Noite em Paris
Jovens Adultos
Red State
Ataque ao Prédio
Nosso Irmão Sem Noção
Beginners

Melhor Roteiro Adaptado

O Homem que Mudou o Jogo
A Pele Que Habito
Carnage
Planeta dos Macacos: A Origem
Hugo Cabret
X-Men: Primeira Classe

Piores Filmes

Sucker Punch
Potiche (Esposa Troféu)
Miral
Sobrenatural (Insidious)
Rampart
Sob o Domínio do Mal (Straw Dogs)
Atividade Paranormal 3 (Paranormal Activity 3)
Meek’s Cutoff

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Quero Ver Novamente #15


"Perfume de Mulher" (Scent of A Woman, 1992) não é um filme perfeito. Pra começar, trata-se de um remake de um longa italiano de 1974 protagonizado por Vitorio Gassman. Ele tem lá seus momentos piegas, principalmente em seu desfecho, quando o personagem de Frank Slade (Al Pacino) faz um discurso em defesa do estudante Charlie Simms (Chris O'Donnell, sumidaço!). Mas não se pode negar que Slade, um militar reformado e cego, é um dos grandes momentos da carreira de Al Pacino. Não foi por acaso que o personagem lhe rendeu o merecido e aguardado Oscar. É impossível não assistir à cena abaixo, quando ele dança "Por Una Cabeza" (música de Carlos Gardel e Alfredo Le Pera) com uma mulher que acaba de conhecer em um restaurante e não sentir vontade de sair por aí tentando imitar seus passos. Uma cena que merece mesmo o adjetivo de antológica. Sempre um prazer rever.


Scent Of A Woman from Ando on Vimeo.