sábado, 4 de fevereiro de 2012

Atenção! Pense bem antes de comprar um Renault Sandero

Pausa no cinema.

Gostaria de pedir um espaço na cinefilia para comunicar um fato que aconteceu comigo nesta semana que passou. Foi algo bastante grave que me ocorreu enquanto estava indo ao trabalho na última quarta-feira, 01 de fevereiro.

De início, peço que pensem muito antes de comprar o automóvel modelo Sandero, marca Renault. Se você está planejando adquirir um automóvel, ou trocar um velho por um novo, aconselho descartar a mencionada montadora francesa, principalmente o modelo referido. Não estou falando isso de maneira leviana, por simpatia ou antipatia com o carro ou a montadora ou, muito menos, porque esteja recebendo algum benefício, de ordem financeira ou de qualquer outra natureza, para denegrir a imagem da marca, até porque nem tenho poder de influência para tanto. Além disso, quem me conhece, sabe que eu jamais me prestaria a tal papel. Esclareço, ainda, que estas linhas também não se constituem em mais um boato de internet ou lenda urbana que costumamos receber através de “correntes” ou spams. O que aconteceu comigo no último dia 01/02 foi sério, bastante sério.

Eu estava trafegando na BR 101, nas imediações do Shopping Via Direta, aqui em Natal, quando sem mais nem menos a direção do carro parou de responder, girando em falso. Eu simplesmente não tinha mais nenhum controle sobre o veículo. O carro desgovernado saiu da faixa da direita e foi esbarrar na mureta de proteção do lado esquerdo da rodovia. Quero acreditar que foi Deus que me livrou de algo mais grave, pois eu achei, sinceramente, que a minha hora havia chegado. Quando me vi inteiro depois da colisão quase nem acreditei. Detalhe extremamente relevante: o carro tem menos de 1 mês de uso. Retirei o mesmo 0KM da Concessionária no último dia 05 de janeiro (hoje ainda tem menos de 800 km rodados). Há outro dado importante: está acontecendo um recall dos veículos Sandero 2012. Há aproximadamente 10 dias, procurei informações na concessionária se o meu automóvel estava incluído, mas obtive a informação negativa, de que não seria necessária a manutenção no meu caso. Vale dizer que (para verificar a veracidade basta vistar o site da Renault) o recall dizia respeito justamente à troca da caixa da direção hidráulica de veículos Sandero modelo 2012. Na concessionária, quando fizeram uma avaliação superficial das causas, disseram-me que estava faltando um parafuso na coluna da direção e ainda me faltaram com o respeito ao me questionarem se eu não tinha mexido no carro, que até hoje ainda se encontra aguardando uma perícia de um técnico para verificar as causas do acidente, por mais óbvias que elas já sejam. Vou entrar em breve com uma ação de indenização por danos morais contra a montadora Renault, buscando não deixar impune tamanha negligência durante o processo de fabricação dos veículos. Nós consumidores e cidadãos merecemos respeito, principalmente quando nossas vidas estão em jogo.

Faço um pedido a todos: espalhem pela net este fato, pois não quero que outros consumidores corram o risco que corri e nem se sintam lesados como estou me sentindo. Isso foi muito sério! Pensem bem antes de adquirir um carro Renault Sandero modelo 2012. Abraço a todos e agradeço a ajuda!

ATUALIZADO - 07/02/12 - Ontem, recebi uma ligação da própria montadora Renault porque eles descobriram esta postagem no blog. A funcionária que falou comigo disse que seria feito o máximo para que a avaliação técnica fosse realizada ainda ontem e que entraria em contato tão logo fosse efetuada. Hoje ninguém ligou pra mim. Quando entrei em contato novamente com a Assistência, informaram-me que ainda não tem previsão. Ou seja, o desrespeito continua. Ah, e se tem alguém da Renault lendo isso aqui, é melhor fazer algo urgente. Quanto mais o tempo passar, mais a situação da empresa vai piorar.



ATUALIZADO em 01/12/2013:

Fico surpreso que, mesmo após tanto tempo, este post continua sendo visitado e se transformou no recordista de acessos do blog, colocando para trás todo e qualquer post sobre cinema.

Diante da repercussão que a denúncia adquiriu, me sinto no dever de prestar mas informações sobre como terminou a querela com a Renault. Tudo foi resolvido em uma ação que tramitou no Juizado Especial Cível da Zona Sul da Comarca de Natal, tendo a montadora sido condenada ao pagamento de R$ 12.000,00 reais como indenização por danos morais. A sentença já transitou em julgado, bem como a ré pagou a obrigação imposta na sentença condenatória (com atraso, mas pagou).

Percebo que, como diz o provérbio, Deus escreve certo por linhas tortas: a indenização veio justamente no momento em que estou esperando meu primeiro filho que nascerá provavelmente em março. O pequeno Davi já teve assim o seu quarto e enxoval garantidos. :=)

Aliás, o blog anda parado por conta dele: estou na correria para comprar todo o necessário até o seu nascimento! :=)

Grande abraço a todos e obrigado pelo apoio.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Eu Quero Esse Pôster #18


Mais uma vez em busca de artes singulares para a promoção das películas, descobri este poster do artista Jay Ryan para o superclássico "Metrópolis", de Fritz Lang. Criativo e original!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A política do SAG


A premiação do Sindicato de Atores de Holllywood, realizada ontem, teve um sentido político. A predileção de seus integrantes pela produção “Histórias Cruzadas” (The Help), entregando-lhe três prêmios, quais sejam, atriz (Viola Davis), atriz coadjuvante (Octavia Spencer) e elenco, tem o nítido de significado de prestigiar um filme antirracismo. Ainda mais quando nos lembramos que a grande concorrente de Viola, a já mítica Meryl Streep, tem como papel uma das maiores representantes do conservadorismo nas últimas décadas, Margaret Tatcher, uma figura demodé nestes tempos de caos financeiro gerado pelo neoliberalismo e movimentos fermentados pela internet como Occupy Wall Street. Não sei se o filme é merecedor ou não, mas a verdade é que o Oscar deverá seguir a tendência. E Meryl amargará a 15ª derrota (ela só venceu duas vezes, mesmo sendo recordista de indicações).

Já na categoria de melhor ator venceu o francês Jean Dujardin, de “O Artista”. E os Weinstein caminham firmes e fortes para emplacar mais um dos seus longas afilhados na festa da Academia (ele já levou também o prêmio do Sindicato dos Diretores para Michel Hazanavicius). Entretanto, os prêmios dos sindicatos este ano talvez não um indicador tão preciso, já que o vencedor do prêmio de ator coadjuvante, Christopher Plummer, irá concorrer no Oscar com outro veterano, Max Von Sydow, que nem chegou a ser indicado ao SAG, assim como Rooney Mara, de “Os Homens Que Amavam As Mulheres” foi lembrada no Oscar e esquecida no sindicato. As apostas deste ano estão mais difíceis. Está complicado conseguir um ano de cinema grátis...

domingo, 29 de janeiro de 2012

Os Descendentes



Crônica de lágrimas e sorrisos


Alguém já disse que um cineasta sempre está fazendo o mesmo filme (não lembro bem ao certo quem é o autor da máxima, para ser sincero). Há uma certa verdade nessa frase e, no caso de Alexander Payne, diretor deste “Os Descendentes”, ela parece cair como uma luva. Afinal, ao longo de sua carreira, ele mostra ter uma especial predileção por protagonistas que precisam acertar contas com o passado, normalmente marcado por desentendimentos familiares e que a partir de algum fato relevante - uma espécie de “hégira” em suas existências - passam a ter uma perspectiva diferente sobre a vida. Foi assim com o personagem de Jack Nicholson em “As Confissões de Schmidt” (About Schmidt, 2002), onde ele interpreta um sexagenário recém-aposentado e que acaba de perder a esposa de maneira repentina, partindo então para uma viagem ao Nebraska para ajudar no casamento da filha. Procurando colar os retalhos do passado, passa então por uma jornada de autodescoberta.

É quase o mesmo que sucede com Matt King, o personagem vivido pelo astro “cool” George Clooney neste novo trabalho do diretor. No roteiro escrito pelo próprio Payne ao lado de Nat Faxon e Jim Rash (adaptado do livro de Kaui Hart Hemmings), ele também enfrenta situação semelhante ao ver sua esposa entrar em coma após um acidente no mar e posteriormente ser informado pelos médicos que seu estado é irreversível. Pai ausente durante anos, terá de se reinventar para se aproximar das filhas, a ainda criança Scottie (Amara Miller) e a adolescente Alexandra (Shailene Woodley), buscando unir a família para enfrentar este momento difícil. É quando ele descobre algo importante sobre a esposa que lhe trará enorme ressentimento. Além disso, Matt é o representante legal do espólio da realeza havaiana, da qual é um dos descendentes (daí o título da produção), sendo herdeiro, juntamente com uma grande quantidade de primos, de uma vasta porção de terras. Assim, mesmo que só através destas sinopses, vê-se que os dois longas-metragens possuem muito em comum. A diferença entre os dois reside no acabamento. Enquanto o longa de 2002 se mostra bastante oscilante em sua qualidade ao longo de seus 124 minutos, “Os Descendentes” é um filme coeso, mais sólido, que flui perfeitamente sem altos e baixos. O drama, que certamente possuiria um tom pesado e mãos erradas, assume com Payne um tom mais leve, sendo possível até mesmo classificá-lo como uma “dramédia”. Apesar dos momentos difíceis enfrentados por seus personagens, várias são a situações que nos fazem rir. Por sinal, assim como a vida, que não nos reserva situações exclusivas de drama ou comédia para cada uma de suas fases. O cineasta conduz a trama com tanta sutileza que em certos momentos chegamos àquela ótima sensação de esquecer que estamos vendo um filme, tanto por ele fazer questão de ser um diretor “ausente” da narrativa, sem firulas técnicas, quanto pelo envolvimento que o longa consegue obter.


