segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Vai dar "O Discurso do Rei"!


Com a premiação de ontem à noite do Sindicato de Atores (Screen Actors Guild) não resta dúvida de que "O Discurso do Rei" se transformou no favorito ao Oscar de melhor produção de 2010. O longa levou os prêmios de melhor elenco e ator. A classe dos atores é a mais numerosa entre os votantes da Academia de Hollywood. Adiocione a isto os prêmios que o longa de Tom Hooper já levou do Sindicato dos Produtores e Diretores e fica difícil qualquer outro concorrente derrubá-lo, mesmo que este seja "A Rede Social", de David Fincher. Também já restam certas as estuetas carecas para Colin Firth, Natalie Portman, Christian Bale e Melissa Leo (vencedores do prêmio SAG nas categorias de ator, atriz, ator coadjuvante e atriz coadjuvante, respectivamente). Agora é só aguardar o dia 27 próximo.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Tom Hooper bateu David Fincher





E Tom Hooper, diretor de "O Discurso do Rei", levou o prêmio do Sindicato dos Diretores neste último sábado 29/01.Confesso que para mim foi uma premiação inesperada. Apostava minhas fichas em David Fincher,o qual mostra, mais uma vez, que pode não ser muito bem relacionado no seu meio. Em raras ocasiões a escolha do Director's Guild não foi confirmada pela Academia de Hollywood (seis vezes, mais precisamente). Bom lembrar também que o Sindicato dos Produtores já premiou "O Discurso do Rei" como melhor filme. Agora, com o prêmio dos diretores, que possuem enorme influência na Academia, não se pode negar que este filme da Weinstein Company se tornou o favorito para o Oscar. Hoje à noite teremos a premiação do Sindicato dos Atores (transmitido pela TNT)o que pode denotar mais uma tendência (mas os atores não têm prêmio de melhor filme e o prêmio para o elenco não significa muito neste sentido). Estou pressentindo que o Oscar pode retroceder uns 10 anos no tempo e premiar aqueles filmes dos Weinstein programadinhos para receber o prêmio máximo do cinema comercial. Uma pena...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Trilha Sonora #15


Quem já assistiu a "Apocalypse Now", uma da obras máximas do gênio Francis Ford Coppola, deve se lembrar de sua abertura impactante, ao som da voz inconfundível de Jim Morrison cantando "The End", uma das melhores canções do "The Doors". De arrepiar! Ouça abaixo!


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O Rei sai na frente e o Brasil está no Oscar!


A premiação do Sindicato dos Produtores já havia dado a dica e, hoje, com suas 12 indicações, “O Discurso do Rei” assumiu ares de favorito ao Oscar 2011. No mínimo, deixou a corrida bem menos previsível do que se supunha há alguns dias, quando, diante dos repetidos prêmios para “A Rede Social”, a comunidade cinéfila já vinha considerando o filme de David Fincher imbatível. Por outro lado, é bem verdade que não existe nenhuma surpresa entre os 10 concorrentes ao prêmio de melhor filme. Algumas outras categorias, contudo, não foram tão previsíveis assim. Vamos aos indicados e respectivos comentários nas principais categorias, com grande destaque para o meio-brasileiro "Lixo Extraordinário".



Melhor filme

"Cisne Negro"
"Bravura Indômita"
"A Rede Social"
"Toy Story 3"
"A Origem"
"O Discurso do Rei"
"O Vencedor"
"127 Horas"
"Minhas Mães e Meu Pai"
"Inverno da Alma"

- Como dito acima, muito previsível. Destaque apenas para a indicação merecida de “Toy Story 3”, na minha opinião o melhor filme do ano.


Melhor direção

Darren Aronofsky - "Cisne Negro"
David Fincher - "A Rede Social"
David O. Russell - "O Vencedor"
Tom Hooper - "O Discurso do Rei"
Joel Coen e Ethan Coen - "Bravura Indômita"


- Aqui a primeira injustiça notável. Onde está a indicação para Cristopher Nolan pelo seu ótimo “A Origem”? Não dá pra entender. Nada contra os irmãos Coen (nem preciso tecer adjetivos a eles), mas sua indicação está com cheiro de arrumadinho, pois é muito estranho pretender premiar alguém por uma refilmagem.


Melhor ator

Javier Bardem - "Biutiful"
Jeff Bridges - "Bravura Indômita"
Colin Firth - "O Discurso do Rei"
James Franco - "127 Horas"
Jesse Eisenberg - "A Rede Social"

- Uma boa surpresa a inclusão de Javier Bardem. A cada ano a Academia vem se mostrando mais atenta ao que é feito fora dos EUA. A indicação do ator espanhol vai nessa direção. De lamentar só mesmo a exclusão de Leonardo DiCaprio, desde já o grande injustiçado do ano.


Melhor atriz

Annette Bening - "Minhas Mães e Meu Pai"
Natalie Portman - "Cisne Negro"
Nicole Kidman - "Reencontrando a Felicidade"
Jennifer Lawrence - "Inverno da Alma"
Michelle Wiliams - "Blue Valentine"

- Muitos reclamarão da exclusão de Julliane Moore. De qualquer forma, vai dar Natalie Portman. Não aposte em zebra porque não vai acontecer. Obs: que título infeliz deram para o filme com Nicole Kidman, não?



Melhor ator coadjuvante

Geoffrey Rush - "O Discurso do Rei"
Christian Bale - "O Vencedor"
Jeremy Renner - "Atração Perigosa"
John Hawkes - "Inverno da Alma"
Mark Ruffalo - "Minhas Mães e Meu Pai"

- Fiquei surpreso com a exclusão de Andrew Garfield, na minha visão a melhor presença de “A Rede Social”. Por outro lado, ,muito boa a lembrança de Mark Rufallo, um ótimo ator que há tempos já merece um maior reconhecimento.


Melhor atriz coadjuvante

Melissa Leo - "O Vencedor"
Amy Adams - "O Vencedor"
Helena Bonham Carter - "O Discurso do Rei"
Hailee Steinfeld - "Bravura Indômita"
Jacki Weaver - "Animal Kingdom"

- Será que Julliane Moore poderia ter sido indicada aqui? Mas esta é a categoria provavelmente mais equilibrada entre todas.


Melhor roteiro original

"Cisne Negro"
"A Origem"
"Anotyher Year"
"O Vencedor"
"O Discurso do Rei"

- Chance para Nolan levar um prêmio por seu “A Origem”. Mas, tenho a impressão que devem estar com vontade de premiar “O Discurso do Rei” também nesta categoria, até porque o roteirista do filme também já sofreu com a gagueira.

Melhor roteiro adaptado

"127 Horas"
"Bravura Indômita"
"A Rede Social"
"Toy Story 3"
"Inverno da Alma"

Previsível e vai dar “A Rede Social”.


Melhor animação

"Toy Story 3"
"Como Treinar o Seu Dragão"
"O Mágico"

Você tem dúvidas de que "Toy Story 3" vai levar o prêmio?


Melhor documentário

"Lixo Extraordinário"
"Trabalho Interno"
"Exit Through the Gift Shop"
"Gasland"
"Restrepo"

Ah, aqui vale o destaque para o parcialmente brasileiro (é uma coprodução com o Reino Unido) “Lixo Extraordinário”, que tem como codiretores os nossos compatriotas João Jardim e Karen Harley. Como diria Galvão Bueno, “bem, amigo, é o Brasil no Oscar”. Até lá! Abaixo, seguem as demais categorias.


