domingo, 26 de setembro de 2010

Para Ver Em Um Dia de Chuva



Diário de Uma Paixão
(The Notebook)


Assumidamente romântico


A tradição dos filmes românticos anda em baixa no cinema atual. Vivemos tempos cínicos, frios, onde pessoas românticas são tidas como bobas ou ingênuas, e isso acaba se refletindo na produção cultural. Até mesmo as tradicionais comédias românticas hoje são mais “comédias” do que “românticas”, apresentando uma forma de enxergar o amor muito mais pragmática do que em décadas passadas. Dentro destas cinrcunstâncias, torna-se extremamente prazeroso e bem-vindo rever um filme como “Diário de Uma Paixão”.

Dirigido por Nick Cassavetes (filho do lendário John Cassavetes), “The Notebook” é um daqueles longas-metragens desavergonhadamente meloso. Não estranhe se, durante a exibição dele em sua sala, um caminho de formigas tomar o rumo de sua TV. Contudo, é exatamente este romantismo assumido que acaba encantando a quem assiste, uma vez que traz uma nostalgia de tempos mais puros, em que se acreditava mais facilmente em um amor verdadeiro. Afinal, é difícil não se envolver com a bela narrativa que traça os caminhos das venturas e desventuras românticas de Noah (o sempre competente Ryan Gosling) e Allie (a encantadora Rachel McAdams), dois jovens que, no início dos anos 40, vivem uma intensa paixão que terá como destino tornar-se muito mais que um namorico de verão. O problema é que os abastados pais da moça se opõem (sim, ecos de “Romeu e Julieta” ecoam pela bilionésima oportunidade em produção cultural ocidental), pois que Noah é apenas um carpinteiro que nunca poderá oferecer a Allie a vida confortável a que ela está acostumada. E assim os momentos de paixão e separação vão se sucedendo, narrados em forma de flashback.

Apontando para este aspecto, não se pode negar que o roteiro (escrito por Jeremy Leven e Jan Sardi, adaptando romance de Nicholas Sparks) sabe se aproveitar de todos os clichês do gênero para fisgar a plateia. Entretanto, apesar de ditos clichês, em vários momentos parece que estamos assistindo a algo novo, nunca dantes filmado, sensação reforçada por uma série de sequências memoráveis, destinadas a produzirem suspiros no público durante muito tempo. Afinal, como não ver beleza na cena da praia em que Allie diz que se sente como um pássaro? Ou ainda quando os dois, na noite do primeiro encontro, dançam no meio da rua sem ouvir qualquer música? A sensação trazida por ditas cenas é aquela buscada por todo espectador que vai a uma sala de cinema, pois que capazes de transportá-lo para uma outra realidade.



Para se alcançar tal imersão, além de um roteiro que toca em pontos nevrálgicos do coração, o diretor Cassavetes se vale de uma fotografia exuberante, realmente primorosa, que só acentua a beleza de sequências como as acima mencionadas. Sempre afirmo e reafirmo que cinema é imagem e Cassavetes parece mesmo conhecer o poder delas. Ademais, é importante ressaltar a química e carisma do casal protagonsita. Gosling está perfeito no papel do rapaz ao mesmo tempo obstinado e romântico, enquanto McAdams encontra-se realmente encantadora. Mesmo a canastrice de David Thornton (que faz o pai de Allie), com seu bigode saído de algum folhetim do século XIX, não chega a comprometer (torna-se até pitoresco) e é em muito compensada pelas presenças de James Garner e Gena Rowlands, os quais interpretam Noah e Allie na 3ª idade. Talvez seja possível afirmar que a trilha sonora seja o ponto mais fraco do longa, mas também não chega a marcar como aspecto negativo (é apenas “esquecível”).

Por outro lado, apesar de suas falhas pontuais, é interessante como o filme passa de forma tão agradável que jamais aparenta ter qualquer defeito, afinal, nem só de técnica vive a arte. O cinema que é capaz de cativar o público com emoção sincera estará sempre entre os melhores, por mais que alguns críticos metidos a besta torçam o nariz para o que definem como “pieguismo”. Uma bela de uma bobagem. Tal como existem músicas bastante piegas, mas que não saem da boca do povo e atravessam as gerações sendo cantadas, há filmes piegas que não saem da memória daqueles que o viram. Isso não os torna inferiores a filmes mais “cerebrais”. Em síntese, “Diário de Uma Paixão” é um longa que afirma: “sou romântico sim, senhor!”. E é exatamente nisso que reside todo o seu charme.


Cotação:
Nota:9,5

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Faroeste Caboclo


Há alguns anos, bem antes deste blog existir, havia escutado uma notícia no "Video Show", da Rede Globo (sim, este já foi um programa decente), sobre um filme que narraria a estória do "João do Santo Cristo", famoso personagem da canção "Faroeste Caboclo", da Leigião Urbana. Lembro que, durante muito tempo, um amigo (fala, Luciano!) sempre me perguntava se eu tinha mais notícias sobre esse projeto e eu, infelizmente, sempre respondia negativamente.

Pois eis que, agora, depois de vários anos, consigo enfim uma notícia sobre dita produção. Em matéria publicada no portal do IG (leia aqui e aqui), o filho de Renato Russo, Giulianno Manfredini, deu sinal de que o projeto está seguindo adiante. A história se arrasta devido aos atritos do herdeiro de Renato com os outros integrantes da banda. Mas já se sabe que o diretor será o brasiliense René Sampaio. Há ainda uma outra produção cinematográfica envolvendo a Legião em andamento. Ela se chamará "Somos Tão Jovens" e terá como mote a formação da banda (um possível intérprete para Renato será Caio Blat). Enfim, boas notícias para aqueles que, como eu, além de cinéfilos, são também legionários.

sábado, 18 de setembro de 2010

Trilha Sonora #13


"O Rei Leão" é, com certeza, uma das melhores animações de todos os tempos! A versão para crianças (ou não!) da tragédia shakespeariana "Hamlet" até hoje ainda impressiona pela beleza de suas imagens e enorme carisma de seus personagens, muito bem adaptados para o grande público. Memorável ainda a sua canção tema, vencedora do Oscar, uma das grandes composições de Elton John. Ouça abaixo e viva a nostalgia!


quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Filmes Para Ver Antes de Morrer


O Iluminado
(The Shining)


Violência domést
ica

Muitos consideram “O Iluminado” como o filme mais assustador da história do cinema. E é provável que o seja. Afinal, um filme de horror dirigido pelo gênio Stanley Kubrick só poderia mesmo resultar em algo fora do comum, memorável. Muito do terror, claro, resulta do talento do mestre, com seu perfeccionismo e domínio completo da linguagem cinematográfica, realizando tomadas com ângulos inusitados, clima de tensão crescente, sensação de claustrofobia e perda da sanidade mental. Além disso, Kubrick é um dos cineastas que mais conheciam a força imagética da 7ª arte, construindo cenas que já se eternizaram no inconsciente coletivo. Todavia, talvez a grande força aterradora do longa seja a ideia de ser ameaçado por alguém que, antes de tudo, deveria lhe proteger. Não deve haver maior terror do que uma violência partindo de alguém que você ama.