Um dos fatores que contribuem sobremaneira para o apontado clima ameno da narrativa é o fato dela ser ambientada no Havaí, um estado norte-americano estranhamente pouco visto no cinema. Mesmo que logo no início a narração em off do protagonista nos alerte que os habitantes do arquipélago não vivam em eternas férias, como muita gente supõe, tendo os problemas do dia a dia como todo mundo (aliás, como o filme bem demonstra), não se pode negar que as imagens e o clima praiano da região, assim como os costumes de seus moradores, que usam camisas havaianas até em ambientes de trabalho, ajudam a tirar o peso das situações vistas na tela. Até mesmo a trilha sonora possui vibrações havaianas, como que para estabelecer o contraste entre o ambiente paradisíaco e o caos vivido por Matt e sua família. Opções felizes que ajudam bastante o filme a não cair no melodrama barato.

Outro fator que presta uma sensível ajuda para tornar “The Descendants” uma obra acima da média é o elenco afiado e afinado. A jovem Shailene Woodley se mostra como uma atriz extremamente promissora, tamanha a desenvoltura com que age na frente das câmeras. Só pela cena em que ela mergulha na piscina para chorar após saber do pai que sua mãe irá morrer ela já mereceria uma indicação ao Oscar, algo que infelizmente não aconteceu. E impressiona a química estabelecida entre ela e Clooney, os quais nos fazem esquecer de que não são pai e filha fora das telas. Este último, por seu turno, nos entrega aquela que pode ser considerada a melhor atuação de sua carreira, superando em muito o seu bom, mas não excepcional, trabalho em “Amor Sem Escalas” (Up In The Air, 2009), muito embora os dois papeis possuam semelhanças, pois que em ambos os casos seus personagens precisam ajustar contas familiares após uma vida de workaholic. A sequência em que Matt corre de sandálias pela vizinhança, destinada a se tornar clássica, já valeria ao menos uma indicação ao prêmio da Academia, e não será exagero se ele vier a de fato levar o Oscar.

Anteriormente, mencionei que a diferença básica entre os filmes protagonizados por Nicholson e Clooney era o seu acabamento. Em parte, é verdade, pois ambos têm uma trama semelhante em vários aspectos, o que talvez leve o espetador a momentos “déjà vu” durante a projeção. Contudo, seria injusto dizer que “Os Descendentes” é um filme superior apenas por ser mais bem dirigido. Muito embora os dois longas possuam um desfecho impecável (o que já parece ser um especialidade de Payne), o filme de 2011 consegue ser mais abrangente, abordando praticamente todos os temas que constituem o cotidiano de qualquer indivíduo. Estão lá analisadas não apenas a relação entre marido e mulher ou entre pais e filhos, mas também sua relação com a família na qual nasceu, seus problemas profissionais e patrimoniais e até mesmo sua interação com a comunidade na qual está inserido. Uma crônica do dia a dia, repleta dos encontros, despedidas, sorrisos e lágrimas que a vida tem a oferecer.


Cotação:

Nota: 9,0

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Os Indicados ao Oscar 2012


Sinceramente, essa está se mostrando uma das mais esquisitas edições do Oscar em todos os tempos. Parece que para cada prêmio a Academia resolveu aprontar uma surpresa, seja para o bem ou para o mal. Nem os prêmios dos Sindicatos conseguiram antecipar plenamente os concorrentes e, em algumas categorias, há sérias divergências. A mais notável delas é a ausência de "As Aventuras de Tintim" entre os indicados para melhor animação. O filme de Steven Spielberg já vinha sendo tido como barbada diante de sua premiação não apenas no Globo de Ouro, mas também no Sindicato dos Produtores. Uma esquisitice total que me deixou espantado quando vi. Outra surpresa grande é a indicação de Rooney Mara como melhor atriz por "Os Homens Que Não Amavam as Mulheres". Ela não está entre as indicadas para o SAG (Sindicato de Atores) e também me deixou surpreso a sua presença no Oscar. Surpresa boa mesmo foi a presença de "A Separação" entre os indicados a melhor roteiro original, uma boa forma de prestigiar o provável ganhador na categoria de melhor filme estrangeiro.

De qualquer forma, adorei ver Martin Scorsese, Woody Allen e Terrence Malick indicados, no mesmo ano, ao prêmio de melhor diretor. Um sonho cinéfilo, não? Ah, já ia me esquecendo! Muito massa ver Carlinhos Brown e Sergio Mendes concorrendo ao prêmio de melhor canção por "Rio" (que deveria também ter figurado entre os indicados a melhor animação). E com muita chance de vencer, já que são apenas dois indicados. Segue abaixo a lista completa dessa edição que parece que vai ser a mais imprevisível em muito tempo. Os filmes que receberam o maior número de indicações foram "A Invenção de Hugo Cabret" (com 11, imagem acima) e "O Artista" (com 10).



Melhor filme

"O Homem que Mudou o Jogo"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"Os Descendentes"
"Histórias Cruzadas"
"Cavalo de Guerra"
"Meia-Noite em Paris"
"O Artista"
"Tão Forte e Tão Perto"
"Árvore da Vida"

Melhor direção
Woody Allen, "Meia-Noite em Paris"
Michel Hazanavicius, "O Artista""
Alexander Payne, "Os Descendentes"
Martin Scorsese, "A Invenção de Hugo Cabret"
Terrence Malick, "Árvore da Vida"

Melhor ator
Brad Pitt, "O Homem que Mudou o Jogo"
George Clooney, "Os Descendentes"
Jean Dujardin, "O Artista"
Demián Bichir, "A Better Life"
Gary Oldman, "O Espião que Sabia Demais"

Melhor atriz
Meryl Streep, "A Dama de Ferro"
Rooney Mara, "Os Homens que Não Amavam as Mulheres"
Glenn Close, "Albert Nobbs"
Viola Davis, "Histórias Cruzadas"
Michelle Williams, "Sete Dias com Marilyn"

Melhor ator coadjuvante
Kenneth Branagh, "Sete Dias com Marilyn"
Jonah Hill, "O Homem que Mudou o Jogo"
Christopher Plummer, "Toda Forma de Amor"
Nick Nolte, "Guerreiro"
Max von Sydow, "Tão Longe e Tão Perto"

Melhor atriz coadjuvante
Janet McTeer, "Albert Nobbs"
Jessica Chastain, "Histórias Cruzadas"
Octavia Spencer, "Histórias Cruzadas"
Melissa McCarthy, "Missão Madrinha de Casamento"
Bérénice Bejo, "O Artista"

Melhor animação
"Rango"
"Gato de Botas"
"Kung Fu Panda 2"
"Um Gato em Paris"
"Chico & Rita"

Melhor roteiro original
"Meia-Noite em Paris"
"O Artista"
"Missão Madrinha de Casamento"
"A Separação"
"Margin Call - O Dia Antes do Fim"

Melhor roteiro adaptado
"Os Descendentes"
"O Homem que Mudou o Jogo"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"Tudo Pelo Poder"
"O Espião que Sabia Demais"

Melhor filme estrangeiro
"Bullhead" (Bélgica)
"Monsieur Lazhar" (Canadá)
"A Separação" (Irã)
"Footnote" (Israel)
"In Darkness" (Polônia)

Melhor trilha sonora
"As Aventuras de Tintim - O Segredo do Licorne"
"O Artista"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"O Espião que Sabia Demais"
"Cavalo de Guerra"

Melhor canção original
"Man or Muppet", de "Os Muppets"
"Real in Rio", de "Rio"

Melhor edição
"O Artista"
"Os Descendentes"
"Os Homens que Não Amavam as Mulheres"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"O Homem que Mudou o Jogo"

Melhor figurino
"Anônimo"
"O Artista"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"Jane Eyre"
"W.E. - O Romance do Século"

Melhor fotografia
"O Artista"
"Os Homens que Não Amavam as Mulheres"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"Árvore da Vida"
"Cavalo de Guerra"

Melhor maquiagem
"Albert Nobbs"
"Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2"
"A Dama de Ferro"

Melhores efeitos visuais
"Harry Potter e Relíquias da Morte: Parte 2"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"Gigantes de Aço"
"Planeta dos Macacos: A Origem"
"Transformers: O Lado Oculto da Lua"

Melhor direção de arte
"O Artista"
"Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"Meia-Noite em Paris"
"Cavalo de Guerra"

Melhor edição de som
"Drive"
"Os Homens que Não Amavam as Mulheres"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"Transformers: O Lado Oculto da Lua"
"Cavalo de Guerra"

Melhor mixagem de som
"Os Homens que Não Amavam as Mulheres"
"A Invenção de Hugo Cabret"
"O Homem que Mudou o Jogo"
"Transformers: O Lado Oculto da Lua"
"Cavalo de Guerra"

Melhor curta-metragem de animação
"Dimanche/Sunday"
"The Fantastic Flying Book of Mr. Morris Lessmore"
"La Luna"
"A Morning Stroll"
"Wild Life"

Melhor curta-metragem
"Pentecost"
"Raju"
"The Shore"
"Time Freak"
"Tuba Atlantic"

Melhor curta documentário
"The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement"
"God is the Bigger Elvis"
"Incident in New Baghdad"
"Saving Face"
"The Tsunami and the Cherry Blossom"

domingo, 22 de janeiro de 2012

As Aventuras de Tintim - O Segredo do Licorne



Aquele velho (e ótimo!) gosto de aventura


Durante boa parte de minha vida (até os tempos da faculdade, mais ou menos), fui um consumidor voraz de quadrinhos. No entanto, devo confessar que, até devido a limitações financeiras, acabei muito adstrito às HQs de origem estadunidense, as quais sempre tiveram preços mais acessíveis que as edições de quadrinhos europeus como “Astérix” ou “Tintim”. Com relação ao herói gaulês acabei por ter mais acesso ainda garoto devido a um vizinho e amigo que me emprestava suas edições. Já o jovem jornalista criado em 1929 por Hergé (pseudônimo de Georges Prosper Remi) só se tornou mais familiar mais tarde, quando passei a ganhar meu suado dinheirinho de estagiário. Mas essa foi uma fase em que já estava me desprendendo da Nona Arte para aumentar meu interesse e conhecimento em livros e na Sétima Arte. Ou seja, a verdade é que não me aprofundei muito na obra de Hergé, mesmo que ainda tenha visto eventualmente algumas animações do seu herói na TV Cultura.

Digo isso para informar que talvez eu não seja o melhor conhecedor do personagem para avaliar se a sua adaptação para as telonas realizada por Steven Spielberg, em exibição nos cinemas, é ou não é fiel à obra gráfica do autor belga, até mesmo porque não passei por aquele encantamento infantil frequentemente tão importante para que um personagem more em nossos corações para o resto da vida. Portanto, minhas impressões vão se pautar quase exclusivamente pelo resultado na projeção. O que posso afirmar é que, enquanto cinema, “As Aventuras de Tintim – O Segredo do Licorne” é um exemplar de primeira linha, trazendo-nos um frescor do Spielberg “aventureiro” que ele não havia conseguido recuperar com o seu “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal” (Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull, 2008), o qual resultou apenas mediano, longe da empolgação da trilogia original do Dr. Jones.

É bom mencionar que Spielberg também não foi um fã infantil de Tintim. Ele descobriu o personagem a partir de comentários realizados por críticos à época do lançamento de “Os Caçadores da Arca Perdida” (Raiders of the Lost Ark), em 1981, afirmando que a ação de Indiana Jones tinha semelhanças com o tom aventureiro da HQ belga. O que era verdade, não somente no aspecto da ação, como também no teor colonialista presente em ambas as obras, as quais externam nas entrelinhas aquela visão arrogante tanto de europeus quanto de norte-americanos de que fazem parte do que se denomina “civilização”, o que lhes outorgaria o direito espoliar os “selvagens” de outros continentes (o que inclusive valeu a Hergé acusações de racismo em suas HQs, principalmente levando em consideração suas simpatias fascistas). Bem, de qualquer forma desde então o genial cineasta norte-americano nutria o desejo de realizar uma adaptação para o cinema, mas algo prático acabava impedindo suas intenções. O público ianque, em geral mergulhado no próprio umbigo, não conhece o personagem e isso quase inevitavelmente levaria a um fracasso nas bilheterias. Contudo, nesse meio tempo o mundo e o mercado cinematográfico sofreram significativas alterações. Hoje, o mercado norte-americano está perdendo a importância vital que havia para o sucesso ou fracasso de um filme e o meio internacional está adquirindo uma relevância cada vez maior. Boa parte das produções hollywoodianas hoje se pagam ou dão lucro com o que é arrecadado fora dos EUA e foi esse fator que certamente levou Spielberg, associado com outro mago do cinema atual, Peter Jackson, a acreditar na possibilidade de realizar o filme e ao menos não gerar prejuízos com a empreitada. E as perspectivas se confirmaram: enquanto nos EUA o longa só arrecadou US$ 60 milhões até agora, no mercado internacional a bilheteria já ultrapassou os US$ 350 milhões (foi um grande sucesso na Europa), já praticamente garantindo a continuação (quando Spielberg e Jackson deverão inverter os papeis como produtor e diretor).


A verdade é que o longa-metragem do aventureiro jornalista e do seu fiel escudeiro, o cachorrinho Milu, é mesmo divertidíssima e um espetáculo para os olhos. Desde a sua sequência inicial de créditos (que lembra bastante a de “Prenda-me Se For Capaz”, uma pérola despretensiosa do diretor), o filme impressiona tanto pelo visual como pelo ritmo de ação incessante. Filmado através da técnica de captura de performance que se tornou famosa desde a trilogia “O Senhor dos Anéis”, havia um temor de que as animações resultassem “sem vida”, com aquele vazio nos olhos ocorrido em trabalhos como “O Expresso Polar” (“The Polar Express”, de Robert Zemeckis). Todavia, felizmente não foi o que aconteceu. A técnica evoluiu muito e o resultado é realmente fantástico. Depois de 10 minutos de projeção chegamos a esquecer totalmente que se trata de uma animação, tamanho o realismo visto. A mais, a ideia de se realizar o longa-metragem de forma animada se mostrou feliz para dar vida a uma trama rocambolesca sem perder o espírito lúdico da HQ (o roteiro é do trio Steven Moffat, Edgar Wright e Joe Cornish, o mesmo de “Scott Pillgrim”). Nela, uma mistura das estórias de “O Caranguejo das Tenazes de Ouro” e “O Segredo do Licorne”, Tintim (Jamie Bell) passa a ser perseguido após comprar, em uma feira de antiguidades, uma réplica de um antigo navio que naufragou com um imenso tesouro a bordo. Pego pelo rico colecionador Sakharine (Daniel Craig), é então levado a um navio onde esbarra com o beberrão Capitão Haddock (Andy Serkis, ator que já se tornou especialista na captura de performance), um descendente do antigo capitão do navio afundado e que é o único que pode desvendar o mistério. Juntos, passarão por inúmeras peripécias, contando ainda com o cachorro Milu e a ajuda dos policias Dupont e Dupond (Nick Frost e Simon Pegg).


É sensacional observarmos uma animação guiada pela mão de um dos grandes diretores do cinema contemporâneo. Os ângulos das tomadas; o ritmo intenso, mas sem deixar que isso prejudique o entendimento da trama; as influências de outros cineastas (há uma sequência em uma biblioteca típica de Alfred Hitchcok); os travellings, os cortes inusitados e superposições de imagens... Todas as características que fazem um grande diretor estão presentes nesta aventura, que aparece aqui muito mais moderna que nos quadrinhos. Spielberg parece um pinto no lixo voltando a um território que talvez nenhum outro cineasta tenha dominado tão bem. Ademais, conhecido por suas concessões ao politicamente correto (como a famosa exclusão digital das armas em “E.T. - O Extraterrestre”), o diretor se mostrou ousado ao não suprimir o alcoolismo do Capitão Haddock – tipo muito divertido, por sinal, que sempre me fez lembrar do Mussum dos Trapalhões – e ao permitir que o protagonista use armas de fogo, principalmente se recordarmos que uma animação por si só já possui um forte apelo junto às crianças. Adicione-se a isso um outro destaque técnico. Esta foi a primeira experiência dele com o formato 3D. Eu não sou fã do 3D (como já externei em outras ocasiões), mas confesso que aqui ele realmente fez diferença, gerando uma imersão significativamente maior do que seria no formato tradicional. Ademais, John Williams se mostrou inspirado com a trilha sonora, marcante e sempre muito bem colocada ao longo dos 104 minutos de duração. Destarte, como em 90% das produções do gênero, há alguns aspectos do roteiro que ficam explicados às pressas e a sua conclusão em aberto, que serve de gancho para o futuro segundo episódio, é algo que sempre me incomoda. A quase ausência de personagens femininas(não há uma relevante em toda a narrativa) também foi algo que me incomodou, característica que deixa o longa com uma talvez excessiva cara de “filme de menino”.

Muitos afirmam que, entre os dois quase simultâneos lançamentos de Steven Spielberg, este “As Aventuras de Tintim – O Segredo do Licorne” se mostra bastante superior a “Cavalo de Guerra” (War Horse). Não posso confirmar, pois o filme do equino simplesmente ainda não foi exibido na minha cidade, mas asseguro que a adaptação dos quadrinhos de Hergé se saiu de maneira muito satisfatória, altamente propensa a resgatar a aquele gostinho antigo das aventuras que Spielberg nos entregou há algumas décadas. Se eu fosse um garoto de 10 anos provavelmente teria saído maravilhado da sessão e admito que, ao fim da projeção, voltei um pouco a ser menino, já ávido pela próxima aventura do garoto-jornalista, seu cachorro Milu e o Capitão Haddock.