Melhor filme estrangeiro

"Fora da Lei" (Argélia)
"Incendies" (Canadá)
"Em Um Mundo Melhor" (Dinamarca)
"Dente Canino" (Grécia)
"Biutiful" (México)


Melhor trilha sonora

Hans Zimmer - "A Origem"
Trent Reznor e Atticus Ross - "A Rede Social"
Alexandre Desplat - "O Discurso do Rei"
John Powell - "Como Treinar o seu Dragão"
A.R. Rahman - "127 Horas"

Melhor canção original

"Coming Home" - "Country Strong"
"I See the Light" - "Enrolados"
"If I Rise" - "127 Horas"
"We Belong Together" - "Toy Story 3"

Melhor edição

"127 Horas"
"Cisne Negro"
"A Rede Social"
"O Discurso do Rei"
"O Vencedor"

Melhor fotografia

"A Origem"
"Cisne Negro"
"A Rede Social"
"O Discurso do Rei"
"Bravura Indômita"

Melhor figurino

"O Discurso do Rei"
"Bravura Indômita"
"Alice no País das Maravilhas"
"I am Love"
"The Tempest"

Melhor direção de arte

"Alice no País das Maravilhas"
"A Origem"
"O Discurso do Rei"
"Bravura Indômita"
"Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte I"

Melhor mixagem de som

"Salt"
"A Origem"
"O Discurso do Rei"
"Bravura Indômita"
"A Rede Social"

Melhor edição de som

"Toy Story 3"
"Tron - O Legado"
"A Origem"
"Bravura Indômita"
"Incontrolável"

Melhor maquiagem

"O Lobisomem"
"Caminho da Liberdade"
"Minha Versão para o Amor"

Melhores efeitos visuais

"Além da Vida"
"A Origem"
"Homem de Ferro 2"
"Alice no País das Maravilhas"
"Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte I"

Melhor curta-metragem

"The Confession"
"The Crush"
"God of Love"
"Na Wewe"
"Wish 143"

Melhor documentário em curta-metragem

"Poster Girl"
"Strangers no More"
"Killing in the Name"
"Sun Come Up"
"The Warriors of Qiugang"

Melhor curta-metragem de animação

"Day & Night"
"Let's Pollute"
"The Lost Thing"
"The Gruffalo"
"Madagascar, Carnet de Voyage"

domingo, 23 de janeiro de 2011

Disputa em aberto para o Oscar 2011!


Nos meus comentários sobre o Globo de Ouro 2011, afirmei que o Oscar deste ano estava muito previsível, já que todas as premiações estavam seguindo a mesma linha, considerando "A Rede Social" como o melhor filme do ano. Pois bem, felizmente resolveram me contrariar.

No PGA (Producers Guild Awards), prêmio do Sindicato dos Produtores dos EUA, o laureado como melhor filme não foi o longa de David Fincher, mas "O Discurso do Rei", de Tom Hooper, longa que já vem rendendo a Colin Firth prêmios de melhor atuação (inclusive o Globo de Ouro). Uma bela tumultuada no meio de campo foi criada, já que, na maioria das ocasiões, o Oscar repete a tendência do Sindicato de Produtores. Entretanto, a categoria de melhor filme é a que costuma ser mais imprevisível, já que todos os integrantes da Academia votam nela (e não apenas produtores).

Creio que o embaralhamento será ainda maior, já que imagino ser bem difícil que o Sindicato de Diretores, que terá sua premiação no sábado 29, atribua a Tom Hooper a láurea de melhor diretor. E desde que foi criado, o prêmio de diretores raramente distoa do resultado no Oscar. E em poucas ocasiões o prêmio de melhor diretor no Oscar distoou do prêmio de melhor filme... Seria um barato que o Director's Guild premiasse Christopher Nolan por "A Origem", não? :=)

Carteza mesmo só o Oscar de melhor animação para "Toy Story 3", que também venceu agora no PGA.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Filmes Para Ver Antes de Morrer



A Conversação
(The Conversation)



Dúvida e obsessão



Não há dúvidas que Francis Ford Coppola é um dos diretores mais importantes de todos os tempos, apesar de sua fase pouco inspirada dos últimos anos. Um dos precursores da “Nova Hollywood”, movimento que mudou a cara do cinema norte-americano para sempre, e responsável pela trilogia absoluta de “O Poderoso Chefão” (cujos dois primeiros filmes são obras-primas indiscutíveis), além de “Apocalypse Now”, outra obra de arte soberba, muitos não se recordam de algumas de suas “pequenas” pérolas. Talvez o melhor exemplo destes filmes de Coppola pouco lembrados seja “A Conversação”, um estudo sobre os meandros da mente humana quando carregada de culpa e dúvida.

No seu auge criativo, o diretor realizou o filme entre as duas primeiras partes da trilogia do Chefão, em 1974 (o que talvez explique seu relativo “esquecimento”). Extremamente provocativo, o longa representa muito bem a nascente paranoia estadunidense com o então recente caso de Watergate. Neste longa, Coppola narra a história de Harry Caul (com interpretação perfeita de Gene Hackman), um especialista em escutas investigativas. Em um de seus trabalhos, ouvindo o diálogo de um casal repleto de ruídos, ele acaba se deparando com a possibilidade de um iminente crime. Só que, para chegar a tal conclusão, ele não conta apenas com seu apuro profissional, mas também com sua imaginação, já perturbada por um caso anterior em que sua atuação possibilitou evento similar.

O mais instigante no desenvolvimento do roteiro e na condução de Coppola é que esses elementos não são jogados com facilidade para o espectador. Aos poucos vamos descobrindo a personalidade e as motivações de Harry, percebendo que o mesmo, talvez devido ao seu ofício, é um homem solitário, hermético, de poucos amigos, que parece ter como única diversão tocar o seu saxofone sozinho no seu apartamento. Ou será que foi sua personalidade que o levou a buscar um trabalho em que interage com as pessoas sem precisar se expor? Sem dúvida, um personagem misterioso e tridimensional. Seu pouco tato em relacionamentos se mostra de forma ainda mais clara quando é enganado por uma mulher em uma situação de fácil percepção. Além disso, à medida em que Harry progride em sua investigação, ele se afunda cada vez mais em seu isolamento, afastando até mesmo seu único amigo, Stan (interpretado por John Cazale, falecido precocemente), bem como imerge em uma dúvida terrível sobre a verdade do fatos que está acompanhando.


A solidão de Harry Caul, ademais, é realçada de forma brilhante pela direção de Coppola. Ele realiza aquele tipo de trabalho extremamente visual, onde a narrativa flui essencialmente através das imagens. O velho Hitchcock já ensinava que a melhor forma de provocar suspense é pelo meio imagético. Mas se enganam aqueles que podem pensar que os sons e diálogos assumem uma importância menor na trama. Afinal, é justamente a partir de sons captados que se estabelece o vértice do filme. Interessante como, ao longo da película, escutamos um mesmo diálogo repetidas vezes, mas, tal como o protagonista, jamais nos cansamos de ouvi-lo, além de também sermos instigados a descobrir a verdade por trás daquelas palavras. Por seu turno, a trilha sonora, de David Shire, se mostra melancólica, brilhante e marcante. São raros os filmes em que a trilha se encaixa tão bem na temática abordada, ressaltando ainda mais a solidão e obsessão do protagonista.

Visto hoje, décadas depois de seu lançamento, percebe-se o quanto este longa-metragem (que recebeu a Palma de Ouro em Cannes) não envelheceu. Afinal, voyeurismo e invasão de privacidade são temas mais do que nunca atuais. Suas influências são sentidas mesmo em obras recentes, como no também ótimo “A Vida dos Outros” (do alemão Florian Henckel von Donnersmarck). Estas obras perenes, que se lançam no tempo sem perder a sua atualidade, costumam ser fruto de talentos geniais. Inegavelmente, Francis Ford Coppola é um destes talentos.


