
Descobri este poster sensacional de "Os Pássaros", um dos grandes filmes do velho Hitch!













erseguido, sem qualquer motivo aparente, por um caminhão negro e enorme. Ao longo da trama, jamais vemos quem é o motorista e as possíveis motivações jamais são elucidadas. A verdade é que o jovem diretor, então com apenas 24 anos, conseguiu criar um enorme clima de tensão e mistério, fazendo um caminhão transformar-se em um verdadeiro monstro de filme de terror. Trabalhando com esse conceito, Spielberg leva as circunstâncias para o mar, em vez da estrada, e consegue um efeito ainda mais poderoso. Na maior parte da projeção, o tubarão assassino e gigantesco não é mostrado, mexendo com o nosso inconsciente temor do que não podemos ver. As cenas em que as pessoas são devoradas causam ainda maior impacto devido à trilha macabra de John Williams, o qual se inspirou na famosa trilha de violinos que Bernard Hermann elaborou para “Psicose”, de Hitchcock. O filme foi um estrondoso sucesso de bilheteria (inclusive no Brasil) e foi a partir dele que se cunhou o mencionado termo “blockbuster”.
diana Jones”, o mais do que famoso personagem encarnado à perfeição por Harrison Ford (que não foi o primeiro cotado para o papel, que seria de Tom Selleck), um professor universitário de Arqueologia que, nas “horas vagas”, se aventura pelo mundo em busca de artefatos históricos esquecidos/perdidos. É sabido que Spielberg, juntamente com o amigo George Lucas (que foi o produtor), tentava resgatar o clima das aventuras dos filmes “B” que eram exibidos em matinês dos cinemas em outros tempos, com seus heróis intrépidos e quase indestrutíveis que passavam por aventuras mirabolantes. E o fato é que ele conseguiu atingir plenamente seu objetivo. Ou melhor, superou. Sucesso estrondoso, o filme teria mais duas continuações, “O Templo da Perdição” e “A Última Cruzada”, transformando o personagem de Indy e a famosa trilha de John Williams em ícones culturais. Recentemente, tivemos mais outro exemplar da série, intitulado “O Reino da Caveira de Cristal”, o qual, todavia, não atingiu o brilho da trilogia original.
E.T. – O Extraterrestre (E.T. – The Extra-Terrestrial, 1982) – Este possui um valor especial para mim, pois foi um dos primeiros filmes que vi em uma sala de cinema. Eu tinha apenas 5 anos então e chorei muito com a partida final do famoso e pequeno extra-terrestre para o seu planeta natal. É interessante como neste longa ,que parece tão infantil, Spielberg é capaz de incutir uma das mais fortes mensagens contra qualquer tipo de preconceito (vale lembrar que o próprio diretor é judeu). Afinal, o E.T. do título, que é esquecido pela tripulação de sua nave aqui na Terra, é nanico e feinho, possuindo uma aparência que assusta em um primeiro momento. Contudo, quando se passa mais um tempo ao seu lado, ele se mostra a mais dócil de todas as criaturas, com seus olhos grandes e carentes, cheios de sentimento. Poucas cenas representam tanto a magia do cinema como aquela em que a bicicleta do menino Elliott alça vôo juntamente com o amigo de outro planeta e cruza a lua. Inesquecível para qualquer retina. Muitas vezes acho que foi essa cena que me transformou em um apaixonado pelo cinema. Obrigado, Steven Spielberg!
um público mais “maduro”. Foi assim com “A Cor Púrpura” e “Império do Sol”, os quais não foram muito bem recebidos por público e crítica (muito embora eu considere “Império do Sol” um ótimo filme). Com “A Lista de Schidler”, entretanto, Spielberg atingiu um nível de maturidade artística ímpar, mostrando um grupo de judeus salvos da morte certa em campos de concentração por um integrante do partido nazista (interpretado por Liam Neeson em seu melhor desempenho em um filme). Fotografado com preto e branco deslumbrante, o filme causou enorme impacto por mostrar a violência nazista de uma forma nunca antes vista, com toda a sua crueza e barbárie. Vencedor de 7 Oscars, pode-se até acusá-lo de ser uma obra manipuladora, inserindo elementos não verídicos para aumentar o potencial de lágrimas na plateia, mas isso não diminui sua relevância artística e mesmo histórica. O filme transformou-se em um verdadeiro “evento” quando foi lançado (até hoje lembro da fila que enfrentei para vê-lo) e influenciou várias obras posteriores, como o igualmente ótimo “O Pianista”, de Roman Polanski.
g Private Ryan. 1998) - Este não é um filme perfeito. Existe melodrama e um patriotismo meio barato em sua conclusão, mas é inegável o impacto de sua primeira meia hora de projeção. Jamais tínhamos visto tamanho realismo em cenas de guerra na sala escura. O desembarque das tropas aliadas na Normandia, durante o famoso “Dia D”, ganhava cores ineditamente verídicas. Muitos críticos afirmam que a tal meia hora inicial deste longa era a melhor sequência de abertura da história da 7ª arte. Exagero ou não, a verdade é que mais uma vez Spielberg arrebentava a boca do balão e ganhou seu segundo Oscar de direção pelo feito. É deste longa que surgiu o interesse por séries como “Band Of Brothers”, produzida pelo próprio Spielberg juntamente com Tom Hanks, o protagonista deste “Soldado Ryan”, que atinge grande intensidade interpretando um capitão que comanda um grupo de soldados destacados para encontrar o tal Ryan do título (Matt Damon), o qual, por sua vez, é o último sobrevivente de quatro irmãos, todos mortos na guerra. Se você ainda não viu a mencionada sequência inicial, assista o quanto antes.
h Me If You Can, 2002) – Um dos meus favoritos de Spielberg, aqui o diretor inicia um novo tipo de abordagem, mais ameno e menos espetacular ou grandioso, para contar a história real do falsário Frank Abagnale, o qual ludibriou a companhias aéreas durante anos a fio, falsificando passagens e até mesmo fazendo-se passar por piloto. Era ainda um especialista em falsificar cheques e, depois de um período na prisão, acabou se tornando um especialista do FBI na área. Divertido e despretensioso, nesta obra Spielberg realiza o seu filme de atores, com ótimas atuações de Tom Hanks (que hoje em dia parece que esqueceu de atuar) e, principalmente, Leonardo DiCaprio, o qual dá um show como o protagonista. A trilha de John Williams também está particularmente inspirada (observem bem na sequência dos créditos iniciais, que é ótima). Spielberg repetiria a fórmula do longa, em estilo e acabamento, com “O Terminal”, também com Hanks, mas o resultado não foi tão especial quanto aqui.





me preferido, sua melhor realização dentro de sua prolífica carreira. A trama mostra o cotidiano de uma família típica americana que tem sua rotina transformada pela chegada do tio Charlie (Joseph Cotton, ótimo). Ele é uma espécie de ídolo da jovem sobrinha homônima Charlie (Teresa Wright), a qual aos poucos vai descobrindo que seu tio não é um homem tão espetacular quanto imaginava e que, ademais, pode ser um assassino de viúvas ricas procurado pela polícia. Um estudo psicológico extremamente interessante, “Shadow Of a Doubt” serve de amálgama de todas a experiências cotidianas do conhecer aquele que está a seu lado. Afinal, construção e destruição de imagens acontecem a todo momento em nossas vidas. E descobrir as facetas ocultas e desagradáveis daqueles de quem nos aproximamos é sempre doloroso. Destaque ainda para trilha sonora perfeita de Dimitri Tiomkin (aliás, como é o hábito nos filmes de Hitchcock, a trilha sonora mereceria um texto à parte). Vou apenas discordar do velho mestre e afirmar que esse não é seu melhor trabalho, muito embora seja realmente ótimo. O problema é que, em uma carreira com várias obras-primas, o ótimo acaba sendo abaixo do seu potencial.