Esse é o conceito que Kubrick trabalha ao adaptar o livro homônimo de Stephen King. O escritor, aliás, sempre afirmou que sua obra era “um pequeno conto sobre bloqueio de autor” e, talvez por isso (e curiosamente), não tenha gostado da adaptação realizada por Kubrick. Este último, na realidade, procurou traduzir, nas telas, uma reciclagem das velhas estórias de “casa mal-assombrada” para retratar o assombro que muitos vivem diariamente no mundo real: a violência doméstica. Afinal, Jack Torrance, o pai de família interpretado por Jack Nicholson, é um escritor com problemas criativos e financeiros que se presta a trabalhar como zelador do Hotel Overlook, uma estância de verão nas montanhas rochosas do Colorado. O problema é que o serviço será prestado durante o inverno, quando todos os funcionários deixam o local, que fica praticamente isolado devido às fortes nevascas que se abatem sobre a região durante a estação fria. Ou seja, isolamento completo. Jack leva sua família com ele, a esposa Wendy (Shelley Duvall) e o pequeno Danny (Danny Lloyd), o tal “iluminado” do título, possuindo poderes mediúnicos que o alertam sobre eventos futuros e presenças malignas. Com problemas passados com o alcoolismo, Jack, desta forma, parece resumir as características de pais violentos, pois que se encontra em um momento profissional difícil e, influenciado pelo álcool mais uma vez, acaba por descontar na família as suas frustrações. A solidão que a família passa a viver no Overlook é muito representativo do isolamento social porque Jack passa, afinal ele é um “fracassado” (de acordo com a concepção tola criada pelos norte-americanos sobre “fracasso” e “sucesso”). Tais condicionamentos acabam por levá-lo a atos de violência que, no contexto do roteiro, são induzidos por fantasmas que há muito habitam o hotel, almas penadas vítimas de assassinatos extremamente violentos e que ali permaneceram para todo o sempre. Na realidade, uma alegoria para os fantasmas que rondam o inconsciente de pessoas que acabam perdendo o controle, atribuindo a culpa de seu fracasso a quem está mais próximo.



Todo esse processo é coroado, de maneira imageticamente poderosa, com a perseguição que Jack empreende de machado em punho contra sua esposa e filho, uma sequência digna realmente dos piores pesadelos. Não é à toa que já foi escolhida em eleições promovidas por publicações especializadas como a cena mais aterradora da história do cinema. Vale sublinhar que o terror visto em tela é resultado, em parte, do mencionado perfeccionismo de Kubrick, o qual levou sua equipe a repeti-la à exaustão (mais de 70 takes, segundo informações que constam do próprio making off do longa). Shelley Duval teria dito que sua expressão de horror já era fruto do estado nervoso em que estava, tamanha a obsessão do diretor (sabidamente um tirano nos sets). Contudo, algumas das seqüências que mais geram calafrios no público são aquelas do pequeno Danny vagando com seu velocípede pelos corredores do hotel. Impressionante como apenas o uso inteligente da câmera, que persegue o velocípede (a então novidadeira steadicam), além do uso do som do brinquedo, é capaz de produzir calafrios em qualquer um. Outra cena memorável é a do elevador jorrando sangue por todos lados, também digna de tenebrosos pesadelos. Aliás, essa sensação onírica parece percorrer toda a exibição desde o início, com as belas tomadas das paisagens da região, o que, de resto, parece ser algo sempre presente na filmografia de Kubrick (“Laranja Mecânica” e “De Olhos Bem Fechados” são outros exemplos que me vêm à mente). E, claro, como é ainda marcante nos filmes do diretor, as imagens são sublinhadas por uma trilha sonora poderosa (composta por Wendy Carlos e Rachel Elkind).



Se tudo isso ainda não convenceu você a assistir a “O Iluminado”, vale considerar ainda a presença transtornada de Jack Nicholson, em um papel que para sempre lhe renderia tiques interpretativos. Sabe-se que Nicholson não é lá um exemplo de pessoa “normal” e suas expressões extremamente marcantes, com aquela aparência de maluco-de-camisa-de-força ensandecido, com certeza farão você lembrar de Jack Torrance por muito tempo.

Ou seja, Stanley Kubrick, com sua genialidade ímpar, concebeu uma obra-prima do terror moderno. Muitos críticos não colocam este como um dos seus melhores trabalhos, talvez por considerá-lo apenas mais um filme de sustos. Longe disso, o longa faz uma análise de medos inconscientes e causa impacto por mostrar o horror dentro de uma família. Só não aconselho vê-lo antes de ir dormir. É provável que você não consiga mais cair no sono...


Cotação e nota: Obra-prima.

domingo, 12 de setembro de 2010

Claude Chabrol: 1930-2010


Faleceu o cineasta Claude Chabrol, companheiro de Truffaut e Godard na Nouvelle Vague. Abaixo, reproduzo a notícia publicada no G1. Fará grande falta!



"O cineasta francês Claude Chabrol morreu neste domingo (12) aos 80 anos, segundo a Prefeitura de Paris.

Chabrol é considerado um dos autores principais da cinematografia francesa e da Nouvelle Vague. Foi diretor, produtor, ator e crítico do "Cahiers du cinéma".

Chabrol ficou famoso por filmes bem humorados e sutis, em que criticava a burguesia de seu país.

Filho de uma família de farmacêuticos, nasceu em 24 de junho de 1930 Paris, mas passou a adolescência em Creuse, no centro da França, durante a Segunda Guerra Mundial.
O cineasta francês Claude Chabrol em 15 de março de 2004 no set.O cineasta francês Claude Chabrol em 15 de março de 2004 no set. (Foto: AFP)

Voltou à capital para estudar Letras e Farmácia.

Formado em Letras, participou do começo da Nouvelle Vague, movimento de renovação do cinema francês.

Sua primeira atuação foi como crítico na legendária publicação "Cahiers du cinéma", ao lado de François Truffaut e Jacques Rivette -que, a exemplo dele, também se tornariam importantes diretores.

Chabrol começou a se firmar com "Le Beau Serge" (O belo Sergio, de 1957), que recebeu o prêmio Jean Vigo e o prêmio principal do Festival de Locarno em 1958.

No ano seguinte, seu "Les Cousins" (Os primos) ganhou o Urso de Ouro no Festival de Berlim.

Chabrol se separou de sua primeira mulher para casar com a atriz Stéphane Audran, que atuou em filmes seus como "La femme infidèle" (A mulher infiel), "Le Boucher" (O açougueiro, de 1970) e "Juste avant la nuit" (Ao anoitecer, de 1970).

Também é creditado a ele o mérito de ter revelado a atriz Isabelle Huppert, em "Violete Nozière", de 1978. Ela voltaria a atuar em filmes seus como "Una affaire de femmes" (Um assunto de mulheres, de 1988), "La Céremonie" (Mulheres diabólicas, de 1995) e "Merci pour le chocolat" (A teia de chocolate, de 2000).

Em 2009 dirigiu "Bellamy" e suas últimas obras foram dois capítulos de "Au siècle de Maupassant: Contes et nouvelles du XIXème siècle".

Também conseguiu sucesso de bilheteria com filmes mais leves, como "Inspecteur Lavardin", de 1986, e "Poulet au vinaigre" (Frango ao vinagrete, de 1985), que contam histórias policiais estreladas pelo ator Jean Poiret.

Sua obra inclui mais de 80 filmes, entre cinema e televisão. Ele foi premiado em 2005 com o Prêmio René Clair, da Academia Francesa, e em 2010 com o Grande Prêmio para autores dramáticos.

Também recebeu, em 2009, o prêmio pelo conjunto da obra no Festival de Berlim.

Chabrol havia se casado pela terceira vez em 1983 com Aurore Pajot. Ele deixa quatro filhos."