Cotação:

Nota: 10,0

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

11 Comentários sobre o Globo de Ouro 2011


1º comentário: Rick Gervais não cheirou, nem fedeu. Nem prestei atenção direito no que ele falava. Soltou algumas piadinhas sem graça. Tão sem graça que nem percebi alguém rindo na platéia;

2º Comentário: Falando em bom-humor, Robert De Niro deu um show nesse ponto ao não se levar a sério, tirando piadas com a baixa qualidade dos filmes em que vem atuando nos últimos tempos;

3º Comentário: Falando em De Niro, sua homenagem foi, de longe, o melhor momento da noite. Ele é ídolo de muitos daqueles presentes ao evento e isso ficou claro quando a câmera mostrou Tom Hanks com lágrimas nos olhos. E eu estou falando de Tom Hanks...

4º Comentário: Eu imaginava que até pudesse haver um certo equilíbrio entre “A Rede Social” e “A Origem”, mas nem isso...

5º Comentário: Natalie Portman vai ganhar o Oscar de melhor atriz. Não adianta Annette Bening sonhar, mesmo tendo vencido o prêmio em comédia/musical. A Academia privilegia papeis de forte carga dramática, especialmente quando o ator/atriz teve que mergulhar em um universo distinto do seu, alterando seu peso, fazendo pesquisas e outras coisas do gênero;

6º Comentário: Sei que muitos elogiaram o papel que deu a Al Pacino o prêmio de ontem, mas é sempre lamentável perceber que Pacino voltou a ser premiado com um trabalho para a TV. É ruim para o cinema e ruim pra ele;

7º Comentário: As indicações para “O Turista” tiveram como única finalidade levar o casal Branjolie para a cerimônia, além de Johnny Depp, e assim garantir uns pontos a mais na audiência;

8º Comentário: “A Origem” saiu de mãos abanando no Globo de Ouro, mas no Oscar, como consolação, deve levar o prêmio de roteiro original;

9º Comentário: O melhor filme do ano só levou o prêmio de melhor animação;

10º Comentário: O Oscar deste ano está mais previsível do que enchentes no mês de janeiro*.

Último comentário: todo ano a TNT escala aquela péssima apresentadora/tradutora para a entrega destes prêmios. Não tem ninguém melhor?


*aproveitando a deixa: ajude as vítimas das enchentes no Rio de Janeiro. Estes seres humanos estão passando por momentos de verdadeiro horror. Contribua com o que puder!

domingo, 16 de janeiro de 2011

Os 100 melhores filmes em língua não-inglesa


Hoje, teremos a entrega do Globo de Ouro 2011, um dos mais fracos de todos os tempos, na minha opinião. O máximo que irá acontecer será o embate entre “A Rede Social” e “A Origem”. Ou seja, previsibilidade extrema. Aliás, as entregas de prêmios estão se tornando cada vez mais tediosas. Bem mais interessante do que a lista de indicados ao Globo de Ouro é esta lista elaborada pela “Empire” no ano passado com os 100 melhores filmes em língua não-inglesa. Listas criam muita discussão, mas é inegável que servem como referência para os amantes do cinema. Veja abaixo a lista e a matéria original da publicação pode ser conferida aqui. Obs: observem que posição honrosa alcançou o nosso “Cidade de Deus”.


001. Os sete samurais (Akira Kurosawa, 1954)

002. O fabuloso destino de Amélie Poulain (J.-P. Jeunet, 2001)

003. O encouraçado Potemkin (Sergei M. Eisenstein, 1925)

004. Ladrões de bicicleta (Vittorio de Sica, 1948)

005. O labirinto do fauno (Guillermo del Toro, 2006)

006. A batalha de Argel (Gillo Pontecorvo, 1965)

007. Cidade de Deus (Fernando Meirelles, 2002)

008. O sétimo selo (Ingmar Bergman, 1957)

009. O salário do medo (Henri-Georges Clouzot, 1953)

010. A viagem de Chihiro (Hayao Miyazaki, 2001)

011. A doce vida (Federico Fellini, 1960)

012. Metrópolis (Fritz Lang, 1927)

013. A regra do jogo (Jean Renoir, 1939)

014. Trilogia das Cores:
014. A liberdade é azul (Krzysztof Kieslowski, 1993)
014. A igualdade é branca (Krzysztof Kieslowski, 1994)
014. A fraternidade é vermelha (Krzysztof Kieslowski, 1994)

015. Deixa ela entrar (Tomas Alfredson, 2008)

016. Era uma vez em Tóquio (Yasujiro Ozu, 1953)

017. Trilogia de Apu:
017. A canção da estrada (Satyajit Ray, 1955)
017. O invencível (Satyajit Ray, 1956)
017. O mundo de Apu (Satyajit Ray, 1959)

018. Oldboy (Chan-wook Park, 2003)

019. Aguirre, a cólera dos deuses (Werner Herzog, 1972)

020. E sua mãe também (Alfonso Cuarón, 2001)

021. Nosferatu (F. W. Murnau, 1922)

022. Rashomon (Akira Kurosawa, 1950)

023. O espírito da colméia (Víctor Erice, 1973)

024. Vá e veja (Elem Klimov, 1985)

025. O barco, inferno no mar (Wolfgang Petersen, 1981)

026. A Bela e a Fera (Jean Cocteau, 1946)

027. Cinema Paradiso (Giuseppe Tornatore, 1988)

028. Lanternas vermelhas (Yimou Zhang, 1991)

029. Os incompreendidos (François Truffaut, 1959)

030. Infernal afffairs (Alan Mak - Lau Wai-keung, 2002) Conflitos Internos

031. Godzilla (Ishirô Honda, 1954)

032. O ódio (Mathieu Kassovitz, 1995)

033.M - o vampiro de Dusseldorf (Fritz Lang,1931)

034. Valsa com Bashir(Ari Folman, 2008)

035. A grande ilusão (Jean Renoir, 1937)

036. Decálogo (Krzysztof Kieslowski, 1988)

037. Roma, cidade aberta (Roberto Rossellini, 1945)

038. Cinzas e diamantes (Andrzej Wajda, 1958)

039. O Samurai (Jean-Pierre Melville, 1967)

040. A aventura (Michelangelo Antonioni, 1960)

041. Meu amigo Totoro (Hayao Miyazaki, 1988)

042. Amor à flor da pele (Kar-Wai Wong, 2000)

043. Cyrano De Bergerac (Jean-Paul Rappeneau, 1990)

044. Ikiru - Viver (Akira Kurosawa, 1952)

045. Suspiria (Dario Argento, 1977)

046. Jules e Jim - uma mulher para dois (François Truffaut, 1961)

047. Dez (Abbas Kiarostami, 2002)

048. A queda - as últimas horas de Hitler (O. Hirschbiegel, 2004)

049. As férias do senhor Hulot (Jacques Tati, 1953)

050 Trens estreitamente vigiados (Jiri Menzel, 1967)

051. Akira (Katsuhiro Otomo, 1988)

052. Touki Bouki (Djibril Diop Mambéty, 1973)

053. Tudo sobre minha mãe (Pedro Almodóvar, 1999)

054. Festa de família (Thomas Vinterberg, 1998)

055. Lagaan (Ashutosh Gowariker, 2001)

056. A bela da tarde (Luis Buñuel, 1967)

057. Central do Brasil (Walter Salles, 1998)

058. Persépolis (Vincent Paronnaud - Marjane Satrapi, 2007)

059. Heimat (Edgar Reitz, 1985)

060. Jean de Florette (Claude Berri, 1986)

061. A Faca Na Água(Roman Polanski , 1962)

062. 8 1/2 (Federico Fellini, 1963)

063. A prophet (Jacques Audiard, 2009) O Profeta

064. Asas do desejo (Wim Wenders, 1987)

065. Um cão andaluz (Luis Buñuel, 1928)

66º - O tigre e o dragão (Ang Lee, 2000)

