
Lendas precisam ser bem contadas
Zack Snyder vem sendo reverenciado por parte da crítica especializada de forma um tanto incompreensível. Diretor das adaptações das HQs para o cinema “300” e “Watchmen”, alguns conseguem enxergar em seus longas-metragens algo de “revolucionário”, “inovador”, que este que vos escreve sinceramente não consegue. Ou será que sua câmera-lenta seguida de câmera-acelerada é algo tão especial assim a justificar tais adjetivos? Sinceramente, não acredito que seja. Os dois filmes citados são bons, mas nada que justifique uma grande ovação. Talvez a maior virtude de “300”, pegando o exemplo, seja sua fidelidade quase canina ao material que lhe deu origem (os quadrinhos de Frank Miller já eram suficientemente cinematográficos, o que facilitou bastante o trabalho do diretor), o que, de resto, já havia sido feito por Robert Rodriguez em “Sin City”. Já a adaptação da HQ de Alan Moore resultou rasa diante do potencial reflexivo da obra original, transformando-se muitos mais em uma trama de ação/super-herói do que em algo que faça o espectador pensar.
E é dentro deste nível bom-mas-nem-tanto que foi realizado este “A Lenda dos Guardiões”, animação com técnicas de CGI que impressiona pelo realismo, mas que possui uma trama sem muita novidade. Ela conta a estória da jovem coruja Soren, que passou a vida toda ouvindo as lendas contadas por seu pai sobre os Guardiões de Ga’Hoole, um grupo de corujas responsável por manter a paz em toda a floresta, paz esta que, no presente, é ameaçada pelo grupo dos Taitos, o qual sequestra e realiza uma espécie de lavagem cerebral nas jovens corujinhas para que estas passem a servi-los como autômatos. Soren é uma destas corujas, que ainda não aprenderam a voar, que são sequestradas pelos Taitos. Nesse processo, ele conhece a corujinha Gylfie, ao lado de quem escapará das prisões dos Taitos e buscará a ajuda dos Guardiões (que antes imaginava ser mesmo apenas uma lenda). Daí em diante, eu não vou falar o que acontece, mas também não difícil imaginar.
O roteiro (escrito por John Orloff e John Collee, baseados na série literária de Kathryn Lasky), além de previsível, possui alguns furos e questões mal resolvidas. Por exemplo: os Taitos escravizam as corujinhas para que seu trabalho alimente uma espécie de campo energético cuja origem e finalidade carecem de maiores explicações. Alguns momentos do longa também se mostram muito apressados. Parece haver sempre uma pressa em seu desenrolar, talvez porque a narrativa de cunho épico exigisse mais tempo para ser bem desenvolvida. O problema é que isto exigiria, por outro lado, uma paciência maior da faixa etária alvo do longa, o que não é uma característica típica da idade. O filme também tem um tom muito sério, o que não é necessariamente um defeito. Nem sempre crianças querem apenas rir ao ir ao cinema. Querem também viajar com aventuras e estórias de heroísmo. Contudo, para que essa viagem aconteça é necessário que a estória seja bem contada, o que, como dito, não é o caso do presente longa. Talvez isso seja resultado da direção via teleconferência inventada por Snyder, que estava no Canadá durante boa parte da produção (mas é interessante como, mesmo à distância, ele não esqueceu de inserir suas cenas câmera-lenta-e-acelerada).
Os aspectos técnicos, entretanto, são realmente impressionantes. Em várias sequências parece que estamos diante de corujas de verdade, tal o realismo com que foram concebidas. Para tanto também contribui muito a recusa de se atribuir características antropomórficas às corujas, algo muito comum em animações, e que acabou exigindo maior empenho da equipe na busca por soluções de movimentos. A expressão dos olhos, algo essencial para enxergarmos realidade nas emoções dos personagens (ainda mais em se tratando de corujas), também é muito bem realizada. Assim, a empatia com Soren e seus amigos é facilmente obtida com os pequenos.
Narrativas de transição e amadurecimento como esta de “A Lenda dos Guardiões” são necessárias para a infância, sendo importantes para ajudar os pequenos a ter referências de conduta. É assim desde os primórdios da humanidade, quando essas lendas eram transmitidas de geração em geração. Contudo, é necessário que o contador de estórias seja bom, garantindo a atenção dos pequenos. Em uma próxima experiência, é importante que Snyder se lembre dessa necessidade, dando atenção ao roteiro tanto quanto dá à técnica empregada.