Cotação:

Nota: 9,0

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Trilha Sonora #21


Nos comentários que teci sobre a bela obra de Nicholas Ray "Johnny Guitar" (leia aqui), mencionei que a película contava com uma ótima canção-título, composta por Victor Young e Peggy Lee. Pois bem, clicando no link abaixo você poderá ouvi-la acessando o blog da amiga Suzane Weck, a qual deixou este escrivinhador muito honrado ao linkar o meu texto como complemento à sua postagem e, mais ainda, ao atender um pedido desprentensioso para que nos oferecesse uma interpretação da canção. O resultado foi nada menos que excelente! Clique abaixo e não deixe de conferir "Johnny Guitar" na belíssima voz de Suzane Weck!

"Johnny Guitar", por Suzane Weck

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O Homem Que Mudou o Jogo



Sobre um “perdedor”


Os Estados Unidos são um país muito peculiar no que diz respeito a esportes. Se o nosso futebol (que eles chamam de “soccer”) é a mais popular modalidade desportiva em 90% do planeta, lá a disputa de popularidade fica entre o futebol americano (football, para eles), o basquete e o beisebol. Excluindo-se o basquete, que também é um jogo bastante popular no Brasil, os demais muitas vezes funcionam como verdadeiros enigmas para nossas mentes acostumadas com o esporte bretão. Esta peculiaridade norte-americana faz com que filmes hollywoodianos que tenham como foco estes jogos “estranhos” terminem por ter uma sintomática rejeição do público brasileiro, o qual acaba “voando” quando o roteiro de tais longas adentram na linguagem específica de cada um deles. Um exemplo recente foi o de “Um Sonho Possível” (The Blind Side), filme que só teve mais apelo em nossas bilheterias devido à premiação da popular Sandra Bullock com o Oscar de melhor atriz. Entretanto, isso não significa que tais filmes sejam ruins. Vários deles são de boa qualidade, necessitando apenas de boa vontade para superar os eventuais obstáculos que surjam para a devida apreciação da trama.

Um filme que deve seguir o mesmo caminho de “Um Sonho Possível” por aqui é este “O Homem Que Mudou o Jogo”, dirigido por Bennett Miller e protagonizado pelo astro Brad Pitt (que também foi seu produtor). A indicação de Pitt ao Oscar de melhor ator por este trabalho é iminente e muitos consideram provável que chegou a sua vez de ser premiado (talvez agora eles estejam em dúvida, já que o ator perdeu o Globo de Ouro) E há ainda uma vantagem deste sobre o filme protagonizado por Bullock: é um longa superior em qualidade, apresentando um protagonista bem mais tridimensional e que, no fundo, termina se revelando o que mais os ianques detestam ser, ou seja, um “perdedor”, termo que lá possui uma acepção bastante pejorativa.

Roteirizado por Steve Zaillian e Aaron Sorkin (este foi o vencedor do Oscar em 2011 por “A Rede Social”), baseados no livro "Moneyball: The Art of Winning an Unfair Game", de Michael Lewis, a trama nos mostra a história real de Billy Beane, o gerente do Oakland Athletics, time de beisebol que está mal das pernas. Além de ir mal na última temporada, o time acabou de perder seu melhor jogador, situação que deixa a diretoria do Oakland, principalmente Beane, contra a parede. É necessário fazer algo urgente para que não se tenha mais um ano de fracassos e as alternativas não são boas diante do escasso orçamento. Em visita a um clube rival para negociação de jogadores, Beane encontra um jovem economista (Jonah Hill, com ótima presença), recém-saído de Yale, que possui ideias inovadoras para a formação de um boa equipe. Através de dados estatísticos, ele defende que não é necessário formar um time com os atletas mais caros para ser campeão. É possível vencer contando apenas com jogadores tidos como medianos, os quais podem ter ótimo rendimento e foram deixados de lado devido a contusões ou idade já considerada avançada. É com este time “barato” que Beane tentará tirar o Oakland das últimas posições e levá-lo à disputa do campeonato.


Para os que acompanham esportes, qualquer deles, será um prato cheio observar como funcionam os seus bastidores. Estão lá as brigas internas, disputas de poder entre os dirigentes e entre estes e os técnicos, além de uma clara exposição de como é árduo o caminho para tentar mudar um sistema já arraigado. Beane tem de enfrentar a descrença dos colegas, da mídia (principalmente diante dos primeiros maus resultados) e a falta de profissionalismo de uma parte dos jogadores. Afinal, alguns deles estão escanteados pelo mercado porque não mantêm o foco na profissão ou são mesmo ruins tecnicamente. Destarte, o que torna “Moneyball” um filme além do meramente mediano é justamente ir além destas questões tão somente esportivas. O foco atribuído pelo diretor Bennet é o homem Billy Beane. Antes de ser gerente esportivo, ele é um ex-jogador frustrado por não ter obtido o sucesso esperado na carreira. Seu sentimento de derrota é ainda maior porque ele deixou de lado uma bolsa na universidade de Stanford para seguir como jogador profissional de imediato. Assim, sua investida no Oakland parece a última chance de obter algum sucesso na vida. Ademais, o longa é feliz em fugir de uma fácil armadilha e não atribuir a Billy um comportamento irretocável. Ansioso por vitórias, ele não hesita em demitir alguns atletas esforçados, mas que não vêm obtendo bom rendimento, mostrando uma faceta cruel do meio desportivo.


Alicerçando a força do personagem está a realmente ótima atuação de Brad Pitt, inegavelmente em um dos melhores momentos de sua carreira, fazendo jus ao menos a uma indicação ao Oscar. Contido e sem arroubos, seu Billy soa inteiramente humano, assim como Jonah Hill, simplesmente roubando a cena em algumas passagens. Não é à toa que ele também está cotadíssimo para uma indicação ao prêmio da Academia, já contando também com uma indicação para o Sindicato de Atores de Hollywood (assim como Pitt). Já Phillip Seymour Hoffman não tem muito a fazer como o técnico que desafia as determinações de Billy no comando do time. Outro aspecto que possui força é a trilha sonora (de Mychael Danna), mas é mesmo importante frisar como o diretor Miller jamais deixa o ritmo cair, sabendo envolver os espectador em uma trama que a princípio poderia parecer hermética e chata.

Mesmo que apele em certas passagens para situações clichê (como lançar a ideia de que Billy faz o que faz para não parecer um derrotado diante da filha), “Moneyball” se sustenta como um drama que vai além de um mero passatempo. A despeito de um teor que à primeira vista se mostra fortemente estadunidense, suas questões vão se mostrando, ao longo da projeção, como universais, possibilitando que qualquer espectador possa se identificar com as situações abordadas. “O Homem Que Mudou O Jogo” não irá mudar sua vida (com perdão do trocadilho), mas surge como uma obra lúcida sobre as superficialidades de uma sociedade que insiste em querer dividir seus integrantes entre “vencedores” e “perdedores”.


Cotação:

Nota: 8,5

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Globo de Ouro: O mais chapa branca de todos os prêmios


Não existe prêmio mais chapa branca que o Globo de Ouro. Os integrantes da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood parecem sempre querer agradar a todos, esforçando-se ao máximo para não deixar ninguém sair de mãos abanando da premiação. Isso ficou nítido ontem, na entrega de sua 69ª edição. Seguem os comentários em pílulas.

1) Eles deram o prêmio de melhor filme em drama para “Os Descendentes” e o de melhor filme em comédia/musical para “O Artista”. Por outro lado, deram a Martin Scorsese, por “A Invenção de Hugo Cabret”, o prêmio de melhor diretor e a Woody Allen, por “Meia-Noite em Paris”, o de melhor roteiro (Allen não foi receber, como de hábito). Ou seja, quiseram deixar todo mundo contente;

2) Dar a Scorsese o prêmio de diretor me pareceu uma saída bastante salomônica: ninguém iria contestar;


3) Também ninguém iria contestar o prêmio de roteiro para “Meia-Noite em Paris”;

4) Inventaram que Michelle Williams tinha trabalhado em uma comédia para poder premiá-la. O próprio Seth Rogen, que anunciou o prêmio, registrou que o filme não era exatamente isso;

5) Isso se deve ao fato de que o prêmio de melhor atriz em drama não poderia deixar de ir para Meryl Streep;



6) Falando em Seth Rogen, uma de suas piadas foi melhor do que todas as que Rick Gervais proferiu;

7) Os melhores momentos da noite ficaram por conta dos atores negros. Octavia Spencer foi muito aplaudida pelo Globo de melhor atriz coadjuvante. Mas o mais emocionante mesmo foi ver Sidney Poitieir, uma lenda viva, entregando o prêmio pela carreira a Morgan Freeman. Sensacional!

8) George Clooney é realmente um queridinho da Associação. Basta um filme tê-lo no elenco para concorrer a alguma coisa;

9) Falando nisso, eu achava que o Brad Pitt ia levar o prêmio de melhor ator em drama;


10) Jean Dujardin, vencedor como melhor ator em comédia por “O Artista”, tem um jeitão meio esquisito;

11) Os Weinstein promovem até bombas como o filme de Madonna;

12) O único prêmio relativo à televisão que me lembro é o de Kate Winslet como melhor atriz em filme ou minissérie para TV. Não me perguntem os outros;

Só terminando: ninguém iria contestar também um prêmio dado a um ator querido como Christopher Plummer (melhor ator coadjuvante). É ou não é um prêmio chapa branca? Segue abaixo a lista dos premiados.