067. The Vanishing (George Sluizer, 1988)

068. Solaris (Andrei Tarkovsky, 1972)

069. Ringu - o primeiro chamado (Hideo Nakata, 1998)

070. Fervura máxima (John Woo, 1992)

071. Persona (Ingmar Bergman, 1966)

072. Ten Canoes (Rolf de Heer - Peter Djigirr, 2006)

073. Caché (Michael Haneke, 2005)

074. Devdas (Sanjay Leela Bhansali , 2002)

075. Acossado (Jean-Luc Godard, 1959)

076. Os idiotas (Lars Von Trier, 1998)

077. O Clã das Adagas Voadoras (Zhang Yimou, 2004)

078. Mulheres à beira de um ataque de nervos (P. Almodóvar, 1988)

079. Bande à part (Jean-Luc Godard, 1964)

080. Mother India (Mehboob Khan , 1957)

081. O hospedeiro (Joon-ho Bong, 2006)

082. Battle Royale (Kinji Fukasaku, 2000)

083. Xala (Ousmane Sembene , 1974)

084. Orfeu (Jean Cocteau, 1950)

085. O conformista (Bernardo Bertolucci, 1969)

086. Corra, Lola, Corra (Tom Tykwer, 1998)

087. Andrei Rublev (Andrei Tarkovsky, 1966)

088. Leningrad Cowboys (Aki Kayrismaki, 1989)

089. Os Amores de uma Loira (Milos Forman, 1965)

090. Rififi (Jules Dassin, 1955)

091. Adeus, Lênin! (Wolfgang Becker, 2003)

092. Ghost in the shell (Mamoru Oshii, 1995)

093. The Fourth Man (Paul Verhoeven, 1983)

094. Yeelen (Souleymane Cisse, 1987)

095. Way of the Dragon (Bruce Lee, 1972)

096. Delicatessen (Marc Caro - Jean-Pierre Jeunet, 1991)

097. Adeus, minha concubina (Kaige Chen, 1993)

098. Ran (Akira Kurosawa, 1985)

099. Iron Monkey (Yuen Woo-ping , 1993)

100. Guardiões da Noite(Timur Bekmambetov , 2004)

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Eu Quero Esse Pôster #12


"Cisne Negro", o novo filme de Darren Aronofsky que deve render ao menos uma indicação ao Oscar para Natalie Portman, possui uma série de cartazes muito bonitos. Além do já famoso poster com a face de Natalie "rachada", também temos este, bastante estiloso, lembrando os cartazes de filmes clássicos, além de remontar a uma estética afeita ao balé. Perfeito!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Além da Vida



Clint Eastwood - O contador de histórias


Existe algum elogio que ainda não foi feito a Clint Eastwood? Não há dúvidas de que ele é um dos grandes diretores norte-americanos em atividade (ao lado de Martin Scorsese) e, vou admitir aqui, um dos meus preferidos. Dentre as várias virtudes que se podem apontar no cineasta, entre elas a sua simplicidade, a que mais se destaca é o seu grande talento para contar histórias. Por mais que certas tramas pareçam clichês, Eastwood consegue atribuir-lhes um toque mágico que as transforma em algo além de um mero entretenimento. É o toque do artista, daquele que, antes de tudo, ama o que faz e acredita na história que está narrando.

É interessante como este seu novo trabalho, “Além da Vida”, parece fugir de sua filmografia tradicional, apresentando uma temática, digamos assim, “espiritual”. Mas essa seria uma análise superficial. Trata-se de uma obra muito mais sobre perda do que sobre crenças e tal temática absolutamente não é estranha na filmografia do cineasta. Invariavelmente, a morte (e as diversas formas de superá-la) ou sua iminência estão presentes em seus longas. Basta rememorar os exemplos de “Os Imperdoáveis”, “Menina de Ouro” ou o mais recente “Gran Torino”. Em todos eles, de uma forma ou de outra, os personagens precisam lidar com a inevitabilidade da morte e a irremediável ausência que a mesma provoca.

O longa possui três vertentes dramáticas que, em certo ponto da projeção, se comungam, o que, obviamente, não constitui nenhuma novidade. Todavia, Clint não é um cineasta preocupado com vanguardas, mas com o poder que sua narração tem de sensibilizar o espectador. A primeira das três histórias aborda a experiência de quase morte vivida pela jornalista francesa Marie Lelay (Cécile de France) após se afogar em um tsunami na Ásia (o filme sugere se tratar do evento de 2004) em uma sequência impactante, horripilante e, ao mesmo tempo, sensacional (a “mágica” da cena foi provavelmente proporcionada por Steven Spielberg, produtor executivo da película), evidenciando uma inédita experiência de Clint com os efeitos visuais. A segunda delas mostra o operário George Lonegan (Matt Damon, com boa atuação em sua segunda parceria com Eastwood) um médium que já utilizou seu dom para ganhar dinheiro, mas que agora o vê como uma maldição, já que o impossibilita de manter uma relação natural com as pessoas. A última trama aborda o personagem de Marcus (Frankie McLaren, jovem talentoso!), um garoto que perde o irmão gêmeo Jason e ainda tem de encarar a dependência química da mãe.

O roteiro, escrito por Peter Morgan, resolve bem todos os lados da narração, dando-lhes igual tratamento na elaboração dos personagens e sem que nenhum deles possua uma exposição menor. São três pessoas que têm uma ligação próxima com a morte e, talvez por isso, a sua futura aproximação em nenhum momento soa forçada. Tudo flui perfeitamente até o desfecho, o qual, para alguns, pode resultar previsível, mas que jamais perde a sua beleza. Além disso, o mais do que experiente diretor sabe administrar as doses dramáticas, sem que nunca a narrativa descambe para o piegas. Tudo é muito verdadeiro e sentimos que as ações poderiam efetivamente se dar na vida real. Eastwood, ademais, consegue, por meio da trilha sonora (de sua própria autoria, como de hábito) estabelecer nuances distintas para cada um dos segmentos, fazendo com que o espectador não sinta dificuldade em acompanhá-los (neste aspecto, também vale destacar a bem-resolvida edição).

Acima, mencionei que o longa é muito mais sobre perda do que sobre crenças. É verdade. Contudo, não se pode deixar de lado o questionamento oferecido no filme sobre o que nos aguarda depois da morte, um mistério que nunca será inteiramente desvendado, por maior que seja a fé que você ou eu tenhamos em determinada religião ou doutrina. Seria isso um reflexo da idade avançada do diretor? Talvez a proximidade da morte lhe induza a estas reflexões, mas o próprio já afirmou que resolveu filmar a história porque gostou dela e não por uma obsessão especial pelo tema, tendo apenas uma curiosidade normal como todos têm sobre a morte e o que vem depois dela.

Afinal, este é Clint Eastwood, um homem que ama contar histórias, trazendo-nos a cada novo trabalho uma apaixonada imersão que torna quase impossível a indiferença. Neste ponto, é uma pena que tanto o público quanto a crítica norte-americanos tenham recebido o filme com certa frieza, o que demonstra o quanto os EUA historicamente cometem equívocos em se tratando de cinema. É possível que “Além da Vida” tenha uma carreira de mais sucesso no Brasil,que tem um público mais afeito às temáticas abordadas no longa, bastando lembrar o sucesso recente dos nacionais “Chico Xavier” e “Nosso Lar” (muito embora, vale lembrar, este “Hereafter” não é um filme religioso). Espero que, ao menos aqui, este novo trabalho do genial Clint Eastwood encontre a acolhida merecida. Descubra-o.