Cotação:
Zack Snyder vem sendo reverenciado por parte da crítica especializada de forma um tanto incompreensível. Diretor das adaptações das HQs para o cinema “300” e “Watchmen”, alguns conseguem enxergar em seus longas-metragens algo de “revolucionário”, “inovador”, que este que vos escreve sinceramente não consegue. Ou será que sua câmera-lenta seguida de câmera-acelerada é algo tão especial assim a justificar tais adjetivos? Sinceramente, não acredito que seja. Os dois filmes citados são bons, mas nada que justifique uma grande ovação. Talvez a maior virtude de “300”, pegando o exemplo, seja sua fidelidade quase canina ao material que lhe deu origem (os quadrinhos de Frank Miller já eram suficientemente cinematográficos, o que facilitou bastante o trabalho do diretor), o que, de resto, já havia sido feito por Robert Rodriguez em “Sin City”. Já a adaptação da HQ de Alan Moore resultou rasa diante do potencial reflexivo da obra original, transformando-se muitos mais em uma trama de ação/super-herói do que em algo que faça o espectador pensar.
E é dentro deste nível bom-mas-nem-tanto que foi realizado este “A Lenda dos Guardiões”, animação com técnicas de CGI que impressiona pelo realismo, mas que possui uma trama sem muita novidade. Ela conta a estória da jovem coruja Soren, que passou a vida toda ouvindo as lendas contadas por seu pai sobre os Guardiões de Ga’Hoole, um grupo de corujas responsável por manter a paz em toda a floresta, paz esta que, no presente, é ameaçada pelo grupo dos Taitos, o qual sequestra e realiza uma espécie de lavagem cerebral nas jovens corujinhas para que estas passem a servi-los como autômatos. Soren é uma destas corujas, que ainda não aprenderam a voar, que são sequestradas pelos Taitos. Nesse processo, ele conhece a corujinha Gylfie, ao lado de quem escapará das prisões dos Taitos e buscará a ajuda dos Guardiões (que antes imaginava ser mesmo apenas uma lenda). Daí em diante, eu não vou falar o que acontece, mas também não difícil imaginar.
O roteiro (escrito por John Orloff e John Collee, baseados na série literária de Kathryn Lasky), além de previsível, possui alguns furos e questões mal resolvidas. Por exemplo: os Taitos escravizam as corujinhas para que seu trabalho alimente uma espécie de campo energético cuja origem e finalidade carecem de maiores explicações. Alguns momentos do longa também se mostram muito apressados. Parece haver sempre uma pressa em seu desenrolar, talvez porque a narrativa de cunho épico exigisse mais tempo para ser bem desenvolvida. O problema é que isto exigiria, por outro lado, uma paciência maior da faixa etária alvo do longa, o que não é uma característica típica da idade. O filme também tem um tom muito sério, o que não é necessariamente um defeito. Nem sempre crianças querem apenas rir ao ir ao cinema. Querem também viajar com aventuras e estórias de heroísmo. Contudo, para que essa viagem aconteça é necessário que a estória seja bem contada, o que, como dito, não é o caso do presente longa. Talvez isso seja resultado da direção via teleconferência inventada por Snyder, que estava no Canadá durante boa parte da produção (mas é interessante como, mesmo à distância, ele não esqueceu de inserir suas cenas câmera-lenta-e-acelerada).
Os aspectos técnicos, entretanto, são realmente impressionantes. Em várias sequências parece que estamos diante de corujas de verdade, tal o realismo com que foram concebidas. Para tanto também contribui muito a recusa de se atribuir características antropomórficas às corujas, algo muito comum em animações, e que acabou exigindo maior empenho da equipe na busca por soluções de movimentos. A expressão dos olhos, algo essencial para enxergarmos realidade nas emoções dos personagens (ainda mais em se tratando de corujas), também é muito bem realizada. Assim, a empatia com Soren e seus amigos é facilmente obtida com os pequenos.
Narrativas de transição e amadurecimento como esta de “A Lenda dos Guardiões” são necessárias para a infância, sendo importantes para ajudar os pequenos a ter referências de conduta. É assim desde os primórdios da humanidade, quando essas lendas eram transmitidas de geração em geração. Contudo, é necessário que o contador de estórias seja bom, garantindo a atenção dos pequenos. Em uma próxima experiência, é importante que Snyder se lembre dessa necessidade, dando atenção ao roteiro tanto quanto dá à técnica empregada.
Cotação:































