terça-feira, 3 de agosto de 2010

Suso Cechi D'Amico: 1914 - 2010


Só agora fiquei sabendo da notícia de que a roteirista italiana Suso Cechi D'Amico (também conhecida como Giovanna Chechi), colaboradora favorita do gênio Luchino Visconti e uma das mentes basilares do neo-realismo, faleceu neste último sábado, 31 de julho, em Roma, aos 96 anos.

Nascida na capital italiana em 21 de julho de 1914 e filha do escritor Emilio Cecchi, colaborou ao longo de sua carreira em mais de cem filmes com os cineastas mais importantes do cinema da italiano (e, por consequência, do cinema mundial), como Roberto Rosselini, Vittorio de Sica e Federico Fellini.

Seu currículo é nada menos que impressionante, fazendo parte dele, por exemplo, "Roma, Cidade aberta", "Irmão Sol, Irmã Lua" (de Franco Zeffirelli) e "Ladrões de Bicicleta". Mas foi mesmo com Visconti sua maior parceria, participando de quase toda a obra do famoso diretor, como em "Rocco e Seus Irmãos " e "O Leopardo"!!! Preciso dizer mais alguma coisa?

domingo, 1 de agosto de 2010

Salt



Quem é Salt? É Angelina Jolie!


Ao longo da história do cinema, um dos elementos da arte/indústria sempre se mostrou essencial: a figura da estrela/astro, capaz de levar muitos espectadores para as salas de exibição. Tal fator, inclusive, foi criado pelo próprio público, que passava a exigir determinados atores para os papeis, seja por competência ou pela beleza (ou, em alguns casos, ambos juntos). Na realidade, essa cultura das estrelas nunca foi agradável para produtores ou diretores, já que para contar com elas estes têm de pagar cachês altíssimos ou aturar seus egos freqüentemente inflados e personalidades infantis.

Talvez devido à superexposição que as celebridades desfrutam hoje em dia contribua para um certo declínio desta cultura. Afinal, várias delas estão presentes em vários meios, seja por meio da TV, jornais, revistas, internet etc. Muitas vezes já estamos tão fartos de suas imagens que não nos animamos a ir vê-las na sala escura. E isso pode trazer até um lado positivo, já que a exigência por tramas inteligentes acaba por suplantar a presença de astros como fator de bilheteria. Ademais, este excesso de exposição também projeta para o grande público certos aspectos negativos da personalidade dos artistas que antes eram mais facilmente escondidos, o que acaba por gerar antipatia em muitos (como no caso atual de Mel Gibson).

Angelina parece ser uma das poucas estrelas que escaparam desta sina. Conseguiu fazer as plateias esquecerem sua derrapada ao “roubar” Brad Pitt de sua ex-esposa, Jeniffer Aniston (aquela desculpa de que o casamento já ia muito mal nunca colou muito), com suas ações humanitárias (copiadas várias outras celebridades) e a vida de mãe dedicada. Tanto isso é verdade que este novo lançamento com o seu nome, “Salt”, em cartaz desde sexta-feira no Brasil, foi bem nas bilheterias americanas, ao contrário de “Encontro Explosivo”, com Tom Cruise, astro que, pelas constantes micagens públicas, parece mesmo ter entrado em desgraça com o público dos EUA (a arrecadação do filme foi bem abaixo do esperado por lá). Interessante que são produções que se situam dentro de um mesmo padrão de ação quase ininterrupta, podendo-se ainda levantar mais a bola do filme Cruise-Diaz pela presença neste de um bom-humor agradável.

Curiosamente, a personagem interpretada por Jolie no longa, Evelyn Salt, havia sido concebido primeiramente para Cruise, que acabou desistindo para assumir “Encontro Explosivo”. Mudou-se apenas o gênero e o roteiro já estava pronto. Ela é uma agente da CIA que acaba sendo acusada de na realidade ser uma espiã russa com a incumbência de assassinar o presidente da Rússia e, assim, acabar gerando uma guerra nuclear. Como resta claro, há clichês na premissa, mas também é verdade que todos os filmes de espiões têm alguns clichês em sua estrutura básica, quase sempre demonstrando aquela peculiar visão dos ianques sobre o resto-do-mundo (ou seja, dominado por potenciais inimigos desumanos). Há muito da saga de Jason Bourne tanto na premissa quanto no estilo (além de outros elementos que lembram “Sob o Domínio do Mal” - clássico de John Frankenheimer). Contudo, toda as histórias já foram contadas,o que difere é a maneira de contá-las. E a forma com que a trama de “Salt” é contada, se não é das melhores, ou mesmo inovadora, também não está entre as piores.

O diretor Phillip Noyce conduz bem o longa, jamais deixando o ritmo cair. Aliás, o filme funciona no sistema corrida de 100m, ou seja, em um fôlego só, rápido e sem pausas para a respiração. Oscila apenas na qualidade das sequências de ação, algumas boas e outras realizadas naquele estilo “Transformers”, onde ninguém sabe exatamente o que está acontecendo. A trilha sonora, apesar de invasiva em alguns momentos, também funciona muito bem, ajudando a criar o clima de constante tensão. O roteiro, ademais, se mostra até mais inteligente do que eu imaginava. Todavia, o longa cairia na banalidade não fosse, de fato, a presença de Angelina Jolie, uma das poucas atrizes a serem aceitas pelo público como protagonista de filmes de ação (além dela, só lembro de Sigourney Weaver, que já está ficando velha para essas correrias). Com sua presença, o longa se torna menos esquecível e se coloca com potencial até para eventuais continuações (e sua conclusão realmente dá margens para tal, o que também se torna um pequeno defeito). Sabe-se que Jolie realiza, inclusive, algo que costuma se valorizado pelos espectadores, que é a dispensa de dublês na maioria das cenas.