Clique no link abaixo para ir ao blog de Rubens Ewald Filho, que publicou texto bem interessante sobre Chabrol.

http://noticias.r7.com/blogs/rubens-ewald-filho/

sábado, 11 de setembro de 2010

Quero Ver Novamente # 6

Na realidade, eu estava pensando em uma sessão do "Trilha Sonora", mas encontrei este video no Youtube, com um clipe das cenas do filme, e acabei sendo levado a postar mais um da série "Quero Ver Novamente". Este filme, "Apenas Uma Vez" (Once), é uma pequena obra-prima, de beleza única, para ser visto e revisto. Quem já viu, sabe do que estou falando e quem não viu não sabe o que está perdendo...

Obs. Sandra, este post é dedicado a você! ;=)


quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Divulgados concorrentes brasileiros ao Oscar 2011


Ontem, quarta-feira, o Ministério da Cultura (MinC) divulgou a lista dos 23 filmes que podem ser o selecionado para concorrer a uma das 5 indicações da categoria "Melhor Filme Estrangeiro do Oscar".

O nome da produção brasileira escolhida vai ser anunciado no próximo dia 23 de setembro por uma comissão especial de seleção formada por membros do MinC e de outras instituições como a Agência Nacional de Cinema do Brasil (Ancine)e a Academia Brasileira de Cinema.

A lista com todos os cinco indicados para categoria vai ser divulgada apenas em 25 de janeiro de 2011.

Veja a lista dos filmes, entre eles o elogiado "5 X Favela", o sucesso "Chico Xavier", o controverso "Lula - O Filho do Brasil" e a bomba "O Bem Amado".


As Melhores Coisas do Mundo – Laís Bodanzky
Sonhos Roubados – Sandra Werneck
Utopia e Barbárie – Sílvio Tendler
A Suprema Felicidade – Arnaldo Jabor
Antes que o Mundo Acabe – Ana Luiza Azevedo
Bróder! – Jeferson De
É Proibido Fumar - Anna Muylaert
Em Teu Nome – Paulo Nascimento
Hotel Atlântico – Suzana Amaral
Lula, o Filho do Brasil – Fábio Barreto
Nosso Lar – Wagner Assis
Carregadoras de Sonhos – Deivison Fiuza
Cabeça a Prêmio – Marco Ricca
5x Favela – Agora por Nós Mesmos – Luciana Bezerra, Cacau Amaral, Rodrigo Felha, Wavá Novais, Manaíra Carneiro, Cadu Barcellos e Luciano Vidigal
O Grão – Petrus Cariry
Os Inquilinos (Os Incomodados que se Mudem) – Sérgio Bianchi
Os Famosos e os Duendes da Morte – Esmir Filho
Quincas Berro D’água – Sérgio Machado
Reflexões de um Liquidificador – André Klotzel
Chico Xavier – Daniel Filho
Olhos Azuis – José Joffily
Ouro Negro – Isa Albuquerque
O Bem Amado – Guel Arraes



domingo, 5 de setembro de 2010

Nosso Lar



Para iniciados


O cinema nacional vive, neste ano de 2010, uma onda de filmes com temática vinculada aos princípios do Espiritismo Kardecista, muito em virtude do centenário de nascimento de Chico Xavier, o médium mais querido do país (no plano televisivo, ainda podemos lembrar a atual novela das 18h da Rede Globo, “Escrito nas Estrelas”). Em abril, tivemos o lançamento de sua biografia cinematográfica, o bom “Chico Xavier”, com enorme sucesso de público e boa aceitação da crítica. Agora, temos este “Nosso Lar”, adaptação do livro que o mencionado Chico psicografou e é atribuído ao espírito de André Luiz, um médico brasileiro que teria tido sua última encarnação no início do século passado (alguns afirmam que ele teria sido um dos fundadores de um certo clube de camisas de cores vermelha e preta no Rio de Janeiro*).

Adianto, desde já, que nunca li a obra literária, o que, por um lado, é algo positivo, pois que me possibilita avaliar o longa tendo como referência apenas o que foi visto na tela. Tendo em vista tal circunstância, posso afirmar que o primeiro problema que se apresenta para um filme como esse é o do envolvimento do espectador. É inevitável que uma trama que mostra como seria “o outro lado da vida” acabe despertando reações diversas na plateia, dependendo da crença de cada um dos assistentes. Óbvio que aqueles que acreditam na doutrina espírita terão uma facilidade bem maior para se envolver com a narrativa, enquanto outros, céticos, poderão se mostrar indiferentes ou considerar tudo até uma grande bobagem.

O roteiro, escrito pelo próprio diretor Wagner de Assis de acordo com os conceitos espíritas, mostra a vida de André Luiz após ter desencarnado, sua passagem pelo Umbral (um tipo de purgatório) e sua chegada ao ambiente conhecido como Nosso Lar, uma espécie de cidade espiritual, que também possui a sua burocracia, seus hospitais, suas formas de locomoção etc. E onde também é necessário trabalhar para conseguir certos objetivos, mesmo que esses objetivos não sejam os mundanos “dinheiro-fama-poder”. Entretanto, na narrativa tudo se desenvolve de forma bastante expositiva, didática mesmo. Muitos afirmam que o livro realmente é desta forma, assemelhando-se a uma aula de como as coisas se passam no além-túmulo. O problema é que cinema possui uma outra linguagem, exigindo força narrativa maior para atingir em cheio o espectador. E, nesse propósito, o filme acaba falhando, pelo menos para aqueles que não são seguidores da doutrina. Uma solução interessante teria sido mostrar mais da vida de André antes de seu falecimento, para que assim pudéssemos conhecer melhor o personagem e estabelecer links emocionais a serem explorados com maior eficácia na segunda metade do longa. Da maneira como filmado, aquele que deveria ser o clímax não chega a funcionar a contento, apesar de constituir uma sequência bem realizada em termos dramáticos.

Outro aspecto que deixa a desejar é justamente este, o dramático. A produção optou pela escalação de um ator pouco conhecido, Renato Prieto, para o papel do protagonista André, o que acaba se tornando um equívoco. Renato se esforça, mas não tem o carisma suficiente para levar o filme nas costas, alternando bons (como a citada sequência do “clímax”) e maus momentos. Nem mesmo o elenco de apoio se sai bem, apesar de nomes como Othon Bastos, Paulo Goulart e Ana Rosa, pois seus personagens são praticamente destituídos de conflitos, servindo apenas para orientar André em suas novas vivências espirituais.

Entretanto, não se pode negar que o filme possui elementos que se constituem em uma evolução dentro do cinema nacional. Os R$ 20 milhões investidos na produção (o que a transforma na mais cara produção brasileira em todos os tempos) são vistos principalmente nos efeitos especiais (da empresa canadense Intelligent Creatures), responsáveis pela materialização da cidade espiritual, repleta de elementos futuristas. Os planos aéreos da comunidade são mesmo ótimos e convincentes, mas também é verdade que outros efeitos deixam a desejar, como a materialização dos espíritos na região do Nosso Lar quando vindos da área do Umbral. Contudo, há de se elogiar o esforço dos produtores em sair do comodismo e apatia reinantes no nosso cinema, reconhecidamente pouco ousado nesta seara técnica (a despeito dos figurinos me soarem equivocados, parecendo roupas de Krypton ou similares). Por sinal, outro aspecto técnico que desperta atenção é a trilha sonora, composta pelo badalado Phillip Glass. Com freqüência, as trilhas de Glass são invasivas, mas aqui até que ele se contém e não se pode negar a beleza de suas composições. Outro ponto que me agradou foi a caracterização do Umbral. Utilizando-se de poucos recursos especiais, ele se mostra bem realista em várias tomadas, mesmo que também muitas vezes lembre mais o inferno (“A Divina Comédia”, de Dante, vem logo à mente).

Todavia, todo este esmero técnico vai esbarrar na disposição do espectador em embarcar na crença na doutrina abordada. Se você é kardecista ou já leu ou livro, provavelmente não terá dificuldades de se envolver na proposta. Por outro lado, se é cético ou simplesmente não comunga da mesma crença, poderá considerar tudo uma grande perda de tempo. Desta forma, é um filme voltado para um público específico e vale dizer que, como peça a despertar interesse pela doutrina de Allan Kardec, o filme de Chico Xavier funciona bem melhor. Já “Nosso Lar” é muito mais uma obra para iniciados.


Cotação:

Nota: 7,0


* Se André Luiz fosse botafoguense não teria passado tanto tempo no Umbral!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

7 frases marcantes do cinema!

Na recente edição da série “Quero Ver Novamente”, relembrei a famosa frase de Darth Vader para Luke Skywalker: “Eu sou seu pai”. Na verdade, o cinema está repleto de frases marcantes, as quais ecoam na mente dos apreciadores por muito tempo, muitas vezes durante a vida inteira. A seguir, uma seleção de 7 frases marcantes para os cinéfilos, sem ordem de preferência:


- “Francamente, minha cara, eu não dou a mínima” – De Rhett Buttler (Clark Gable) para Scarlett O’Hara (Vivien Leigh), em sua despedida no clássico “...E o Vento Levou”;



- “Sempre teremos Paris” – De Rick Blane (Humphrey Bogart) para Ilsa Lund (Ingrid Bergman), na antológica despedida do casal em “Casablanca”;


- “Hoje eu sou um vadio, Charlie, vamos admitir” – De Terry Malloy (Marlon Brando) para seu irmão Charley (Rod Steiger), em “Sindicato de Ladrões”;


- “Você me faz querer ser um homem melhor” – De Melvin (Jack Nicholson) para Carol (Hellen Hunt) em “Melhor É Impossível”, uma das mais belas declarações de amor do cinema em todos os tempos;



- “Que a força esteja com você” – De Obi-Wan Kenobi (Sir Alec Guiness), em “Guerra nas Estrelas”, com certeza uma das frases mais “pop” já vistas;


- “Mantenha os amigos por perto e os inimigos mais perto ainda” – de Don Vito Corleone (Marlon Brando) em “O Poderoso Chefão”;


- “My precious” (“meu precioso”) – De Gollum (Andy Serkis), na trilogia “O Senhor dos Anéis”.


Sintam-se à vontade para citar outras frases memoráveis!

domingo, 29 de agosto de 2010

Karatê Kid




Kung-fu muito kid


Quem foi garoto (a) nos anos 80 certamente tem em “Karatê Kid – A Hora da Verdade” uma de suas mais caras memórias cinematográficas. Eu mesmo perdi as contas de quantas vezes assisti ao longa e de quantas tentativas realizei procurando imitar o famoso golpe da garça. Protagonizado por Ralph Macchio e pelo saudoso Pat Morita, o filme mostrava um adolescente, Daniel, que mudava de cidade com sua mãe e lá tinha as tradicionais dificuldades de adaptação. Além disso, passa a ser a vítima preferida dos valentões da redondeza, apanhando diariamente de uns certos praticantes de karatê que usavam a arte marcial para o lado negro da força, até que um dia ele é salvo pelo Sr. Miyagi, um japonês sisudo que depois lhe ensina o karatê através de métodos bastante peculiares. Tudo acaba por culminar em um torneio em que Daniel-San enfrenta seus rivais das ruas.

Décadas depois, o popular e poderoso Will Smith tem a ideia de fazer um remake do clássico oitentista para servir de veículo para o seu filho, Jaden Smith. Dirigido por Harald Zwart (um diretor sem nada muito expressivo no currículo), o projeto gerou controvérsia desde o princípio por alterar a arte marcial praticada pelo protagonista: saiu o karatê, entrou o kung-fu, o que já torna o título meio estranho (não é à toa que o título foi alterado na China para “Kung-fu Kid”). Além dessa, outras alterações são marcantes. Dre Parker (o novo nome do protagonista, interpretado obviamente por Jaden) muda não apenas de cidade, mas de país, acompanhando sua mãe (Taraji P. Henson, indicada ao Oscar por “O Curioso Caso de Benjamin Button”) até a China. Ou seja, já sentimos aqui a força da globalização e da presença cultural da economia que mais cresce no mundo hoje (afinal, negócios são negócios...). Descobrimos, assim, que o bullying parece mesmo ser uma prática que transcende fronteiras, já que Dre passa a apanhar sistematicamente dos praticantes de kung-fu da sua escola. É aí que entra o Sr. Han (Jackie Chan, o astro oriental mais famoso da atualidade) para salvá-lo e ensiná-lo a se defender (substituindo o Miyagi de Morita).

Outra mudança, talvez a mais significativa delas, seja a idade do personagem central. Dre tem apenas 12 anos, ou seja, praticamente uma criança, enquanto que Daniel-San tinha lá os seus 16, 17 anos. Confesso que é bastante estranho ver crianças lutando como adultos, além das cenas explícitas de violência envolvendo as mesmas. Mais um exemplo da hipocrisia da sociedade americana, extremamente conservadora com relação a outros aspectos, mas que libera violência para todas as idades. É até esquisito, na cena em que o Sr. Han salva Dre de seus perseguidores, vê-lo lutando com rapazes que ainda estão mais para moleques... Além disso, muitos golpes e sequências se tornam até inverossímeis devido à pouca idade de seus participantes. Essa questão, inclusive, faz com que a faixa etária alvo do filme também seja mais reduzida, o que acaba se refletindo no seu aspecto mais pueril do que o original, além de caracterizações adequadas a tal público, como a do torneio final, que lembra muito games como “Street Fighter”.

Mas não se pode negar que o filme também tem seus acertos. Jaden Smith mostra que pode ter um belo futuro, não apenas por ser filho de quem é. Ele realmente se dedicou ao papel com muito empenho, como se percebe nas cenas de treinamento, e chega mesmo a surpreender em outras de cunho mais dramático. Jackie Chan também se apresenta bem, muito embora o seu Han não tenha o mesmo impacto do misterioso Miyagi de Morita. Por outro lado, ele já apresenta uma tridimensionalidade que Miyagi só iria desenvolver melhor no segundo episódio da série original. Vale ressaltar ainda que as cenas de luta foram bem coreografadas e a utilização de cenários turísticos chineses em diversas cenas é de encher os olhos. Contudo, como já vem sendo comentado por muitos na internet, o golpe da garça de Daniel possuía, deveras, uma força muito maior, pois que ele treinava o golpe ao longo de boa parte da narrativa, enquanto o golpe final de Dre, a despeito de plasticamente bonito, não oferece ao espectador a sensação de “recompensa” tão presente no original.