Cotação:

Nota: 9,0

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

72 Horas



Hitchcock aprovaria


O gênio Alfred Hitchcock talvez tenha sido praticamente o criador do gênero de filmes em que o protagonista é envolvido e perseguido devido a fatos que normalmente fogem ao seu controle (o conceito de “homem errado”). Em sua filmografia, com algumas variações, há vários exemplos deste tipo de trama, como “O Homem Que Sabia Demais”, cuja versão norte-americana é protagonizada por James Stewart, e “Intriga Internacional”, com o astro Cary Grant. Em todos eles, o velho Hitch levava sempre a dúvida ao público sobre o sucesso das empreitadas do personagem central, geralmente tentando provar sua inocência de algum crime que não cometeu ou procurando salvar alguém. Uma fórmula de sucesso eficiente que acabou sendo imitada por muitos cineastas ao longo dos anos (a própria série Bourne se vale desse conceito de “homem errado”). Todavia, na maioria dos casos os resultados são medíocres, sendo gerados longas-metragens esquecíveis que sequer chegam a manter a atenção do público durante a exibição.

“72 Horas”, atualmente em cartaz no circuitão brasileiro, é um herdeiro desta tradição e, felizmente, não cai na referida mediocridade. Dirigido por Paul Haggis, que iniciou sua carreira no cinema como roteirista (“Menina de Ouro” é um dos seus roteiros mais lembrados pelo grande público) e depois se aventurou na direção (“Crash” acabou levando o Oscar de melhor filme), o longa é uma refilmagem do francês “Pour Elle”, mostrando a saga de um professor universitário que, cansado de tentar provar a inocência de sua esposa acusada de assassinato pelos métodos legais, decide libertá-la adotando vias não ortodoxas, mais precisamente planejando sua fuga da prisão. Como de costume nos filmes de Haggis, o roteiro se desenrola com fluidez, envolvendo o espectador e tendo o trunfo de deixar envolta na dúvida a verdade sobre o crime que levou a esposa à prisão. Mas é importante destacar que Haggis vem evoluindo em outros aspectos. O longa possui uma ótima edição, responsável pelo ritmo constante, além de uma boa fotografia, com a utilização de alguns ângulos inusitados (uma certa sequência envolvendo os personagens centrais e um automóvel é particularmente interessante).

O protagonista, John Brennan, é interpretado com certa vontade por Russell Crowe (saindo da sua apatia de filmes recentes) e sua riqueza de detalhes é um dos pontos altos da projeção. Sua personalidade, inclusive, é um dos elementos responsáveis pela dúvida sobre a verdade do crime, já que, em uma interessante referência a “Dom Quixote”, percebemos que John pode ter criado um mundo idealizado onde as verdades não correspondem exatamente às do mundo real. Esta ligação entre a personalidade do personagem e o suspense engendrado daria orgulho ao mestre Hitchcock, o qual ofereceu uma verdadeira aula neste sentido com o seu soberbo “Um Corpo Que Cai” (Vertigo).

Por outro lado, nem tudo é perfeito. Haggis faz a trama descambar para os clichês em algumas de suas vertentes, como na relação entre Lara Brennan (Elizabeth Banks) e Luke (Ty Simpkins), filho do casal, deixando entrever aos mais atentos algumas possíveis resoluções finais. Haggis, por sinal, comumente possui esses tiques de previsibilidade que, uma vez não controlados por outra mão (como no caso de Clint Eastwood em “Menina de Ouro”), descamba para o inevitável clichê (foi assim no mencionado “Crash”). Há ainda algumas ligações mal explicadas na trama, meio que colocadas a fórceps para levar adiante a narrativa, resultando em soluções artificiais.

É bom que se diga que não vi o original francês, o qual, segundo comentários que pude ler por meio da internet, parece ser melhor que essa refilmagem. Contudo, mesmo sem tal parâmetro, posso afirmar que “72 Horas” prende a atenção e leva o espectador, em alguns momentos, a duvidar da sorte dos protagonistas, bem como das verdades oferecidas inicialmente pelo roteiro. Não é nenhuma obra-prima, longe disso, mas está longe de fazer feio e o mestre Alfred Hitchcock certamente veria com bons olhos este suspense que tem tudo para agradar aos fãs do gênero.


Cotação:

Nota: 8,0

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Os 7 melhores de 2010

Como sempre, a lista do Cinema com Pimenta apresenta 7 itens. Este ano, particularmente, foi bastante fraco. Não imagino muito mais títulos que pudessem estar aqui entre os longa-metragens exibidos no circuito brasileiro em 2010. Lamentável... E vamos parar de falação e passar logo para a lista, seguindo abaixo. A ordem é de preferência (crescente).



7) Tudo Pode Dar Certo (Woody Allen)


6) A Rede Social (David Fincher)


5) Guerra ao Terror (Kathryn Bigelow)


4) A Origem (Christopher Nolan)



3) Ilha do Medo (Martin Scorsese)



2) Tropa de Elite 2 (José Padilha)


1) Toy Story 3 (Lee Unkrich)


Aproveito para desejar um feliz 2011 para todos, cheio de saúde, paz e realizações! Grande Abraço!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Filmes Para Ver Antes de Morrer


Pinóquio
(Pinocchio)


Uma fábula atemporal



É muito provável que você já tenha escutado uma canção chamada “When You Wish Upon A Star”, a qual se tornou um clássico do cancioneiro popular norte-americano (se não ouviu, basta clicar no display ao fim desta resenha). Pois bem, ela recebeu o Oscar de melhor canção (com justiça) em 1941, ajudando a consagrar o filme do qual é tema, “Pinóquio”, o segundo longa-metragem em animação dos estúdios Disney.

Após o estrondoso sucesso de “Branca de Neve e Os Sete Anões”, a primeira animação em longa metragem do cinema, realizada em 1937 e que, até hoje, serve como patamar de referência para os estúdios de animação, seria difícil para Walt Disney igualar o nível de sua empreitada pioneira. A começar pelo material básico. O conto “Pinocchio” de Carlo Collodi (de 1883) era muito sombrio e Disney teve que determinar à sua equipe algumas alterações para que ele se tornasse mais palatável ao grande público. Os personagens também não se mostravam tão carismáticos quanto os de “Branca de Neve”, o que levou a equipe a inserir alguns outros, como o Grilo Falante. Além disso, a trama apresentava desafios técnicos enormes, tais como a sequência envolvendo a fuga de uma baleia em alto mar. Entretanto, Disney sempre afirmou que sua grande meta era quebrar barreiras e desta vez não foi diferente. Mesmo tendo uma estreia difícil, com uma bilheteria abaixo do esperado (o mundo estava em guerra quando foi lançado), a animação, ao longo dos anos, cresceu junto aos olhos da crítica e do público, fazendo jus ao esforço de seu idealizador.

A narrativa trata de um boneco de madeira construído pelo artesão Gepeto que adquire vida por obra da Fada Azul, atendendo a um pedido do velho solitário. A partir de então, o grande desejo de Pinóquio é se tornar um menino de carne e osso. Todavia, para conseguir seu objetivo, deverá mostrar valentia, dedicação, lealdade e disciplina, entre outras virtudes necessárias. Seu objetivo começa a sofrer atropelos quando é assediado por João Honesto, um larápio que o convence de que pode ser um grande ator, apesar da insistência em contrário do Grilo Falante, o qual possui a missão de ser a sua “consciência” (e foi primeiro personagem da Disney a falar diretamente com os espectadores). O intuito de João Honesto, na verdade, é vendê-lo para o saltimbanco Stromboli, dono de um show de marionetes que vagueia pelas redondezas. É aqui que começa o lado sinistro da narrativa e percebemos o quanto o longa ainda permanece atual. A exploração da inocência continua tão frequente quanto em outros tempos (talvez tenha até aumentado) o que torna “Pinóquio” até mesmo um filme necessário, hoje, para os pequenos. Os noticiários estão repletos de casos de crianças desaparecidas, sequestradas ou abusadas sexualmente e as cenas que mostram o menino de madeira preso a uma gaiola podem, infelizmente, retratar a realidade de muitos inocentes no presente momento.