Portanto, não há como negar que, apesar de seus tropeços púbicos, o que as torna cada vez mais “humanas”, as estrelas ainda possuem muita relevância dentro do cinema, podendo ser capazes de tornar interessante um projeto que, em outras circunstâncias, não iria além do trivial. Basta lembrá-las para não fazerem muitas bobagens por aí...


Cotação:

Nota: 7,5

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Festival de Veneza 2010 - Seleção


A 67ª edição do Festival de Veneza, que acontecerá entre 1º e 11 de setembro próximos, divulgou hoje sua lista de concorrentes ao Leão de Ouro, além de diversos outros títulos integrantes das mostras paralelas do evento.

Na competição pelo Leão de Ouro, os nomes mais famosos são os de Darren Aronofsky (o seu "Black Swan" abrirá o Festival), Sofia Coppola, Julian Schnabel (diretor de "O Escafandro e a Borboleta"), Vincent Gallo (voltando à direção, sete anos depois do polêmico “Brown Bunny”), além dos franceses François Ozon e Abdellatif Kechiche, o alemão Tom Tykwer, o japonês Takashi Miike, o vietnamita Tran Anh Hung (diretor de "O Cheiro da Papaia Verde" e que trará o seu "Norwegian Wood", filme que só o título já me desperta entusiasmo!), o chinês Tsui Hark e o espanhol Alex de la Iglesia. Apenas um latino-americano entrou na competição oficial: o chileno Pablo Larraín, diretor de “Tony Manero”, que apresenta seu novo trabalho, “Post Mortem”.

O Brasil, que ficou de fora da disputa principal (pra variar...), é representado por dois filmes: o longa “Lope”, coprodução Brasil-Espanha, assinada por Andrucha Waddington, a qual revisita a figura do famoso dramaturgo espanhol do século 16, Lope de Vega, contando com Selton Mello e Sonia Braga no elenco; e mais o curta “O mundo é belo”, de Luiz Pretti, integrante da mostra paralela "Horizontes".

John Woo reberá o prêmio especial pelo conjunto da obra.

O Júri será presidido por Quentin Tarantino.Confira abaixo os filmes em competição e fora de competição:

COMPETIÇÃO

"Black Swan", Darren Aronofsky (EUA) – filme de abertura
"La Pecora Nera", Ascanio Celestini (Itália)
"Somewhere", Sofia Coppola (EUA)
"Happy Few", Antony Cordier (França)
"La Solitudine dei Numeri Primi", Saverio Costanzo (Itália-Alemanha-França)
"Silent Souls", Aleksei Fedorchenko (Rússia)
"Promises Written in Water," Vincent Gallo (EUA)
"Road to Nowhere", Monte Hellman (EUA)
"Balada Triste de Trompeta", Alex de la Iglesia (Espanha-França)
"Venus Noire", Abdellatif Kechiche (França)
"Post Mortem", Pablo Larrain (Chile, México, Alemanha)
"Barney's Version", Richard J. Lewis (Canadá, Itália)
"Noi credevamo", Mario Martone (Itália-França)
"La Passione", Carlo Mazzacurati (Itália)
"13 Assassins", Takashi Miike (Japão-EUA)
"Potiche", François Ozon (França)
"Meek's Cutoff", Kelly Reichardt (EUA)
"Miral", Julian Schnabel (EUA-França-Itália-Israel)
"Norwegian Wood", Tran Anh Hung (Japão)
"Attenberg", Athina Rachel Tsangari (Grécia)
"Detective Dee and the Mystery of Phantom Flame", Tsui Hark (China)
"Drei", Tom Tykwer (Alemanha)

FORA DE COMPETIÇÃO

"The Town", Ben Affleck (EUA)
"I'm Still Here: the Lost Year of Joaquin Phoenix", Casey Affleck (EUA)
"Sorelle Mai", Marco Bellocchio (Itália)
"Niente Paura -- Come siamo come eravamo e le canzoni di Luciano Ligabue", Piergiorgio Gay (Itália)
"Dante Ferretti -- Production Designer", Gianfranco Giagni (Itália)
"Notizie degli Scavi", Emidio Greco (Itália)
"The Last Movie" (1971), Dennis Hopper
"Gorbaciof", Stefano Incerti (Itália)
"That Girl in Yellow Boots", Anurag Kashyap (Índia)
"Showtime", Stanley Kwan (China)
"Sei Venezia", Carlo Mazzacurati (Itália)
"Zebraman" (2004), Takashi Miike (Japão)
"Zebraman 2: Attack on Zebra City," Takashi Miike (Japão)
"The Child's Eye 3D", Oxide Pang and Danny Pang (China, Hong Kong)
"Vallanzasca – Gli angeli del male," Michele Placido (Itália)
"All Inclusive 3D", Nadia Ranocchi and David Zamagni (Itália/Áustria)
"Raavan", Mani Ratnam (Índia)
"1960", Gabriele Salvatores (Itália)
"La prima volta a Venezia", Antonello Sarno (Itália)
"A letter to Elia", Martin Scorsese and Kent Jones (EUA)
"Shock Labyrinth 3D", Takashi Shimizu (Japão)
"L'ultimo Gattopardo: Ritratto di Goffredo Lombardo", Giuseppe Tornatore (Itália)
"Passione", John Turturro (Itália)
"Lope", Andrucha Waddington (Espanha/Brasil)
"Space Guy", Zhang Yuan (China)

terça-feira, 27 de julho de 2010

Trilha Sonora #12


Há poucos dias assisti a "Encontro Explosivo" na telona (veja a resenha mais abaixo) e me lembrei do filme que transformou Tom Cruise em mega-astro: "Top Gun - Ases Indomáveis". Verdadeira mania nos anos 80, o longa-metragem tem na trilha sonora a bela canção "Take My Breath Away", da meteórica banda Berlin, vencedora do Oscar de melhor canção e sucesso tão estrondoso quanto o filme. Na realidade, a música é melhor do que o filme... ;=) Ouça!