No fim, a sensação é aquela que acompanha 90% dos remakes, qual seja, a ausência de necessidade, mesmo que seja sob a justificativa de atualizar a obra para um novo público. É certo que o filme entretém, prende a atenção (apesar de ser um pouco longo) e está indo bem nas bilheterias, mas é desnecessário. Além disso, ver crianças trocando sopapos nunca é algo positivo, mesmo que os garotos de hoje vivam nestes embates por meio dos videogames. Entretanto, não nego: se ainda tivesse meus 12 anos (“quem me dera voltar a tê-los”), possivelmente sairia da sala de cinema empolgado... ;=)


Cotação:

Nota: 7,0

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Quero Ver Novamente # 5

Recentemente, "O Império Contra-ataca" foi escolhido, em uma pesquisa britânica, como a melhor sequência da história do cinema. Vasculhando o Youtube, encontrei esta pérola de cena, na dublagem original em português (muito melhor do que a atual), cena esta reprisada na minha mente de garoto quase ao infinito. Confiram abaixo, mais uma vez, a mais do que clássica revelação da série, certamente um dos grandes momentos da 7ª arte!


domingo, 22 de agosto de 2010

Para Ver Em Um Dia de Chuva



Tudo Que O Céu Permite
(All That Heaven Allows)



Hipocrisia atemporal


É sempre interessante constatar como alguns filmes, apesar de produzidos há algumas décadas, não envelhecem. A despeito de alguns elementos que aparecem datados, suas temáticas centrais permanecem firmes e atuais, talvez como um perfeito registro de que a humanidade tem mesmo enorme dificuldade em superar certas limitações. É o caso de “Tudo Que O Céu Permite”, longa-metragem de 1956 dirigido por Douglas Sirk e por muitos considerado seu melhor trabalho.

Egresso do teatro, Sirk (cujo nome verdadeiro era Detlef Sierk) fez parte da onda de artistas europeus que emigraram para os EUA durante a Segunda Guerra Mundial (tal como Fritz Lang, ficando apenas em um outro exemplo mais famoso), fugindo do nazismo, pois que sua esposa era judia. Dono de uma veia emotiva forte, sua obra foi por muito tempo considerada excessivamente melodramática, feita para o público feminino mais sensível se acabar em lágrimas. Apenas em meados da década de 70, ela começou a passar por uma revisão e pela percepção de que estava recheada de crítica social, talvez com o melodrama sendo usado apenas para fazer do filme um produto mais vendável.

“Tudo Que O Céu Permite” parece se inserir perfeitamente nesta afirmação. A trama mostra Cary Scott, uma simpática e bonita viúva de classe média alta, interpretada por Jane Wyman (a qual já trabalhara com Sirk anteriormente), com dois filhos já em idade universitária que costumam visitá-la nos fins de semana. Ned (William Reynolds), o mais velho, parece um esboço do que seria mais tarde conhecido como um “yuppie”, enquanto Kay (Gloria Talbott), a filha mais adolescente, tem uma aura de intelectual afeita às teorias psicanalíticas de Freud, inclusive incentivando a mãe a casar-se novamente. Apesar de cortejada por homens “bem estabelecidos” socialmente, Cary acaba se apaixonando por seu jardineiro, Ron Kirby (Rock Hudson), 15 anos mais jovem.

É aí que sobe o tom crítico às hipocrisias do “american way of life”, tão presentes nestes meios tipicamente ianques. Cary sofre o preconceito e maledicência de uma comunidade que não aceita uma mulher casar-se com um homem de classe social inferior e, de quebra, ainda bem mais jovem. Até mesmo seus filhos se colocam contra o matrimônio tão logo descobrem quem é o pretendente, havendo um enfoque especial na filha adepta de teorias elaboradas sobre o comportamento humano, mas que acaba apresentando grande dificuldade em colocá-las em prática.

Interpretado com muita competência tanto por Wyman quanto por Hudson (bom lembrar a origem teatral de Sirk, o que logicamente lhe dava uma ótima direção de atores), o casal de protagonistas fisga o público, que passa a torcer pelo amor entre os dois. Contudo, não de pode negar que há um certo tom de novela das 6 na trama, cujas cenas finais chegam mesmo a descambar para o kitsch. Claro que o culpado pela banalização de determinadas soluções não está no longa, mas em toda a profusão de telenovelas que este tipo de projeto inspirou ao longo dos anos. Mas não se pode negar que tais circunstâncias acabam deixando o filme datado em alguns aspectos. Tais aspectos datados, vale destacar, não se limitam a pontos do roteiro. O deslumbre com o Technicolor, por exemplo, transborda em algumas imagens e cenários, especialmente concebidos para agradar a um público que ainda se impressionava com o uso de cores vivas na tela (algumas cenas parecem remeter a paisagens dignas de quadros impressionistas). Por outro lado, não se pode negar que Sirk foi feliz em contrapor o meio rural onde vive Ron, representando os verdadeiros desejos de Cary, ao meio urbano representativo dos artificialismos que a oprimem.

Inspirando vários diretores posteriores, como o alemão Reiner Werner Fassbinder, este longa encontrou ecos até mesmo em obras já do século XXI, como “Longe do Paraíso”, de Todd Haynes, ou até mesmo “Foi Apenas Um Sonho”, de Sam Mendes, muito embora este último possua uma visão menos otimista (inclusive “Na Natureza Selvagem”, de Sean Penn, traz alguns traços que remetem, mesmo que de forma tênue, a este clássico). E é exatamente pela sua essência atemporal que ele merece ser visto. Os 89 minutos de sua exibição (filme bastante enxuto, portanto) já são suficientes para percebermos que, no fundo, a sociedade pouco mudou ao longo destas décadas.


Cotação:

Nota: 9,0

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Michael Douglas pode perder a voz


Esta semana, tivemos a notícia de que Michael Douglas, de 65 anos, está acometido de um câncer na garganta. Infelizmente, hoje tivemos uma notícia ainda mais preocupante: o ator corre o risco de perder a voz. É o que afirmou o jornal britânico "Daily Mail" nesta quarta-feira, 18/08. Segundo a publicação, o tumor encontra-se em estágio avançado.

O tabloide relata que Michael vai iniciar o tratamento de quimioterapia e radioterapia já na semana que vem. As sessões devem durar cerca de oito semanas e têm como principal objetivo evitar uma cirurgia em sua laringe. A internação, ainda segundo o jornal, será em um hospital de Nova York.

Caso não surta efeito, a alternativa pode ser uma laringectomia. O método pode deixar o ator com a voz bastante alterada, ou mesmo perdê-la. Caso o tratamento seja bem sucedido, as chances de sobrevivência de Michael são de 60% para os próximos 5 anos. Ou seja, as chances de insucesso são elevadas o que deixa todo o público cinéfilo bastante preocupado.

domingo, 15 de agosto de 2010

O Segredo dos Seus Olhos



Razão e sensibilidade


Este ano, com a vitória do cinema argentino no Oscar, recebendo o prêmio de melhor filme estrangeiro, levantou-se a questão na Terra Brasilis sobre a competência dos hermanos em realizar obras e cinematográficas em contraposição à nossa incapacidade genética para tanto. Sem querer adentrar no mérito desta discussão (até porque ela acaba revelando pouca memória com relação aos nossos méritos), é importante lembrar que um dos motivos para atacar a produção brasileira seria sua obsessão com alguns temas, os repetidos pobreza-favela-violência, seca-miséria-Nordeste ou ainda ditadura-violência-memória. Se há parcela de verdade nesta afirmação, ela esconde, por outro lado, o quanto os argentinos também são apegados a certas temáticas. A ditadura militar é um osso que definitivamente eles não largam e “O Segredo dos Seus Olhos”, o tal vencedor do careca dourado este ano, é mais um da extensa lista de filmes portenhos dedicados ao assunto.

Dirigido por Juan José Campanella e protagonizado por Ricardo Darín (a mesma dupla de “O Filho da Noiva”), o filme, em essência, trata da possibilidade de punição aos responsáveis pelos horrores do regime militar, jamais esquecidos pelo povo hermano, possibilidade esta aprovada pela Suprema Corte argentina e que vai em sentido contrário à recente decisão do nosso Supremo Tribunal Federal vedando tal objetivo (alguém já disse que a nossa elite é a pior do mundo, o que parece mesmo ser verdade). A diferença das escolas argentina e brasileira de cinema reside, antes de tudo, na forma de abordagem, uma vez que nossos amigos parecem ter o bom senso de não transformar seus longas em panfletos, preferindo formas metafóricas para atingir o mesmo objetivo.

Aqui, o roteiro (escrito por Campanella e Eduardo Sacheri, baseado no livro deste último), mostra o policial Benjamín Espósito (Darín) buscando elucidar o assassinato bárbaro de uma bela mulher, depois de ser estuprada. Para tanto, ele tem a ajuda de seu amigo alcoólatra Pablo Sandoval (Guillermo Francella), além da bela promotora de justiça Irene (Soledad Villamil), pela qual nutre um amor nunca revelado. A investigação do crime acaba se transformando em verdadeira obsessão, principalmente depois que Espósito se aproxima do viúvo (Pablo Rago), um homem que nutria um amor invejável pela esposa e que agora vê sua vida transformada em um imenso vazio. Ou seja, o roteiro substitui o crime político pelo crime comum, mas o questionamento realizado é o da necessidade de se punir crimes impunes. E, claro, sempre é muito inteligente falar de política sem aparentemente fazê-lo, mesmo que o público argentino seja bem mais politizado que o brasileiro (provavelmente o mais despolitizado do planeta Terra). Nesse intuito, a inclusão do subtexto amoroso é muito feliz. As cenas que envolvem Espósito e Irene são marcantes, donas de uma sensibilidade de fazer inveja a muito filme romântico por aí. E se em minha crítica sobre “A Origem” mencionei que o filme investe excessivamente em nosso lado lógico-racional, fazendo com que as cenas mais emocionais acabem perdendo força, Campanella sabe perfeitamente equilibrar as duas vertentes, levando o espectador à reflexão ao mesmo tempo em que pode fazê-lo até mesmo chorar.

Além de uma direção de arte primorosa, o longa é belissimamente fotografado. Mesmo que muitas das cenas se passem em ambientes burocráticos, há um plano-sequência em um estádio de futebol que atesta a nossa incapacidade de filmar com presteza o esporte que é uma das grandes paixões do nosso povo. Memorável, consegue traduzir em imagens toda a paixão argentina em poucos minutos e de forma extremamente elegante. Por sinal, e falando em paixão, o filme nos coloca diante da ideia de que jamais podemos fugir de nossas paixões, premissa inteligente, verdadeira e que é muito bem utilizada pela narrativa. A sua conclusão, ademais, evoca este mote, inserindo-o no contexto político de forma impecável, talvez apontando que o povo argentino, tal como não pode fugir de sua paixão futebolística, tão pouco poderá fugir do desejo e necessidade de que os fantasmas de seu passado sejam expurgados, da mesma forma que um homem não pode fugir do amor que sente por uma mulher. Campanella parece afirmar que o Estado precisa fazer o seu papel para que finalmente o povo argentino possa enterrar seus mortos e seguir em frente. Uma sofisticada alegoria que realmente nos faz concluir que o Oscar ficou em boas mãos. E que talvez o grande problema do cinema brasileiro não seja sua obsessão com certos temas, mas a forma como os mostra para o espectador. Afinal, inteligência e sensibilidade, ingredientes que transbordam neste “O Segredo dos Seus Olhos”, sempre serão bem-vindas.


Cotação:

Nota: 10,0

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Eu quero esse pôster # 9


A série "Eu Quero Esse Poster" teve uma edição recente, mas este poster de "A Origem" , criado pelo norte-amerivano Trent Walton, é tão interessante que me entusiasmou.

domingo, 8 de agosto de 2010

A Origem

Novos Tempos em Hollywood


Há alguns meses, levantei o questionamento de que “Avatar” seria uma verdadeira revolução na sétima arte, como foi alardeado quando do seu lançamento. Na época, respondi que só o tempo diria. Bem, o tempo passou e, cada vez mais, percebemos que o filme de James Cameron não operou “revolução” nenhuma. Apesar de seus efeitos visuais e sua novidadeira tecnologia 3D, o filme dos elfos azuis, com seu roteiro destituído de originalidade e inteligência, mostra-se cada vez mais banal e esquecível (acredito que hoje que não atribuiria a nota 9, a qual atribuí então). Não é uma mera novidade tecnológica que fará um filme tornar-se bom ou não. Fosse assim, “O Cantor de Jazz”, primeiro longa-metragem falado, poderia entrar no top 10 de todos os tempos. Uma verdadeira revolução se empreende antes de tudo com ideias, e não com fogos de artifício.

Talvez a grande “revolução”, se é que podemos definir desta forma, levada a cabo em Hollywood nos últimos anos venha sendo empreendida por Christopher Nolan, um diretor que transforma enredos aparentemente banais em algo mais complexo. Foi assim com a desconstrução realizada em “Amnésia”, provando a tese de Jean-Luc Godard de que um filme precisa ter “começo, meio e fim, mas não necessariamente nessa ordem”. Fosse narrado na ordem cronológica, o longa cairia na banalidade. Bastou alterar esse elemento, a cronologia narrativa, para a trama assumir novos contornos (embora o longa seja criticado por muitos por, segundo eles, resumir-se a uma experiência meramente formalista). Algum tempo depois, Nolan nos presenteou com “O Cavaleiro da Trevas”, mostrando que um filme de super-herói poderia ir muito além de uma mera encenação de mocinhos contra vilões, e isso conseguindo agradar plenamente aos fãs do Morcego, já que permaneceu bastante fiel ao material que lhe deu origem. O diretor colocou explícita a tese de que heróis e vilões em muito se assemelham, em diversos momentos diferindo apenas na maneira de reagir diante das circunstâncias. Batman e Coringa (que falta faz Heath Ledger) são duas faces da mesma moeda, faces estas encarnadas até mesmo por um mesmo personagem no longa, o Duas-Caras, ótima representação deste conflito em uma figura cinematográfica.

E, agora, eis que surge novamente Nolan com este seu “A Origem”, consolidando-se definitivamente como um diretor-autor. Interessante notar como aqui ele parece querer realizar uma nova “desconstrução”. Mas não uma desconstrução na ordem dos acontecimentos mostrados, como no mencionado “Amnésia”. O que se pretende aqui é operar uma revisão da veracidade do que é visto na tela. Afinal, sabe-se que o cinema procura vender como verdade aquilo que fotografa. Daí ser necessário realizar o que se costuma chamar de “suspensão da descrença”, ou seja, fazer com que o espectador, por mais inverossímeis que sejam os fatos filmados, acredite que os mesmos possam realmente acontecer, pelo menos durante os minutos da exibição (o que nem sempre é fácil). “A Origem” trabalha justamente na contramão desta ideia. Sabe-se, desde o início, que as circunstâncias exibidas não são reais porque se passam em sonhos. Paradoxalmente, contudo, continuamos a temer pelo destino dos personagens.