Melhor filme - drama: "Os Descendentes"
Melhor filme - comédia ou musical: "The Artist"
Melhor diretor: Martin Scorsese, "A Invenção de Hugo Cabret"
Melhor ator - drama: George Clooney, "Os Descendentes"
Melhor atriz - drama: Meryl Streep, "A Dama de Ferro"
Melhor ator - comédia ou musical: Jean Dujardin, "The Artist"
Melhor atriz - comédia ou musical: Michelle Williams, "Sete Dias com Marilyn"
Melhor ator coadjuvante: Christopher Plummer, "Toda Forma de Amor"
Melhor atriz coadjuvante: Octavia Spencer, "Histórias Cruzadas"
Melhor roteiro: "Meia-Noite em Paris"
Melhor animação: "As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne"
Melhor canção original: "Masterpiece", de "W.E.- O Romance do Século"
Melhor trilha sonora: "The Artist"
Melhor filme em língua estrangeira: "A Separação" (Irã)

domingo, 15 de janeiro de 2012

A lista de Tarantino


Quentin Tarantino divulgou, por meio de seu site "Tarantino Archives", a sua lista com os melhores e piores de 2011. Pela seleção, já dá para dizer que seu voto no Oscar será para "Meia-Noite em Paris" como melhor filme. Não deixa de ser curioso ver as preferências e antipatias de um dos grandes diretores do cinema contemporâneo. Segue abaixo.

Os Melhores de 2011

1. Meia-Noite em Paris (Midnight In Paris)
2. Planeta dos Macacos: A Origem (Rise Of The Planet Of The Apes)
3. O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball)
4. A Pele Que Habito (La Piel Que Habito)
5. X-Men: Primeira Classe (X-Men: First Class)
6. Jovens Adultos (Young Adult)
7. Ataque ao Prédio (Attack The Block)
8. Red State
9. Warrior
10.The Artist / Nosso Irmão Sem Noção(Our Idiot Brother) - Empatados
11. Os Três Mosqueteiros (The Three Musketeers).

Outros filmes citados por Tarantino, sem ordem de preferência:

50%
Beginners
A Invenção de Hugo Cabret (Hugo)
A Dama de Ferro (The Iron Lady)
Carnage
Besouro Verde (Green Hornet)
Lanterna Verde (Green Lantern)
Capitão América (Captain America)
Os Descendentes (The Descendants)
Sete Dias com Marilyn (My Week With Marilyn)
Velozes e Furiosos 5 (Fast Five)
A Árvore da Vida (The Tree Of Life)
Se Beber, Não Case - Parte II (The Hangover Part II)
Missão: Impossível 4 (Mission Impossible 4)
Um Novo Despertar (The Beaver)
Contágio (Contagion)
The Sitter
Cavalo de Guerra(War Horse)

Prêmio Valeu a Tentativa:

Drive
Hanna
Drive Angry
Gigantes de Aço (Real Steel)

Melhor Diretor

Pedro Almodovar
Bennett Miller
Woody Allen
Jason Reitman
Michel Hazanavicius

Melhor Roteiro Original

Meia-Noite em Paris
Jovens Adultos
Red State
Ataque ao Prédio
Nosso Irmão Sem Noção
Beginners

Melhor Roteiro Adaptado

O Homem que Mudou o Jogo
A Pele Que Habito
Carnage
Planeta dos Macacos: A Origem
Hugo Cabret
X-Men: Primeira Classe

Piores Filmes

Sucker Punch
Potiche (Esposa Troféu)
Miral
Sobrenatural (Insidious)
Rampart
Sob o Domínio do Mal (Straw Dogs)
Atividade Paranormal 3 (Paranormal Activity 3)
Meek’s Cutoff

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Quero Ver Novamente #15


"Perfume de Mulher" (Scent of A Woman, 1992) não é um filme perfeito. Pra começar, trata-se de um remake de um longa italiano de 1974 protagonizado por Vitorio Gassman. Ele tem lá seus momentos piegas, principalmente em seu desfecho, quando o personagem de Frank Slade (Al Pacino) faz um discurso em defesa do estudante Charlie Simms (Chris O'Donnell, sumidaço!). Mas não se pode negar que Slade, um militar reformado e cego, é um dos grandes momentos da carreira de Al Pacino. Não foi por acaso que o personagem lhe rendeu o merecido e aguardado Oscar. É impossível não assistir à cena abaixo, quando ele dança "Por Una Cabeza" (música de Carlos Gardel e Alfredo Le Pera) com uma mulher que acaba de conhecer em um restaurante e não sentir vontade de sair por aí tentando imitar seus passos. Uma cena que merece mesmo o adjetivo de antológica. Sempre um prazer rever.


Scent Of A Woman from Ando on Vimeo.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Restaurando a Película




Neste Mundo e No Outro
(A Matter Of Life And Death, 1946)


De Wim Wenders ao Led Zeppelin


É possível que “Neste Mundo e No Outro” (A Matter Of Life And Death), filme da famosa dupla de cineastas Michael Powell e Emeric Pressburger, seja uma das mais excêntricas produções de todos os tempos. Tivesse sido realizado na década de 60, diria que era um fruto de viagens lisérgicas de seus mentores, pois que algumas de suas concepções visuais, como uma longa escadaria para o céu, parecem tão abstratas e, ao mesmo tempo, lúdicas e inteligentes que acabam guardando mais relação com uma animação como “Yellow Submarine”, dos Beatles, do que com a grande maioria das películas dos anos 40, ainda mais ao lembrarmos do seu poderoso Technicolor. Não acredito que seja por acaso que o Led Zeppelin tomou emprestado o título norte-americano do longa (1), “Stairway To Heaven”, para batizar uma de suas mais famosas canções.

Contudo, há um parentesco próximo entre a produção britânica e uma outra estadunidense, o clássico absoluto “A Felicidade Não Se Compra” (It's A Wonderful Life). Ambos tratam da nossa efemeridade terrena e de como devemos aproveitar da melhor forma o tempo em que estamos aqui, passeando por concepções do além-vida que atribuem a este interferência direta nas ações e realidades humanas. As semelhanças se tornam ainda mais assombrosas quando observamos que tanto o filme da dupla Powell/Pressburger quanto o do mestre Frank Capra foram lançados comercialmente no mesmo ano, 1946, sendo, portanto, possível afirmar que não houve influência de um sobre o outro. Por outro lado, se na estória do George Bailey de James Stewart o foco da narrativa se concentra na tradução de um otimismo que se fazia importante naquele momento de pós-guerra, em “Neste Mundo e No Outro” existe um subtexto político que acaba turvando o seu lado mais humano. Tal vertente se deve em boa parte ao fato de que o longa foi engendrado como uma espécie de peça de propaganda política em defesa das boas relações entre EUA e Inglaterra, as quais andaram meio estremecidas após o fim do conflito mundial. A verdade é que esse teor sociopolítico acaba por diminuir o apelo emotivo que a narrativa poderia apresentar e chega a tornar aborrecido o seu terço final.


Na trama, Peter Carter (David Niven) é um oficial da Força Aérea Britânica que tem o seu avião avariado e, antes de sua queda, estabelece contato via rádio com a controladora de voo June (Kim Hunter). Mesmo que tenham conversado pouco tempo, os dois acabam estabelecendo uma imediata e forte conexão. Peter, estranhamente, mesmo tendo saltado da aeronave sem paraquedas, acaba sobrevivendo e encontrando June. Os dois se apaixonam, mas, no Paraíso, descobre-se que a sua sobrevivência se deveu a um erro burocrático do Condutor 71 (Marius Goring), sendo este então incumbido de retificar a falha e levar Peter para o lugar onde deveria estar. Entretanto, diante de sua paixão, este se recusa terminantemente e apela para um tribunal celestial para que possa ter uma segunda chance e permanecer na Terra. É relevante frisar que, para o entendimento correto do enredo, faz-se necessário observar a frase que surge na tela logo após os créditos iniciais: “esta é a estória de dois mundos, um que conhecemos e outro que existe apenas na mente de um jovem aviador cuja vida e imaginação têm sido violentamente moldadas pela guerra.” Ou seja, ocorre a sugestão de que a trama celestial na tela é a representação que a imaginação de Peter faz do momento de vida ou morte pelo qual está passando, já que terá de se submeter a uma neurocirurgia para continuar vivendo.

As linhas divisórias entre fantasia e realidade, todavia, jamais ficam definidas e nós mesmos, ao longo da narrativa, sentimos dúvidas se o que está se passando é verídico ou imaginário. Um grande mérito do roteiro, em sua maior parte extremamente inventivo e bem escrito, embora o romance quase instantâneo dos casal protagonista pareça pouco verossímil, principalmente diante dos tempos cínicos de hoje. Não se pode negar, no entanto, que o filme funciona muito bem como uma comédia romântica atípica e também como uma fábula a respeito da impotência humana diante do acaso e da morte. A direção de Powell, ademais, é fabulosa, inovadora em diversos aspectos, tanto que, nos primeiros minutos, nem lembramos que estamos assistindo a um filme da década de 40, tamanhos o apuro da fotografia e direção de arte. Algumas de suas ideias, como o uso do Technicolor nas cenas do mundo terreno e do preto e branco para caracterizar o plano etéreo, seriam uma grande influência até para cineastas como Wim Wenders, na sua fotografia para “Asas do Desejo” (Der Himmel Über Berlin, 1987). O uso de imagens “congeladas” também dá um ar de frescor à película, surgindo aqui, curiosamente, como mais um ponto em comum com o supracitado longa-metragem de Frank Capra.