É interessante notar, ademais, como Pinóquio retrata com perfeição o comportamento infantil, mesmo levando em consideração a “esperteza” das crianças de hoje. Toda criança, em determinada fase, mente aos adultos para esconder suas peraltices e isto é mostrado com rara eficiência na clássica sequência em que o nariz de Pinóquio cresce a cada mentira que conta para a Fada Azul. A indisciplina infantil também é retratada de forma perfeita nas desventuras de Pinóquio na Ilha dos Prazeres. Mal influenciado pelo garoto Espoleta (demonstrando o quanto as más influências podem ser nocivas ao comportamento das crianças), o protagonista se entrega a toda sorte de prazeres proibidos aos pequenos, como fumar, jogar ou se entupir de guloseimas. A consequência é que os garotos, aos poucos, vão se transformando em burros, numa analogia clara com os resultados que a falta de estudo ou dedicação ao trabalho podem trazer. A passagem na Ilha dos Prazeres também possui tons bastante sinistros (tal como no cativeiro de Stromboli), mas é importante ressaltar que a equipe (com direção de Hamilton Luske e Ben Sharpsteen) soube realmente minorar o lado sombrio para torná-lo palatável ao público (principalmente às crianças).

O caráter técnico, por sua vez, é realmente impressionante. Várias sequências são de extrema beleza , com um apuro técnico capaz de impressionar até os dias hoje, dominados pela computação gráfica. Verdadeiras pinturas animadas surgem na tela, com texturas e cores que mesmo as animações produzidas atualmente dificilmente igualam (uma das cenas, inclusive, em que Gepeto procura Pinóquio em meio a uma tempestade, teve chuva real acrescentada à imagem). Custa a acreditar que essa produção é de 1940. Isso sem falar na trilha sonora, belíssima e que foi também vencedora do Oscar.

Todos esses elementos fariam de “Pinóquio” uma estória atemporal, mas há outro que talvez seja ainda mais relevante. O cerne da trama diz respeito à concretização dos sonhos, mesmo os quase impossíveis. Ao transformar-se em um garoto de verdade, Pinóquio se torna o personagem ícone da realização dos nossos mais profundos desejos, mesmo que para tanto tenhamos que trilhar, invariavelmente, caminhos dolorosos. A força de sua mensagem é tão intensa que ela reverbera ao longo das décadas, influenciando nitidamente tramas “modernas” como a de “Inteligência Artificial”, longa de Steven Spielberg. Uma fábula que não perderá jamais a sua força, soando cada vez mais contemporânea.


Cotação e nota: Obra-prima.

Abaixo escute "When You Wish Upon A Star"!


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Um feliz Natal para todos!

Uma das lembranças mais caras relacionadas ao Natal que trago da minha infância é a de ver, todos os anos, uma animação em Stop Motion chamada "Rudolph, A Rena do Nariz Vermelho". Feito para a televisão em 1964, o longa narra a estória de uma renazinha que nasce com um pequeno "defeito" congênito que você já deve ter entendido pelo título. Rudolph sonha em ser uma das renas do trenó do Papai Noel, mas ele se sente discrimiando pela sua condição "diferente". Durante anos, o filme foi sempre reprisado na noite de Natal (e eu sempre assistia com o mesmo entusiasmo), mas as redes de TV em geral estão cada vez mais ridículas e esquecendo no fundo do baú os produtos de qualidade. Segue abaixo um trecho da animação para matar as saudades de muita gente. Além disso, aproveito o ensejo para desejar um feliz Natal para todos, cheio de muita saúde, paz e harmonia com a família e os amigos. E que o nascimento de um certo menino em Belém, há cerca de de 2000 anos, nos sirva de inspiração não apenas no dia 25/12, mas ao longo de todos os dias do ano. Um grande abraço!


sábado, 18 de dezembro de 2010

Blake Edwards: 1922-2010


Na última quarta-feira dia 15, como amplamente divulgado na mídia, faleceu, aos 88 anos, Blake Edwards, um dos diretores que mais fizeram o público rir na história do cinema, apesar de sua depressão crônica. Dentre tantos filmes divertidos que dirigiu, considero um especialmente hilário. É "Um Convidado Bem Trapalhão" (The Party), mais uma de suas parcerias com o também genial (e louco) Peter Sellers. Segue abaixo a sequência inicial do longa, a qual já dá um aperitivo. A verdade é que ao longo da projeção poucas vezes paramos de rir. Se não viu, veja urgentemente!


quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Filmes Para Ver Antes de Morrer




Beijos Proibidos
(Baisers Volés)




A vida segundo François Truffaut


Os iniciantes na obra do mestre François Truffaut costumam realizar o primeiro contato através de “Os Incompreendidos” e é até natural que assim o seja. Afinal, trata-se do primeiro longa-metragem do diretor, além de ser considerado o marco inicial da Nouvelle Vague, o movimento cinematográfico que pôs em prática a “política do autor” desenvolvida pelos críticos da revista “Cahiérs du Cinema” (Truffaut entre eles). Todavia, acredito que para muitos, principalmente os mais afeitos ao padrão do cinema atualmente exibido a cada sexta-feira nos multiplexes dos shoppings mais próximos, talvez esta não seja a melhor opção. “Os Incompreendidos” não é exatamente um filme fácil, possui um final que pode deixar muitos insatisfeitos (apesar de genial e marcante), além de ser em P&B (há muitas pessoas que têm preconceito com o preto e branco, pode acreditar). Tampouco recomendaria “Jules & Jim”, um dos seus longas mais famosos, mas que também pode descontentar os mais tradicionais com sua narrativa não-convencional (além de ser também em P&B).

Se alguém me perguntar a que filme de Truffaut assistir para começar a apreciar sua obra, responderei, quase com certeza, “Beijos Proibidos” (Baisers Volés). Trata-se de um filme leve, divertido, romântico, que não assusta o espectador afeito a Hollywood, mas que também é dotado do frescor e originalidade típicos de um Truffaut ainda jovem e cheio de novas ideias na cabeça. Na realidade, este é o terceiro filme do cineasta com o personagem Antoine Doinel (os anteriores foram o citado “Os Incompreendidos” e o curta “Antoine e Collete”), o seu alter-ego, sempre interpretado pelo ator Jean-Pierre Léaud. Nele, vemos Doinel já adulto, logo após deixar o exército, tendo sido dispensado por inadequação às regras militares. De qualquer forma, não há problema em assistir a este episódio sem ter visto os anteriores. As tramas são independentes e não necessitam que o espectador possua um conhecimento prévio do personagem para apreciar o longa.