A trama do longa, entretanto, não é exatamente original. Nela, Don Cobb (Leonardo DiCaprio) é o líder de um grupo que realiza “extrações”, ou seja, retiram informações importantes da mente de uma pessoa enquanto ela está sonhando, penetrando em seu inconsciente através de um sistema de compartilhamento de sonhos. É então que o empresário Saito (Ken Watanabe) o contrata para realizar não uma extração, mas a inserção de uma ideia na mente de um rival empresarial (Cillian Murphy, um contínuo colaborador de Nolan). É perceptível, assim, que alguns elementos são mesmo similares a “Matrix” e ao referido “Avatar”, como o conceito de viver em uma outra realidade a partir de conexões com aparelhos específicos. Além disso, o longa não deixa de fugir de alguns esquemas dos filmes de “assalto”, apresentando a quadrilha e as características de seus integrantes. Até mesmo a concepção de uma existência paralela dentro dos sonhos já havia em “A Hora do Pesadelo”. Pode-se afirmar, ademais, que ninguém filmou sonhos com mais propriedade do que Federico Fellini em seu clássico absoluto “8 ½”, ou ainda Akira Kurosawa, com seu soberbo “Sonhos”. Mas não se pode negar a ousadia de Nolan em realizar uma obra que praticamente se passa inteira em ambientes oníricos dentro do esquema blockbuster de Hollywood. E qualquer ousadia dentro do sistema do cinema comercial se torna ainda mais relevante. O próprio DiCaprio chegou a declarar, em entrevistas, que o elenco muitas vezes também não tinha noção do que estavam filmando, de como determinada cena iria se encaixar no todo, o que se só demonstra o quanto Nolan queria mesmo fugir do esquemão hollywoodiano de realizações.

Por outro lado, um dos aspectos mais interessantes e originais de “Inception” (“Inserção”, título original que destoa bastante do abstrato “A Origem”) está na sua concepção visual. Em outras ocasiões, já mencionei que cinema é imagem e a força imagética deste longa é mesmo estonteante. Algumas sequências estão destinadas a fazer parte da história do cinema e nem vou me deter muito neste aspecto para não correr o risco de estragar qualquer surpresa para aqueles que ainda não viram o filme. Força imagética esta muito bem amparada pelo elenco, bastante homogêneo na competência de atuação. DiCaprio, por sinal, apresenta um personagem dotado de muitas semelhanças com aquele que interpretou no recente e ótimo “Ilha do Medo”, perseguido por traumas do passado, relativos à morte de sua esposa (aqui interpretada pela bela e talentosíssima Marion Cotillard). Ainda temos o prazer de ver Ellen Page, com sua arquiteta Ariadne, fugir do seu estigma de “Juno”. Em contrapartida, a trilha do tarimbado Hans Zimmer, a despeito de inspirada e bem orquestrada, se faz tão onipresente que acaba por não diferenciar os momentos mais ou menos importantes. Parece que estamos sempre no clímax da projeção. Aliás, se outro defeito podemos por no longa é que, devido ao fato de ser muito racional, o lado emocional acaba por demais amortecido, fazendo com que algumas cenas que deveriam despertar emoções mais intensas acabam não funcionando tão bem.

Mas a grande jogada de Nolan é mesmo o seu final em aberto, coisa rara não apenas no cinema atual, mas no próprio cinema americano, sempre afeito a conclusões mastigadinhas para o público. E é isso, exatamente, que fará de “A Origem” um filme que não será facilmente esquecido. A conclusão joga o espectador para diversas possibilidades e até mesmo para a hipótese, já debatida na internet, de que a pretensão do diretor era fazer um filme dentro de um filme (o que lhe traria ainda mais semelhanças com o “8 ½” de Fellini). E é aqui que retomo a ideia de “revolução”, ao menos dentro do esquema do cinema comercial. Com suas obras, Cristopher Nolan está fazendo as massas pensarem e pensar é algo a que o público do cinema-pipoca não está acostumado. Não há nada mais salutar do que fazer as pessoas saírem da sala debatendo sobre o real significado do que viram, algo que certamente acontece com todos os que conferiram “A Origem”. Se essa tendência passar a ser adotada por outros cineastas e produtores de Hollywood, podemos estar diante de um novo tempo no cinema. Tomara que esta expectativa se confirme.


Cotação:

Nota: 9,5

sábado, 7 de agosto de 2010

Eu quero esse pôster # 8


É interessante com o poster de "Crash" é bem melhor do que o filme...

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Suso Cechi D'Amico: 1914 - 2010


Só agora fiquei sabendo da notícia de que a roteirista italiana Suso Cechi D'Amico (também conhecida como Giovanna Chechi), colaboradora favorita do gênio Luchino Visconti e uma das mentes basilares do neo-realismo, faleceu neste último sábado, 31 de julho, em Roma, aos 96 anos.

Nascida na capital italiana em 21 de julho de 1914 e filha do escritor Emilio Cecchi, colaborou ao longo de sua carreira em mais de cem filmes com os cineastas mais importantes do cinema da italiano (e, por consequência, do cinema mundial), como Roberto Rosselini, Vittorio de Sica e Federico Fellini.

Seu currículo é nada menos que impressionante, fazendo parte dele, por exemplo, "Roma, Cidade aberta", "Irmão Sol, Irmã Lua" (de Franco Zeffirelli) e "Ladrões de Bicicleta". Mas foi mesmo com Visconti sua maior parceria, participando de quase toda a obra do famoso diretor, como em "Rocco e Seus Irmãos " e "O Leopardo"!!! Preciso dizer mais alguma coisa?

domingo, 1 de agosto de 2010

Salt



Quem é Salt? É Angelina Jolie!


Ao longo da história do cinema, um dos elementos da arte/indústria sempre se mostrou essencial: a figura da estrela/astro, capaz de levar muitos espectadores para as salas de exibição. Tal fator, inclusive, foi criado pelo próprio público, que passava a exigir determinados atores para os papeis, seja por competência ou pela beleza (ou, em alguns casos, ambos juntos). Na realidade, essa cultura das estrelas nunca foi agradável para produtores ou diretores, já que para contar com elas estes têm de pagar cachês altíssimos ou aturar seus egos freqüentemente inflados e personalidades infantis.

Talvez devido à superexposição que as celebridades desfrutam hoje em dia contribua para um certo declínio desta cultura. Afinal, várias delas estão presentes em vários meios, seja por meio da TV, jornais, revistas, internet etc. Muitas vezes já estamos tão fartos de suas imagens que não nos animamos a ir vê-las na sala escura. E isso pode trazer até um lado positivo, já que a exigência por tramas inteligentes acaba por suplantar a presença de astros como fator de bilheteria. Ademais, este excesso de exposição também projeta para o grande público certos aspectos negativos da personalidade dos artistas que antes eram mais facilmente escondidos, o que acaba por gerar antipatia em muitos (como no caso atual de Mel Gibson).

Angelina parece ser uma das poucas estrelas que escaparam desta sina. Conseguiu fazer as plateias esquecerem sua derrapada ao “roubar” Brad Pitt de sua ex-esposa, Jeniffer Aniston (aquela desculpa de que o casamento já ia muito mal nunca colou muito), com suas ações humanitárias (copiadas várias outras celebridades) e a vida de mãe dedicada. Tanto isso é verdade que este novo lançamento com o seu nome, “Salt”, em cartaz desde sexta-feira no Brasil, foi bem nas bilheterias americanas, ao contrário de “Encontro Explosivo”, com Tom Cruise, astro que, pelas constantes micagens públicas, parece mesmo ter entrado em desgraça com o público dos EUA (a arrecadação do filme foi bem abaixo do esperado por lá). Interessante que são produções que se situam dentro de um mesmo padrão de ação quase ininterrupta, podendo-se ainda levantar mais a bola do filme Cruise-Diaz pela presença neste de um bom-humor agradável.