domingo, 25 de julho de 2010

Para Ver Em Um Dia de Chuva


Inauguro aqui a série "Para Ver em Um Dia de Chuva", destinada àqueles filmes que não são tão essenciais quanto os da série "Filmes Para Ver Antes de Morrer", mas que mesmo assim merecem ser vistos. Ótimos para aqueles dias chuvosos e com friozinho em que não há nada melhor do que ficar em casa vendo um bom filme. E o primeiro é justamente "O Homem que Fazia Chover". Boa sessão caseira para todos.


O Homem Que Fazia Chover
(The Rainmaker)


O Quixote de Coppola



Não há dúvidas de que Francis Ford Coppola é um dos mais importantes diretores da história do cinema. Apenas a trilogia “O Poderoso Chefão” já lhe renderia o status de gênio, mas, além disso, ele ainda nos brindou com obras como “Apocalypse Now” (considerado por muitos como o melhor filme de guerra já realizado) e “Drácula de Bram Stoker”. Contudo, Coppola costuma alternar momentos de puro brilhantismo com outros mais apagados, resultando numa obra bastante irregular. “O Homem Que Fazia Chover”, seu filme de 1997, parece se situar em um nível intermediário. Não é memorável como os longas acima citados, mas também não configura um desastre como “Jack” (1994), filme totalmente esquecível e esquecido.

Não posso negar que, no caso deste “The Rainmaker”, há uma identificação pessoal com a trama apresentada pelo roteiro, que é uma adaptação do próprio Coppola para a obra de John Grisham, o rei dos best-sellers de tribunal. Afinal, eu sou formado em Direito, trabalho em um tribunal e advoguei durante 5 anos. Nada mais natural, então, que sinta uma imediata empatia pelo personagem do advogado Rudy Baylor (Matt Damon, ainda um garoto), um jovem idealista e recém-formado que acaba de ser aprovado no exame da Ordem e tem como um de seus primeiros casos uma ação contra uma seguradora de saúde. Sua cliente é uma família que busca que o seguro cubra o transplante de medula que poderá salvar a vida do filho, portador de leucemia. Rudy conta apenas com a ajuda de Deck Schifflet (Danny DeVito, ótimo), um bacharel que jamais passou no exame de ordem.

Essa posição quixotesca, do homem comum e de caráter contra o podre sistema, já foi, em inúmeras oportunidades, levada para as telas. Por outro lado, em poucas ocasiões temos a oportunidade de vê-la conduzida por mãos talentosas como as de Coppola, um diretor (e roteirista) que não deixa a plateia perder o interesse pelo que está assistindo. A trama segue sempre redonda, sem barrigas cansativas e contando com uma ótima direção de atores (uma das características do velho Francis). Damon já mostra porque se tornaria uma dos principais astros do cinema atual, mas é Danny DeVito (como ele anda sumido!) quem rouba a cena como o divertido e ao mesmo tempo realista Deck. Aliás, a contraposição dos dois lembra bastante a famosa e imortal obra de Miguel Cervantes, tanto nas características psicológicas como físicas dos personagens. Rudy é o idealista, enquanto Deck é o baixinho pragmático e esperto. A fórmula de sucesso é aqui mais uma vez utilizada para fisgar o espectador e não se pode negar que há sucesso na empreitada. Há ainda a personagem de Claire Danes, interesse romântico de Rudy, que a princípio parece um tanto deslocada na trama, mas que ao fim se encaixa como motivo relevante para algumas escolhas do jovem causídico (não vou revelar quais, obviamente).

O ponto fraco do longa, e isso se torna ainda mais problemático quando lembramos que o diretor é o mesmo de “O Poderoso Chefão”, é o maniqueísmo embotado nos personagens. Desde o início percebemos que Rudy é aquele herói incorruptível, enquanto outros, como o Leo Drummond (John Voight, o pai de Angelina Jolie), chefe da banca de advogados que defende a seguradora, são os “maus” pelos quais teremos que torcer contra e esse esquema preto-e-branco sempre enfraquece uma obra (a não ser que se trate de uma aventura-diversão, o que está longe de ser o caso). Talvez o único personagem que se situa entre um extremo e outro é justamente o de Danny DeVito já que, mesmo buscando ao máximo ajudar Rudy, ele algumas vezes se vale, digamos assim, de métodos pouco ortodoxos.

Contudo, o longa ainda assim funciona como filme-denúncia. A questão dos sistemas de saúde, principalmente aqueles dominados por seguros/planos privados, é algo que preocupa as sociedades de vários países e é absurdo como boa parte da sociedade americana parece ainda não ter se convencido disso, vide a resistência recente que Barack Obama enfrentou na última reforma do sistema ianque não só no congresso, mas também por parte da população (a qual, segundo pesquisas, se dividiu com relação à reforma). Não é à toa que a questão mereceu recentemente um documentário do sempre barulhento Michael Moore (o interessante “Sicko”), o que nos leva à conclusão que “O Homem Que Fazia Chover” é um longa-metragem de 1997, mas ainda muito atual, mesmo 13 anos depois.