Truffaut procura retratar aqui a inconstância da juventude e suas várias facetas. Doinel não consegue se fixar em um trabalho. Sai do exército para trabalhar em um hotel como atendente noturno, emprego do qual é logo demitido. Logo depois, é contratado para trabalhar em uma agência de detetives particulares, emprego que o levará a diversas peripécias, dentre as quais o seu encontro com Fabienne Tabard (Delphine Seyrig), mulher mais madura com quem acaba tendo um relacionamento amoroso. Ao mesmo tempo, Doinel mantém um namoro cheio de idas e vindas com a bela Christine Darbon (Claude Jade), da qual parece realmente gostar, mas ainda é imaturo demais para assumir um compromisso mais sério. Por outro lado, não se pode negar que Doinel tem uma imensa alegria de viver, procurando aproveitar cada momento sem grandes preocupações com o futuro. Aliás, esta é uma característica típica da obra do diretor francês. Sabe-se que ele teve uma infância e adolescência difíceis (retratada em “Os Incompreendidos”), tendo passado alguns anos como delinquente nas ruas de Paris. Pode-se até mesmo afirmar que a sétima arte o salvou. Entretanto, Truffaut manteve-se longe das amarguras e sua obra é sempre lembrada como uma celebração da vida. Seu alter-ego reflete, assim, esse estado do espírito do diretor. Doinel quer apenas um lugar para se dedicar à literatura e oportunidades para estar ao lado de belas mulheres. Nada mais o preocupa, a não ser vivenciar os pequenos prazeres que lhe dão o colorido da vida. A própria estrutura narrativa não possui exatamente uma trama, mas tão somente uma sucessão de acontecimentos no cotidiano de Antoine tal como, na verdade, acontece em nossas vidas. Afinal, a vida não tem uma trama, mas uma sucessão de fatos que muitas vezes parecem desconexos (e muitas vezes realmente o são) e é desta forma que acompanhamos a trajetória de Doinel.



Em outra vertente, Truffaut parece afirmar que não só a natureza do amor pode ser inconstante, mas que ele também pode ser uma forma de loucura. Doinel nos parece meio louco com sua paixão repentina por Fabienne Tabard, assim como outros personagens, entre eles um misterioso desconhecido que dá ao desfecho do longa um tom bastante inusitado (assim como um dos clientes da firma de detetives, responsável por uma das sequências mais divertidas do longa). Vale ressaltar, porém, que Truffaut jamais desrespeita seus personagens, tratando-os com um enorme carinho. Toda a ternura do filme parece ser sintetizada pela bela canção que abre a narrativa, a inesquecível “Que Reste-t-il de Nos Amours”, interpretada por Charles Trenet, uma delícia musical que grudará em sua memória.

François Truffaut pode não ter sido o mais inovador dentre os cineastas da Nouvelle Vague (esse título possivelmente cabe a Jean-Luc Godard). Todavia, ao adentrar em sua obra, você perceberá porque ele é o mais amado dentre estes. Abordando como poucos, e de forma positiva, os sentimentos, relacionamentos, decepções, esperanças e alegrias, peças estas que compõem a parte mais significativa da vida, ele escreveu uma página fundamental da sétima arte e “Beijos Proibidos” é mesmo uma ótima, leve e divertida forma de iniciar sua apreciação da carreira do diretor francês (ou mesmo uma ótima maneira de começar a conhecer a Nouvelle Vague). Começará a perceber, assim, que Truffaut parece dizer a cada fotograma de sua obra que viver é fundamental.


Cotação:

Nota: 10,0

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Impressões sobre o Globo de Ouro 2011


Fiquei impressionado com a lista dos indicados ao Globo de Ouro 2011, a ser entregue no próximo dia 16 de janeiro. Contudo, porém, todavia... Na realidade, fiquei mal impressionado. A presença de filmes como "Alice no País das Maravilhas" entre os finalistas, mesmo que seja na categoria comédia/musical, só pode ser piada de mal gosto. Não que o filme seja ruim, mas é apenas razoável, sendo muita estranha sua presença entre os supostamente melhores do ano. O que dizer então de "RED - Aposentados e Perigosos"? Outra piada de gosto duvidoso. Mas não, em verdade, não é. Este talvez seja o mais forte sintoma de que o ano foi fraquíssimo! O crítico Rubens Ewald Filho costuma taxar todos os anos como fracos na produção cinematográfica e em várias oportunidades discordei dele. Mas neste ano tenho que lhe dar a mão à palmatória: 2010 foi um ano ruim para o cinema. Na categoria drama, "O Discurso do Rei" surge como o longa de maior número de indicações. Apesar dos elogios que vêm sendo feitos à atuação de Collin Firth, tenho a impressão (pois ainda não vi) que esse filme é mais um daqueles programados para concorrer ao Oscar, mas que no fundo não é lá essas coisas. De qualquer forma, o Globo de Ouro deixou de ser termômetro do Oscar já faz um certo tempo. Por outro lado, minha torcida para o prêmio da Academia de Hollywood vai para "Toy Story 3", sem dúvida o melhor filme do ano!

Segue abaixo a lista de indicados em cinema:



Melhor filme (drama)

Cisne Negro
O Vencedor
A Origem
O Discurso do Rei
A Rede Social

Melhor filme (musical / comédia)


Alice no País das Maravilhas
Burlesque
Minhas Mães e meu Pai
RED - Aposentados e Perigosos
O Turista


Melhor ator (drama)

Jesse Eisenberg - A Rede Social
Colin Firth - O Discurso do Rei
James Franco - 127 Horas
Ryan Gosling - Blue Valentine
Mark Wahlberg - O Vencedor

Melhor atriz (drama)

Halle Berry - Frankie and Alice
Nicole Kidman - The Rabbit Hole
Jennifer Lawrence - Inverno da Alma
Natalie Portman - Cisne Negro
Michelle Williams - Blue Valentine

Melhor ator (musical / comédia)

Johnny Depp - Alice no País das Maravilhas
Johnny Depp - O Turista
Paul Giamatti - Barney's Version
Jake Gyllenhaal - Amor e Outras Drogas
Kevin Spacey - Casino Jack

Melhor atriz (musical / comédia)

Annette Bening - Minhas Mães e meu Pai
Anne Hathaway - Amor e Outras Drogas
Angelina Jolie - O Turista
Julianne Moore - Minhas Mães e meu Pai
Emma Stone - Easy A

Melhor ator coadjuvante

Christian Bale - O Vencedor
Michael Douglas - Wall Street 2
Andrew Garfield - A Rede Social
Jeremy Renner - Atração Perigosa
Geoffrey Rush - O Discurso do Rei

Melhor atriz coadjuvante
Amy Adams - O Vencedor
Helena Bonham Carter - O Discurso do Rei
Mila Kunis - Cisne Negro
Jacki Weaver - Animal Kingdom
Melissa Leo - O Vencedor

Melhor diretor

Darren Aronovsky - Cisne Negro
David Fincher - A Rede Social
Tom Hooper - O Discurso do Rei
Christopher Nolan - A Origem
David O. Russell - O Vencedor

Melhor roteiro

Danny Boyle and Simon Beaufoy - 127 Horas
Lisa Cholodenko e Stuart Blumberg - Minhas Mães e meu Pai
Christopher Nolan - A Origem
David Seidler - O Discurso do Rei
Aaron Sorkin - A Rede Social
Melhor filme em lingua estrangeira

Biutiful
The Concert
The Edge
I Am Love
Em um Mundo Melhor

Melhor longa animado

Meu Malvado Favorito
Como Treinar o Seu Dragão
O Mágico
Enrolados
Toy Story 3

Melhor trilha sonora original

Alexandre Desplat - O Discurso do Rei
Danny Elfman - Alice no País das Maravilhas
A.R. Rahman - 127 Horas
Trent Reznor e Atticus Ross - A Rede Social
Hans Zimmer - A Origem

Melhor canção original

"Bound to You" - Burlesque
"Coming Home" - Country Strong
"I See the Light" - Enrolados
"There's A Place For Us" - As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada
"You Haven't Seen The Last of Me" - Burlesque

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Quero Ver Novamente #9

Desde outubro parece que o nome "Beatles" não tem dado trégua na mídia nacional. Nestes últimos meses, tivemos o aniverário de 70 anos de John Lennon (09 de outubro), os shows de Paul McCartney no Brasil em novembro e, no último dia 08/12, a lembrança dos 30 anos do assassinato de John.