rumbo (que só assumiu o crédito depois de décadas, uma vez que fazia parte da lista negra do macarthismo) mostra uma princesa cansada de sua vida cheia de regras e compromissos, jamais tendo oportunidade de fazer o que realmente quer. Em uma visita a Roma, ela acaba escapando de seus assessores e seguranças para viver um dia como uma mulher comum na capital italiana. Ela acaba esbarrando com o jornalista Joe Bradley (Peck), o qual inicialmente vê na situação a oportunidade de realizar a matéria de sua vida. Entretanto, aos poucos ele percebe que está se apaixonando pela princesa e se sente mal por abusar de sua inocência em proveito próprio. Muito embora alguns possam acusar o filme de um certo excesso romântico, afinal eles se apaixonam no curto período de 24 horas, também é verdade que tal relação não é de todo inverossímil, principalmente pelo lado da princesa, que jamais havia tido qualquer relação mais próxima com um homem. O longa foi rodado inteiramente em Roma, sob a direção sempre competente de William Wyler, um ótimo diretor de atores (vale lembrar que ele é o diretor de “Ben-Hur”) e ainda conta com a ótima presença de Eddie Albert como o fotógrafo que ajuda Bradley na tentativa do “furo”. Filme para ter na coleção.
ade (ele é o diretor de “Magnólia”, filme que, se você ainda viu, não sabe o que está perdendo) e demonstra tal afirmação por meio deste soberbo filme que levou Daniel Day-Lewis ao seu segundo Oscar de melhor ator. De forma enérgica, adaptando o livro “Oil”, de Upton Sinclair, ele constrói uma perfeita alegoria da marcha do capitalismo na formação dos Estados Unidos. Para tanto, utiliza-se do personagem Daniel Plainview (Day-Lewis perfeito), a representação em carne e osso do capital e força individualista que levaram os EUA à sua pujança econômica, mas que ao mesmo tempo selaram o destino de instituições como a família e a religião, elementos que Plainview utiliza da forma que lhe convém através das figuras de seu filho adotivo H.W. e do pastor Elli. A força do filme não se limita ao roteiro excepcional, mas ainda à fotografia brilhante e à trilha sonora inovadora de Johnny Greenwood, guitarrista do Radiohead. Contudo, é bom advertir que este não é um longa de fácil degustação, não agradando a todos os gostos, até mesmo porque trata de um protagonista que está longe de ser um modelo de caráter. Um trabalho que permite múltiplas leituras, sendo possível escrever mais de um texto analítico sobre o mesmo. Talvez algum dia eu me debruce sobre esta tarefa complicada, mas necessária.
como o Sendero Luminoso, que os peruanos denominam de época do “terrorismo”. A crença popular diz que as mulheres vítimas dos freqüentes estupros deste período transmitiam às filhas, através do leite, uma doença conhecida como a “teta assustada”. Uma das vítimas de tal doença seria Fausta (a novata Magaly Solier, ótima), que tem uma batata colocada na vagina como forma de evitar possíveis estupros, providência tomada por sua mãe, estuprada durante o período do terrorismo. A genitora acabou lhe transmitindo também um medo atávico a homens, os quais vê sempre como potenciais estupradores. O filme desenvolve, de forma sóbria, uma metáfora para mostrar que o Peru precisa se libertar do passado, principalmente através da simbologia da mãe que precisa ser sepultada na terra de seus antepassados. Interessante, ainda, observar alguns aspectos da cultura peruana como seus cafonas, mas também alegres e divertidos casamentos. O filme peca, apenas, por apresentar algumas excessivas elipses narrativas que deixam o espectador sem saber realmente o que aconteceu em algumas passagens, um tique de alguns diretores do cinema denominado de “arte”, que adotam a teoria besta desenvolvida por alguns críticos de que o “espectador é inteligente” e não é necessário que se mostre tudo. Alfred Hitchcock deve se remexer no túmulo ao ouvir tamanhas sandices. De qualquer forma, um bom filme que merece a indicação ao Oscar de filme estrangeiro. Vamos ver se ele derruba “A Fita Branca”, de Michael Haneke.