Mas é mesmo quando parte para o lado de “filme de tribunal” que a dupla de cineastas anglo-húngara perdeu a mão, querendo realizar uma espécie de ensaio sobre as velhas rusgas entre a colônia americana e a metrópole inglesa, algo que pode ter soado relevante para o seu o tempo, mas que hoje, como já frisado mais acima, possui um certo sabor anacrônico, tornando as sequências do julgamento um tanto cansativas. Alguns podem fazer a defesa de que temas como a xenofobia, ainda perfeitamente atuais, possuem seu espaço no texto. É verdade, mas a inclusão destes temas de forma tão verborrágica não foi uma ideia feliz dos diretores-roteiristas, pois que o recurso acaba tirando muito da força dramática do desfecho. Além disso, procurar criticar xenofobia apelando para estereótipos, como o do Condutor 71, mostrado como um francês afetado, é no mínimo um grande equívoco. Outro problema é o elenco. David Niven sempre foi um canastrão e Kim Hunter também nunca foi lá muito convincente como estrela de uma produção, o que acaba enfraquecendo o apelo do casal junto ao público (neste aspecto, termina perdendo feio para James Stewart e Donna Reed, brilhantes em “It,s A Wonderful Life”).

Destarte, apesar destes percalços, “Neste Mundo e No Outro” demonstra boa parte do talento de Powell & Pressburger (os quais estão entre os cineastas preferidos de Martin Scorsese, por exemplo), autores inovadores que ajudaram muito o cinema britânico a alcançar um lugar de destaque na produção mundial, já que até então este não possuía o apelo popular de Hollywood e nem tinha reconhecido o apuro artístico do cinema europeu continental (mormente o francês e o alemão). O longa foi bem-sucedido nas bilheterias e pavimentou caminho para sucessos ainda maiores que viriam em seguida, como “Os Sapatinhos Vermelhos” (The Red Shoes, 1948) e “Narciso Negro” (Black Narcissus, 1947). Mesmo não constituindo uma obra-prima como estes, “A Matter Of Life And Death” é uma película que merece ser conhecida pelos cinéfilos de hoje, tanto por ser uma fantasia peculiar, como por seus aspectos imagéticos inventivos e atemporais. O Led Zeppelin que o diga.


Cotação:

Nota: 8,5


(1) O filme ganhou esse título nos EUA por pressão dos executivos norte-americanos. Eles achavam que a palavra “death” do título original faria o filme naufragar nas bilheterias por lá.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Termômetros do Oscar


Esta semana, tivemos a divulgação dos indicados de dois prêmios que são importantíssimos termômetros para o Oscar. O Sindicato do Produtores de Hollywood (Producers Guild Of America) divulgou sua lista e, quase inevitavelmente, serão estes os indicados ao Oscar de melhor filme, documentário e animação. Embora seja possível, dificilmente haverá alguma alteração. Veja a lista abaixo. Os vencedores serão anunciados dia 21 deste mês.

Melhor filme

The Artist
Missão Madrinha de Casamento (hein????)
Os Descendentes
Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
Histórias Cruzadas
Hugo
Tudo pelo Poder
Meia-Noite em Paris
Moneyball - O Homem que Mudou o Jogo
Cavalo de Guerra


Melhor longa animado

As Aventuras de Tintim
Carros 2
Kung Fu Panda 2
Gato de Botas
Rango

Melhor documentário

Beats, Rhymes & Life: The Travels of A Tribe Called Quest
Bill Cunningham New York
Project Nim
Senna (Que legal o "Senna" aqui!)
The Union


E também tivemos a lista de indicados para os prêmios de melhor roteiro (original e adaptado) pelo Sindicato dos Roteiristas (Writers Guild). Neste caso, talvez o termômetro não seja tão bom, pois há diferenças nos critérios do Sindicato e da Academia de Hollywood. Mas não deixa de ser um indicador importante. Observe que na categoria de roteiro original, há uma predominância de comédia (tomara que dê Woody Allen!). Veja a lista.

Melhor Roteiro Original

50% (de Will Reiser)
Missão Madrinha de Casamento (de Annie Mumolo e Kristen Wiig)
Meia Noite em Paris (de Woody Allen)
Ganhar ou Ganhar: A Vida é um Jogo (de Tom McCarthy e Joe Tiboni)
Jovens Adultos (de Diablo Cody)

Melhor Roteiro Adaptado

Os Descendentes (de Alexander Payne, Nat Faxon e Jim Rash)
Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres (de Steven Zaillian)
Histórias Cruzadas (de Tate Taylor)
A Invenção de Hugo Cabret (de John Logan)
O Homem que Mudou o Jogo (de Steven Zaillian e Aaron Sorkin).



Por último, gostaria de deixar registrada uma revolta da minha parte. Quem acompanha o blog há tempos, sabe do meu inconformismo com os exibidores de Natal, sempre propensos a deixar o lixo comercial tomar conta das salas. Pois bem, esta semana eles se superaram. "Cavalo de Guerra", um dos possíveis indicados ao Oscar, não terá sua estreia em Natal neste fim de semana. Às vezes, até dá para entender que um filme como "A Árvore da Vida" não tenha sido exibido por cá, mas o que dizer de um filme Steven Spielberg, o diretor mais famoso do mundo? Enquanto isso, "Alvin e Os Esquilos 3" está lá com suas salas reservadíssimas. Literalmente, essa foi dose pra cavalo...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Filmes Para Ver Antes de Morrer




Johnny Guitar
(Idem, 1954)


O Oeste das mulheres


Não se engane com o título deste longa-metragem de 1954 dirigido por Nicholas Ray, hoje um dos mais cultuados cineastas da Hollywood dos anos 50. O filme não tem como personagem central o pistoleiro-violonista interpretado por Sterling Hayden que chega a um lugarejo esquecido por Deus em que nem mesmo existe ainda uma estação de trem. O centro da narrativa encontra-se em Vienna (a estrela Joan Crawford), ex-namorada de Johnny e agora dona de um misto de saloon e cassino quase entregue às moscas, tendo a esperança de ver os negócios melhorarem com a possível chegada da ferrovia. Para se manter estabelecida na localidade, contudo, ela tem de enfrentar a oposição de Emma Small (Mercedes McCambridge), uma fazendeira manda-chuva cheia de ódio e ressentimento porque o homem que ama, Dancin' Kid (Scott Brady), não retribui seu sentimento e é, em verdade, apaixonado por Vienna. Enquanto esta é admirada e desejada pelos homens da cidade, Emma sente-se a rejeitada e nutre desejos de vingança. Vienna então contrata o antigo amor, Johnny “Guitar” Logan, para ajudá-la a enfrentar os obstáculos que surgirão para continuar com seu empreendimento.

Vê-se, já de antemão, que esta é uma obra bastante passional, em que as ações dos personagens são norteadas por amores e ciúmes, uma espécie de western-romance-tragédia singular e talvez nunca repetido na história da Sétima Arte. Não por acaso, era um dos filmes preferidos de François Truffaut e Ray foi um dos cineastas mais amados pelos nomes da Nouvelle Vague. E não impunemente. Afinal, uma das medidas do talento e da genialidade de um artista é a capacidade que tem a sua obra de manter-se atual mesmo depois de décadas de sua confecção. No caso, “Johnny Guitar” não somente se manteve atual como também esteve mesmo à frente do seu tempo, apresentando um modelo de comportamento feminino que só iria se tornar mais comum umas três décadas depois. Tanto Vienna quanto Emma são mulheres fortes e independentes ao redor das quais giram os tipos masculinos da narrativa, os quais parecem estar ali apenas para servi-las. A diferença entre as duas está no bom coração da primeira. Ou seja, o filme não envelheceu absolutamente nada. Pelo contrário, é até mais verossímil hoje do que quando do seu lançamento. Por outro lado, além desse seu lado “feminista”, digamos assim, há um subtexto político anti-Macarthismo presente na trama, mormente por meio do personagem de Turkey (Ben Cooper) que é obrigado à delação diante de uma verdadeira caça às bruxas promovida por Emma e asseclas. Situação similar foi vivida realmente pelo ator Hayden diante do malfadado comitê de atividades anti-americanas que aterrorizava artistas e intelectuais à época.