Cotação:

Nota: 8,5

sábado, 24 de julho de 2010

Musas do Escurinho #15


A inesquecível Shophia Loren no auge de sua beleza! É interessante como nos lembramos dela apenas como uma grande diva, mas a verdade é que ela também é uma grande atriz. Inesquecível sua interpretação em "Um Dia Muito Especial"!

domingo, 18 de julho de 2010

Encontro Explosivo


Feliz encontro


Desde “Uma Aventura Na África”, clássico de 1951 protagonizado pelos ícones Humphrey Bogart e Katharine Hepburn, Hollywood consagrou um gênero que é a fusão do cinema de ação com a comédia romântica. Nada mais natural, já que, com uma cajadada só, consegue agradar tanto ao público feminino quanto ao masculino. Não que mulheres não possam gostar de filmes de ação, ou homens de filmes românticos. Afinal, nada mais pobre do que estereótipos. Mas não resta dúvida de que essas aventuras românticas, quando bem realizadas, acabam sendo tiros certeiros, capazes de agradar a gregos e troianos. Foi assim com o citado clássico, passando por outros exemplares como “Tudo Por Uma Esmeralda” (com Michael Douglas e Kathleen Turner) e o mais recente “Sr. e Sra. Smith” (estrelado pelo casal Branjolie).

“Encontro Explosivo”, que teve estreia nesta sexta-feira no circuito nacional, é mais um dos exemplares das aventuras românticas. Protagonizado por duas das grandes estrelas do cinema atual, Tom Cruise e Cameron Diaz, o longa é uma agradável surpresa e se mostra muito eficiente em suas pretensões. Possui, com sua ação inverossímil, mas ao mesmo tempo muito agradável, um tom bastante semelhante ao do citado “Sr. e Sra. Smith”, muito embora algumas diferenças sejam cruciais e até bem-vindas. No primeiro, Angelina Jolie encarna a figura que já está lhe sendo característica, a da mulher super-poderosa, capaz de enfrentar qualquer homem no mano a mano, conhecedora de técnicas de luta, que sabe atirar como ninguém, cheia de conhecimentos especiais relativos à espionagem, entre outras proezas. Se, por um lado, isso se coaduna com uma visão moderna da mulher, por outro lado esta super-heroína está distante da realidade de quase 100% das mulheres e, normalmente, estas sentem necessidade de se identificar com as personagens para que apreciem uma película (na realidade, super-heroínas nas telas acabam agradando muito mais aos homens do que às mulheres, isso é fato). Já neste “Encontro Explosivo” (título nacional genérico, bem inferior ao original “Knight and Day”), a personagem de Cameron Diaz, June Havens, é uma mulher comum (e a pouca maquiagem usada pela atriz em cena acaba acentuando ainda mais essa percepção), com preocupações de mulheres comuns. Ela está viajando para participar da cerimônia de casamento da irmã mais nova, o que lhe causa aquela angústia natural de estar “ficando pra titia”. Marca, contudo, via internet, um encontro com Roy Miller (Tom Cruise) no avião onde irão viajar. Ela apenas não sabe que Roy é um agente secreto da CIA e que está sendo perseguido pela própria corporação.

É a partir daí que as ótimas seqüências de ação se desenrolam. E também as boas sequências de humor e romance. A trama se desenrola redonda, apesar de algumas eventuais falhas de roteiro (comuns em filmes de ação, por sinal), deixando muito espaço para que os atores brinquem com os personagens. Diaz, que já havia trabalhado em filmes de ação com a nova versão de “As Panteras”, mas que é ainda mais conhecida por suas CRs, aqui consegue personificar um perfeito misto de mulher independente e romântica. Já Cruise está mais Tom Cruise do que nunca, se auto-parodiando com seu super-ultra-seguro-de-si Roy Miller, capaz de dar cabo de toda a tripulação de um avião enquanto June está no banheiro e depois ainda lhe oferecer um drinque. Antes de tudo, os dois parecem estar se divertindo muito e a química flui perfeita, talvez ainda melhor na tela do que a do casal Branjolie em “Sr. e Sra. Smith” e olha que esse foi o longa responsável pela união do casal fora das telas. Várias são as cenas que farão a plateia dar boas risadas, nunca forçadas.

Para tanto sucesso, a direção de James Mangold também é primordial. A edição é muito bem realizada e qualquer aresta no roteiro parece ter sido podada, vez que a duração do longa mostra-se a ideal. Mangold parece mesmo ter uma boa mão na direção de atores, principalmente casais (ele dirigiu anteriormente a interessante biografia “Johnny & June”). É bom lembrar que trabalhar com grandes astros sempre é difícil, principalmente um como Tom Cruise. Entretanto, à parte algumas crises de desequilíbrios, sabe-se que Cruise é extremamente profissional e também tem experiência suficiente para ajudar um diretor na condução de um filme (bom lembrar que até dublês ele dispensa em 90% das cenas de perigo).

Com tantas peças boas juntas e fórmula de sucesso, o projeto não poderia mesmo dar errado, resultando em um ótimo programa para casais no fim de semana (e a recepção fria da crítica americana só mostra o quanto ela costuma se equivocar). Em outros tempos do cinema, a parceria ente Cruise e Diaz iria render vários outros rebentos (algo comum na Hollywood da era dos estúdios), já que o encontro foi verdadeiramente feliz. Quem sabe eles não virão?