Curiosamente, a personagem interpretada por Jolie no longa, Evelyn Salt, havia sido concebido primeiramente para Cruise, que acabou desistindo para assumir “Encontro Explosivo”. Mudou-se apenas o gênero e o roteiro já estava pronto. Ela é uma agente da CIA que acaba sendo acusada de na realidade ser uma espiã russa com a incumbência de assassinar o presidente da Rússia e, assim, acabar gerando uma guerra nuclear. Como resta claro, há clichês na premissa, mas também é verdade que todos os filmes de espiões têm alguns clichês em sua estrutura básica, quase sempre demonstrando aquela peculiar visão dos ianques sobre o resto-do-mundo (ou seja, dominado por potenciais inimigos desumanos). Há muito da saga de Jason Bourne tanto na premissa quanto no estilo (além de outros elementos que lembram “Sob o Domínio do Mal” - clássico de John Frankenheimer). Contudo, toda as histórias já foram contadas,o que difere é a maneira de contá-las. E a forma com que a trama de “Salt” é contada, se não é das melhores, ou mesmo inovadora, também não está entre as piores.

O diretor Phillip Noyce conduz bem o longa, jamais deixando o ritmo cair. Aliás, o filme funciona no sistema corrida de 100m, ou seja, em um fôlego só, rápido e sem pausas para a respiração. Oscila apenas na qualidade das sequências de ação, algumas boas e outras realizadas naquele estilo “Transformers”, onde ninguém sabe exatamente o que está acontecendo. A trilha sonora, apesar de invasiva em alguns momentos, também funciona muito bem, ajudando a criar o clima de constante tensão. O roteiro, ademais, se mostra até mais inteligente do que eu imaginava. Todavia, o longa cairia na banalidade não fosse, de fato, a presença de Angelina Jolie, uma das poucas atrizes a serem aceitas pelo público como protagonista de filmes de ação (além dela, só lembro de Sigourney Weaver, que já está ficando velha para essas correrias). Com sua presença, o longa se torna menos esquecível e se coloca com potencial até para eventuais continuações (e sua conclusão realmente dá margens para tal, o que também se torna um pequeno defeito). Sabe-se que Jolie realiza, inclusive, algo que costuma se valorizado pelos espectadores, que é a dispensa de dublês na maioria das cenas.

Portanto, não há como negar que, apesar de seus tropeços púbicos, o que as torna cada vez mais “humanas”, as estrelas ainda possuem muita relevância dentro do cinema, podendo ser capazes de tornar interessante um projeto que, em outras circunstâncias, não iria além do trivial. Basta lembrá-las para não fazerem muitas bobagens por aí...


Cotação:

Nota: 7,5

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Festival de Veneza 2010 - Seleção


A 67ª edição do Festival de Veneza, que acontecerá entre 1º e 11 de setembro próximos, divulgou hoje sua lista de concorrentes ao Leão de Ouro, além de diversos outros títulos integrantes das mostras paralelas do evento.

Na competição pelo Leão de Ouro, os nomes mais famosos são os de Darren Aronofsky (o seu "Black Swan" abrirá o Festival), Sofia Coppola, Julian Schnabel (diretor de "O Escafandro e a Borboleta"), Vincent Gallo (voltando à direção, sete anos depois do polêmico “Brown Bunny”), além dos franceses François Ozon e Abdellatif Kechiche, o alemão Tom Tykwer, o japonês Takashi Miike, o vietnamita Tran Anh Hung (diretor de "O Cheiro da Papaia Verde" e que trará o seu "Norwegian Wood", filme que só o título já me desperta entusiasmo!), o chinês Tsui Hark e o espanhol Alex de la Iglesia. Apenas um latino-americano entrou na competição oficial: o chileno Pablo Larraín, diretor de “Tony Manero”, que apresenta seu novo trabalho, “Post Mortem”.

O Brasil, que ficou de fora da disputa principal (pra variar...), é representado por dois filmes: o longa “Lope”, coprodução Brasil-Espanha, assinada por Andrucha Waddington, a qual revisita a figura do famoso dramaturgo espanhol do século 16, Lope de Vega, contando com Selton Mello e Sonia Braga no elenco; e mais o curta “O mundo é belo”, de Luiz Pretti, integrante da mostra paralela "Horizontes".

John Woo reberá o prêmio especial pelo conjunto da obra.

O Júri será presidido por Quentin Tarantino.Confira abaixo os filmes em competição e fora de competição:

COMPETIÇÃO

"Black Swan", Darren Aronofsky (EUA) – filme de abertura
"La Pecora Nera", Ascanio Celestini (Itália)
"Somewhere", Sofia Coppola (EUA)
"Happy Few", Antony Cordier (França)
"La Solitudine dei Numeri Primi", Saverio Costanzo (Itália-Alemanha-França)
"Silent Souls", Aleksei Fedorchenko (Rússia)
"Promises Written in Water," Vincent Gallo (EUA)
"Road to Nowhere", Monte Hellman (EUA)
"Balada Triste de Trompeta", Alex de la Iglesia (Espanha-França)
"Venus Noire", Abdellatif Kechiche (França)
"Post Mortem", Pablo Larrain (Chile, México, Alemanha)
"Barney's Version", Richard J. Lewis (Canadá, Itália)
"Noi credevamo", Mario Martone (Itália-França)
"La Passione", Carlo Mazzacurati (Itália)
"13 Assassins", Takashi Miike (Japão-EUA)
"Potiche", François Ozon (França)
"Meek's Cutoff", Kelly Reichardt (EUA)
"Miral", Julian Schnabel (EUA-França-Itália-Israel)
"Norwegian Wood", Tran Anh Hung (Japão)
"Attenberg", Athina Rachel Tsangari (Grécia)
"Detective Dee and the Mystery of Phantom Flame", Tsui Hark (China)
"Drei", Tom Tykwer (Alemanha)

FORA DE COMPETIÇÃO

"The Town", Ben Affleck (EUA)
"I'm Still Here: the Lost Year of Joaquin Phoenix", Casey Affleck (EUA)
"Sorelle Mai", Marco Bellocchio (Itália)
"Niente Paura -- Come siamo come eravamo e le canzoni di Luciano Ligabue", Piergiorgio Gay (Itália)
"Dante Ferretti -- Production Designer", Gianfranco Giagni (Itália)
"Notizie degli Scavi", Emidio Greco (Itália)
"The Last Movie" (1971), Dennis Hopper
"Gorbaciof", Stefano Incerti (Itália)
"That Girl in Yellow Boots", Anurag Kashyap (Índia)
"Showtime", Stanley Kwan (China)
"Sei Venezia", Carlo Mazzacurati (Itália)
"Zebraman" (2004), Takashi Miike (Japão)
"Zebraman 2: Attack on Zebra City," Takashi Miike (Japão)
"The Child's Eye 3D", Oxide Pang and Danny Pang (China, Hong Kong)
"Vallanzasca – Gli angeli del male," Michele Placido (Itália)
"All Inclusive 3D", Nadia Ranocchi and David Zamagni (Itália/Áustria)
"Raavan", Mani Ratnam (Índia)
"1960", Gabriele Salvatores (Itália)
"La prima volta a Venezia", Antonello Sarno (Itália)
"A letter to Elia", Martin Scorsese and Kent Jones (EUA)
"Shock Labyrinth 3D", Takashi Shimizu (Japão)
"L'ultimo Gattopardo: Ritratto di Goffredo Lombardo", Giuseppe Tornatore (Itália)
"Passione", John Turturro (Itália)
"Lope", Andrucha Waddington (Espanha/Brasil)
"Space Guy", Zhang Yuan (China)