Outro aspecto marcante da película são os seus diálogos (aliás, uma constante nas obras de Ray), que atingem os personagens e os espetadores de maneira bem mais certeira que os tiros dos rifles e revólveres. Várias são as frases antológicas do longa, como a de que “um homem precisa apenas de um bom cigarro e um copo de café” ou “depois do incêndio costumam restar somente as cinzas” (proferida por Vienna ao se reportar ao seu antigo amor por Johnny). Escrito por Philip Yordan baseado no romance de Roy Chanslor - e com a participação não creditada de Ben Maddow, que fazia parte da lista negra do FBI (reforçando a perspectiva de crítica à perseguição dos comunistas) - o roteiro realmente é ímpar e capaz de levar os espectadores a passar horas apenas apreciando o brilhante jogo de palavras (como hoje muitos costumam fazer com os filmes de Quentin Tarantino). É claro que para o texto fluir de maneira eficiente é necessário um elenco competente e é isso que se vê na tela. Nem parece que ocorreram tantos atritos nos bastidores da filmagens, uma vez que Crawford e McCambridge também não se davam bem na vida real e tal circunstância fez com que elas se evitassem ao máximo nas gravações. Pensando bem, talvez seja até por essa antipatia mútua que tenha resultado uma rivalidade tão verossímil na projeção, com as duas atrizes entregando ótimas interpretações.


Outra vertente em que Ray subverte o gênero é na utilização das cores. Normalmente, o Western privilegia as paisagens como foco da fotografia, destacando a imensidão da natureza frente à insignificância dos homens como forma de acentuar ainda mais a coragem e persistência destes (John Ford foi um mestre nesse quesito). Aqui, entretanto, Ray, usando da tecnologia denominada Trucolor (que dava mais destaque ao colorido na captação das imagens), privilegiou as cores dos figurinos, geralmente fortes e contrastantes, os quais, em boa medida, traduzem os sentimentos dos personagens. Memorável a cena em que Emma e seu grupo, todos trajando preto, invadem o saloon como abutres procurando uma presa e encontram Vienna com um vestido inteiramente branco em contraste com a parede rochosa e vermelha ao fundo. Uma cena de acabamento barroco belíssima e memorável. Além disso, Ray privilegia aqui os cenários interiores, com longas sequências se passando em ambientes fechados – logo nos primeiros momentos, inclusive, temos uma bastante extensa (mas jamais cansativa) em que somos apresentados a todos os personagens e tomamos pé das situações, em um verdadeiro show de concisão e clareza de roteiro e edição.

Realizado com orçamento limitado pelos estúdios Republic (que iriam à falência 4 anos depois), “Johnny Guitar” revela-se um dos faroestes mais atípicos já filmados, tanto na forma como no conteúdo, estando bastante à frente do seu tempo, como já salientado, o que inevitavelmente já o coloca entre os melhores representantes do gênero. Seu resultado é tão belo quanto sua canção tema, composta por Victor Young e Peggy Lee (esta também intérprete), música que põe a cereja no bolo desta obra impecável do fantástico Nicholas Ray, um diretor que hoje costuma ser muito lembrado por seu trabalho em“Juventude Transviada” (Rebel Without a Cause, 1955). Eu, particularmente, considero este western não tão famoso até superior ao drama protagonizado pelo mítico James Dean, longa que hoje me parece um pouco datado. “Johnny Guitar”, inversamente, com suas mulheres fortes e homens apaixonados, parece ter sido feito ontem.


Cotação e nota: Obra-prima.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Missão Impossível - Protocolo Fantasma


Vale o ingresso e a pipoca


Esta produção marca a migração do diretor Brad Bird, de animações como “Os Incríveis” e “Ratatouille”, para o mundo live-action e a verdade é que acabou sendo bem-sucedida, muito embora inegavelmente ainda tenha vários aspectos a melhorar. Talvez o mais importante deles seja o cuidado com o desenvolvimento do roteiro (escrito por André Nemec e Josh Appelbaum) um tanto esfarrapado, com um vilão mal trabalhado e cheio de situações forçadas para gerar sequências de ação. E aqui apontamos o ponto mais positivo do longa-metragem: estas sequências aventureiras são realmente de tirar o fôlego do espectador, compensando em muito o preço do ingresso para a sala escura.

Na trama, Ethan Hunt (Tom Cruise, também produtor e parecendo que saiu de um tanque de formol) acaba de concluir uma missão onde esteve enclausurado em um presídio russo para já engatar uma outra aventura: roubar códigos de ativação de armas nucleares escondidos a sete chaves no Kremlin para evitar que os mesmos caiam nas mão de um terrorista que pretende causar uma hecatombe nuclear. Todavia, a empreitada acaba mal para os agentes da IMF (Impossible Missions Force), a qual acaba sendo vista pelo governo americano como responsável por uma enorme explosão em Moscou (uma das cenas mais marcantes do longa, diga-se de passagem). É então que é colocado em prática o tal “protocolo fantasma” do título, desativando a força especial e desautorizando todas as suas ações, fazendo com que Ethan e seus companheiros Benji (Simon Pegg, divertidíssimo), Jane (Paula Patton) e Brandt (Jeremy Renner) tenham de agir por conta própria e com poucos recursos para tentar salvar o mundo da guerra nuclear definitiva.

Talvez a maior inovação que Bird inseriu na franquia seja o leve tom cômico que estava ausente nos outros episódios. E isso sem exageros, sabendo brincar com as próprias nuances e características da série (como a mensagem que explode depois de alguns segundos), mas sem cair no ridículo. Além disso, pegou do terceiro título a humanização dos personagens, os quais têm uma vida que vai além da espionagem. Há uma ligação muito importante entre Ethan e Brandt que diz respeito à esposa do primeiro (interpretada no terceiro filme por Michelle Monaghan) e mais não digo para não revelar demais para quem ainda não assistiu. É bom salientar ainda, nessa linha, que Bird e os roteiristas evitaram o romance fácil que poderia surgir entre Ethan e Jane, fugindo assim de um dos grandes clichês dos filmes de ação. Não se pode negar, ademais, que a química estabelecida entre os quatro integrantes do grupo foi a melhor dentre todos os episódios e acredito até que ela será repetida em futuras edições, muito embora a performance dos atores seja oscilante, principalmente Paula Patton, bastante canastrona em diversos momentos, a despeito de sua beleza. Nesse aspecto, vale dizer que Cruise faz o Ethan de sempre (mas agora com menos sorrisos colgate) e é impressionante notar como ele se mantém jovem e atlético mesmo à beira dos 50 anos, dispensando dublês na maioria das cenas de ação. Jeremy Renner tem boa presença e atuação correta, mas quem rouba mesmo a cena é o britânico Simon Pegg com o seu Benji, sempre chamando a atenção com as melhores tiradas e frases quase sempre que aparece. Por outro lado, o vilão Hendricks (Michael Nyqvist) é mesmo o grande ponto fraco da trama, com uma caracterização pífia e motivações nada convincentes (um tique negativo da maioria dos filmes de James Bond, por sinal). Ademais, como já salientado mais acima, algumas situações se mostram cheias de furos e percebemos que elas estão ali apenas para gerar sequências agitadas.

Mas estas últimas são mesmo o grande ponto alto do longa. Variando por cenários que vão de Moscou a Dubai, passando de Bombaim a Budapeste, as cenas de ação são extremamente bem dirigidas e impactantes, com edição limpa que permite que entendamos tudo que se vê na tela (Michael Bay, quando você irá aprender essa lição?), valendo destaque para as que se passam em Dubai, principalmente a escalada do edifício Burj Khalifa (o mais alto do mundo) e a tempestade de areia nas ruas da cidade (o que não deve ajudar muito no turismo dela, é bom dizer). Fico imaginando como seria vê-las em uma sala IMAX,já que a tecnologia de filmagem foi apropriada para a exibição nas telas gigantes. Com certeza, resultarão ainda mais espetaculares. Some-se a isso uma trilha sonora competente (de Michael Giacchino) que soube aproveitar muito bem o clássico tema da franquia, além de colocar músicas com nuances apropriadas para cada localidade onde o grupo se encontra.

Embora não se possa considerar este o melhor filme da série (considero o primeiro, de Brian De Palma, ainda superior) e escorregue em alguns clichês do gênero (mesmo evitando outros), "Missão Impossível - Protocolo Fantasma" não deixa muito a desejar e tem tudo para alavancar a combalida carreira do astro Cruise, bastante errática desde que teve alguns “surtos” diante das câmeras de TV. Está indo muito bem de bilheteria, tanto nos EUA quanto internacionalmente, e deverá gerar um já quase inevitável 5º episódio. Também se mostrou muito proveitoso como estreia de Brad Bird na direção de atores, deixando o conforto em que se encontrava com suas ótimas animações. Mesmo que ainda precise evoluir (e é perfeitamente natural) ele já mostrou a que veio, entregando um longa que tem tudo pare agradar o público-pipoca dos fins de semana (eu mesmo consumi um bocado de pipoca durante a sessão). Dentro da atual crise de criatividade de Hollywood, com suas cada vez mais exaustivas continuações e remakes, levar o espectador a roer as unhas e jamais se cansar diante de 2h13min de projeção já é um feito e tanto.