Cotação:

Nota: 8,0

sábado, 17 de julho de 2010

Cinema Com Pimenta - 2 anos

No último domingo, 11 de julho, o Cinema Com Pimenta completou 2 anos e, por motivos de ordem pessoal (não foi apenas a Copa do Mundo, hehhehehe!), acabei deixando a data passar em branco. Minha pretensão era escrever um texto sobre "... E o Vento Levou", um dos meus filmes favoritos (está entre os 5 mais na minha lista). Entretanto, além do tempo que foi escasso, tenho grande dificuldade em escrever sobre estes filmes "maiores do que a vida". Talvez porque muito já tenha sido dito sobre os mesmos e fica aquele receio de cair no lugar-comum. Contudo, estava vasculhando a net e acabei encontrando esta matéria exibida na Bandnews quando do aniversário de 70 anos do longa. Creio que ela resume muito bem a importância e a razão de, depois de tanto tempo, "... E O Vento Levou" continuar fascinando multidões. Abaixo, como uma forma de lembrar e agradecer a todos pelos dois anos do blog, segue a matéria. Espero que todos aqueles que gostam do Cinema Com Pimenta, e também aqueles que não gostam tanto assim, continuem visitando este espaço, que foi criado devido à minha paixão pela sétima arte, desafiando os contratempos do dia a dia para continuar de pé. Um grande abraço e muito obrigado!



quinta-feira, 15 de julho de 2010

"O Beijo da Mulher Aranha": obra de arte à venda


A versão restaurada de "O Beijo da Mulher Aranha" foi exibida agora há pouco na abertura do 3º Festival Paulínia de Cinema. Considero "O Beijo..." como o grande filme de Hector Babenco (quem diria que, anos depois, ele faria bobagens como "Carandiru"). Estrelado por William Hurt, Raul Julia e Sonia Braga (que trabalharam em troca de percentuais na arrecadação), o longa já completou 25 anos e venceu diversas premiações internacionais – incluindo os prêmios Oscar, BAFTA e Cannes de Melhor Ator para William Hurt (que está realmente soberbo). O "Beijo da Mulher Aranha" foi o único representante da América Latina na mostra Cannes Classics, realizada durante o Festival de Cannes 2010.

Interessante que este será o primeiro filme a ser vendido como obra/objeto de arte. Ideia inédita no mundo até hoje, contando com a anuência de todos os produtores e envolvidos, os direitos do filme serão vendidos, inclusive de refilmagem, para aqueles que apresentarem a melhor oferta, seja um estúdio, uma pessoa, um museu, ou qualquer outro que se comprometa a proteger, divulgar e preservar o longa e seu material. Embora a iniciativa seja inovadora, não deixa de ser um risco. Vamos torcer para que não caia em mãos erradas...

terça-feira, 13 de julho de 2010

Shrek Para Sempre


Síndrome de Toy Story


Em 2001, a Dreamworks criava uma nova fórmula para as animações. Dirigido por Andrew Adamson e Vicky Jenson, “Shrek” era uma divertidíssima e inteligente paródia do gênero do conto de fadas, criando um universo todo especial com aqueles personagens conhecidos de todos, como a princesa presa na torre, Pinóquio, o burro falante, além de outras figuras presentes em tais estórias. Tudo se tornava ainda mais interessante e divertido com a sacada do protagonista: um ogro mau-humorado que fazia as vezes do príncipe encantado, salvando a princesa da torre onde estava confinada. O longa foi um sucesso gigantesco de público e crítica e, inevitavelmente, gerou mais duas continuações - com um ótimo segundo episódio e uma fraca terceira parte. E eis que surge agora um quarto episódio da franquia (que prometem ser o último). Eu mesmo fui ao cinema não acreditando muito no que veria, esperando o mais do mesmo em que já tinha se transformado a série. Contudo, tive uma boa surpresa.

Não que “Shrek Para Sempre” (dirigido por Mike Mitchell, que saiu dos filmes live action para as animações) tenha aquela centelha de brilhantismo do início da série, mas com certeza conseguiu recuperar uma boa parte do seu humor afiado. Várias foram as seqüências que me arrancaram risadas e, de fato, a premissa é interessante. O roteiro, de Josh Klausner e Darren Lemke, mostra o nosso conhecido ogro na sua feliz vida em família no reino de Tão Tão Distante, com sua amada Fiona e os rebentos ogrinhos. O problema é que Shrek está tendo dificuldades de se adaptar à rotina de pai de família, sentindo uma enorme falta de seu tempo de ogro mau-comportado. No dia do primeiro aniversário de seus filhos, Shrek se descontrola e fala besteira para Fiona. O maior problema, contudo, é que o duende trapaceiro Rumpelstiltskin vê o ocorrido e traça um plano ardiloso: ele faz uma proposta “vantajosa”, pela qual Shrek voltará a ser o ogro de outros tempos durante 24 horas. Em troca, Rumpelstiltskin terá o direito de apagar um dia da vida do Shrek. E esse dia acaba sendo justamente o do nascimento do ogro. Ou seja, depois das 24h, Shrek se vê em um mundo em que ele nunca existiu.

Acredito que qualquer semelhança com o clássico “A Felicidade Não Se Compra” não é mera coincidência. Há muitos pontos de identidade com o filme de Frank Capra, restando clara a fonte de onde beberam os roteiristas. Afinal, Shrek vê as consequências do simples fato de nunca ter existido e, tal como na citada obra-prima, elas não são nada positivas. A diferença é que, em vez de um anjo temos Rumpelstiltskin como responsável por essa viagem a um mundo alternativo, além de, obviamente, termos um texto recheado de humor, desta vez muitíssimo eficiente. Diz o ditado que piada velha não tem graça, mas é interessante como algumas tiradas da série, principalmente envolvendo o Burro e o Gato de Botas, ainda se mostram muito eficientes. Ademais, a trama aventureira se resolve muito bem. Alguns críticos têm apontado a ideia dos mundos alternativos como confusa demais para crianças, o que não é verdade. Eu mesmo, quando garoto, lia as HQs da DC Comics, com toda a sua profusão de dimensões paralelas, sem muita dificuldade. Não vejo porque agora, quando as crianças estão ainda mais espertas que em outros tempos, isso seria um problema.

Talvez o grande problema deste “Shrek Para Sempre” seja o fato de ser lançado nos cinemas logo após “Toy Story 3”, uma espécie de obra-prima definitiva da Pixar. Quando comparamos as duas animações, vemos que “Shrek”, por maior que seja sua eficiência no quesito diversão, fica pálido e comum diante de mais este triunfo dos estúdios Pixar (pra mim, até o momento, o melhor filme do ano). Entretanto, acho que a comparação é válida entre todos os filmes de ambos os estúdios. Parece que todos os filmes da Dreamworks se conformam em apenas trazer algumas horas de entretenimento para o grande público. Os longas da Pixar, por seu turno, sempre trazem um lado artístico mais trabalhado e capaz de emocionar a plateia, fugindo de apenas ministrar algumas doses de humor no dia do espectador, tornando-se, desta forma, memoráveis.

De qualquer forma, mesmo que vítima desta síndrome de Toy Story, “Shrek Para Sempre” vale a ida ao cinema, nem que seja para sair da sala falando “é divertido, mas Toy Story 3 é melhor”.

Obs. Não vi o filme em 3D, portanto não posso opinar sobre este aspecto técnico.


Cotação:

Nota: 8,0

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A Copa acabou



Com a vitória da Espanha (e do Polvo Paul!), terminou a Copa do Mundo. Prometo a mim mesmo procurar atualizar este blog com mais frequência agora. Abraços!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Dica de livro


Eis um livro que deve pegar de jeito todos os cinéfilos. "O Clube do Filme" narra os dias em que o crítico de cinema David Gilmour (xará do guitarrista do Pink Floyd) se viu desempregado e com o seu problemático filho Jesse sem qualquer vontade de estudar. Como ambos estavam com muito tempo à disposição, o pai concorda que o filho deixe a escola, desde que ambos assitam a 3 filmes por semana (com escolhas feitas por David). Essa é a única educação que Jesse receberá.

Antes de tudo, o livro trata da difícil relação entre pais e filhos e de como muitas vezes eles habitam mundos completamente distintos. Entretanto, à parte esta relevante abordagem, é saborosa a apreciação da sequência de filmes assistidos pela dupla. Sempre ficamos curiosos para saber quais serão os próximos, além dos comentários sempre inteligentes de Gilmour sobre os mesmos. Ademais, é emocionante constatar como, de fato, assistir a um bom filme pode ajudar a estabelecer uma ponte entre pais e filhos, tornando possível a comunicação e as descobertas sobre o outro. Sensível e sempre interessante (a leitura flui embalada), acredito que todos aqueles que amam a 7ª arte irão apreciar a obra. Recomendadíssimo!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Coco Antes de Chanel




Novela das 8


Um dos gêneros mais complicados para a arte cinematográfica, sem dúvida, é a biografia. Em verdade, o gênero já apresenta muitas complexidades na literatura devido ao fato notório de que é muito difícil sintetizar a vida de um ser humano em algumas páginas (mesmo que este “algumas” se transforme em centenas). E mais: procurar abordar todas as nuances da personalidade do biografado é algo praticamente impossível. Até porque somente cada indivíduo conhece realmente todos os meandros que habitam sua consciência, o que torna automaticamente toda tentativa de elucidá-la apenas uma cópia borrada da mesma. E, se na literatura a tarefa já não é das mais simples, quem dirá no cinema, onde a limitação de tempo gera ainda maiores obstáculos para que se atinja esse objetivo.

Para tornar a tarefa menos árdua, é comum que diretores e roteiristas optem por abordar apenas alguns ou mesmo apenas um dos vários aspetos que compõem a vida de um biografado. E a diretora Anne Fontaine, responsável por este “Coco Antes de Chanel”, não foge a este padrão. Afinal, ao longo dos 110 minutos de duração da película, praticamente só vemos a vida amorosa de Gabrielle Chanel, mais conhecida como “Coco”, a referência máxima de todos (as) os (as) estilistas que povoam o mundo da moda. Aliás, o próprio nome “Chanel” tornou-se sinônimo de moda e estilo. E talvez seja exatamente por isso que esta cinebiografia se torne tão frustrante. Quando imaginamos uma biografia de Coco Chanel logo nos vem à mente a figura de uma mulher forte, desafiando seu tempo e respectivas convenções. Claro que ela teve vida amorosa, mas não é por seus amores que nos interessamos. E este é o grande erro de Fontaine.

O roteiro (escrito pela própria diretora juntamente com Camille Fontaine) se arrasta contando as venturas e desventuras românticas de Coco (Audrey Tautou). Desde seu caso com Étienne Balsan (Benoît Poelvoorde), o qual serviu de pontapé para sua inserção na alta sociedade francesa, até seu outro romance com Boy Capel (Alessandro Nivola), que o filme dá entender ser uma espécie de “grande amor de sua vida”, um inglês sedutor de quem foi a “outra” durante muito tempo. E vamos assistindo a essa novela das 8 insossa, sendo que seu desenvolvimento profissional, suas inovações estilísticas, suas atitudes estranhas à sua época, são mostrados apenas circunstancialmente, meio que servindo tão somente, e estranhamente, de “pano de fundo” para os relacionamentos da protagonista. Ademais, alguns aspectos mais polêmicos da persona de Chanel são suavizados ou mesmo ignorados pelo longa, como sua ligação com o nazismo (que lhe rendeu o exílio e o ódio dos franceses). A Chanel que fica externada parece até mesmo uma marionete do destino ao afirmar que sempre soube que jamais casaria, meio que retirando essa circunstância do âmbito de sua vontade para atribuí-la àquela entidade abstrata (o que deve deixar muitas feministas de cabelos em pé).