Tudo isso me faz lembrar que um dos longas estrelados pelos Fab Four, "A Hard Day's Night" (conhecido no Brasil como "Os Reis do Iê, Iê, Iê!"), possui qualidade cinematográfica indiscutível. Dirigido por Richard Lester, o filme pode ser colocado como o responsável pelo futuro surgimento da MTV, já que a fórmula de assossiação imagem-música criada por Lester é, basicamente, a mesma utilizada até hoje nos videoclipes. Futuramente, os próprios Beatles utilizariam este conceito nos primeiros clipes da história da música pop, com as canções "Penny Lane" e "Strawberry Fields Forever". Ademais, poucos filmes captam tão bem o espírito de uma época, com a explosão da juventude e o surgimento do que hoje conhecemos como cultura pop. Este já está na minha lista de reprises para uma data bastante breve! Confira abaixo o estouro da beatlemania...



quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

"Tropa de Elite 2" chegou lá!



Esta notícia já era esperada há alguns dias e hoje foi ratificada. "Tropa de Elite 2" tornou-se o filme brasileiro mais visto em todos os tempos. Com as exibições até a noite de terça-feira 07/12, o longa de José Padilha alcançou 10.736.995 milhões espectadores. "Nunca antes na história desse país" um filme havia alcançado tamanho número de bilhetes vendidos!

O recorde anterior pertencia a "Dona Flor e Seus Dois Maridos", dirigido por Bruno Barreto em 1976, o qual contava com 10.735.525 milhões espectadores.

Já "A Dama do Lotação", dirigido por Neville de Almeida em 1978, levou 6,5 milhões de pessoas aos cinemas (passando agora a ser o terceiro colocado em número de espectadores). "Tropa de elite 2" está há nove semanas em cartaz e, atualmente, está sendo exibido em 331 salas.

Na opinião deste blogueiro, o feito é justo, muito justo! É justíssimo!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A Rede Social



Rede de solitários


David Fincher é, inegavelmente, um dos melhores diretores em atividade no cinema norte-americano. Alguns de seus filmes, inclusive, alcançaram grande popularidade, como os ótimos “Seven”, “Clube da Luta” e “O Curioso Caso de Benjamin Button” Ademais, analisando as entrelinhas destas obras, verificamos traços autorais fortíssimos. Talvez o mais marcante deles seja a existência de personagens (normalmente os protagonistas) que se sentem socialmente excluídos/inadequados. É assim com o personagem de Edward Norton em “Clube da Luta” e é assim com o Benjamin de Brad Pitt no terceiro filme mencionado (sem falar nos dois antagonistas de “Seven”, o policial de Pitt e o sociopata de Kevin Spacey).

Neste seu novo “A Rede Social” não é diferente. O protagonista Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg, ótimo no papel), o criador do Facebook, o mais jovem bilionário do mundo, é mostrado, antes de tudo, como um grande solitário que, apesar de sua enorme inteligência, não consegue estabelecer relações sociais sólidas. O longa (que teve roteiro de Aaron Zorkin, baseado em livro de Ben Mezrich) tem início colocando em ênfase esta sua dificuldade. Em uma cena com marcante atuação dos participantes, Zuckerberg leva um fora de sua então namorada Erica Albright (papel de Rooney Mara). Na discussão, Erica pronuncia uma frase que parece se tornar um marco negativo na vida do jovem estudante de Harvard: “você não tem sucesso com as garotas por ser nerd, mas por ser um babaca”. Enfurecido, Mark se vinga da ex criando um site de competição entre garotas universitárias, onde os usuários atribuem notas para as concorrentes. A partir do lamentável sucesso da empreitada (que leva o servidor a entrar em pane devido à grande quantidade de acessos simultâneos), Zuckerberg é convidado a desenvolver um projeto de uma rede social por colegas de Harvard. Para isso, conta com a ajuda do grande (e único) amigo Eduardo Gaverin (Andrew Garfield, o próximo Homem-Aranha das telonas), brasileiro e colega de faculdade. É de conhecimento público que Gaverin foi passado pra trás por Zuckerberg, depois que este se aliou a Sean Parker (o cantor Justin Timberlake, em surpreendente boa atuação), o criador do Napster e escroque de marca maior (pelo menos essa é a imagem que o filme retrata).

Contudo, tais atitudes reprováveis do protagonista se mostram, na visão de Fincher, como resultado de seu sentimento de rejeição social. Erica sofre bullyng virtual em consequência da rejeição a Mark, assim como Eduardo sofre as consequências de ser mais popular e ter maior sucesso com as mulheres, fato que, subentende-se, se revela como a origem de sua trapaça com o amigo. E é louvável que Fincher não caia nas facilidades do maniqueísmo. O nosso protagonista é antipático, tem um caráter duvidoso, mas jamais somos levados a ser juízes de suas atitudes e nem o diretor se presta a esse papel.

Ironicamente, toda a narrativa é levada a cabo a partir das lembranças dos personagens em uma audiência judicial (audiência esta realizada no curso do processo promovido por Gaverin). Ou seja, vamos tomando conhecimento dos fatos em flashbacks constantes, mas é interessante como estas idas e vindas temporais, antes de confundir o espectador, ajudam a manter o ritmo do filme, já que o mesmo é bastante falado (o que pode cansar alguns). Neste ponto, vale um elogio à edição primorosa do longa, que consegue estabelecer um dinamismo mesmo em uma trama onde os personagens basicamente apenas conversam e teclam em computadores. Em um longa tão verborrágico, óbvio que as atuações se transformam também em elemento primordial. E elas não decepcionam. Jesse Eisenberg, como dito acima, alcança o tom certo para um personagem difícil, conferindo-lhe humanidade ao mesmo tempo que mostra suas facetas obscuras (circula na internet que ele deve ser indicado ao Oscar, o que não seria injusto). Também, neste ponto, se destaca a presença de Andrew Garfield (fazendo muito fã do herói aracnídeo ficar aliviado). Ele compõe seu Eduardo, com seu jeito mais descontraído e simpático, como um contraponto ao antipático e retraído Zuckerberg, mas sem cair na caricatura do amigo “popular”. Justin Timberlake, o famoso cantor e dançarino, está bem na interpertação do seu Sean Parker, quem diria! Finalmente, o elenco feminino não tem muito o que fazer. Mesmo Rooney Mara, a tal Erica que dá o fora em Zuckerberg, aparece em poucas cenas. As mulheres no filme surgem apenas como impulsionadoras das atitudes dos rapazes, sem maior aprofundamento. Aliás, a grande maioria das personagens femininas do filme é exibida como promíscua e/ou fútil, escapando dessa visão apenas a mencionada Erica e a advogada de Jesse durante o processo judicial, o que acaba se tornando um ponto fraco do longa (mas, em verdade, é uma constante na obra de Fincher, autor de longas em geral predominantememte masculinos). Outro ponto negativo são os momentos meio jogados a machadadas no roteiro para que percebamos que Mark ainda nutre sentimentos por Erica (um em especial, durante um diálogo entre Zuckerberg e Parker em uma boate, me pareceu um tanto forçado). Ressalte-se que o Zuckerberg real nega a existência do namoro.

Mas é importante destacar: com a “A Rede Social” Fincher procura, acima de tudo, traçar um painel da sociedade atual, extremamente ligada por laços virtuais (“o que você escreve na internet não pode ser apagado”, é dito a certa altura), mas a cada dia mais individualista, tonando-se um precursor na abordagem dessas relações aproximadas/distanciadas. Não há maior paradoxo e ironia do que o criador de um site de relacionamentos que reúne 500 milhões de usuários em todo o mundo não possuir um amigo sequer. A fantástica conclusão, pontuada pela canção “Baby, You’re a Rich Man” dos Beatles, sublinha com veemência esta realidade. Talvez a tais redes sociais tivessem na designação “redes de solitários” uma definição mais feliz.

Cotação:

Nota: 9,5