Cotação:

Nota: 8,0

Obs: Este é o último post de 2011. Mais uma vez aproveito para desejar um feliz ano novo para todos! Que seja um ano de muitas realizações! Até 2012!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Os 7 melhores filmes de 2011

Bem, chegamos à última semana de 2011 e o Cinema Com Pimenta apresenta a sua lista (como sempre de 7 itens) com os melhores filmes exibidos no circuito comercial brasileiro no ano. Costumamos sempre dizer que o ano foi fraco, mas acredito que tais afirmações acabam sendo revisadas no futuro. Em outras décadas, tidas como "douradas", a impressão era a mesma. O tempo é o melhor juiz para a arte. Bem, vamos à lista:




Então, é isso. Listas são inúteis, mas não há como deixar de fazê-las. Um feliz 2012 para todos vocês! Grande abraço e até a próxima!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Curtindo o Curta #2


O conto de Charles Dickens "A Christmas Carol" já foi adaptado para a tela várias vezes, como em "Os Fantasmas de Scrooge" (2009), animação em 3D dirigida por Robert Zemeckis. No entanto, a mais antiga lembrança que tenho desta bela estória natalina se deve ao curta de animação "Um Conto de Natal do Mickey" (Mickey's Christmas Carol), realizado pelos estúdios Disney em 1983 e sempre reprisado pela Rede Globo na época em que lembramos o nascimento de Cristo (ao menos no meu tempo de criança era uma atração certa na programação de fim de ano). Nele, Ebenezer Scrooge, o velho ranzinza e mesquinho que não compreende sentimentos como amor e solidariedade, está na pele do Tio Patinhas, enquanto o seu empregado oprimido e mal tratado é vivido por Mickey. Scrooge receberá a visita de três espíritos na noite de Natal que o procurarão mudar a sua visão de mundo. Abaixo, segue o curta (que foi inclusive indicado ao Oscar como melhor curta de animação) dividido em 3 videos (são 25 minutos ao todo). Esta é a forma do "Cinema Com Pimenta" desejar um feliz Natal para todos, repleto de paz e harmonia, mesmo para aqueles que eventualmente não acreditem em Jesus Cristo. Que Deus abençoe a todos!






quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Filmes Para Ver Antes de Morrer


A Estrada da Vida
(La Strada, 1954)

A flor entre as rochas


É difícil falar de um filme como “A Estrada da Vida” (La Strada, 1954), uma das mais queridas obras de um do mais amados diretores do cinema, o genial Federico Fellini. A missão é espinhosa justamente porque muito já foi dito e escrito sobre esta película. O risco de cair no lugar-comum é enorme e creio que acabarei sendo levado a isso, mas não vou me furtar mais uma vez a tentar transmitir a grande admiração que tenho por este filme simples, direto, mas ao mesmo tempo extremamente emocionante. Afinal, é difícil não se sensibilizar com a estória de solidão de Gelsomina (Giulietta Masina, esposa de Fellini) e Zampanò (um soberbo Anthony Quinn), dois artistas mambembes que levam uma vida errante, marcada pela incompreensão mútua em uma relação onde ambos se colocam nos extremos entre a doçura e a brutalidade. O filme também dá início à transição de Fellini do neo-realismo, movimento no qual despontou como roteirista, para um estilo próprio e único que faria a sua reputação mundial.

Zampanò é um tipo de saltimbanco que sobrevive desempenhando um número banal onde quebra uma corrente com a força do seu tórax (ele foi inspirado em um açougueiro brutamontes de Rimini, cidade natal do cineasta). Precisando de uma ajudante, ele compra Gelsomina de uma família miserável, cuja mãe não tem mais de onde tirar o sustento para as filhas mais novas. Porém, Gelsomina ainda é uma criança em espírito e se submete à tal humilhação, mesmo depois que Zampano demonstra todo a sua brutalidade, tratando-a muitas vezes como uma verdadeira escrava ou um objeto. E os dois seguem pelas estradas da Itália, na sua paisagem miserável do pós-guerra, até se juntarem a um circo onde o equilibrista “Il Matto” (Richard Basehart, também ótimo), desperta a atenção de Gelsomina e faz nascer um mal disfarçado ciúme em Zampanò, incapaz de admitir ou mesmo compreender os seus sentimentos para com ela. “Il Matto”, dotado de grande conhecimento da vida por trás de sua faceta de gozador, ao mesmo tempo em que encanta Gelsomina, estimulado-a a ter uma vida livre, debocha o tempo inteiro do comportamento rude e bruto de Zampanò, o que acaba levando este a atitudes que culminarão em uma tragédia que afetará a vida de todos.

É certo que há em “La Strada” muito de road-movie, tanto no aspecto formal quanto substancial. Inteiramente filmado em locações (como era típico dos filmes neo-realistas), o cenário maior do filme, como já mencionado, é a Itália pobre que ainda busca se reerguer do pesadelo da guerra. Ou seja, o longa também pode ser visto como o retrato de um país que ressurge das cinzas, onde os indivíduos tentam sobreviver da forma que conseguem. Todos os personagens do filme parecem, antes de tudo, ser artistas da sobrevivência. Essa visão ganha ainda mais força ao lembrarmos como surgiu a ideia para a realização do longa-metragem, atribuída a Tullio Pinelli (co-escritor do roteiro ao lado de Ennio Flaiano e do próprio Fellini), o qual teria visto uma casal de mambembes empurrando uma espécie de carroça ao longo de uma viagem e pensou em um enredo baseado nessa cena. Mas é óbvio que Fellini não se resumiria tão somente a pintar um painel da Itália do seu tempo. Ele aproveita a oportunidade para questionar o que levam solitários a serem solitários ou se tal circunstância vai muito além do aspecto volitivo. A frágil e terna Gelsomina é uma solitária justamente devido à sua enorme doçura, incapaz de reagir com a dureza que a vida exige em alguns momentos. Sente-se uma inútil, acreditando que Zampanò não gosta dela porque não sabe cozinhar ou fazer algo que o agrade. Este último, por sua vez, reage com tanta brutalidade diante das dificuldades que se tornou incapaz de demonstrar afeto por alguém, acabando por espantar todos à sua volta. Ou seja, A solidão para Gelsomina é uma circunstância imposta pelo mundo e em que vive, enquanto para Zampanò acaba sendo muito mais consequência de sua atitudes.

Personagens tão ricos e complexos exigiriam intérpretes à altura e o que vemos na tela é impressionante. Giulietta Masina torna simplesmente inesquecível sua personagem, mostrando-nos toda a carência da mesma, assim como sua forma particular de entender o mundo. Inspirando-se em Chaplin, ela empresta de Carlitos a sua ternura e trejeitos (mas não a sua esperteza) e é certo que Masina tomou emprestado do cinema mudo a primorosa expressão facial e corporal, dispensando palavras para traduzir os sentimentos da personagem. Sua presença cênica é tão forte e sua incorporação tão profunda que acabou por afetar sua carreira daí em diante (algo como o Jack Torrance de “O Iluminado” para a carreira de Jack Nicholson, que parece ter ficado meio sequelado depois dele, levando seus tiques para outros personagens). Da mesma forma, Anthony Quinn nos brinda com um de seus papeis mais destacados. É muito raro interpretar um tipo como Zampanò sem cair na caricatura, mas ele consegue e, apesar de sua brutalidade, conseguimos sentir pena do mesmo na famosa e triste sequência final. Já Richard Basehart nos entrega uma equilibrista saborosamente maluco, provocador e, por que não, também cheio de sabedoria. A cena em que ele explica a Gelsomina que até uma mera pedrinha tem a sua importância é simplesmente emocionante e memorável, uma peça de arte em estado puro. E, claro, além de interpretações tão marcantes ainda temos a trilha inesquecível do mestre Nino Rotta, tocada ao longo do filme por Gelsomina com seu trompete, uma das mais inspiradas da longa parceria do compositor com o diretor.

Premiado com o Oscar de melhor filme estrangeiro, foi com “A Estrada da Vida” que Fellini adquiriu respeito internacional e, principalmente, começou a operar sua magia, transformando a dura realidade em algo poético, mas sem jamais desdenhar do sofrimento dos seus personagens. Aliás, Federico foi um dos cineastas que mais respeitaram o ser humano, tendo consciência de que o mais rude dos homens também possui uma enorme capacidade de amar. Esta, inclusive, talvez seja a perfeita tradução da narrativa em “La Strada”, a de que o amor pode nascer mesmo nos ambientes mais áridos e dentro dos corações mais duros, como uma flor que nasce entre as rochas.


Cotação e nota: Obra-prima.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Dica de Livro


Se você deseja presentear um cinéfilo neste Natal, uma ótima pedida é o livro "Tudo Sobre Cinema", que tem como organizador o crítico e historiador de cinema Philip Kemp. Embora trate em específico de uma quantidade menor de filmes que o famoso "1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer", traz como diferencial uma análise sobre os diversos movimentos e estilos que nasceram ao longo de mais de 100 anos de história do cinema, com textos sobre a Nouvelle Vague, o Expressionismo Alemão, a Nova Hollywood, cinema soviético, entre outros. Além disso, os filmes analisados contam com quadros detalhados onde são resumidas as cenas mais marcantes, além de uma ampla gama de imagens que vão deixar qualquer aficcionado babando (tem foto até dos irmãos Lumiére). Agradável e didático, contando com a qualidade gráfica sempre impecável da Editora Sextante, "Tudo Sobre Cinema" já pode ser colocado como obrigatório na estante dos amantes da Sétima Arte. Ah, e vale também para o cinéfilo que deseja se auto-presentear. No meu caso, já fui presenteado pela minha noiva. :=) Boa leitura!