Mesmo Audrey Tautou não parece especialmente interessante em sua interpretação. Falta alguma coisa, um brilho mais intenso, que torne o seu desempenho memorável. O que me faz lembrar imediatamente de Marion Cotillard e sua “Piaf”. Nesta não faltou intensidade, garra, vibração. Alguns podem afirmar que a personagem de Edith Piaf naturalmente dava margem a uma atuação mais intensa, pelo próprio fato de Piaf ser uma mulher bastante passional. Pode haver verdade nisso, mas também é verdade que se Chanel era uma pessoa tal como Tautou a representou, pode-se dizer que a mesma era uma mulher bem menos interessante do que se imagina.

Enfim, “Coco Antes de Chanel” resta bastante insatisfatório. Claro que tem uma perfeita reconstituição de época; figurinos (indicados ao Oscar) impecáveis (e tinha que ser mesmo, né?). Mas a excelência destes aspectos técnicos, dentro do cinema contemporâneo, nada mais é do que obrigatória. Ninguém mais vai ao cinema apenas para ver uma reconstituição caprichada ou uma boa trilha sonora (no caso, de Alexander Desplat). Ainda utilizando como comparação “Piaf – Um Hino ao Amor”, filme sobre outra grande mulher francesa, é interessante como o longa sobre a diva da música consegue emocionar e capturar a essência da personagem (mesmo que também seja omisso com relação a alguns aspectos mais polêmicos de sua vida), resultando em uma película diferenciada. Já este “Coco” consegue apenas igualar aquele tipo de dramaturgia que costumamos ver nas telenovelas. E telenovelas atuais, pois as velhas e ótimas telenovelas (parece que a rede dos Marinho esqueceu como fazê-las) estavam pelo menos um degrau acima desta pálida biografia.


Cotação:

Nota: 5,5

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Cartão vermelho!


Mas como o Mick Jagger é pé-frio, hein?

Agora, só em 2014...

terça-feira, 29 de junho de 2010

Lembrando Katharine Hepburn

Hoje, 29 de junho, se completam 7 anos do falecimento de uma das maiores estrelas da história do cinema: Katharine Hepburn. Recordista de oscars, vencendo 4 ao todo, Hepburn foi eleita pela pela revista Entertainment Weekly como a "a" grande estrela da 7ª arte, deixando Audrey Hepburn em segundo (elas não eram parentes). Abaixo, em homenagem a esta grande atriz, você pode ver uma sequência de "Adivinhe Quem Vem Para o Jantar" (Guess Who's Coming To Dinner, 1967), divertida e inteligente comédia de costumes, onde dois professores universitários, interpretados por Hepburn e Spencer Tracy (o qual foi seu amante durante muitos anos e com quem fez parceria ao longo de 12 filmes), que se dizem liberais e anti-racistas, se surpreendem com a descoberta do namorado da filha, um rapaz negro (Sidney Poitier, ótimo). A atuação rendeu a Hepburn o segundo dos mecionados quatro prêmios da Academia. Se não viu, procure ver. Vale muito à pena!


domingo, 27 de junho de 2010

Até o Andy!

Matéria interessante exibida ontem no Jornal Hoje, da famigerada Rede Globo. Confira abaixo e veja que até Andy, o garoto dono dos bonecos da série "Toy Story", torce pela seleção brasileira! Em uma cena de "Toy Story 3" lá está ele com a camisa da seleção canarinho! Está na hora dos selecionados de Dunga mostrarem realmente a que vieram nesta competição! Pra frente, Brasil!


quinta-feira, 24 de junho de 2010

Oscar 2011 pode mudar de data


Previsto para ser realizada no dia 27/02/2011, a próxima cerimônia do Oscar pode ter esta data alterada. Está em discussão, nos bastidores da Academia, a possibilidade de mudança da cerimônia para o fim de janeiro, segundo informações do site "Deadline Hollywood".

Se a informação se confirmar, a premiação poderá acontecer apenas uma ou duas semanas após o Globo de Ouro. Ademais, a alteração pode forçar os estúdios a anteciparem seus lançamentos para serem elegíveis na competição. A notícia chegou poucas horas depois do anúncio de que os produtores Bruce Cohen e Don Mischer serão os responsáveisa pela organização das próximas cerimônias da Academia, substituindo Adam Shankman e Bill Mechanic.

Não sei se a cerimônia já ocorreu em janeiro em alguma outra oportunidade, mas, ao menos desde quando este blogueiro acompanha o Oscar, será a primeira oportunidade em que acontecerá no primeiro mês do ano. A conferir.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Toy Story 3

Filmar como criança


O gênio Pablo Picasso é autor de uma frase célebre, afirmando que o grande objetivo de sua vida era o de “pintar como uma criança”. Ao assistir ao terceiro episódio da série “Toy Story” chego à conclusão que este deve ser o lema da Pixar Animation Studios, substituindo apenas o “pintar” por “filmar”. É impressionante como a equipe comandada por John Lasseter parece ter uma criatividade infinita, somente comparável à dos pequenos. E também é de cair o queixo a capacidade da Pixar em gerar emoções em uma película somente comparáveis àquelas que sentimos na “aurora da vida”.

Toda a estrutura de “Toy Story 3” lembra a de uma grande brincadeira. É como se a trama, de fato, tivesse sido elaborada por uma criança ao brincar com seus bonecos. A sequência inicial, a qual mostra uma fantasia do menino Andy com seus antigos brinquedos (os nossos velhos conhecidos Woody, o cowboy, e Buzz Lightyear, o astronauta) entre outros, é uma perfeita síntese do que será todo o filme. Ao mesmo tempo, o longa toca num tema muito caro para todos nós: o fim da infância, a chegada da idade adulta e a necessidade de crescer, por mais dolorido que seja esse processo. No roteiro, escrito por Michael Arndt (o mesmo de “Pequena Miss Sunshine”, outro filme ótimo), vemos que Andy já é uma rapaz de 17 anos, prestes a entrar na faculdade e que, por intimação de sua mãe, precisa dar um destino aos antigos brinquedos que enfeitam seu quarto. Há 3 opções: o lixo, o sótão ou doá-los para uma creche. Devido a alguns equívocos, a velha turma acaba na creche Sunnyside, ficando na ala das crianças menores, na faixa de 2 a 4 anos, que possuem aquela peculiar forma de brincar: despedaçando e babando os brinquedos. Quem pode salvá-los é Woody, o único que escapou desse trágico destino, mas que jamais abandonará seus amigos à própria sorte.

A verdade é que a narrativa se desenvolve da mesma maneira redonda a que a Pixar nos acostumou. E, na minha apreciação, talvez este seja o episódio em que o humor está mais afiado e bem encaixado. Nenhuma tirada soa gratuita ou deslocada e as referências ao próprio cinema, tão comuns nos longas do estúdio, além de menos óbvias, jamais se apresentam forçadas. É bom ressaltar que todos os longas da Pixar possuem diversos clichês. Mas também é importante dizer que sempre esses clichês aparecem reformulados. Afinal, todas as estórias já foram contadas. O que vai torná-las especiais é a forma de contá-las. E, neste aspecto, a Pixar parece se superar a cada novo longa de animação que estreia nos cinemas.

Este, inclusive, é o primeiro episódio da série em 3D. Mas vou logo alertando: vi em 2D, pois creio que a tecnologia 3D nada tem a acrescentar aos filmes, a não ser distração. E devo, assim, dizer que este novo “Toy Story” me tocou e impressionou muito mais do que outros longas a que assisti usando aqueles óculos desconfortáveis (inclua-se nessa lista o tão badalado “Avatar”). O que importa, primordialmente, é a trama que lhe envolve, as técnicas de direção usadas para potencializar a narrativa, a identificação que o filme pode alcançar com o espectador. E, pelo menos no cinema contemporâneo, não há qualquer outra equipe que atinja tanto sucesso nestes aspectos, de forma tão reiterada, quanto aquela comandada por Lasseter. Não importa se você assistirá ao longa em 2D ou 3D. Pode ter certeza que você se emocionará da mesma forma.

Falando em direção, Lee Unkrich não brinca em serviço. Ele mostra uma enorme competência, comandando uma trupe que constroi a trilha adequada, as tomadas engenhosas , a inserção de subtramas que tornam ainda mais dinâmica a narrativa.

Bem, diante de tantas trilogias por aí, devo dizer que esta possui em seu terceiro episódio o melhor de todos. E talvez isto seja inédito na história do cinema. Basta lembramos que mesmo a trilogia “O Poderoso Chefão” possui na terceira e última parte o seu elo mais fraco. Pois bem, a Pixar quebra este paradigma (quebrar paradigmas parece ser sua especialidade) e nos presenteia com um belíssimo filme capaz de fazer escorrer a lágrima no mais duro dos corações. E o mais interessante de tudo é que tais lágrimas provavelmente rolarão com maior abundância no rosto dos crescidos e não dos pequenos.

Ao final, deixando a sala de projeção, saímos com o forte desejo de que as mentes que fazem a Pixar continuem assim: sempre buscando filmar como crianças...


Cotação:

Nota: 10,0


Obs. Chegue cedo para conferir o curta “Dia e Noite”. Vale à pena!

Obs. 2. Mesmo que você não tenha conferido os outros dois episódios, poderá assistir a este terceiro sem o menor problema.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

"Uma coisa sem nome, essa coisa é o que somos"


Poucos obras literárias me impressionaram tanto quanto "Ensaio Sobre a Cegueira". Um livro de força ímpar, impactante e, ao mesmo tempo, de uma reflexão poderosa sobre a condição humana poucas vezes igualada. E hoje tivemos a notícia que seu genial autor, José Saramago, faleceu na ilha de Lanzarote. Em sua homenagem, segue abaixo um video com a reação de Saramago ao fim da sessão da adaptação da obra, realizada para o cinema pelo diretor Fernando Meirelles. Aliás, Meirelles foi muito feliz ao afirmar que, sem Saramago, "o mundo ficou mais burro e mais cego". Clique aqui para ler a resenha do Cinema Com Pimenta para "Ensaio Sobre a Cegueira" (o filme).


quarta-feira, 16 de junho de 2010

Copa do Mundo


Em plantão extraordinário, o Cinema Com Pimenta informa que o blog está padecendo de atualizações devido à realização da Copa do Mundo FIFA 2010. Afinal, este blogueiro, um grande admirador do esporte bretão, não pode deixar de lado um evento que só acontece a cada 4 anos. Na medida do possível, o espaço voltará a ser atualizado. Obrigado!